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3 UM PROGRAMA DE ESTUDOS

3.1 Entre dois mundos (1966-71)

Cidade de São Paulo, 1966. Este é o ano e local em que, pela primeira vez, Eduardo, que havia deixado os bancos escolares da Faculdade Maria Antonia da USP em 1964, diz estar absorvido pela ideia de um estudo aprofundado e autônomo da questão racial brasileira. No outrora citado Blues para Mister Charlie, ele escreveu: “Se por um lado encontramos inúmeros pontos de contato quanto a posição do Grupo e sua problemática, que vem de encontro a todo um programa que pretendemos discutir e estudar com relação aos problemas raciais no Brasil [...]”280. No trecho suprimido ele se contrapunha à escolha da peça de James

Baldwin pelo Grupo Teatral do Negro, como observamos no tópico anterior. Mas não é mais aqui para a história do teatro afro-brasileiro que dirigimos nossa atenção.

Interessa-nos a partir de agora esse programa de estudos que o sociólogo começou a pensar nos anos 1960, e que irá se estender praticamente até o fim de sua vida, em 1980. Antes de entrarmos em detalhes do trabalho em si e de seu contexto, particularmente as Ciências Sociais na USP desse período, procuremos pistas de como a questão afro-brasileira e a negritude, em diálogo com o conceito-chave de subjetividade, constituíram-se, no transcorrer de sua trajetória, em questões para seu pensamento.

Uma dessas pistas advém de um documento datilografado, sem datação precisa, aparentemente o esboço de um relatório de uma viagem que realizara aos Estados Unidos em 1974 – experiência que é o tema do próximo capítulo. No texto, encontramos uma série de reflexões sobre o processo de como Oliveira veio a interessar-se pela Sociologia, e, dentro

279 SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão

social. Rio de Janeiro: Graal, 1983, p. 18.

dela, pela área de Relações Raciais. Ele rascunha ter sido um “negro de extração proletária, formado dentro de um espírito de que o acesso ao estudo seria um mecanismo não só de ascenção social como um meio de adequação ao problema racial”281. E prossegue:

Sem saber que carreira superior seguir, sem sentir vocação para nenhuma daquelas geralmente mais divulgadas (direito ou medicina), tardiamente, através de informações trazidas pela antropologia, foram cogitadas as Ciências Sociais e em particular a Sociologia como disciplina que melhor poderia corresponder aos anseios de compreensão de uma realidade não fácil de ser interpretada. Com essa caracterização, praticamente já pode-se perceber o envolvimento ‘Sujeito’ com a ciência de eleição, e tendo essa ciência sido a escolhida, digamos, como o meio de traduzir uma proposta de vida e não como uma atividade acadêmica, profissional ou como mecanismo de ascensão social ou aquisição de status282.

Note-se que sua visão do papel que o estudo, a instrução, haveria de ter nos processos de ascensão social possivelmente colidisse com o de sua família ou dos ambientes sociais onde porventura estivesse inserido até então. A visão crítica quanto à educação como “adequação ao problema racial” também o diferenciava, ao menos na esfera de seu pensamento, da proposta manifesta de uma parte das organizações negras de São Paulo da época, como o GTPLUN, que apostava suas fichas na instrução formal – profissionalizante – para a mobilidade social, sem francamente desafiar as estruturas da ideologia e da dominação racial brasileira. Para Eduardo, ao contrário, o diploma universitário ensejava a possibilidade – para além das conveniências contraditórias do status – de não somente demonstrar a plena capacidade intelectual do negro, mas de questionar as próprias bases excludentes em que essa instituição – a Universidade – fora concebida, e de desmontar as engrenagens raciais pelas quais esse sistema de exclusão se perpetuava. No entanto, há ainda outro elemento nessa sua fala: aquele da subjetividade negra. A Sociologia parecia-lhe servir, sobretudo, na reflexão deste processo de subjetivação. De acordo com o autor,

[...] a sociologia foi tomada como o meio de ‘leitura’ (do ponto de vista da semiologia), de uma realidade social e em particular esta realidade representando-se ao nível das relações entre negros e brancos. É de prever-se pois, a existência de minha parte (pelo menos seria desejável), de uma constante acuidade para todas as situações sociais [...]283.

281 Esboço, sem autoria e sem datação, de um provável relatório de EOO para o Institute of International Education (IIE), que lhe concedera bolsa para viagem de estudos aos EUA no final de 1974, p. 1. Coleção

EOO/UEIM-UFSCAR, Série Produção Intelectual.

