ESPIRITISMO: CONCEITO E ORIGEM
Pode-se conceituar o espiritismo como uma doutrina religiosa de cunho filosófico e científico, que tem como principal fundamento a evolução do ser humano, sendo considerada uma filosofia, ciência e religião.
Conforme Rivas (2009), no ano de 1848 se deu a fase inicial do espiritismo, vindo à tona com o caso de Hydesville, em que as irmãs Katherine e Margareth Fox começaram a ouvir ruídos e sons vindos das paredes. Elas faziam perguntas, e a parede respondia com golpes; um golpe para sim e dois golpes para não. A partir daí começa a surgir o estudo do espiritismo, conforme narrado por Rivas:
Descobriu-se que as revelações ruidosas partiam do Espírito de um mascate, de nome Charles Rosma, que fora assassinado e sepultado no porão da casa, pelos antigos proprietários e que só agora podia comunicar-se com a família dos Fox, adeptos da igreja Metodista. Os acontecimentos comoveram a população da vila, aparecendo depois as primeiras demonstrações públicas no salão maior de Rochester, o Corinthian Hall, o que resultou na formação do primeiro núcleo de estudos. (RIVAS, 2009, p. 18).
Depois de esse fenômeno ser descoberto, em 1850 surgiram as mesas girantes (falantes), podendo assim conversar com o invisível. Para isso bastava estar ao redor de uma mesa, apoiando as mãos em
cima dela. Assim, ela levantava um dos seus pés dando uma pancada toda vez que fosse proferida a letra que servisse ao Espírito, para assim formar as palavras (WANTUIL, 1978).
Ao longo do tempo essas comunicações foram se evoluindo, usando assim uma cestinha, onde teria uma caneta e todos os que estavam participando colocavam a mão sobre ela. E mais adiante surgiu a escrita automática, em que a caneta era colocada na mão do médium para que as mensagens fossem recebidas e escritas. Essa manifestação escrita é chamada de psicografia (KARDEC, 2003).
Em 1854, Hippolyte-Léon Denizard Rival, que ficou conhecido como Allan Kardec, teve conhecimento sobre as mesas girantes, quando foi convidado por um amigo para assistir a uma reunião sobre o assunto. Kardec estudou muito sobre o assunto, chegando à conclusão de que não era a mesa que respondia as pessoas, e sim as almas de quem já não estava mais vivo (RIVAS, 2009).
No dia 30 de abril de 1856, Kardec recebeu uma mensagem de um espírito chamado Verdade, revelando que ele teria uma missão, que consistia em dar vida a uma nova doutrina que iria renovar e transformar o mundo inteiro (RIVAS, 2009).
A doutrina espírita ficou conhecida através do primeiro livro escrito por Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, publicado em 1856, onde há perguntas de diferentes médiuns respondidas pelos espíritos, fazendo com que Kardec se tornasse o codificador dessa doutrina. Em seu livro “O Evangelho segundo o Espiritismo”, Kardec diz:
O espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo alude em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que Ele disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil. (KARDEC, 2013, p. 44).
Do espiritismo surge a psicografia, que é um dos meios de comunicação através dos espíritos, mais conhecida em todo mundo.
Psicografia: Conceito e aspectos históricos
A psicografia é uma espécie de mediunidade, em que é atribuída a alguns médiuns a capacidade de escrever cartas ditadas por espíritos.
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|A PSICOGRAFIA COMO MEIO DE PROVA NO PROCESSO PENAL BRASILEIROfenômenos aconteciam de diferentes formas, sendo eles através de vozes, ruídos, movimentos, e até mesmo aparições.
Foi constatado que desde os tempos mais antigos, a comunicação espiritual esteve presente, como pode ser observado:
A possibilidade que os Espíritos têm de escrever diretamente corre desde a antiguidade, como no episódio bíblico conhecido como festim de Baltazar, narrado no livro do profeta Daniel, segundo o qual, quando aquele rei e seus convidados participavam de um lauto banquete, alguns dedos surgiram do Além e escreveram no revestimento da parede do palácio real as três céleres frases que prenunciaram o fim do reinado de Baltazar. (MOTA JÚNIOR, 1999, p. 27)
Com o passar dos anos, os fenômenos mediúnicos se evoluíram cada vez mais, as comunicações que começaram através de ruídos, vozes, e as famosas mesas girantes, foram se evoluindo, assim surgindo a escrita automática, conhecida como psicografia.
