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CAPÍTULO 3 O SISTEMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL E O

3.2 ALICERCES DA UAB

3.2.2 Lógica de Funcionamento

O segundo alicerce do Sistema UAB é referente a sua operacionalização. Tendo em vista que um dos objetivos do Sistema UAB, conforme previsto no Decreto nº. 5.800/2006, foi o de “fomentar o desenvolvimento institucional para a modalidade de educação a distância, bem como a pesquisa em metodologias inovadoras de

ensino superior apoiadas em tecnologias de informação e comunicação” (BRASIL. DECRETO..., 2006), a CAPES, periodicamente, publica editais de fomento voltados à melhoria da infraestrutura física e tecnológica das IPES que integram o Sistema UAB e à qualificação dos seus colaboradores (BRASIL. DECRETO..., 2006).

Sistematicamente, a DED/CAPES atua como um sistema dual, por meio de dois tipos de editais, isto significa, uma chamada pública para os proponentes de polo presencial para os estados e municípios e outra chamada pública para os proponentes de cursos superiores na modalidade EaD para as IPES.

Dessa forma, publicam-se os editais e as chamadas públicas, convidando as IPES, integrantes do Sistema UAB, para apresentação de propostas contendo projetos que visem: a formação de professores para a Educação Básica, a aquisição de materiais permanentes, fomento ao desenvolvimento tecnológico da educação brasileira; a integração e a convergência entre as modalidades de educação presencial e a distância, através da utilização de tecnologias de informação e comunicação nos cursos presenciais; e a qualificação de coordenadores, docentes, tutores, profissionais multidisciplinares e técnicos que atuam nos cursos e programas

de educação na modalidade a distância (COORDENAÇÃO DE

APERFEIÇOAMENTO... 2012, 2015).

Nas IPES o Sistema UAB envolveu profissionais das áreas acadêmica, pedagógica, tecnológica, administrativa e financeira, para exercer as funções de professores (pesquisadores-autores, formadores, tutores (online e presencial) e equipes de apoio multidisciplinares. Segundo a Resolução nº. 26/2009 (BRASIL. RESOLUÇÃO..., 2009) os sujeitos que compõe as equipes do sistema UAB eram:

I- Coordenador UAB e Coordenador-adjunto UAB: professor ou pesquisador indicado pelas IPES vinculadas ao Sistema UAB, que atuará nas atividades de coordenação e apoio aos pólos presenciais e no desenvolvimento de projetos de pesquisa relacionados aos cursos e programas implantados no âmbito do Sistema.

II- Coordenador de curso: professor ou pesquisador designado/indicado pelas IPES vinculadas ao Sistema UAB, que atuará nas atividades de coordenação de curso implantado no âmbito do Sistema UAB e no desenvolvimento de projetos de pesquisa relacionados aos cursos.

III- Coordenador de tutoria: professor ou pesquisador designado/indicado pelas IPES vinculadas ao Sistema UAB, que atuará nas atividades de coordenação de tutores dos cursos implantados no âmbito do Sistema UAB e no desenvolvimento de projetos de pesquisa relacionados aos cursos. IV- Professor–pesquisador: professor ou pesquisador designado ou indicado pelas IPES vinculadas ao Sistema UAB, que atuará nas atividades típicas de

ensino, de desenvolvimento de projetos e de pesquisa, relacionadas aos cursos e programas implantados no âmbito do Sistema UAB.

V- Tutor: profissional selecionado pelas IPES vinculadas ao Sistema UAB para o exercício das atividades típicas de tutoria.

VI- Coordenador de polo: professor da rede pública, graduado e com, no mínimo, 3 (três) anos em magistério na educação básica ou superior, responsável pela coordenação do polo de apoio presencial

V- Equipe multidisciplinar: profissionais que oferecem o apoio necessário ao curso, no que tange a dimensão administrativa, tecnológica e pedagógica. (BRASIL. MINISTERIO DA EDUCAÇÃO. FUNDO NACIONAL..., 2009, p. 8). Cabe destacar, nesta lógica de envolvidos no Sistema UAB o papel do tutor, tendo em vista o seu papel direto com os alunos. Segundo Mill et al. (2008, p. 113) “o que caracteriza este trabalhador é sua função de acompanhar os alunos no processo de aprendizagem, que se dá, na verdade, pela intensa mediação”.

E o próprio aluno da EaD, que necessita ter um perfil diferenciado, como apontam Kronrath, Tarouco e Behar (2009, p.5):

[...] o aluno é o sujeito que através de suas interações com o objeto de estudo/conhecimento e com seus colegas, tutor e professor aprende. Assim o aluno não só é como torna-se sujeito que se constitui como ser humano, pelas relações que estabelece com os outros.

