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No documento http://conpdl.com.br/anaisconpdl7 (páginas 48-57)

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importante papel no inevitável trabalho de elasticidade e adequação da técnica analítica ao funcionamento psíquico singular de pacientes traumatizados. Considerando que um processo de adoção pode ser potencialmente traumático, partimos da hipótese clínica de que o trabalho da “figurabilidade” é fundamental para o processo de elaboração e tratamento de algumas vivências envolvidas nesse processo. Através da leitura de Nunca deixe de acreditar pretendemos demonstrar como alguns conteúdos que não são captáveis e apreendidos no campo da palavra, ganham possibilidade de representação através da sua apresentação numa linguagem sensorial, pictória, sinestésica e auditiva, ou seja, a partir de outros campos da ordem do sensível. . PALAVRAS-CHAVE: Trauma; Adoção; Figurabilidade; Representação.

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A teoria e a técnica psicanalíticas encontram-se intimamente interligadas desde os primórdios da psicanálise. Desde então, a noção de “trauma” tem ocupado um importante papel nesta práxis e, conforme temos visto nas discussões atuais, permanece como tema fundamental no contínuo trabalho de construção e reformulação da metapsicologia e da prática clínica da psicanálise. Se, por um lado, a proposição do novo dualismo pulsional evidenciou os limites da representação psíquica, ou seja, lançou luz sobre os conteúdos que escapam à simbolização em termos metapsicológicos, por outro lado, não foi capaz de sustentar a necessária reformulação da técnica. A clínica do traumatismo tem cobrado, com urgência, a resolução dessa tarefa uma vez que nós, psicanalistas, nos deparamos com um alto número de pacientes que se encontram reféns de conteúdos psíquicos que não puderam ser integrados ao psiquismo e que, portanto, permanecem encapsulados no aparelho psíquico.

Partindo desta consideração, de que a clínica atual tem sido caracterizada por um alto número de pacientes marcados pelo excesso pulsional, acreditamos ser extremamente necessário revisitar a noção de “trauma” com o intuito de lançar luz sobre as especificidades de suas manifestações, a fim de estimular a investigação e a produção de novas práticas clínicas capazes de escutar aquilo que não é transmissível no campo simbólico. No entanto, neste trabalho, nosso objetivo restringe- se a demonstrar, através da leitura de Nunca deixe de acreditar, de Christina Rickardsson, como alguns conteúdos que não são captáveis e apreendidos no campo da palavra ganham possibilidade de representação através da sua apresentação em uma linguagem sensorial, pictória, sinestésica e auditiva, ou seja, a partir de outros campos da ordem do sensível.

Para tanto, partiremos de algumas considerações sobre a noção de “trauma” com vistas a esclarecer alguns pontos sobre este campo tão revisitado na teoria psicanalítica. De uma maneira geral, consideramos trauma como um afluxo pulsional excessivo que ultrapassa a capacidade psíquica de ligação e elaboração, ou seja, conteúdos que extrapolam a representação psíquica. Nas palavras de Laplanche e Pontalis (2004) trauma é um “Acontecimento da vida do sujeito que se define pela sua intensidade, pela incapacidade em que se encontra o sujeito de reagir a ele de forma adequada, pelo transtorno e pelos efeitos patogênicos duradouros que provoca na organização psíquica” (p. 522).

É importante retomarmos a discussão sobre a qualidade desse acontecimento no que se refere à sua condição de realidade psíquica ou material para justificarmos a consideração de que algumas vivências são potencialmente traumáticas, sem que isso represente um exagerado apego à factualidade em detrimento do pulsional. Acreditamos que a realidade a ser considerada ao pensarmos na condição do trauma é, em primeira instância, a realidade da mensagem sexual do outro, ou seja, uma realidade que não se confunde nem com a realidade material, nem com a realidade subjetiva, a fantasia.

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A partir da Teoria da Sedução Generalizada, de Jean Laplanche (1992), o traumático define-se como a mensagem sexual veiculada pelos cuidados que o adulto dispensa à criança, na medida em que transmite a sexualidade inconsciente do próprio adulto. Essa sedução que a criança sofre por parte do adulto, em decorrência de sua condição de passividade radical originária e universal é a geradora do trauma interno, equivalente ao ataque pulsional, que irá constituir o psiquismo a partir da primeira tentativa de tradução das mensagens sexuais e enigmáticas advindas do outro. Assim, Laplanche (1992) retoma e enfatiza uma ideia já apresentada por Freud (1920/2006b) de que toda situação traumática é habitada pelo pulsional, uma vez que a pulsão é o traumático em si mesmo. Sendo assim, consideramos que um acontecimento é potencialmente traumático quando ele expõe o sujeito, de maneira arrebatadora e impossibilitada de tradução, a uma situação de desamparo radical que ameaça sua integridade física e, consequentemente, e de maneira ainda mais incisiva, a integridade do eu. Nas palavras de Carvalho (2012):

