A proposta da inclusão da pessoa com deficiência supõe modificações, mudanças profundas que vão além de políticas e leis, e necessitam, sobretudo de engajamento social, planejamento e meios adequados de torná-la realidade. Sendo assim, gostaria de ressaltar que o entendimento do que é, de como funciona e, principalmente, dos mecanismos que podem favorecer os processos de inclusão são de suma importância.
A palavra “incluir” na sua forma gramatical é um verbo. Os verbos são usados para indicar ações, estados ou mudança de estado (Caldas Aulete, 2011, p. 626). O termo “incluir” indica uma ação, e deste modo para incluir, para fazer na prática a realidade de processos inclusivos é necessário agir, praticar, proceder, participar, mudar e provocar a mudança. Neste sentido, entendo que é imprescindível uma ação conjunta entre todos os envolvidos neste processo, aí incluídos os órgãos políticos, as instituições públicas e privadas, a sociedade, a própria pessoa com deficiência e tudo o mais que se fizer necessário para este fim.
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Werneck (1997, p. 21) ressalta que a inclusão em uma “sociedade inclusiva” refere-se a questões éticas e sua prática está vinculada ao exercício da cidadania:
Na sociedade inclusiva ninguém é bonzinho. Ao contrário. Somos apenas – e isto é o suficiente – cidadãos responsáveis pela qualidade de vida do nosso semelhante, por mais diferente que ele seja ou nos pareça ser. Inclusão é, primordialmente, uma questão de ética”. (WERNECK, 1997, p. 21)
Quando falamos em incluir, ou em processos inclusivos, o entendimento do termo vai depender também do contexto ao qual se refere. Assim, quando dizemos, por exemplo, que uma pessoa tem acesso à internet, tem computador e meios de acessibilidade aos ambientes virtuais, podemos supor que dentro deste contexto ocorre uma inclusão digital12. Deste modo, a inclusão pode se referir a diferentes situações cotidianas e, dessa forma, uma mesma pessoa pode estar incluída do ponto de vista de uma determinada perspectiva e excluída quando considerados outros contextos.
Para entender um pouco mais essa questão dos processos inclusivos em diferentes contextos, citaria como exemplo alguns processos de inclusão, tais como: cultural, étnico, social, digital, escolar, trabalhista, jurídico, entre outros. Enfim, como podemos perceber, são muito amplas as possibilidades de desenvolvimento do tema e estas possibilidades podem percorrer caminhos completamente diferentes, não sendo a inclusão da pessoa com deficiência o único processo inclusivo.
Sassaki (1999) destaca que, para que ocorra o processo de inclusão é indispensável uma transformação social e que cada um perceba seu papel a cumprir:
O processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda excluídas e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos. (SASSAKI, 1999, p. 41).
Por conseguinte, todas as mudanças exigem tempo e dedicação, não se muda ou transforma todo um contexto histórico da noite para o dia, como num passe de mágica.
Existe todo um desenvolvimento necessário para que a finalidade seja alcançada.
12 Chamamos de Inclusão Digital a tentativa de garantir a todas as pessoas o acesso às tecnologias de informação
e comunicação (TICs). A ideia é que todas as pessoas, principalmente as de baixa renda, possam ter acesso a informações, fazer pesquisas, mandar e-mails e mais: facilitar sua própria vida fazendo uso da tecnologia. (PACIEVITCH, 2014)).
Por este motivo para que os processos de inclusão, inclusive a inclusão social, ocorram, é necessário reformular conceitos e valores. Além desta reformulação, o empenho e o comprometimento de todos os envolvidos em processos inclusivos também são fundamentais. Para Maciel (2000) o centro da inclusão social seria a igualdade de oportunidades, o respeito e a interação entre pessoas com e sem deficiência, e o pleno acesso aos recursos e benefícios sociais. No mesmo sentido, para o autor, as ações inclusivas da pessoa com deficiência devem fazer parte, de forma contínua e definitiva, dos planos elaborados para a educação, no âmbito político e pedagógico, não apenas das pessoas com deficiência, mas também de todas as minorias que ainda se encontram às margens da sociedade. Salienta que incluir é uma tarefa difícil e complexa, mas possível.
Embora sejam nítidos os avanços que ocorreram neste campo ao longo dos últimos anos, Sassaki (2004) reforça os autores supracitados ressaltando que:
A atualização das políticas públicas, assim como a elaboração de novas políticas públicas, devem passar, portanto, pelo prisma da inclusão social a fim de que possamos ter a garantia de que estamos no rumo certo diante das novas tendências mundiais no enfrentamento dos desafios da diversidade humana e das diferenças individuais em todos os campos de atividade humana. [...] Assim, olhando as coisas pelo paradigma da inclusão social, geraremos ideias e pontos de vista que respeitam esses princípios e suas implicações. Um outro aspecto importante no paradigma da inclusão social consiste no papel das pessoas dentro do processo de mudanças sociais. As políticas, os programas, os serviços e as práticas sociais não podem ser simplesmente disponibilizados a determinados segmentos populacionais. Estes segmentos devem participar do desenvolvimento, da implementação, do monitoramento e da avaliação desses programas e políticas. (SASSAKI, 2004, pp.2;7)
Dessa forma, os processos inclusivos, todos eles, necessitam de toda uma estrutura que os sustentem e os aprimorem, tendo em vista os inúmeros benefícios que podem proporcionar particularmente às pessoas com deficiência.
2.11 CONCEITOS: PONTES OU PAREDES PARA A EFETIVAÇÃO DOS PROCESSOS