• Nenhum resultado encontrado

4 DISCUSSÕES DE RESULTADOS

4.1 GARGALOS COMUNICACIONAIS E EDUCACIONAIS DO PROGRAMA

Como forma de verificar os gargalos comunicacionais e educacionais do Programa, bem como confirmar a potencialidade da implementação de Tecnologias Educacionais em Rede, foi realizada uma pesquisa (Apêndice A) de caráter quantitativo e qualitativo com os membros (discentes, egressos e docentes) das três turmas do Programa. O universo total corresponde a 62 membros, divididos conforme a seguir: primeiro ciclo (27), do segundo ciclo (20) e do atual (15).

O questionário foi elaborado utilizando-se recursos do “Google Forms”, ferramenta aberta de construção e aplicação de questionários. Após elaborado, o mesmo foi encaminhado via e-mail, no formato de newsletter, bem como postado nos grupos fechados das respectivas turmas no Facebook. Em um último momento, uma mensagem privada para cada discente foi enviada também, via Facebook, solicitando colaboração. Com estas ações, foram obtidas 48 respostas, totalizando 77,4% do universo estabelecido. Ressalta-se aqui que a pesquisa foi realizada no período de férias letivas e, diante desse cenário, o número de respondentes superou as expectativas.

Com base nas respostas, foram criadas planilhas para facilitar a análise dos dados, bem como realizado o agrupamento das informações como forma de proporcionar o desenvolvimento de gráficos.

Como forma de melhor entender o perfil do entrevistado, primeiramente foram solicitada informações de idade, enquadramento institucional (discente, egresso ou docente), semestre (em caso de discente) bem como a turma da qual o respondente faz parte no programa.

Do quadro de respondentes, 54% possuem idade entre 18 e 22 anos, sendo que os demais (46%), enquadram-se na faixa de 23 a 35 anos. Com o levantamento dos resultados, foi possível apurar que 31% está no 8º semestre, 14,6% no 7º, 14,5% no 6º, 10% no 5º e 16,6% no 4º semestre, enquanto enquadramento institucional, conforme exemplificado na figura abaixo:

Gráfico 1 - Enquadramento Institucional no Programa

Fonte: Pesquisa

A segunda parte da pesquisa buscou saber mais sobre o processo comunicacional do programa, indagando-os quanto aos canais utilizados para relacionamento discente.

Ao questionar se os canais de comunicação utilizados foram/são eficientes, 93,8% dos respondentes apresentaram enquanto resposta “sim”, conforme figura apresentada a seguir

Gráfico 2 - Eficiência dos canais de comunicação atual

.

Fonte: Pesquisa

Aqui vale ressaltar que a gestão do Programa utiliza-se, principalmente, do

Facebook (através de um grupo fechado/privado) e do e-mail como principais canais

de comunicação e relacionamento com os alunos. Estes são utilizados, principalmente, para o compartilhamento de informações, relacionados a conteúdo e complemento de aulas, ou de reuniões presenciais, até envio de apresentações e lembretes quanto às atividades.

Outro questionamento foi sobre a organização do conteúdo quando disposto/publicado no já referido grupo fechado no Facebook. A intenção da pergunta era entender um pouco do comportamento dos membros em relação ao uso das redes sociais virtuais para o melhor andamento das tarefas do Programa. Esta pergunta é importante para, posteriormente, confrontar com uma potencial adesão de tecnologia educacional em rede, levando em conta a questão da usabilidade (tanto no sentido de design quanto de regularidade de uso).

Transitando entre os conceitos 1 (pouco organizada) a 5 (muito organizada), a percepção dos respondentes apresenta-se conforme a figura abaixo:

Gráfico 3 - Orientação e conteúdo em grupo fechado no Facebook.

Fonte: Pesquisa

Muito embora 50% dos respondentes consideram a ferramenta atualmente utilizada como “muito organizada”, a informação que se apresenta mais relevante são aqueles que indicam enquanto “organizado”, carecendo, no entanto, de melhoria no que concerne à organização das informações, possibilidade essa que o

Facebook não oferece.