Face ao acontecimento traumático, o sujeito encontra-se completamente desamparado, o que reproduz necessariamente a situação de passividade originária. [...] podemos dizer que o trauma é arrombamento extenso de um invólucro e isto torna homólogos o acontecimento traumático atual e a situação de sedução originária, ligados pela noção de perfurar, arrombar, penetrar, em que se faz presente à penetração da mensagem sexual do outro na superfície corporal da criança. (p. 496)

Figueiredo (2008) acrescenta que o trauma pode ser caracterizado por uma inversão de papéis, na qual o impacto de um objeto excede em muito a capacidade de enfrentamento e domínio, seja ele prático, seja simbólico, por parte do sujeito que é repentinamente apassivado. Portanto, “a

vontade do sujeito é submetida à sua sensibilidade, aos seus afetos; se a linguagem dos afetos

padece sempre da equivocidade, para se falar o trauma não há, rigorosamente, linguagem alguma disponível” (Figueiredo, 2008, p. 15).

Ainda em consonância com esta concepção do trauma, Laplanche propõe, a partir da leitura da

Carta 52 (1897/2006a), uma teoria tradutiva do recalcamento a partir da qual se considera que

as sensações perceptivas (ou mensagens enigmáticas advindas do outro) exigem do aparelho sucessivas traduções e transcrições, cuja eficácia será sempre incompleta, formando restos não traduzidos que constituem o inconsciente. Porém, algumas dessas percepções extrapolariam a capacidade tradutiva do aparelho e, portanto, não sofrendo a ação do recalcamento, formariam marcas psíquicas, ou fueros, que permaneceriam encravados no aparelho psíquico sem acesso à simbolização e à ligação com outros traços mnêmicos. Ou seja, determinadas percepções, marcadas por conteúdos excessivos e disruptivos, permaneceriam como instantes congelados fadados à descarga sem mediação egóica através da compulsão à repetição. Estes materiais traumáticos não ganhariam, portanto, uma forma representacional sendo acessados, somente, através da apresentação de sua forma figurada (Gaspar, Lorenzutti & Cardoso, 2006).

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André Green (2002) descreve esses conteúdos como uma “memória amnésica”, uma vez que não sucumbem à ação do recalcamento, não se tornam lembranças, instalando um presente contínuo, um passado que não passa. No lugar da lembrança, existe a apresentação de impressões sensíveis, de manifestações corporais. A memória traumática é, portanto, uma memória corporal, figurada na linguagem sensorial, pictória, sinestésica e auditiva.

O sujeito se vê, assim, diante de uma tarefa paradoxal: narrar aquilo que é intransmissível, que nunca existiu no campo da representação. Diante da impossibilidade de uma historicização, a vida é cindida em duas partes: o antes e o depois do trauma. Ferenczi (1934[1931-1932]/1992), através do conceito de “clivagem narcísica”, investigou a ocorrência dessa cisão psíquica como defesa diante de uma vivência extrema traumática. Para Maldonado e Cardoso (2009),

Diante da ameaça de morte psíquica, o ego, como estratégia de sobrevivência, fragmenta-se em várias partes que não se comunicam entre si. Este mecanismo tem por objetivo manter separados certos conteúdos psíquicos que não irão se vincular a uma cadeia representacional. (p. 54)

A integridade do ego, as ligações e associações provenientes do trabalho de recalcamento e transcrições sucessivas, se desfazem como uma forma desesperada de manter “vivo” aquilo que já havia sido construído até então e que morreria caso tivesse que se associar ao conteúdo traumático. Com base nestas considerações teóricas, partimos para a leitura de Nunca deixe de acreditar como possibilidade de ilustração de como alguns conteúdos permaneceram enquistados no psiquismo, por serem oriundos de uma vivência extrema e traumática, tendo ganhado possibilidade de alguma elaboração e narrativa a partir do aparecimento em sua forma figurada, sensível. Antes, é importante destacar que as reflexões aqui apresentadas devem ser compreendidas como interpretações limitadas ao conteúdo narrado pela autora, sem pretensões de alcançar as possibilidades interpretativas de um acompanhamento clínico.

