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2.2. Os Operários do Setor

2.2.2. Perfil dos Operários na Construção Civil

2.2.2.7. Informalidade

Trabalho informal, na construção civil, é definido como todos os trabalhadores que estão empregados casualmente ou temporariamente, sem qualquer forma de contrato, bem como aqueles que trabalham por si próprios, individualmente ou em pequenos grupos (MITULLAH e WACHIRA, 2004). Segundo os autores, os termos e as condições de emprego também não são regulados de forma alguma e, por conseguinte, os trabalhadores não têm qualquer proteção contra a demissão, proteção social contra doença, velhice ou incapacidade para o trabalho.

O próprio perfil sócio-demográfico dos trabalhadores da construção civil brasileira, caracterizado pela baixa escolaridade, história de migração do meio rural para a capital, inserção no mercado de trabalho antes da maioridade, contribui para a manutenção do vínculo informal em seu trabalho (IRIART et al., 2008).

Segundo dados do CBIC, em 2006 a informalidade no setor foi da ordem de 61%. A Figura 2.4 apresenta dados do DIEESE, do ano de 2001, que apontam que apenas 20,1% dos empregados da construção têm carteira profissional assinada. Os demais ocupados são: empregados sem carteira assinada (30,8%), trabalhadores por conta própria (41% do total) e trabalhadores ocupados na construção de suas próprias casas ou trabalhadores sem remuneração (3,7% do total). Há, ainda, 4,3% do total de pessoas, ocupadas como empregadores.

Tais resultados são corroborados por Santana e Oliveira (2004), que encontraram um percentual de 65,8% de informalidade entre trabalhadores da construção, na cidade de Salvador, e por Mckinsey & Company (2004), cujo estudo revela que 71%, dessa força de trabalho, no Brasil, têm uma inserção informal.

1.461.541 1.944.098 2.316.074 3.435.562 4.743.095 30,80% 41% 48,80% 72,40% 100,00%

Empregados sem carteira assinada Trabalhadores por conta

própria Trabalhadores com jornada de 44 horas Não contribuem para o

INSS Total de ocupados na

Construção Civil

Fonte: PNAD 99, IBGE

Figura 2.4 – Situação dos Ocupados na Construção Civil

Na construção civil, a carteira assinada está associada, sobretudo, à segurança de uma renda estável, aposentadoria e amparos em caso de acidentes de trabalho. No Brasil, a falta de informação sobre direitos trabalhistas, sobretudo nos primeiros anos de vida profissional, é um fator preponderante para que as garantias asseguradas pelo trabalho não sejam vistas como uma questão importante. O trabalho realizado por Santana e Oliveira (2004) revela que 51,6% dos trabalhadores da construção civil, da cidade de Salvador, não possuem a carteira assinada por falta de oportunidade.

O descuido dos trabalhadores da construção em relação aos direitos trabalhistas, principalmente entre os mais jovens, está associado diretamente ao fato destes considerarem o emprego, na construção, como algo temporário, evitando assim o registro em carteira. A análise da trajetória ocupacional desses trabalhadores sugere, porém, que a ocupação que era vista como temporária tende a se consolidar, sem a correspondente legalização do vínculo empregatício.

Segundo Iriart et al. (2008), os trabalhadores da construção demonstram a aceitação da não assinatura da carteira como uma coisa quase normal. Os mesmos são coagidos a aceitarem o trabalho sem carteira assinada, por fatores como: idade avançada, desemprego e falta de poder de negociação com os empregadores.

Diante disso, observa-se que a naturalização de uma situação de exclusão social de direitos trabalhistas deve ser entendida em um cenário de elevadas taxas de desemprego, de grandes contingentes de

trabalhadores sem qualificação ocupacional ou com poucos anos de escolaridade, como é o caso da construção civil.

Não se pode negar que a construção civil é uma indústria particular. Não só por suas características econômicas, nem por seus operários, ou pelas características de seu processo produtivo ou por características organizacionais de suas empresas. É a soma de diversos fatores que a fazem uma indústria em particular.