Para aqueles que apresentaram conceito de 1 a 4, foi direcionada uma pergunta ainda mais específica para melhor entender esta dinâmica. Destes, 16,7% não acessam regularmente o Facebook e 50% consideram o grupo privado no

Facebook bom em função do fato de já usarem a rede social; porém, como é um

meio que se reúne informações pessoais, estudantis e profissionais, nem sempre é possível acompanhar todos os diálogos; 27,1% apresentam que é preciso buscar tarefa, atividade ou material específico em função de muitas postagens posteriores, sendo difícil a tarefa de localização.

Também oportunizou-se uma opção de resposta aberta na qual destacam-se os seguintes retornos:

Existe um critério subjetivo de organizar, de cunho estritamente pessoal, o qual influencia muito na questão da organização. Explico: devido ao grande número de informações/notificações que as redes oferecem, é necessário um interesse particular em manter-se "em dia" com as atualizações de determinado grupo. Em suma, tal plataforma é excelente, visto que oportuniza a troca de diversas formas de conteúdos (links, vídeos, imagens, questionários, comentários em posts, etc.); no entanto, a simples disposição de orientação/publicação, ainda que extremamente organizada, não garante a eficácia da troca de informação enquanto depende da questão subjetiva dos demais receptores/interlocutores em manter o interesse e comprometimento em receber estas orientações com o máximo de seriedade (Respondente do Questionário).

A análise desta pergunta, somada ao comentário acima apresentado, consolida o debate do uso das redes sociais virtuais ao trazer à tona aspectos da “Modernidade Líquida”, abordados pelo autor Zygmunt Bauman. Ao filtrar as respostas daqueles com idade de 18-23, percebe-se uma relação com a percepção de organização das informações (enquanto muito organizado) do Facebook, ao contrário daqueles de uma faixa posterior (23 a 33), que apontam com mais clareza a dificuldade na organização/ acesso das informações.

Ao serem questionados quanto a uma possível transição da "rede social virtual" para uma Ambiente Virtual específico e personalizado de apoio, os resultados apresentaram-se conforme o gráfico abaixo:

Gráfico 4 - Transição de “rede social” para um Ambiente Virtual

Fonte: Pesquisa

A maioria dos respondentes (43,8%) apresenta enquanto fundamental esta transição e, somados aos que acham necessário, porém não urgente, totaliza-se 81,3%. Este dado, muito embora objetivo, pode ser lido como expressão de vontade quando o assunto é o uso de novas tecnologias no processo de ensino-aprendizado.

Estes dados não provam a questão da eficácia do método em questão, mas consolidam o interesse discente quanto à mudança/inovação e, sobretudo, implementação do processo de comunicação/relacionamento vigente.

A próxima seção foi destinada a entender o grau de conhecimento dos respondentes quanto aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem e, assim, cruzando com a informação acima, melhor qualificar as respostas.

Gráfico 5 - Grau de Conhecimento quanto aos AVEA

Fonte: Pesquisa

Percebe-se que 58,3% tiveram contato com AVEA e que 18,8% já os conhecem, muito embora nunca tenham utilizado estes ambientes. Lembra-se, somado a este dado, que a grande maioria dos respondentes são alunos de semestres avançados, que não tiveram contato, no processo de ensino regular, com Ambientes de Aprendizagem.

Desta forma, o uso ou conhecimento destas plataformas origina-se do ensejo extracurricular. Esta percepção, através dos dados apresentados, fundamentam a pergunta anterior (transição para um ambiente), qualificando a resposta, mediante a ponderação de recomendarem uma transição com experiência/conhecimento prévio.

Outro aspecto importante levantado pela pesquisa foi quanto ao grau de conhecimento para navegação e usabilidade de Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Esta questão, no caso, surge como forma de verificar a fluência tecnológica dos alunos em caso de aplicação / implantação de um ambiente.