Christina começa o seu relato datando-o como início de 2015 e dizendo ter encontrado um limite:

Em um dia ensolarado, há três anos, acordei com medo; aliás, muito assustada .... Tinha chegado à beira do abismo, ao meu limite. ... Na realidade, minha vida estava um caos: a vida com a família, os relacionamentos, os amigos e comigo mesma. Por essa razão, eu me dedicava àquilo que podia controlar. Como se resolve algo como “eu tenho de viver e minha vida é um caos?” Seria medo de sentir e me machucar? Medo de que aqueles com quem me importo me deixassem ou morressem? Medo de que, se eu parasse para pensar, tudo desabasse? Medo de mim mesma? ... Não suportava ser uma pessoa e sofrer tanto. Estava passando por algo que nunca havia experimentado antes. O meu

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corpo e o meu inconsciente tomaram conta de tudo e era como se a minha alma houvesse decidido que era a sua vez de me controlar. (Richardsson, 2017, p. 7,

grifos nossos)

Claramente, podemos perceber que, se de alguma forma tenha sido possível viver a família, os amigos, os relacionamentos amorosos e o trabalho na Suécia até aquele momento, tudo parecia ter se desmoronado nos últimos três anos, um caos havia se instalado e a jovem parecia viver a iminência de uma queda livre para um trágico fim. Parece que Christina percebeu que já não dava mais para continuar vivendo à deriva da sua própria história, alheia ao seu passado, ignorante de quem um dia foi.

Então, vieram os pesadelos. Eu tinha sete anos e corria risco de morte, tive esse sonho diversas vezes. Queria ter sonhado apenas com um terrível monstro debaixo da cama, mas infelizmente era o que tinha acontecido na minha vida que voltava à minha memória. Eu estava sonhando com o que havia me acontecido quando ainda era criança. (Richardsson, 2017, p. 8)

Observamos, então, que Christina passa a produzir sonhos traumáticos: a cena repetitiva de um acontecimento da vida na infância, em período anterior à adoção. A experiência do terror que insistia em retornar não era da ordem da fantasia, de uma lembrança encobridora – o que para outras crianças seria o monstro debaixo da cama, mas sim da ordem terrível e inenarrável do horror da morte real. A imagem da menina de sete anos que corria risco de morte insistia em retornar através de repetidos pesadelos que presentificavam o seu passado. Dando continuidade à leitura do livro, deparamo-nos com a cruel realidade daquela menina de rua que, por mais de uma vez, correu grandes riscos de morte. Christina, no entanto, não especifica qual destes momentos retornava. Talvez o trabalho do sonho já estivesse operando, condensando as várias vezes em que a criança Christina quase morreu de fome, de frio, picada por animais peçonhentos, atingida por tiros de policiais, ou até na luta por um pedaço de pão. Neste momento, então, no inverno de 2015, a jovem decide, pela primeira vez, procurar ajuda de verdade. Era necessário (re)viver sua história, mas, para isso, era preciso antes, construí-la.

Adotada aos oito anos por um casal sueco, Christina ainda não tinha se interessado em conhecer outros relatos sobre sua infância no Brasil até resolver viajar ao seu país de origem com o intuito de retornar ao seu passado, de revisitar alguns lugares (a caverna, a favela, o orfanato) e conhecer sua mãe e família biológicas. Até aquele momento, vinte e quatro anos após a adoção, Christina parecia satisfeita com as memórias que havia guardado dos seus primeiros anos de vida, mas, como ela mesma diz, “O que é fascinante nas memórias é que algumas ficam guardadas, outras desaparecem para sempre e há aquelas que retornam” (Richardsson, 2017, p. 9). Algo havia retornado, com a exigência de ocupar outro lugar. Acreditamos, no entanto, que o que havia

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retornado não seria uma memória, mas a “imagem” de um trauma que não pôde ser integrada no ego daquela criança.

Logo na introdução do texto, deparamo-nos com a seguinte afirmação: “Tenho duas pessoas em mim: uma é a Christina de Norrland e a outra é a Christiana do Brasil. Nem sempre foi uma tarefa fácil juntar essas duas” (Richardsson, 2017, p. 6). É inevitável reconhecer a existência de uma dissociação egóica, uma clivagem defensiva adotada pela criança que foi arrancada à força dos braços da mãe. Obviamente, estamos diante de uma construção narrativa construída a posteriori; enquanto a clivagem opera, não se tem esta consciência clara de sua ação. Esta afirmação no momento de apresentação do livro já nos sinaliza que a sua narrativa perpassa, antes de tudo, a tentativa de junção dessas duas partes. Mas, o que teria despertado a urgência desse trabalho? Tentaremos responder essa questão a partir de algumas hipóteses relativas ao período em que “essas duas” não podiam conviver juntas, com base nas proposições teóricas apresentadas até aqui.

