• Nenhum resultado encontrado

Do limite para empenhar

No documento LEI 4320 COMENTADA.pdf (páginas 120-125)

Art. 59. O empenho da despesa não poderá exceder o limite dos créditos concedidos. (Redação dada pela Lei nº 6.397, 10/12/76)

§ 1º Ressalvado o disposto no art. 67 do Constituição Federal, é vedado aos Municípios empenhar no último mês do mandato do prefeito mais do que o duodécimo da despesa prevista no Orçamento vigente.

121

§ 2º Fica, também, vedado aos Municípios, no mesmo período, assumir, por qualquer forma, compromissos financeiros para execução depois do término do mandato do prefeito. (Redação dada pela Lei 6.397, 10/12/76)

§ 3º As disposições dos parágrafos anteriores não se aplicam nos casos comprovados de calamidade pública. (Redação dada pela Lei 6.397, 10/12/76)

§ 4º Reputam-se nulos e de nenhum efeito os empenhos e atos praticados em desacordo com o disposto nos parágrafos 1º e 2º desse artigo, sem prejuízo da responsabilidade do prefeito nos termos do art. 1°, Inciso V, do Decreto-lei número 201, de 27 de fevereiro de 1967.

(Redação dada pela Lei 6.397, 10/12/76)

Este dispositivo tem a finalidade de impedir que déficits, tanto orçamentários quanto financeiros, originem-se em face da interpretação equivocada da execução do orçamento. Se os recursos que o Estado possui para realizar seus programas constam da despesa e se o orçamento cumpre o princípio do equilíbrio, as obrigações contraídas no exercício financeiro serão suportadas pelas receitas. No caso da realização de qualquer pagamento sem a dedução do saldo da dotação, se esse saldo, depois do pagamento, for totalmente comprometido, por certo ocorrerá um déficit orçamentário, até mesmo financeiro ─ nesse caso, se não houver superávit financeiro do anterior para cobrir esse desembolso.

Um pequeno exemplo deixa mais bem explanado o tema: a) receita prevista de R$100;

b) despesa fixada de R$100;

c) crédito suplementar financiado pelo superávit financeiro no valor de R$50, e incorporado ao orçamento e executado,

d) receita arrecadada de R$100;

e) despesa empenhada e inscrita em restos a pagar R$150; f) pagamento sem empenho no valor de R$20.

122 Balanço patrimonial do ano (n0)

ATIVO FINANCEIRO PASSIVO FINANCEIRO

TÍTULOS $ TÍTULOS $

Disponível 50 0

Soma do Ativo Real 50 Soma do Passivo Real 0

SALDO PATRIMONIAL

Ativo Real Líquido 50

TOTAL GERAL 50 TOTAL GERAL 50

Balanço orçamentário do ano (n1)

RECEITAS DESPESAS

TÍTULOS PREVISTA EXECUTADA DIFERENÇA TÍTULOS FIXAÇÃO EXECUÇÃO DIFERENÇA

Receita 100 100 -0- Créditos Iniciais e

Suplementares

100 100 0

Subtotal 100 100 -0- Subtotal 100 100 0

Déficits Superávits

TOTAL 100 100 TOTAL 100 100 0

Balanço patrimonial do ano (n1)

ATIVO FINANCEIRO PASSIVO FINANCEIRO

TÍTULOS $ TÍTULOS $

Disponível 130 Restos a Pagar 150

Realizável 20

Soma do Ativo real 150 Soma do Passivo Real 150

TOTAL GERAL 150 TOTAL GERAL 150

Eis, portanto, o motivo de a Lei não permitir que os empenhos sejam superiores aos créditos autorizados. Com o pagamento de R$20 (vinte reais) acima dos créditos autorizados e considerando que tanto as receitas quanto as despesas foram executados em valores idênticos aos previstos e fixados, respectivamente ─ ou seja, o resultado orçamentário igualou-se a zero ─, o resultado financeiro se mantém idêntico ao ano anterior. Ante os números apresentados

123 neste último balanço, evidencia-se que há uma obrigação de R$150, a qual deve ser paga pelo valor constante do disponível, o qual registra apenas R$130. A diferença é, justamente, o valor pago sem a dedução da dotação disponível.

Os demais dispositivos deste artigo foram extintos depois do advento da LRF. Sobre este tema, estabelece LRF:

Art. 38. A operação de crédito por antecipação de receita destina-se a atender insuficiência de caixa durante o exercício financeiro e cumprirão as exigências mencionadas no art. 32 e mais as seguintes:

[....]