282 Ibid., loc. cit. 283 Ibid., loc. cit.

Esses excertos dão luz ao que José de Souza Martins dizia, no capítulo anterior, sobre a sensibilidade de seu ex-colega “mulato” aos matizes e meandros delicados da diferenciação social na Maria Antonia. E, também, à referência, recolhida no jornal Correio da Manhã, de que Eduardo lia As culturas negras no Novo Mundo, de Arthur Ramos, em 1948, em um momento em que este era um dos maiores especialistas em história e cultura afro-brasileira no Brasil. Ainda que ele não defina do que se trata quando diz, na citação mais acima, que a Antropologia o teria levado ao universo das Ciências Sociais para a compreensão da questão negra, é razoável supor que a leitura de Arthur Ramos tenha realmente exercido alguma influência em sua trajetória, posto que a história da experiência do negro nas Américas, essencial no pensamento de Eduardo, foi motivo importante da obra de Ramos284.

Pressuposições à parte, o fato conjuntural mais relevante em sua guinada para os estudos raciais e afro-brasileiros pode ter sido a passagem pelo curso de Ciências Sociais da USP, entre 1960 e 1964. Antes disso, vemos seu relacionamento com a questão racial – não de uma perspectiva pessoal – apenas na breve citação de Arthur Ramos, em 1948, e em sua atuação como o negro na peça de Sartre, na Aliança Francesa de São Paulo, em 1957.

Na USP dos anos 1950 e 1960, deram aulas e produziram trabalhos seminais relativos à experiência do negro no Brasil nomes como Roger Bastide, Florestan Fernandes, Octávio Ianni e Fernando Henrique Cardoso, naquela que ficou conhecida como a Escola Sociológica Paulista. Também sobre negros, mas em outro enfoque, escreveu Ruy Coelho, em sua tese dos caraíbas negros de Honduras285. Coelho foi, por sinal, amigo, colega e interlocutor de Antonio Candido, professor da FFCL que era o principal responsável pelo Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo, no qual se publicou Blues para Mister Charlie286. A documentação de Eduardo registra relações de proximidade, tanto pessoais quanto acadêmicas, com todos os nomes acima arrolados. Se considerarmos essas relações em paralelo à sua formação na Maria Antonia e ao seu trabalho intelectual em si, há pouca margem para pensar sua identificação acadêmica: ele o foi, a seu modo, um sociólogo uspiano. Mas, não nos adiantemos. Vejamos, em detalhes, em que consistiu a sua proposta de pesquisa para o mestrado em Sociologia na Universidade de São Paulo.

284 Cf. RAMOS, op. cit., 1937. 285 COELHO, op. cit.

286 As pessoas que realizaram o Suplemento Literário eram oriundas do antigo grupo Clima, sobre o qual falamos

no Capítulo 1. Martins comenta: “O mesmo grupo seria ativo na edição do famoso Suplemento Literário de O

Estado de S. Paulo, que ao longo de sua existência acolheria textos de professores e alunos da Faculdade de

Filosofia, como Florestan Fernandes, Roberto Schwartz e Bento Prado Júnior, e jovens iniciantes, Eduardo de Oliveira e Oliveira, um dos primeiros negros a nela ingressar, e eu”. In: Entrevista com José de Souza Martins.

Seu caminho na pós-graduação na USP se inicia em 1966, quando ele começou seu primeiro curso livre de nível avançado em Ciências Sociais. O curso compunha-se de uma disciplina sobre Sociologia do Conhecimento, cujo professor não se descobriu o nome. Para além do lado mais técnico, Eduardo descreve, no texto de seu Exame de Qualificação para o doutorado, de 1978, em breves palavras, a natureza dessa disciplina e de como ela lhe foi importante. Quanto ao modo como ele a encarava, destacamos o seguinte: “[...] nosso interesse esteve sempre voltado para os textos em que a instância ideológica podia ser abordada como controle social”287. O tema das formações ideológicas e suas relações com a

sociedade lhe era caro já nesse período, e será ponto nevrálgico de sua tese.

Um ano depois, em 1967, iniciou outra disciplina, intitulada “Raças e classes sociais no Brasil”. Desta feita, embora a informação não se explicite no documento, podemos precisar quem era o docente: Octavio Ianni. Ele era ainda professor no curso de Ciências Sociais na FFCL, e havia publicado, em 1966, o livro Raças e classes sociais no Brasil288,

uma compilação de alguns de seus textos prévios contendo reflexões centradas no binômio raça/classe. Por meio de uma história política e social do povo brasileiro, o curso de Ianni abordou “as relações raciais em épocas e áreas diversas”, desenvolvendo os “conteúdos e significados políticos e econômicos dessas relações”289. Eduardo diz ainda:

O curso tratou de aspectos relativos ao binômio raça/classe, equação esta que atualmente temos tentado compreender e analisar, rejeitando-a de imediato como instância única por acreditarmos conduzir a um “redutivismo simplista”, para o que temos ultimamente procurado nos atualizar com toda uma escola de estudo de relações raciais que pretende tomar a cor como uma determinante básica para a abordagem do problema290.

