“A investigação do estudo de caso enfrenta a situação tecnicamente diferenciada em que existirão muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados, e, como resultado conta com múltiplas fontes de evidência, com os dados precisando de convergir de maneira triangular, beneficiando-se, igualmente, do desenvolvimento anterior das proposições teóricas para orientar a coleta e análise de dados” (Yin, 2010, p. 40) A primeira etapa do estudo de caso é revisão bibliográfica rigorosa e seleção cuidadosa e atenta as questões e objetivos de estudo (Yin, 2010, p.24). Na utilização deste método devem ser utilizadas várias fontes de dados, como documentos, observação direta, entre outras (Yin, 2010). A observação direta é bastante utilizada, por exemplo, através de entrevista (Bogdan & Biklen, 1994; Yin, 2010).
As fontes de informação foram selecionadas em função da investigação em causa, sua delimitação e recursos disponíveis, tendo em consideração a sua fiabilidade, credibilidade e atualidade (Kelete & Roegiers, 1999). Neste caso foram utilizadas as seguintes fontes: análise documental, fontes secundárias e entrevistas.
4.3.1 Análise documental
O estudo foi realizado com recurso à análise documental, sendo feita uma pesquisa em fontes de natureza variada. Foram analisados documentos como: livros, monografias, artigos de revistas científicas, relatórios de várias instituições, legislação, manuais, normativos, entre outros. Para encontrar estes documentos foi necessário recorrer a várias bibliotecas: Biblioteca da Universidade de Aveiro, Biblioteca do ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa), Biblioteca Municipal de Aveiro, Centro de Recursos em Conhecimento do ISS, IP e várias bibliotecas online. Foi também utilizada a internet para fazer pesquisa de legislação, manuais, normativos, relatórios, entre outros, tendo-se recorrido a sites como: DRE (Diário da República Eletrónico), CIRIEC, CASES, Segurança Social, GEP, INE, entre outros.
Esta informação foi utilizada mais na primeira parte do estudo, nomeadamente nos três primeiros capítulos.
4.3.2 Dados de fontes secundárias
Para a realização deste trabalho foram utilizados dados de fontes secundárias, que, por definição, são dados em que o investigador não foi responsável pela sua recolha, sendo que muitas vezes esta recolha foi efetuada antes da investigação (Bryman & Bell, 2007; Johnson & Christensen, 2008).
Neste caso, os dados são de origem externa e foram fornecidos pelo ISS, IP e pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. O GEP forneceu a seguinte informação no final de maio de 2013: número de respostas sociais, capacidade instalada e taxa de cobertura. Estes indicadores tinham informação por distrito, resposta social e por ano, no território continental, compreendendo o período de 2005 a 2011. Só em dezembro de 2013 ficaram disponíveis dados referentes ao ano de 2012 no seu site. No trabalho foram utilizados dados de 2005 a 2012. Esta informação foi de grande utilidade para a formulação das entrevistas e consequente análise dos resultados, pois permitiu analisar a evolução da RSES e a posição do Distrito de Aveiro a nível continental.
A informação disponibilizada pelo ISS, IP, em outubro de 2013, foi muito útil para o estudo e avaliação do programa. Os indicadores disponibilizados foram: n.º equipamentos contratualizados, n.º de equipamentos concluídos, n.º de lugares contratualizados por tipo de intervenção (criar, remodelar) e por resposta social, n.º de lugares concluídos por tipo de intervenção (criar, remodelar) e por resposta social, comparticipação pública prevista e comparticipação pública executada. Estes estavam desagregados por: distrito, programa e por ano. O indicador n.º de lugares estava também desagregado por resposta social e tipo de intervenção. Estes dados contemplavam informação de 2007 a 2012. Esta informação foi muito útil para o Capítulo 3, onde se caracteriza o PARES e para o capítulo de discussão dos dados.
De realçar que a terminologia utilizada pelo ISS, IP é um pouco diferente da utilizada na RSES, na Carta Social e no Programa PARES. Por exemplo, o indicador ‘n.º de equipamentos’ corresponde ao indicador ‘n.º de projetos no PARES’, que é utilizado neste trabalho; o indicador ‘n.º de lugares’ corresponde à ‘capacidade (vagas) das respostas sociais ao nível da RSES e Carta Social’, que também é o utilizado neste trabalho.
4.3.3 Entrevistas
Segundo Kelete & Roegiers (1999, p. 22), “a entrevista é um método de recolha de informações que consiste em conversas orais, individuais ou de grupo, com várias pessoas selecionadas cuidadosamente, a fim de obter informações sobre factos ou representações, cujo grau de pertinência, validade e fiabilidade é analisado na perspetiva dos objetivos da recolha de informação”. O entrevistador deve criar bom ambiente, mas deve ser imparcial, não reagindo às respostas do entrevistado (Bell, 1999; Johnson & Christensen, 2008). Este método permite descobrir novos aspetos não considerados inicialmente por não serem possíveis a partir das leituras, como, por exemplo, encontrar pistas e resultados que os dados quantitativos à partida não permitiriam obter (Quivy & Campenhoudt, 1998).
