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2.4 – Marcus Fabio Quintiliano

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Após a dedicação de Cícero em reformular a retórica aristotélica, e criar novos conceitos, outro romano surge com um plano completo de formação pedagógica por meio da retórica, Marcus Fabio Quintiliano23. Barilli (1979) diz que Quintiliano, ao contrário de Cícero, é grande um conhecedor de retórica, um teórico e um historiador desta arte, mais do que um cidadão que apenas usufrui da disciplina, e sim um homem político que fez dela uma ferramenta de combate.

Sobre a vida de Quintialiano nada se sabe ao certo, de acordo com alguns pesquisadores é provável que ele tenha nascido no ano 30 e falecido em 96, um ano depois de ter escrito e publicado sua grandiosa obra, Institutio Oratoria. Sobre sua vida pessoal, sabe-se que, no ano de 84, casou-se com uma jovem, no qual tiveram dois filhos, porém não foi um enlace matrimonial duradouro, aos dezenove anos a esposa faleceu e logo mais as crianças.

A retórica surge em sua vida por meio da influência familiar, seu avô e seu pai também foram professores de retórica. De acordo com Alfonso Ortega 24 (2001), antes de se dedicar ao exercício da arte retórica, o orador atuou como advogado, durante anos, em Roma, e somente após retornar para sua cidade natal que, provavelmente, começou a ensinar a eloquência. E, no ano de 68 (ORTEGA, 2001, p. 12), Quintiliano é nomeado professor de retórica pelo Orçamento de Estado.

Quintiliano foi um intelectual a serviço de seu príncipe, que o próprio se incumbiu de expor sua obra, para recuperar e restaurar a retórica para fins políticos. Suas técnicas de ensino tiveram como base o conhecimento e o fluxo das palavras, e seu

23 Nesta ocasião, iremos apresentar o filosofo e sua contribuição para o ensino da retórica. No próximo

capítulo, que buscaremos sua contribuição para a comunicação, mas precisamente para o jornalismo.

24 Alfonso Ortega foi quem escreveu a biografia de Fabio Quintiliano, em 2001, quando a Universidade

objetivo era criar um modelo mais favorecido e mais amplo para formar uma doutrina convincente.

Era uma pessoa que sabia lidar com questões jurídicas – de tribunais -, de conflitos, e de ensino. Com isso, utilizou de métodos narrativos, demonstrativos e didáticos legitimados para refutar pontos específicos, colocando razão para as regras. Exemplo disso, foi o os processos realizados em defesa da rainha Berenice (ORTEGA, 2001, p. 13).

A Institutio Oratoria, de Fabio Quintiliano, foi, sem dúvida, a maior obra dedicada à retórica25, com 12 livros que analisam os detalhes da arte. Procura, ainda, resgatar o histórico, como os estudos de Aristóteles e Cícero, acrescentar novos conceitos e introduzi-las ao ensino pedagógico, que foi muito apreciado por Lutero, Erasmo, La Fontaine e Racine.

De início, a enciclopédia era um manual acessível e didático de aprendizado na arte de falar em público e a de construir um discurso com uma linguagem fácil. Quintiliano buscava resgatar todo o contexto grego e romano, científico e literário da retórica, com a intenção dar continuidade ao que já foi escrito e trazer novidades a teoria.

Todavia, o principal objetivo de Quintiliano é dedicar os estudos retóricos a serviço do público, na formação filosófica e literária do homem, e criar regras pedagógicas para ensiná-la da melhor maneira, em um sistema universal, incluindo as disciplinas de gramática, geometria, música, e, além de incluir os valores éticos, no qual para ele é inseparável do discurso como uma responsabilidade pública.

Berton e Proulux (2006) ressaltam que Quintiliano foi quem fundou uma teoria da arte de escrever bem. “Esse grande retor, o último da Antiguidade, ensinava ao que desejava progredir na escrita um número de regras: ler e escrever muito, imitar modelos, corrigir os próprios textos depois de deixá-los ‘repousar’” (p.36).

Em seu livro I, Quintiliano se preocupa com a formação primordial do orador, destacando a importância dele ser ensinado desde sua infância. São XII capítulos, que se dividem em orientar o aluno sobre as regras gramaticais e a ortografia, o exercício da leitura, as premissas da retórica, como preparar um bom orador, quais aspectos curriculares são importantes e a retórica do futuro – a música e a geometria.

25 Lembrando que toda origem da retórica se dá na Grécia Antiga, e Aristóteles foi o maior codificar desta

disciplina. Porém, Quintiliano a reproduz e acrescenta informações importantes, principalmente, referentes à comunicação.

No livro II o pensador, verdadeiramente, se dedica a catequização da retórica criando, assim, uma teoria pedagógica. Neste volume são designados XXI capítulos, no qual, se aprofundam em um ensino sistemático da educação, da inteligência, da ética, dos métodos, das definições e conceitos, e a utilização da retórica.

Barilli (1979) diz que neste momento, Quintiliano trata do problema mais importante, referente ao significado da retórica e faz uma crítica:

Quintiliano milita ao lado dos conteúdistas, isto é, daqueles que defendem que o orador deve possuir uma quantidade de noções científicas dispostas em leque em todos os ramos do saber. Nisso está sua falta fé neo-ciceroniana, a defesa obrigatória da virtuosa linha romana, da qual ele foi de resto encarregado pelo príncipe. E todavia a definição sobre a qual, após um longo exame, ele manifesta a sua preferência, vem do estóico Cleantes e parece até bastante redutivo por excessiva indeterminação, limitando-se a apontar para a ciência do bem falar, onde não estão patentes os habituais conflitos que a retórica arrasta atrás de si, e que de resto Institutio ilustra abundantemente, entre a teoria e a prática, entre as palavras e coisas; ou melhor as primeiras parecem ter prioridades sobre as segundas (BARILLI, 1979, p. 52).

O livro III preocupa-se em construir o contexto retórico. O autor descreve a história da arte, e, depois, a estrutura, assim, como fez Aristóteles. Apesar de Quintiliano se obter de outros filósofos, como Cícero, e acrescentar novos conceitos, a estrutura é a mesma de Aristóteles: Gêneros do discurso – deliberativo, demonstrativo e jurídico -, e a arte de falar em público.

No livro IV demonstra as partes quantitativas da retórica: o exórdio, a narração, a eventual digressão, a proposição e as partes argumentativas. É a vez de praticar e qualificar o que foi aprendido com as teorias, seguindo o modelo ideal de um orador.

O livro V é um complemento do IV, pois dá continuidade a classificação retórica com as explicações sobre o gênero jurídico e suas partes, os argumentos demonstrativos e suas demonstrações (como utilizar-se das provas), e a refutação. Neste livro, o capítulo três chama atenção, pois Quitiliano escreve sobre os rumores da Opinião Pública, no qual ele diz que o orador precisa tomar cuidado com as ações em seus testemunhos para não transformá-los em rumores e fofocas espalhadas por cidadãos que haja com má fé. E, com isso, gerar uma opinião contraria do seu principal objetivo.

O livro VI finaliza a classificação retórica, com a conclusão do discurso e suas partes. Nesta ocasião, Quintiliano se absorve dos poderes psicológicos (o orador precisa

usar de sentimentos e emoções) da retórica, e como as provas podem ajudar a conquistar o objetivo do orador. Outro artefato que o orador pode utilizar são os gestos e as expressões corporais, que também transmite emoção para o público.

Depois de ter aplicado a metodologia, Quintiliano se propõe, no livro VII, em ordenar os princípios da retórica, e as concepções e divergências de opiniões dos antigos retóricos. A impressão que o autor passa é que, neste livro, ele se preocupa em complementar questões minuciosas, que talvez tenha passo superficialmente.

No livro XVIII e IX, Quintiliano apresenta a importância da eloquência e sua compreensão, destaca que não basta encontrar boas matérias e ordenar o discurso, é necessário saber conduzido-lo e ser expressivo com o público. O bom discurso adquire vida, é eficaz e produz persuasão quando se tem cuidado com as palavras escolhidas e fazendo delas uma grande harmonia. O autor ainda diz que a eloquência é a parte mais difícil da retórica, pois é nela que se dá a validez retórica e é o momento de persuasão perante o público através das técnicas.

Por fim, os livros X, XI e XII da maior valor a composição da eloquência, e a clareza e fluência das palavras nos discursos. No livro X, o autor faz é relato da retórica e da literatura Romana. Apresentar críticas, técnicas e história dos Gregos e Latinos, acrescentando suas opiniões sobre o assunto.

Ainda diz que orador precisa tomar-se tanto da riqueza das palavras, quanto das figuras e métodos para construção de uma boa frase. Neste contexto, ele usa, como exemplo, Aristóteles ao citar a imitação como meio de atingir a persuasão. Para Quintiliano uma imitação nunca será feita com precisão e correta, imitação não é uma cópia exata, então não se consegue atingir o seu objetivo. O orador precisar ser é criativo.

Já no livro XI, Fabio Quintiliano descreve que o pregador precisa saber o que é útil e conveniente para o discurso. Também trás técnicas de narração e posturas, como da boca para melhor dicção.

E, o último livro, o XII Quintiliano ensina sobre a ética e a moral, e a importâncias dessas características para a formação de um orador. Faz uma revisão da história sobre a filosofia ética grega e romana, apontando como deve se comportar um homem honrado, a partir da sua imagem visual e de palavras a serem expressas.

Afonso Ortega diz que a obra de Quintiliano é uma perfeita aquisição, principalmente para quem quer aprender a se comunicar:

En un tiempo en que El lenguaje cada vez queda más degradado en un simple medio de comunicación, con menosprecio de la dignidad del hablar bien, y aun niega valor ético y estético, la obra de Quintiliano mantiene toda su grandeza y valor humano y educativo. En ella formuló él de nuevo, con propia ciencia y ejemplar magisterio, el pensamiento que, a partir de Sócrates, contribuyó a la formación del hombre por medio de la palabra, porque el lenguaje es la más honda manifestación del espíritu, cuyo origen ha de buscarse en la divinidad (ORTEGA, 2001, 92 – 93).

Para, realmente, adentrarmos no pensamento de Quintiliano precisa-se de muito mais tempo e espaço, coisa que não é possível para este trabalho, que busca entender o pensamento comunicacional de Frei Caneca, por meio de seus estudos retóricos, influenciados, principalmente por Quintiliano. Porém, o pouco já explorado, trás conhecimentos para continuar tal entendimento, que tanto ascendeu o carmelita.

Nosso objetivo, aqui, foi mostrar e entender como Marcus Fabio Quintiliano se aprofundou nos estudos da retórica. No próximo capítulo, iremos averiguar como a retórica de Quintiliano foi explorada, no contexto da comunicação, mas especificamente no campo do jornalismo. E como o carmelita e outros autores a reproduziram.

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