Os demais profissionais envolvidos no Sistema UAB também possuíam um papel significativo, no entanto, nem sempre apresentavam uma ligação direta com o aluno. Porém, essa composição para a operacionalização das atividades dos envolvidos na oferta dos cursos é complexa, considerando que cada agente possuía atribuições específicas no processo administrativo que envolviam além do gerenciamento dos recursos públicos a interlocução entre os entes federados que atuam em regime de colaboração. Desta forma, a figura a seguir sintetizou essa operacionalização:

Figura 4 - Operacionalização da oferta de cursos UAB

Fonte: Elaborado por Franco 2016 - https://slideplayer.com.br/slide/6578908/

Além do aparato humano, presente na operacionalização para a oferta do curso, a infraestrutura tecnológica também mereceu destaque. Lima e Desiderio (2018, p.209) apontaram que três editais abertos no final do governo Lula (2003-2010) dizem respeito ao fomento da infraestrutura:

O Edital CAPES n. 2/2009 (para apoio financeiro para a compra de equipamentos para as universidades participantes do Sistema investirem em seus núcleos e cursos de EaD);

O Edital CAPES n. 13/2010 (para aquisição de equipamentos e mobiliários para as universidades participantes do Sistema investirem em seus núcleos e cursos de EaD, além de seus polos); e

O Edital CAPES n. 15/2010 (financiamento para as instituições participantes do Sistema para implementarem plataforma virtual, oferta de disciplinas com o uso de tecnologias de informação e comunicação para cursos de graduação presencial, produção de conteúdos e materiais didáticos e para fomentar a capacitação de docentes e técnicos voltada para a EaD nos cursos de graduação do ensino superior presencial no âmbito da IES) (LIMA; DESIDERIO, 2018, p. 209).

Esses editais evidenciaram a importância de investimentos na área tecnológica tanto nos polos, que não dispunham de toda infraestrutura necessária para o funcionamento dos cursos, quanto nas IPES. Embora fosse critério para a participação nos editais de adesão o Sistema possuir uma infraestrutura tecnológica mínima, somando-se ainda a “tendência que começou a se configurar no segundo mandato do governo Lula e durante o governo Dilma Rousseff de fomentar o uso da tecnologia e de ações a distância em cursos presenciais” (LIMA; DESIDERIO, 2018, p.9)

Durante o governo de Dilma Rousseff foram lançados apenas dois editais de fomento a novos cursos, porém ambos não se destinavam à formação de professores, mas ao Curso de bacharelado em Biblioteconomia - Edital CAPES nº12/2012 (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO...BRASIL, 2012a) e à oferta de cursos na área de Administração Pública- Edital CAPES nº 19/2012 (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO..., 2012b). Apenas no final do mandato em dezembro de 2014, foi aberto o Edital CAPES nº 75/2014 (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO, 2014) para vagas na Educação Superior; no entanto as vagas só seriam preenchidas em 2016.

Segundo o Relatório Técnico de Gestão CAPES-2017 (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO... RELATÓRIO..., 2018) havia a previsão em 2015 de matrícula de parte dos 194 mil alunos aprovados no âmbito do Edital 75/2014. Entretanto, em função de restrições orçamentárias, a admissão de novos alunos não pôde ser concretizada naquele exercício. Em 2016/2017, com o aporte de novos recursos, o ingresso dos alunos provenientes do referido edital foi efetivado, ampliando novamente a base atendida pela UAB. Apesar do retorno, a expansão da base UAB, de modo geral, sofreu um enfraquecimento da política para a formação de professores por meio da modalidade a distância pública.

Em complemento a essa realidade apresentada sobre o Sistema UAB no sentido de alicerçar-se operacionalmente por editais e chamadas públicas, Arruda (2017) explicou que:

[...] os editais do Sistema UAB, na origem, buscaram propiciar condições para expandir e qualificar a oferta de cursos, considerando cada instituição de ensino, polo, curso e demanda, na perspectiva de que o objeto da política pública não seja a observância tecnocrática das regras autoritárias, mas a efetividade social das medidas. Atualmente, os editais têm incentivado a competição entre as instituições públicas e a incerteza da garantia da oferta de cursos, mesmo quando atendidas as condições e exigências particulares, em função do não alcance de regras globais que não visam à política, mas à conformidade administrativa dos seus gestores (ARRUDA, 2017).

Dessa forma, verificou-se a dificuldade para a institucionalização da EaD, pois os cursos funcionam por demanda, as IPES e os polos não possuíam condições financeiras para manter em funcionamento a modalidade sem o fomento advindo da esfera federal, propiciando espaço para a presença da iniciativa privada na Educação Superior, especificamente na formação de professores por meio da modalidade EaD.