Gráfico 6 - Domínio quanto a usabilidade de AVEA

Muito embora a grande maioria (56,3%) dos respondentes tenha apresentado não possuírem domínio quanto ao uso destes ambientes, eles demonstram interesse em aprender. Este aspecto é muito importante quando da inserção de uma nova tecnologia frente às atividades discentes, visto impactar diretamente na aprendizagem (de utilização deste novo instrumento) bem como no tempo discente.

Como forma de conhecer as ferramentas de maior utilização (por aqueles que responderam conhecer AVEA), foi solicitado indicar com qual Ambiente já possuíam contato. A maioria (45,8%) indicou a ferramenta Moodle, seguida pela AulaNet (27,1%).

Sendo questionados sobre quais as funcionalidades / tecnologias que gostariam que estivessem presente no Ambiente de Aprendizagem do Programa, no formato de múltipla escolha, 62,5% apontaram “Fóruns”; 58,3% citaram os recursos de Chat e Mensagens; 60,4% indicaram a possibilidade de atividades complementares; 56,3% a ferramenta de texto colaborativo e lições online e 50% o uso de questionários.

Uma pergunta aberta, instigando o entrevistado a acrescentar pontos positivos ou negativos sobre a sua experiência acerca dos itens assinalados na entrevista foi apresentada como encerramento do questionário. Algumas respostas surpreenderam, como a que transcreve-se abaixo:

Em relação ao Fórum, acho que essa ferramenta proporciona mais espaço e tempo para que todos possam refletir e se manifestar sobre determinado tema ou demanda. Quanto às lições online, elas otimizam o tempo de envolvimento na atividade proposta, enquanto que o texto colaborativo, entendo que ele estreita a relação dos componentes de um grupo e faz com que todos participem, de forma efetiva, de todo o trabalho (Depoimento 1). Quando utilizei as ferramentas de ensino a distância, tive, na maioria das vezes, dificuldades com a plataforma. Menus confusos ou sem funcionalidade aparente acabaram por desmotivar o uso da plataforma e interferir negativamente no processo de aprendizagem (Depoimento 2). Pelo fato de o ambiente virtual de aprendizagem ser novidade para mim, não tenho propriedade para discorrer sobre o assunto; contudo, acredito ser um ambiente ideal para complementar a aprendizagem. Certamente, viria a acrescentar às formações presenciais, principalmente pelo pouco tempo que temos para debater os temas trazidos nos módulos, os itens assinalados trariam aprofundamento de sua análise que pela delimitação do horário talvez não possa ser realizada (Depoimento 3).

É importante ressaltar que trata-se de uma IES de cunho particular e, somado a isto, há como foco, principalmente, estudantes das áreas Sociais Aplicadas (Direito e Ciências Contábeis. No caso, pode-se afirmar que a aplicação do questionário

gerou importantes informações, ainda que não só elas sejam fator de tomada de decisão quando o assunto refere-se a implantação ou não de um AVEA no processo de aprendizagem do Programa.

Muito embora, conforme neste já amplamente discutido, o uso das novas TER demonstrarem-se enquanto um processo irreversível de expansão e implementação (dos mais diferentes cursos, modalidades e formatos), o seu uso tem que ser medido conforme o público.

Neste caso, especificamente, como já foi dito, existe uma aceitação / vontade quanto ao uso, mostrando uma predisposição, o que remete a uma informação bastante importante: o (re)conhecimento das TER como fator impulsionador do processo de aprendizagem.

No mesmo passo, o questionário revela os gargalos, como no que concerne aos processos comunicacionais vigentes, a dificuldade de localização das atividades, tarefas, lembretes e afins. E, no que se refere às limitações, já apresenta a preocupação docente no que se refere à multiplicidade dos tempos, como se exemplifica com o depoimento abaixo:

A implantação de tecnologias educacionais em rede só potencializa o programa. A limitação de todas as funcionalidades que, muito embora favoreçam o crescimento discente - e também a organização do trabalho docente – reside na instantaneidade que podem demandar. Fóruns, chats e afins exigem um tempo de resposta, feedback ágeis, muitos deles fora do horário de trabalho formal, o que demandará da Instituição um olhar mais atento ao tempo docente (Respondente do questionário).