Dessa forma, a necessidade de transformar o setor da construção numa verdadeira indústria produtiva torna o operário de obra uma peça chave nesse novo caminho. É necessário ampliar os conceitos de que a construção civil emprega profissionais que não possuem nenhuma perspectiva de emprego e, principalmente, dar acesso a esses profissionais a melhores condições de trabalho e cursos de aperfeiçoamento, para torná-los mais competentes nas tarefas profissionais que desempenham.

Diante disso, pesquisas que visem à melhoria das características dessa indústria e de seus operários devem ser vistas como importantes para a melhoria do setor.

Capítulo 3

O TREINAMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

3.1. Introdução

As discussões sobre treinamento na construção civil não são recentes. Há muito tempo os empresários do setor, em função de inovações e mudanças aplicadas nessa indústria, discutem as formas de melhorar a qualificação e capacitação dos trabalhadores. Essas mudanças são provocadas não só pela evolução social e tecnológica, mas também pelas novas técnicas de gestão que são aplicadas e que exigem, assim, maior produtividade e qualidade do produto e maior envolvimento e comprometimento dos trabalhadores (AGAPIOU, 1998).

O treinamento de operários da construção civil está muito mais na moda, hoje em dia, do que há dez anos. Hoje, quase todas as empresas proporcionam algum tipo de treinamento para seus empregados. Para algumas empresas, o treinamento é um processo muito formal. Departamentos inteiros dedicam-se a desenvolver programas de treinamento admissionais e contínuos. Outras empresas trazem consultores de fora para conduzir sessões de treinamento para seus empregados.

Isso pode ser observado em uma pesquisa recente, desenvolvida por Oliveira e Roman (2007). Os autores apontam que, na cidade de Florianópolis, 88% das empresas construtoras oferecem algum tipo de treinamento para seus funcionários e que 75% das empresas realizam avaliação dos resultados após o treinamento. Portanto, a motivação para proporcionar tais treinamentos e para sua avaliação varia de uma para outra empresa. Algumas estão realmente comprometidas com o aumento das habilidades e competências de sua força de trabalho. Outras empresas conduzem o treinamento somente para cumprir as exigências requeridas em normas e certificações. Existem ainda aquelas que conduzem o treinamento simplesmente para se promoverem (HUGHEY e MUSSNUG, 1997).

O que se pode afirmar é que existe um consenso, entre as empresas do setor, da necessidade de um grande esforço de melhoria da

qualificação dos operários da construção civil. E que tais empresas apresentam uma grande preocupação com a baixa qualificação e com a escassez de operários qualificados no mercado (SILVA, 1995).

Verifica-se, portanto, que o treinamento é fundamental para o conhecimento não só das habilidades exigidas na indústria da construção, mas também para proporcionar condições de sobrevivência e competitividade às empresas de construção.

As habilidades dos operários da construção e as necessidades de treinamento são mudadas no mundo inteiro com a introdução de novos processos de trabalho, diferentes formas de organização da produção e inovações tecnológicas (GANN e SENKER, 1998). No Brasil, as formas de treinamento são falhas ao adaptarem-se inteiramente às necessidades de modernização dessa indústria. Programas formais de treinamento são inapropriados no conteúdo e inadequados na quantidade. Muitos deles estão desatualizados, o que leva a crer que novas formas de treinar e capacitar os trabalhadores devem ser inseridas na construção, para melhorar o desempenho dessa indústria.

É importante ressaltar que, apesar das razões ou do nível de comprometimento com o processo, a necessidade de treinamento dos empregados cresce significativamente nos anos atuais. O crescimento está diretamente relacionado à rápida expansão do uso da tecnologia dentro da sociedade e, em particular, na indústria da construção. O fato é que o treinamento, quando cuidadosamente desenvolvido e apropriadamente implementado, pode ter um impacto desejável nos operários.

3.2. Responsabilidade pelo Treinamento na Construção Civil: