• Nenhum resultado encontrado

Modelo sistêmico de comunitário de Holder

No documento Legislação e Políticas Antidrogas (páginas 193-198)

comportamento social Nesta aula vamos falar sobre as indústrias das drogas lícitas, sobre

Aula 27 – As disputas em políticas sobre drogas

27.2 Modelo sistêmico de comunitário de Holder

Dr. Harold Holder, Ph.D., é um cientista pesquisador sênior e ex-diretor do Prevention Research Center (PRC) do Instituto do Pacífico para a Pesquisa e Avaliação. Titular do Departamento de Educação para a Saúde da Escola de Saúde Pública, da Universidade da Califórnia, Berkeley,

Dr. Holderexplorou em pesquisas duas áreas envolvem o uso do álcool: a prevenção do abuso de substância, e os custos e benefícios de tratamento de alcoolismo e abuso de drogas.

Entre seus trabalhos públicasdos esta uma serie de estudos sobre a abor- dagem sobre políticas públicas, incluindo o impacto das mudanças sociais na venda de bebidas alcoólicas, beber álcool e a relação com acidentes os de trânsito. Ele escreveu um livro com o título, Álcool e Comunidade: uma abordagem dos sistemas de prevenção, Cambridge University Press (1997).

Dr. Harold Holder está liderando uma equipe de cientistas no desenvolvimen- to de um modelo sistêmico "Sistema comunitário de uso de álcool e abuso" para ser utilizado por planejadores de prevenção em estaduais e municípios.

Apresentamos agora o modelo sistêmico de Holder:

Em 1988 Dr.Harold Holdercriou um modelo para implementar a política do álcool baseado em alguns princípios:

a) Os problemas relacionados ao álcool são o resultado de um sistema com- plexo chamado comunidade;

b) Historicamente os programas de prevenção tendem a buscar soluções únicas, e acabam obtendo impacto transitório;

c) Sem uma mudança no sistema que produz os problemas é pouco prová- vel que tenhamos resultados permanentes.

As políticas públicas de prevenção têm que prever ações em nível local onde possam provocar mudanças no cidadão de duas formas distintas, mas in- tegradas, a primeira a abordagem educacional, que propõe a mudança de comportamento através da alterando conhecimentos e atitudes. A segunda a abordagem ambiental, que prevê a mudança de comportamento, mas agora, alterando o sistema social e o econômico.

Figura 27.2: Modelo sistêmico de Holder Fonte: http://www.antidrogas.pr.gov.br

Este sistema permite compreender todas as forças que integram entre si influenciando o consumo do álcool, conforme figura ao lado.

Está apresentado em seis subsistemas: Consumo, Varejo, Controle e regula- mentação formal, Normas sociais, Sansões legais e Consequências econômi- cas. Cada um destes subsistemas se propõem a interferir positivamente para alcançar o objetivo de alteração do quadro social de consumo.

✔ O Modelo comunitário tem como subsistema chave o de “CONSUMO”. Entendendo que os padrões de consumo mudam com o tempo, e os efeitos dependem da idade e do gênero do consumidor, mas podemos afirmar que

o determinante deste subsistema é: “o álcool faz parte da rotina da vida so- cial. Tomemos, por exemplo, dois eventos sociais importantes, o carnaval e as festas infantis. O carnaval se transformou na festa das cervejas, é possível pensarmos hoje o carnaval sem cerveja, hoje o carnaval é das cervejas, com seus camarotes Vips e as transmissões televisivas, as festas infantis foram se transformou ao longo dos tempos, há pouco tempo atrás festa de criança era festa de criança, batizados ou aniversários, hoje, são regados a bebidas alcoólicas, quando festas de quinze anos não são organizadas em barzinhos ou casas noturnas, mesmo que as crianças não bebam, mas partindo da premissa que crianças procuram imitar tudo que os adultos fazem, não será estranho elas se interessarem por bebidas alcoólicas mais tarde.

Quando analisamos o desenho veremos que este subsistema se encontra no centro do modelo sistêmico criado por Holder, alterando e sendo alterado pelos outros subsistemas.

