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O Programa de Controle do Tabagismo

No documento Legislação e Políticas Antidrogas (páginas 185-191)

comportamento social Nesta aula vamos falar sobre as indústrias das drogas lícitas, sobre

Aula 26 – Um exemplo bem sucedido Nesta aula, vamos conhecer um exemplo de política pública que

26.3 O Programa de Controle do Tabagismo

O tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo. É responsável por cinco milhões de mortes ao ano no mundo, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia.

A Organização Mundial da Saúde - OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes. Pesquisas comprovam que aproxima- damente 47% de toda a população masculina e 12% da população femini- na no mundo fumam. (http://www.actbr.org.br/tabagismo/)

O tabaco é o único produto legal que causa a morte da metade de seus usu- ários regulares. Isto significa que de 1,2 bilhões de fumantes no mundo, 600 milhões vão morrer prematuramente por causa do cigarro.

O tabagismo está relacionado a 30% das mortes por câncer (boca, laringe, bexiga, etc.); 90% das mortes por câncer de pulmão; 25% das mortes por doença de coronária (infarto do miocárdio); 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (bronquite e enfisema); 25% das mortes por doenças cerebrovasculares (derrames).

Jean Nicot, diplomata e estudioso francês, em 1560 introduziu o tabaco para ser colocado no nariz, chamado de rapé, para a corte francesa. O nome nicotina, por sua vez, deriva de Nicot

No Brasil, início dos anos 90, 35% da população brasileira com mais de 15 anos era fumante, já em 2007 o índice de fumantes baixou para 16,4%,

Estima-se que em nosso país, a cada ano, 200 mil brasileiros morram preco- cemente devido às doenças causadas pelo tabagismo. De cada 100 pacien- tes que desenvolvem câncer, trinta são fumantes. No caso daqueles pacien- tes com câncer no pulmão, esse índice salta para 90% do total, isto é de 100, noventa são fumantes.

Tabela 26.1: Percentual das pessoas de 15 anos ou mais de idade que fuma- vam algum produto derivado do tabaco, por produto do tabaco fumado, segundo algumas características socioeconômicas - Brasil – 2008.

Algumas características socioeconômicas

Percentual das pessoas de 15 anos ou mais de idade que fumavam algum produto derivado do tabaco, por

produto do tabaco fumado (%)

Total 17,2 Sexo Homens Mulheres 21,6 13,1 Grupos de idade 15 a 24 anos 25 a 44 anos 45 a 64 anos 65 anos ou mais 10,7 18,3 22,7 12,9 Situação do domicílio Urbano Rural 16,6 20,4

Grupos de anos de estudo

Sem instrução e menos de 1 ano 1 a 3 anos 4 a 7 anos 8 a 10 anos 11 anos ou mais 25,7 23,1 20,3 14,9 11,9

Classes de rendimento mensal domiciliar per capita

Sem rend. à menos de 1/4 do salário mínimo 1/4 a menos de 1/2 salário mínimo 1/2 a menos de 1 salário mínimo 1 a menos de 2 salários mínimos 2 salários mínimos ou mais

19,9 19,8 16,8 16,2 13,5

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2008.

Além disto, o cigarro é composto por folhas de fumo que contêm mais de 4.500 complexos químicos, muitos dos quais se transformam em outras combinações. Esses complexos incluem arsênico, amônia, sulfito de hidrogê- nio e cianeto hidrogenado.

O componente do cigarro mais letal de todos os elementos é o monóxido de carbono, que é idêntico ao gás que sai do escapamento dos automóveis. Este produto toma o lugar do oxigênio, deixando o nosso corpo totalmente intoxicado.

O ar poluído pela fumaça do cigarro contém, em média, três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono, e até cinquenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro.

Uma das substâncias presentes no fumo do tabaco é o alcatrão – de um forte odor, ele se obtém da destilação de certas matérias orgânicas, princi- palmente de carvão, ossos e de algumas madeiras resinosas. Ele provoca a obstrução dos pulmões e perturbações respiratórias, além da dependência do tabaco e várias doenças associadas ao seu consumo.

Fumar é poluir!