IV - estará proibida:

a) enquanto existir operação anterior da mesma natureza não integralmente resgatada; b) no último ano de mandato do Presidente, Governador ou Prefeito Municipal. [...]

Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para esse efeito.

Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas compromissadas a pagar até o final do exercício.

No caso de calamidade pública, deve ser observado o disposto na LRF, que estabelece:

Art. 65. Na ocorrência de calamidade pública reconhecida pelo Congresso Nacional, no caso da União, ou pelas Assembléias Legislativas, na hipótese dos Estados e Municípios, enquanto perdurar a situação:

I - serão suspensas a contagem dos prazos e as disposições estabelecidas nos arts. 23, 31 e 70;

II - serão dispensados o atingimento dos resultados fiscais e a limitação de empenho prevista no art. 9o.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput no caso de estado de defesa ou de sítio, decretado na forma da Constituição.

A LRF, sobre este tema, tornou-se mais abrangente ao incluir os demais entes da Federação, os quais ficam impedidos de contrair obrigações nos dois últimos quadrimestres do último ano de seu mandato.

124 A presença do déficit financeiro encontrou, em parte, amparo a partir do advento da LRF. Esta Lei proibiu somente as obrigações contraídas nos dois últimos quadrimestres do último ano de mandato do chefe do Poder Executivo de todas as esferas. Assim, de forma indireta, admitiu o amparo de déficits em outras situações. Com esse entendimento, pode-se admitir como amparado pela Lei o déficit durante todo o mandato e, ainda, dívidas contraídas no primeiro quadrimestre do último ano de mandato, o que evidencia um avanço e, ao mesmo tempo, um retrocesso. Avanço, ao estabelecer o período em que não pode existir dívida de um chefe do Poder Executivo para outro; e retrocesso, ao permitir que esse Poder possa apresentar em suas contas déficit nos três primeiros anos do seu mandato.

Atenção interpretativa cuidadosa deve ser dada ao § 3o do art. 59, ora em comento. Sabe-se, pelo que enfatiza o art. 43 desta Lei n. 4.320/64, que a necessidade de fonte de financiamento é exigida somente para os créditos suplementares e especiais.

O mencionado parágrafo cuida dos créditos extraordinários, para os quais a lei autoriza abertura sem a indicação da fonte de financiamento, nos termos dos dispositivos apresentados. Observa-se que, na ocorrência de calamidade pública, ficam suspensos os prazos estabelecidos nos arts. 23, 31 e 70, os quais dispõem:

Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites definidos no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o percentual excedente terá de ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-se, entre outras, as providências previstas nos §§ 3o

e 4o do art. 169 da Constituição.

Art. 31. Se a dívida consolidada de um ente da Federação ultrapassar o respectivo limite ao final de um quadrimestre, deverá ser a ele reconduzida até o término dos três subseqüentes, reduzindo o excedente em pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) no primeiro.

§ 1o Enquanto perdurar o excesso, o ente que nele houver incorrido:

I - estará proibido de realizar operação de crédito interna ou externa, inclusive por antecipação de receita, ressalvado o refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária;

II - obterá resultado primário necessário à recondução da dívida ao limite, promovendo, entre outras medidas, limitação de empenho, na forma do art. 9o.

125

ente ficará também impedido de receber transferências voluntárias da União ou do Estado. § 3o As restrições do § 1o aplicam-se imediatamente se o montante da dívida exceder o

limite no primeiro quadrimestre do último ano do mandato do Chefe do Poder Executivo. § 4o O Ministério da Fazenda divulgará, mensalmente, a relação dos entes que tenham

ultrapassado os limites das dívidas consolidada e mobiliária.

§ 5o As normas desse artigo serão observadas nos casos de descumprimento dos limites da

dívida mobiliária e das operações de crédito internas e externas.

Art. 70. O Poder ou órgão referido no art. 20cuja despesa total com pessoal no exercício anterior ao da publicação desta Lei Complementar estiver acima dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 deverá enquadrar-se no respectivo limite em até dois exercícios, eliminando o excesso, gradualmente, à razão de, pelo menos, 50% a.a. (cinqüenta por cento ao ano), mediante a adoção, entre outras, das medidas previstas nos arts. 22 e 23.”

No documento LEI 4320 COMENTADA.pdf (páginas 120-125)