O termo princípio significa início, causa primária. São os pontos considerados iniciais para um determinado assunto. Os princípios também estão associados à normas ou padrões de conduta a serem seguidos.
No aspecto jurídico, os princípios são as diretrizes gerais e básicas, são os pensamentos diretores de uma regulamentação jurídica (AMARAL, 2008).
Para melhor entendimento, princípio é conceituado da seguinte forma:
Mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo,
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|A PSICOGRAFIA COMO MEIO DE PROVA NO PROCESSO PENAL BRASILEIROno que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. (MELLO, 2003, p. 221).
É notória a importância dos princípios no Processo Penal Brasileiro, diante disso serão expostos aqueles de maior relevância na presente pesquisa, que são: Princípio da Verdade Real, Princípio do Contraditório e Princípio da Ampla Defesa.
Princípio da Verdade Real
Tratando-se do princípio da verdade real, pode-se dizer que de acordo com tal princípio deve haver uma busca verdadeira sobre a realidade dos fatos no âmbito de um processo.
O autor Tourinho Filho destaca que:
(...) quando se trata de verdade real, não se tem a presunção de chagar a verdade verdadeira, como se costuma dizer, ou, se quiserem, à verdade na sua essência (...) mas tão somente salientar que o ordenamento confere ao juiz penal, mais que ao juiz não penal, poderes para coletar dados que lhe possibilitem, numa análise histórica-crítica, na medida possível, restaurar aquele acontecimento que é o crime investigado, numa tarefa semelhante a de historiador. (TOURINHO FILHO, 2017, p. 59).
Conforme esse princípio, o juiz deverá produzir como provas os fatos que mais se aproximam da realidade, para que assim possa formar suas convicções a respeito do processo.
O princípio da verdade real consiste em proteger o réu, assim protegendo seus direitos fundamentais através dessa busca verdadeira que deve haver em relação aos fatos presentes no processo.
Princípio do Contraditório
No Princípio do Contraditório as partes têm o direito de participação no processo. É a manifestação das partes, em que todos possuem o direito de apresentar provas e expor os seus argumentos antes que a decisão seja proferida.
O princípio do contraditório pode ser definido como:
Meio ou instrumento técnico para a efetivação da ampla defesa, e consiste praticamente em: poder contrariar a acusação; poder requerer a produção de provas que devem, se pertinentes, obrigatoriamente ser produzidas; acompanhar a produção das provas, fazendo, no caso de testemunhas, as perguntas pertinentes que entender cabíveis; falar sempre depois da acusação; manifestar-se sempre em todos os atos e termos processuais aos quais deve estar presente; e recorrer quando
inconformado. (GRECO FILHO, 2015, p. 79).
Nesse princípio também é incluído o princípio de paridade das armas, sendo que conforme tal princípio, tanto o réu, quanto a acusação possuem direito de se manifestar, buscando assim uma igualdade processual.
São manifestações desse princípio, tanto o direito de ação quanto o direito de defesa, sendo direito de todos que possuem alguma pretensão de direito material a ser inferido no processo.
O princípio do contraditório está relacionado ao direito de defesa, que retrata a garantia de que ninguém poderá sofrer os efeitos de uma sentença, se não tiver tido a possibilidade de ser parte no processo (LEITE, 2018).
Esse princípio resguarda a todas as partes envolvidas no processo o direito de se manifestar, para que a decisão seja proferida.
Princípio da Ampla Defesa
O princípio da ampla defesa, embora seja bem parecido com o princípio do contraditório, não são iguais.
No que se trata do princípio da ampla defesa, é garantido ao acusado a defesa no âmbito mais abrangente possível, sendo permitido usar a defesa técnica e a autodefesa, com a intenção de demonstrar a inocência do réu (OLIVEIRA, 2017).
Na doutrina, a ampla defesa é estruturada através do binômio: defesa técnica e autodefesa, decorrendo a obrigatoriedade da ordem natural do processo, para que a defesa se manifeste sempre em último lugar. Assim, defesa técnica é conceituada da seguinte forma:
Defesa técnica é considerada indisponível, pois, além de ser uma garantia do sujeito passivo, existe um interesse coletivo na correta apuração do fato. Trata-se, ainda, de verdadeira condição de paridade das armas, imprescindível para a concreta atuação do contraditório. Inclusive, fortalece a própria imparcialidade do juiz, pois, quanto mais atuante e eficiente forem ambas as partes, mais alheio ficará o julgador. (LOPES JÚNIOR, 2014, p. 277-278).
Se não existir a defesa técnica, o processo será anulado, pois perante a lei todos têm o direito de defesa. Essa defesa será efetuada por um defensor, sendo prestada assistência jurídica integral e gratuita aos necessitados, como diz o artigo 5º, LXXIV da Constituição da República de 1988: “O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.” (BRASIL, 1988).
Já na autodefesa, a defesa será feita pelo próprio imputado, mesmo que este não tenha nenhum conhecimento jurídico. Ela é
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|A PSICOGRAFIA COMO MEIO DE PROVA NO PROCESSO PENAL BRASILEIROconcretizada pelo direito de acompanhar o desenvolvimento do processo, o direito de presença, e também pelo direito de audiência, ou seja, o direito de ser ouvido e de se manifestar (MESSA, 2014).
A defesa técnica é sempre obrigatória, enquanto a autodefesa é facultativa, podendo o réu optar por permanecer em silêncio, ficando inerte, sem que tenha nenhum prejuízo.
O princípio da ampla defesa tem a finalidade de garantir a ambas as partes o direito de defesa no âmbito mais abrangente possível, podendo ser utilizado todos os recursos, meios e provas para a defesa dos seus interesses.
Dessa maneira, é fácil perceber que os princípios têm extrema importância no Processo Penal Brasileiro, sendo a partir deles que tudo se forma, consistindo o ponto inicial, a diretriz.
Com base nos princípios e meios de provas acima descritos, há um meio de prova que ainda não é legalmente admitido no nosso ordenamento jurídico brasileiro, a carta psicografada, mas tem sido utilizada em alguns casos. A psicografia vem da doutrina espírita, e é uma forma de mediunidade descoberta há muitos anos através do