✔ Vejamos em relação à ao subsistema de Varejo: O álcool como qualquer outro produto comercial, torna-se disponível para os consumidores através dos pontos de venda licenciados ou não. Quando falamos em ponto de ven- da de bebidas alcoólicas não nos referimos apenas aos bares, pois não são somente estes estabelecimentos que vendem bebidas, existem os mercados, padarias, mas temos que destacar um em especial, os postos de gasolina que se transformaram em “point” da juventude, promovendo uma associa- ção perigosa, transito e bebidas alcoólicas.

✔ O subsistema de controle e regulamentação formal reflete as leis e o con- trole governamental que regulam a venda de álcool no varejo. Tratamos aqui das restrições a novas licenças para estabelecimentos que se propõem a vender bebidas alcoólicas utilizando-nos do zoneamento urbano, restringin- do a abertura destes pontos de venda próximos a instituições de ensino, por exemplo, e o estabelecimento de horário de funcionamento, para diminuir a oferta e a disponibilidade.

✔ O subsistema de normas sociais reflete os valores que a sociedade atribui ao álcool, e a influencia dos níveis de consumo através da aceitação so- cial promovida por meio dos reforços positivos e negativos. Temos assistido nossos esportistas se transformarem em garotos propaganda de bebidas, e cobramos deles postura de atletas

✔ O subsistema de sanções legais organiza-se para reforçar as leis contra o uso em determinadas situações e contextos: beber e dirigir, o beber para menores de idade e beber em lugares específicos, por exemplo, em estádios de futebol o que veremos mais a frente.

✔ O subsistema das consequências econômicas, sociais e de saúde aqui está relacionado à mortalidade e a morbidade

O que fazer? Para modificar o contexto com ações ambientais é necessário:

Criar sistemas de licenças; Controlar os pontos de venda de álcool; Controlar a idade mínima de consumo; Responsabilizar que vende; Buscar o aumento do preço do produto.

Para reduzir o acesso físico:

Regulamentar horário e dias para a venda de bebidas alcoólicas; Cumprir a legislação de idade mínima; Treinar vendedores; Responsabilizar criminal- mente o vendedor; Restringir a disponibilidade das bebidas.

Para restringir a aceitabilidade:

Criar programas de prevenção nas escolas; Capacitar em prevenção todos que tem contato com jovens; Estabelecer uma educação pública e efetiva.

Para reduzir complicações:

Incentivar a Política de tratamento fornecida pelo SUS, por exemplo, o pro- grama de saúde da família; Criar uma rede de tratamento na comunidade; Desenvolver e apoiar atividades de reinserção social e redução de danos; Criar centro de atenção psicossocial – AD.

Ainda desenvolver ações direcionadas à disponibilidade:

Aumento do preço ao consumidor; Taxação da indústria - criando um siste- ma de compensação social, controle social do consumo e o financiamento de projetos de prevenção.

Entre os problemas, com os quais nos deparamos no enfrentamento às questões que envolvem o consumo uso e/ou abuso do álcool, dois merecem destaque, preço baixo e acesso fácil:

A densidade de locais que vendem bebidas alcoólicas é muito grande, em um levantamento que realizado no ano de 2.005, na Junta Comercial do Paraná, constatamos que em Curitiba, somente em Curitiba existiam aproxi- madamente 12.000 pontos de venda de bebidas alcoólicas.

O presidente do sindicato dos hotéis bares e similares, informava em entre- vista concedida a veículos de comunicação que além dos estabelecimentos regularmente constituídos, outros sem alvará ou licença sanitária, algo em torno de 30% estariam em funcionamento na capital do Paraná, ou seja, mais 3.600 pontos de venda irregulares.

Concluímos que em Curitiba no ano de 2005, funcionavam 15.600 pontos de venda de bebidas alcoólicas.

Somados a este fator preocupante, acrescentamos o baixo preço. O preço é o maior problema das bebidas alcoólicas no Brasil.

O Dr. Ronaldo Laranjeiras, que atualmente é professor titular do Departa- mento de Psiquiatria da UNIFESP, e diretor do INPAD (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas) quan- do participou da 156° Reunião Anual da Associação Americana de Psiquia- tria em setembro de 2.003 Atlanta – EUA demonstrou aos presentes, que no Brasil o preço das bebidas era realmente baixo, se comparado a outros itens de consumo do cidadão médio brasileiro.

1 litro de leite custava em media R$1,15

1 litro de água mineral em media R$1,00

1 litro de cachaça R$1,99

No documento Legislação e Políticas Antidrogas (páginas 193-198)