Em que pese essas palavras terem sido escritas no entorno de 1978, elas dão acesso a um universo sociológico que procurava compreender a sociedade a partir das relações entre raça/classe, e que teve em A integração do negro na sociedade de classes sua mais acabada vocalização. Não obstante os esforços de Eduardo procurarem nos anos seguintes uma autonomia analítica para as categorias de cor/raça, o conceito de classe, influência do marxismo universitário da Maria Antonia, não sairá jamais de seus horizontes teóricos. Em

287 OLIVEIRA, Eduardo de Oliveira e. Relatório de atividades para o exame de qualificação do curso de

sociologia na F.F.L.C.H. da USP, circa 1978, p. 1. Coleção EOO/UEIM-UFSCAR, Série Produção Intelectual.

288 IANNI, Octavio. Raças e classes sociais no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966. 289 OLIVEIRA, op. cit., 1978, p. 2.

1967, todavia, as margens para uma visão mais crítica e contestadora dessa problemática talvez fossem menores, pois Florestan, Cardoso e Ianni ainda davam aulas na Maria Antonia e exerciam considerável influência no debate sociológico de então.

Em abril de 1969, em decorrência do estado de exceção implantado com o AI-5 no Brasil, vários docentes da USP foram “aposentados compulsoriamente”. Entre eles estavam Fernandes, Cardoso e Ianni, que eram os expoentes dos estudos sobre relações raciais na Sociologia da USP. É patente, contudo, que, por volta da metade dos anos 1960, eles já estavam abandonando o assunto, enquanto objeto de pesquisa e ação sociológica. Outros problemas sociais haviam se interposto em suas perspectivas ao longo da década, como as questões do trabalho, da industrialização e do desenvolvimento nacional291. Os três, no entanto, jamais se distanciaram totalmente da questão racial brasileira, como suas intervenções intelectuais e políticas ulteriores o atestam, e ao menos Cardoso e Ianni estarão presentes em etapas da vida de Eduardo nos anos 1970. As aposentadorias compulsórias de 1969, ainda que tenham aniquilado as carreiras uspianas desses pensadores, não levaram o assunto a ser inteiramente desprivilegiado no contexto do Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP). A indagação se impõe: quem, entre os docentes das Ciências Sociais da FFLCH, sobreviveu ao expurgo e se dedicou ao estudo do negro e das relações raciais no Brasil nos anos seguintes?

A resposta quase que se resume a apenas um nome: o de João Baptista Borges Pereira. O antropólogo de origem italiana, procedente do interior do estado de São Paulo, defendera, em 1966, a tese Cor, Profissão e Mobilidade: o Negro e o Rádio de São Paulo292, na USP, orientada pelo também antropólogo Egon Schaden. Embora interessado em fazer seu doutorado referente ao negro, João Baptista não foi para a Sociologia, mas para a Antropologia, pois Florestan, em 1964, teria recusado supervisioná-lo, dizendo “que não orientava mais teses sobre negro, pois tudo o que tinha de se escrever já fora escrito”293. Não

sabemos se o sociólogo de fato quis dizer isso, mas, de qualquer modo, em 1967 Borges

291 Quando de suas aposentadorias, Florestan, FHC e Ianni estavam envolvidos com as pesquisas do Centro de

Sociologia Industrial e do Trabalho (CESIT), fundado na USP em 1961 – e extinto em 1969. Cf. ROMÃO, Wagner. Sociologia e Política Acadêmica nos anos 1960: a experiência do CESIT. São Paulo: Humanitas, 2006.

292 PEREIRA, João Baptista Borges. Cor, Profissão e Mobilidade: o Negro e o Rádio de São Paulo. São Paulo:

Pioneira/Edusp, 1967.

293 Idem. Entrevista com João Baptista Borges Pereira. Antropologia, São Paulo, v. 46, n. 2, p. 319-344, 2003, p.

324. Ele diz ainda: “Eu não sabia, então, que Florestan estava completando sua tese de cátedra – A integração do

negro na sociedade de classes, realmente um trabalho abrangente e maravilhoso [...]. Acho que ele pensava que

o trabalho dele era muito abrangente e que o meu não teria nenhum sentido mais. Aí eu disse: ‘não, o meu trabalho é este, inclusive inspirado numa sugestão sua e de Roger Bastide’. Não adiantou, ele não quis mesmo me orientar” (p. 324).

Pereira já dava aulas na FFCL. Não tendo sido atingido pelas aposentadorias compulsórias e pela perseguição mais ostensiva da Ditadura Militar, pode-se dizer que, até a chegada – como professor – de Kabengele Munanga, em 1980, ele seria a principal – e talvez a única – figura docente na pesquisa do negro brasileiro na FFLCH, em toda a década de 1970. Assim, parece natural que ele tivesse sido o orientador de Eduardo em seus estudos.