Para este estudo foram efetuadas entrevistas a elites semiestruturadas de resposta aberta, que são caracterizadas por serem constituídas por questões predefinidas que obedecem a uma determinada estrutura. Esta abordagem pouco direcionada e flexível, permite que o entrevistado ao responder de forma espontânea, com seu conhecimento e perceção da realidade vivenciada, permite à investigação desbravar novas pistas e alargar o campo de investigação, podendo levar a campos de investigação muito ricos e mais profundos. Ao nível do tratamento das mesmas é possível comparar as respostas, o que facilita a análise da informação. Apresenta como desvantagem a possibilidade de limitar as respostas espontâneas e consumo de muito tempo para elaborar o seu tratamento (Bell, 1999; Bogdan & Biklen, 1994;Johnson & Christensen, 2008; Quivy & Campenhoudt, 1998). O universo de personalidades a entrevistar foi selecionado tendo em consideração: os principais interlocutores do programa; a sua responsabilidade (direta ou indireta) na execução do programa e respetivos projetos; a sua experiência e conhecimentos, no período de 2006 a 2012. Estes atores têm conhecimentos, vivências e uma visão privilegiada do programa em várias vertentes, o que permite alargar os horizontes e ter acesso a informação que os dados quantitativos não teriam permitido.
Assim, foram identificados quatro grupos de entrevistados que, pelo seu papel perante o programa, teriam ângulos de visão diferentes que poderiam enriquecer o trabalho. Foram assim entrevistados: dirigentes das federações representantes das IPSS ou equiparadas; responsáveis pelas IPSS que usufruíram do programa; diretores distritais do ISS, IP (Diretores distritais de Segurança Social); e Presidentes de Câmara.
Os dirigentes das federações representantes das IPSS ou equiparadas do distrito foram entrevistados enquanto representantes dos principais atores do programa, que acompanharam de perto as vantagens, desvantagens e eventuais dificuldades na execução dos projetos, detendo conhecimentos privilegiados no distrito sobre as IPSS e equiparadas, nomeadamente sobre os seus serviços, funcionamento, dificuldades e necessidades. As personalidades a entrevistar foram selecionadas em função da sua experiência e acompanhamento do PARES, tendo sido selecionadas pessoas que desempenharam cargos de direção entre 2006 a 2012, nomeadamente, um dirigente da União Distrital das
Misericórdias Portuguesas e um dirigente da União Distrital das Instituições Privadas de Solidariedade Social (UDIPSS) de Aveiro (que integra o grupo de 18 uniões distritais filiadas na CNIS).
Os responsáveis pelas IPSS, foram entrevistados como principais intervenientes nos projetos, conhecendo bastante bem o PARES. Estes foram selecionados tendo em consideração as várias realidades do distrito e as respostas sociais em que desenvolveram os seus projetos. Tentou-se analisar o máximo de respostas sociais abrangidas pelo programa, contemplando a realidade urbana, a realidade rural, a realidade do interior e do litoral do Distrito de Aveiro.
Os Presidentes de Câmara enquanto responsáveis locais são conhecedores do terreno, do que tem feito alterar as realidades locais e, noutra vertente, também, potenciais promotores do PARES. Neste caso, tal como no caso dos responsáveis pelas IPSS, os entrevistados foram selecionados tentando atender às diversas realidades de concelhos, nomeadamente, urbanos e rurais, considerando ainda a realidade do interior e do litoral do distrito.
Os Diretores Distritais do ISS, IP, foram entrevistados enquanto interlocutores distritais responsáveis pelo acompanhamento e financiamento dos projetos e conhecedores da realidade do distrito.
As entrevistas tiveram lugar de outubro a dezembro 2013, tendo sido selecionados 2 entrevistados por grupo, sendo a duração média das entrevistas de 40 minutos. As entrevistas foram realizadas presencialmente com recurso a gravação, previamente autorizada pelos entrevistados. Estas foram realizadas com caráter de confidencialidade, sendo o nome dos entrevistados codificados de E1 a E8, de forma aleatória.
Para realizar as entrevistas foram desenvolvidos guiões para a recolha de dados. Estes foram desenvolvidos considerando os objetivos do programa, a revisão bibliográfica e a análise de fontes secundárias, nomeadamente a evolução da capacidade e respostas sociais na RSES de 2005 a 2011.
Os guiões foram formulados em função do perfil dos entrevistados, tendo sido desenvolvidos 4 (ver Anexo 4). Estes foram desenvolvidos utilizando questões semelhantes para que se pudesse percecionar as diferentes visões do mesmo objeto em função dos diferentes perfis e experiências dos entrevistados.
Através das questões colocadas tentou-se perceber a forma como: o PARES influenciou a RSES e o terceiro setor no Distrito de Aveiro; o programa decorreu no distrito; influenciou a capacidade instalada das respostas sociais; decorreu o financiamento dos projetos; influenciou o desenvolvimento local e as assimetrias territoriais ao nível das respostas sociais. Tentou fazer-se uma avaliação global do impacto do programa, tentando perceber os seus pontos fortes e fracos e acolher sugestões de melhoria. Tentou, por último, perceber-se se existiria a necessidade de desenvolver programas semelhantes.