O reconhecimento de que a expansão do tabagismo é um problema mundial fez com que, em maio de 1999, durante a 52ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS), os Estados Membros das Nações Unidas propusessem a adoção do primeiro tratado internacional de saúde pública da história da humanidade negociado sob os auspícios da OMS. Trata-se da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco- CQCT

A tramitação da Convenção no Congresso Nacional teve início em agosto de2003, com a entrega formal do tratado à Câmara dos Deputados pelo Ministro da Saúde e pelo Ministro das Relações Exteriores. Em 31 de maio de 2004 (data em que se comemora o Dia Mundial sem Tabaco) o tratado foi aprovado por aquela Casa, sendo posteriormente encaminhado para o Senado Federal.

O Senado realizou diversas audiências com o objetivo de esclarecer a popu- lação, em especial os produtores de fumo, sobre os objetivos do tratado. Em 27 de outubro de 2005, o Senado Federal aprovou a ratificação da CQCT através do Decreto Legislativo nº 1.012, mediante o compromisso do Go- verno Federal de implementar o Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco. O Brasil foi o 100º país a ratificar o tratado, promulgado pelo Presidente da República através do Decreto nº 5.658, de 2

O estudo da economista da Fundação Oswaldo Cruz, Márcia Pinto, em 2005, revelou que a terapia de um paciente com câncer custa, em média, R$ 29, mil. O tratamento de câncer do esôfago, R$ 33,2 mil, e o de laringe, R$ 37,5 mil. Se todos os casos novos desses três tipos de câncer causados pelo cigarro procurarem o sistema público, o gasto calculado é de R$ 1,12 bilhão. Esse levantamento foi feito através da trajetória de fumantes internados em dois centros de referência para tratamento de câncer e problemas cardíacos: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Instituto Nacional de Cardiologia (INC). Fonte: O Estado de S. Paulo – 17/03/08

Esse tratado articula um grupo de ações, baseadas em evidências, para res- ponder à globalização da epidemia do tabagismo e reafirmar o direito de todas as pessoas aos mais altos padrões de saúde

O termo controle do tabaco, segundo a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, refere-se a um conjunto de estratégias para reduzir a oferta e a demanda por produtos de tabaco, de forma a reduzir os danos causados pelo tabaco com o objetivo de melhorar a saúde da população como um todo.

A CQCT considera o tabagismo uma epidemia global, e apresenta o consu- mo e a exposição à fumaça do tabaco como questões de saúde pública, com consequências sanitárias, sociais, ambientais e econômicas que impõem a implementação de medidas, fim de reduzir de maneira contínua e substan- cial a prevalência do consumo e a exposição à fumaça do tabaco.

Esta proposta de política públicas em relação ao tabagismo propõe como ações de controle:

I - Prevenir a iniciação ao fumo

II - Estimular o abandono do cigarro pelos já dependentes III - Eliminar a exposição à fumaça ambiental do tabaco

O programa trabalha com ações Educativas no eixo da prevenção, já no eixo da cessação do consumo do tabaco utiliza técnicas Cognitivo-Comporta- mentais associadas ou não ao uso de medicação. Além disto, utiliza de ações de Legislação Global, para a regulamentação do tema. O conjunto de ações integradas, coerentes e éticas do programa tem feito a diferença na redução de taxas de tabagismo.

O Programa de Controle do Tabagismo, em desenvolvimento e em construção a cada desafio superado, se torna um referencial importante para se refletir no enfrentamento tanto do Álcool, uma droga legal como o tabaco, como em relação ao Crack e outras drogas ilegais. Em todas precisamos avançar em políticas mais articuladas, com mais mobilização da sociedade, com avanços em mudança de paradigmas em busca da qualidade de vida para todos.

Acessem o site para verem algumas das principais medidas propostas pela CQCT: http:// www.inca.gov.br/tabagismo/ frameset.asp?item=cquadro3&l ink=perguntas.htm e para ver algumas das conquistas no Brasil, promovidas pela adoção da Convenção Quadros acesse o site: http://www1.inca.gov.br/inca/ Arquivos/convencao_quadro_ texto_oficial.PDF

Resumo

Nesta aula você tomou conhecimento da política pública de enfrentamento ao tabagismo, em desenvolvimento no país e articulada a uma estratégia mundial para a superação do flagelo do uso desta droga legal, porem das mais letais. As estratégias e conquistas desta política são um referencial po- sitivo para o desenvolvimento de outras políticas públicas sobre as drogas.

Atividades de aprendizagem

• Após as suas leituras e pesquisas, faça uma reflexão e registre quais são, em sua opinião, as diferenças alcançadas nas atuais políticas públicas brasileiras para o Álcool e para o Tabaco.

Aula 27 – As disputas em políticas

No documento Legislação e Políticas Antidrogas (páginas 185-191)