Se do lado mais conhecido e lembrado da Sociologia de Relações Raciais da USP estão os cientistas sociais que orbitavam em torno de Florestan Fernandes, na Sociologia I, de outro, na cadeira de Sociologia II, exercia papel relativamente homólogo Ruy Coelho. Como já ensaiamos dizer, ele fez doutorado com Melville Herskovits, e foi importante na concepção e montagem do Projeto UNESCO no Brasil. Mas, além disso, é aspecto deveras menos conhecido – ou menos comentado – que ele foi mentor das pesquisas de pessoas que tiveram papel crucial no que, hoje em dia, poderia ser denominado de estudos da “diáspora africana”. Desta feita, por exemplo, pode-se observar que Ruy foi o orientador, no mestrado e no doutorado, de Fernando Mourão, que criou, em 1969, o Centro de Estudos Africanos da USP (CEA-USP), uma das mais importantes instituições universitárias voltadas para o estudo de África no Brasil – a qual abrigaria, mais tarde, Kabengele Munanga. Nas palavras de Mourão, Ruy Coelho foi um “esteta e literato”, alguém que punha ênfase no “interconhecimento no campo das ciências humanas”294; Lisbeth Rebollo Gonçalves diz que Coelho, “responsável

pela disciplina de Sociologia [II], era também especialista em Antropologia, Psicologia, Psicanálise, Lingüística, Letras e Artes, conhecedor de música, artes plásticas, cinema e teatro”; ela lembra ainda que, “como humanista que era, acolheu para orientação diversas pesquisas de pós-graduação, em todos estes campos do saber”295.

Dotado de uma sólida formação sociológica, de sensibilidade estética e de um espírito refinado e humanista, Ruy foi o orientador escolhido por Eduardo para o seu mestrado. João Baptista foi escalado por Ruy para ser o co-orientador, e deixou, em entrevista para nossa pesquisa, algumas palavras acerca da opção de Eduardo. Falando em termos comparativos entre dois dos grandes nomes das “sociologias” da USP dos anos 1960, ele afirma:

[...] ele [Eduardo] tinha um distanciamento do Florestan, achando que o Florestan não captava realmente a sensibilidade do negro, que ele entendia ser. Foi por isso que foi para o Ruy. Ruy era um homem sensível, realmente. Ele trabalhou também

294 MOURÃO, Fernando A. A. Ruy Galvão de Andrada Coelho. Estudos Avançados, São Paulo, v. 8, n. 22, p.

275-77, set./dez. 1994, p. 277.

295 GONÇALVES, Lisbeth Rebollo. O professor Ruy Coelho e a interdisciplinaridade. Revista Arte e Cultura,

com relações raciais [inaudível], doutorou-se com Herskovits. Então, quando ele veio ao Brasil, ele trouxe um tipo de sensibilidade para o problema que de certa maneira talvez tenha atraído mais o Eduardo296.

É interessante notar as nuanças de percepção de João Baptista quanto ao que significavam, no senso-comum sociológico da USP, Fernandes e Coelho. Elas se relacionam a uma leitura historiográfica, como o trabalho supracitado de Pulicci, que os associa a dois universos: em Fernandes vê-se uma Sociologia aplicada, científica, engajada; Coelho representaria o refinamento, a sensibilidade, o estético na Sociologia. Contudo, podemos ir mais além. Contrariamente a Fernandes, as perspectivas teóricas de Coelho, como em sua tese de doutorado, talvez parecessem a Eduardo mais pertinentes ao estudo dos aspectos subjetivos da experiência social do negro, o que será um de seus principais objetivos no mestrado. Contudo, os textos de Ruy são por ele raramente citados.

Seja como for, no momento em que se decidiu pelo mestrado, ele talvez estivesse em uma posição ambivalente: transitando entre dois tipos de abordagem e vivência da Sociologia, ele juntou-se, de um lado, a Ruy Coelho e ao que ele representava – escolha que, aliás, fazia pleno sentido se considerarmos sua experiência de vida e sua atenção para o estético da existência, como o teatro negro. De outro, todavia, o seu programa de estudos, transformado em projeto de pesquisa de Pós-graduação, dialogava fundamental e criticamente com a Sociologia de Relações Raciais da USP, disseminada e tornada hegemônica na historiografia pela força da figura de Florestan Fernandes. Mas a perspectiva da subjetividade, mais proeminente no trabalho de Ruy, pode ter sido o fiel da balança na escolha.

A partir desse quadro contextual, perguntamos: que projeto era esse, e que problemáticas ele apresentava, no ocaso dos anos 1960 e alvorecer da década de 1970, para a discussão sociológica atinente ao negro e às relações raciais no Brasil?