Segundo o codificador do espiritismo, de todos os meios de comunicação, a escrita à mão é a mais simples, fácil e cômoda (KARDEC, 2003).
A psicografia pode ser entendida e vista de duas formas, através de dois conceitos diferentes. O primeiro é em sentido amplo, em que é vista como um fenômeno psíquico; e o segundo é em sentido estrito, sendo definida como a transmissão de pensamento de um espírito para um médium.
A conceituação no dicionário Houaiss é feita da seguinte forma:
Psicografia s.f.1- descrição dos fenômenos psíquicos. 2- ato de psicografar ou seu efeito.
Psicografia v. (mod.1) t.d e int. no espiritismo, escrever (o médium) {texto, palavras etc. ditados por um espírito}. (HOUAISS, 2004, p. 606).
Na obra “O livro dos médiuns” de Allan Kardec, ele destaca que há duas formas de ocorrência da psicografia; uma é a direta, ou seja, manual; e a outra é a indireta, onde se usa cestas e pranchas para obter tal resultado. Kardec assim conceitua essas formas:
Chamamos psicografia indireta à escrita assim obtida, em contraposição à psicografia direta ou manual, obtida pelo próprio médium. (...) O espírito que se comunica atua sobre o médium que, debaixo dessa influência, move maquinalmente o braço e a mão para escrever, sem ter (é pelo menos o caso mais comum) a menor consciência do que escreve: a mão atua sobre a cesta, e a cesta sobre o lápis. De todos os meios de comunicação, a escrita manual que alguns denominam escrita involuntária é, sem contestação, a mais simples, a mais fácil e a mais cômoda, porque nenhum preparativo exige e se presta, como a escrita
corrente, aos maiores desenvolvimentos. (KARDEC, 2003, p. 231-232).
A psicografia é um dos fenômenos mediúnicos mais comuns, pois acontece de forma mais simples, sendo ela um dos meios mais eficazes para se comunicar com alguém que já faleceu. Esse fenômeno é feito através de pessoas conhecidas como médiuns.
Médium
Pode ser considerado médium, todos os tipos de pessoas que possuem algum grau de percepção, pessoas sensitivas, que independe de sua religião.
Segundo Kardec, médiuns são:
Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por esse fato, médium. Esta faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer- se que todos são, mais ou menos, médiuns. (KARDEC, 2003, p. 234).
Existem diferentes tipos de médiuns, que variam de acordo com a sua espécie de manifestação, sendo os principais: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos (KARDEC, 2003).
É através dos médiuns escreventes ou psicógrafos que é feita a carta psicografada, sendo assim, esse tipo de médium estabelece uma relação com o Espírito, captando e passando para o papel tudo aquilo que lhe é dito.
Há diferentes tipos de médiuns escreventes, que se dá de acordo com o seu modo de execução, são eles: médiuns escreventes mecânicos, médiuns semimecânicos, médiuns intuitivos, médiuns polígrafos, médiuns poliglotas, médiuns iletrados. Esses tipos de médiuns são conceituados da seguinte forma:
Médiuns escreventes mecânicos: aqueles cuja mão recebe um impulso involuntário e que nenhuma consciência têm do que escrevem. Muito raros.
Médiuns semimecânicos: aqueles cuja mão se move involuntariamente, mas que têm, instantaneamente, consciência das palavras ou das frases, à medida que escrevem. São os mais comuns.
Médiuns intuitivos: aqueles com quem os Espíritos se comunicam pelo pensamento e cuja mão é conduzida voluntariamente (...) “ São muito comuns, mas também muito sujeitos a erros, por não poderem, muitas vezes, discernir o que provêm dos Espíritos do que deles próprios