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Já compreendemos em outros capítulos o que são as políticas pú- blicas sobre drogas (PNAD) e a sua importância. Veremos agora uma instância que é muito relevante, isto é muito importante para a construção e o avanço das políticas públicas voltadas para as questões das drogas.

21.1 Os Conselhos de Políticas Sobre Drogas

Uma instância (segmento, seção, parte) que é muito importante para a cons- trução e o avanço das políticas públicas voltadas para as questões das drogas é a dos Conselhos de Controle Social, já comentado em capítulos anteriores, lembra? Eles em nossa área são os chamados Conselhos Nacional, Estadual e Municipal de Políticas Sobre Drogas, anteriormente também chamados de Antidrogas.

Estes conselhos ao longo dos anos têm evo- luído nas suas nomenclaturas, os nomes pe- los quais são conhecidos. Já foram “de En- torpecentes” (CONFEN, CONEEN, COMEN), alguns ainda adotam “Antidrogas” (CO- NAD, CONEAD, COMAD), mas a tendên- cia é a utilização do termo “Políticas Sobre Drogas”, superando a nomenclatura que se referia apenas a uma classe, a de Entorpe- centes. Você já aprendeu durante o curso que existem outras classes de drogas além das entorpecentes, por exemplo, as drogas Estimulantes.

O nome da nossa disciplina ainda é Políticas Antidrogas, mas como comen- tamos a tendência atual é de se deixar de usar a terminologia antidrogas, saindo de um termo que aponta para uma postura de ser simplesmente contra as drogas. Lembre que de alguma forma sempre teremos que convi- ver com elas, por exemplo, temos as drogas legais: o álcool, o tabaco. Tem também os medicamentos psicotrópicos, que são drogas controladas, mas

Figura 21.1: Trilhando passos de sucesso Fonte: http://www.trainingcompany.com.br

Terminologia

Termos, denominação, nome, palavras usadas para designar algo.

Psicotrópicos

Psico- cérebro, mente; Trópico - tropismo, movimento para, ação

Podemos até ser contra as drogas! Mas nunca contra os que usam ou sofrem as consequências do abuso destas. Mas até em relação as drogas devemos ter uma postura mais ampla, pois não é uma questão simples, mas sim com- plexa e com diversas variáveis. Devemos sempre buscar conhecer mais sobre o assunto, refletir e debater.

21.2 Os Conselhos e a Construção de

Políticas Públicas Sobre Drogas

Os Conselhos de Políticas Sobre Drogas são relevantes e importantes na construção das políticas públicas para a temática das drogas, por serem estes espaços públicos e abertos à participação de todos. Neles se dão os debates e as articulações com as organizações governamentais, responsáveis por de- senvolver as políticas em relação a temáticas das drogas. A pluralidade dos participantes propicia ao Conselho um olhar mais amplo e multifatorial so- bre o problema causado pelo uso e abuso das drogas em nossa comunidade.

Como escreve o Prof. Celso Daniel “Os Conselhos de Políticas Públicas [...] tem a ver com uma concepção de co-gestão, uma concepção de partilha de poder. São novos espaços, novas esferas públicas no interior das quais a agenda fundamental é justamente a agenda voltada ao fortalecimento dos direitos da cidadania em uma ação que podemos classificar como responsa- bilidade compartilhada. Surge algo novo quando esses conselhos são criados e começam a funcionar com eficácia. Criam-se espaços onde segmentos da população se articulam, trocam informações, criam conceitos, transmitem esses conceitos para outros segmentos da população, e assim por diante”. Celso Daniel, entrevista ao Instituto Polis, 2001- disponível no site www. polis.org.br acesso em setembro de 2007.

É necessário, para você que atua ou vai atuar mais diretamente na área da dependência química, compreender a importância dos Conselhos para se garantir a implantação e o avanço de políticas públicas na temática das dro- gas. A estratégia de criação ou de fortalecimento dos Conselhos Municipais de Políticas Sobre Drogas, bem como da articulação deste com os Conse- lhos: Estadual e Nacional. Estas são ações vitais para que efetivamente for- memos uma rede para o enfrentamento do desafio das drogas, na próxima aula abordaremos o conceito de Rede.

Pluralidade

Múltiplo, variado, diverso.

Multifatorial

Formado por diversos fatores... Em dependência Química dizemos que ela não tem uma causa única e sim múltipla, isto é, influenciada por diversos fatores: bio-psico-socio-

21.3 Avanços Necessários

Ainda em 2012 o Sistema de Conselhos de Políticas Sobre Drogas é desar- ticulado, não adota um processo de Conferências integrando os níveis mu- nicipal, estadual e Federal, ao contrário dos conselhos de controle social da Saúde, da Assistência Social e tantos outros. Fato que fragiliza a construção de uma política pública para as drogas. Este sem dúvida é um dos desafios a ser superado, para podermos avançar mais no enfrentamento aos problemas causados pelo uso e abuso das drogas.

Lembre-se que os Conselhos devem ter formação plural (representação dos variados setores envolvidos e interessados na temática) e paritária (repre- sentação em números iguais tanto do segmento Governamental, como o Não-governamental). E que eles têm um papel essencial na promoção e na articulação das políticas públicas sobre drogas, no fortalecimento da Demo- cracia, no desenvolvimento da Cidadania e na garantia dos direitos sociais da população.

Resumo

Os Conselhos de Políticas Sobre Drogas são espaços importantes para a construção das políticas públicas sobre drogas, por serem estes espaços pú- blicos e abertos à participação de todos. Mas pode perceber que o Sistema de Conselhos de Políticas Sobre Drogas no Brasil ainda é desarticulado e não adota um processo de Conferências que integre os níveis municipal, estadual e Federal, fato este que fragiliza a construção de uma política pública para as drogas. Este sem dúvida é um dos desafios a ser superado, para podermos avançar na superação dos problemas causados pelas drogas.

Atividades de aprendizagem

• Você viu neste capitulo a importância dos Conselhos de Políticas Sobre Dro- gas para a sua atuação como técnico e cidadão, pesquise em seu município se existe um conselho municipal de políticas sobre drogas, se esta funcionan- do e qual a sua composição atual e faça uma avaliação da situação.

para conhecer o funcionamento de diferentes Conselhos acesse o site: www.brasil.gov.br/governo_ federal/estrutura/conselhos Controle Social - Refere-se ao acesso à informação e participação da sociedade civil, organizada ou não, na implantação e desenvolvimento de políticas públicas, também na gestão, implantação e fiscalização das organizações públicas e privadas. Este controle pode ser exercido pela via formal – mediante previsão legal ou estatutária desta participação da sociedade civil. Pode também ser informal por espaços institucionalizados ou não de exercício do controle social. Participação é a maneira pelo qual os desejos e necessidades de diferentes segmentos da população podem se expressar em um espaço público de modo democrático. A participação é um processo educativo de construção de argumentos e de formulação de propostas, além de ser um espaço onde cidadãos aprendem a ouvir outros pontos de vista, a reagir, a debater e a chegar a consenso. Neste sentido, essas atitudes que transformam todos aqueles integram o processo participativo.

Aula 22 – O trabalho em rede na

construção de uma política

No documento Legislação e Políticas Antidrogas (páginas 151-155)