Atentamo-nos para a marcação temporal de uma das experiências vividas já tardiamente pela autora que, a princípio, parece ter pouca importância diante do resgate da sua história original. Trata-se do primeiro salto de paraquedas realizado no ano de 2011, curiosamente pouco tempo antes dos pesadelos aparecerem, em 2012. Ao longo da descrição da realização deste sonho – o primeiro salto –, Christina parece ter se interrogado sobre o desejo de saltar, o motivo de querer se arriscar daquela maneira: “Para mim, tudo começou quando era criança, do outro lado do Atlântico, enquanto vivia na minha pequena caverna” (Richardsson, 2017, p. 89). Não é por acaso, portanto, que, ao longo da queda, ocorra de maneira marcante o aparecimento de algumas memórias antigas: “a cada nuvem que atravessava, pensava que mamãe e Camile estavam ali comigo” (Richardsson, 2017, p. 89), “fecho os olhos e vejo minhas pernas balançando no ar, acima da caverna e junto de mamãe” (Richardsson, 2017, p. 85). Pensamentos despertados no momento em que Christina se vê em uma queda desgovernada e fica “congelada” diante daquele imprevisto. Acreditamos que, naquele dia, estando novamente diante da proximidade com a morte, Christina talvez tenha experimentado o aparecimento da Christiana, que estava “perdida” desde o dia em que soube, de maneira traumática, que não conseguiria sobreviver ao abrigo caso permanecesse sustentando “ser” a pessoa que tinha sido até aquele momento. Cabe destacar o relato daquele momento:

Até ali, havia conseguido ser eu mesma, não importando se estava com mamãe, com amigos ou na presença de desconhecidos. Sempre podia ser eu mesma, mas, quando descobri que meus sentimentos, pensamentos e desejos deveriam ser escondidos, foi uma sensação muito desagradável. Lembro-me, como se fosse ontem, da sensação de uma neblina quente, úmida e pegajosa envolvendo o meu corpo, como se estivesse sendo enrolada em um plástico. Apesar dessa neblina ser desagradável, tinha suas vantagens. Tenho certeza de que já no orfanato eu havia começado a construir uma fachada, mas cuidava do meu verdadeiro eu dentro da neblina. Christiana estava perdida ali dentro, mas não

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estava morta e, um dia, a neblina se dissiparia e ela se encontraria novamente. (Richardsson, 2017, p. 145)

Naquele momento, já não havia mais no orfanato espaço para aquela menina que, mais uma vez, corria risco de vida e precisava sobreviver. A separação da mãe e a constatação da sua “morte” foram tão insuportáveis que uma ruptura se deu e a menina foi parar dentro da neblina: Christiana divide- se em duas. Duas décadas depois, dentro da nuvem e enrolada em um plástico, Christina parece encontrar Christiana, aquela outra parte perdida. Naquele momento, a luta pela sobrevivência foi revisitada, agora de outro jeito, com a liberdade de não precisar ser. Nas palavras da autora, “Isto significa que, nos sessenta segundos que o salto de paraquedas leva até se abrir, não tenho tempo de pensar no que já passou ou no que está para acontecer” (Richardsson, 2017, p. 88).

No entanto, já em terra firme, o reencontro com aquela menina tem seus efeitos mortíferos: Christina passa a viver na beira do abismo, a vida transforma-se no caos e os pesadelos repetitivos e terríveis parecem lembrá-la da necessidade de sobreviver ao aparecimento daquilo que estava por trás da neblina. A imagem daquela menina impõe uma tradução, uma narrativa de algo que ainda não tinha palavras, que só podia aparecer, sem representação, no campo sensório. A construção dessa narrativa se impõe de maneira tão forte que Christina escreve sua história e a publica em um livro. Assim, ela pode contar, traduzir e reconstruir inúmeras vezes, nas palestras que ministra sobre sua obra-viva, as suas (agora) memórias:

Minhas memórias são difusas, mas as que guardei comigo são muito claras. Tomei muito cuidado para não perdê-las, recontando tudo a mim mesma, fazendo anotações, para tentar me lembrar da pessoa que eu era antes. Criei uma história, a minha história. (Richardsson, 2017, p. 5)

REFERÊNCIAS

Carvalho, M. T. M. (2012). Sofrimento psíquico, acontecimento traumático e angústia pulsional.

Psicologia em Estudo, 17(3), pp. 487-497.

Ferenczi, S. (1992). Reflexões sobre o trauma. In Obras Completas: Psicanálise IV. São Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1934[1931-1932]).

Figueiredo, L. C. (2008). Modernidade, trauma e dissociação. In Elementos para a clínica

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Freud, S. (2006a). Carta 52. In Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud (Vol. 1, pp. 281-288). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1897).

Freud, S. (2006b). Além do princípio do prazer. In Edição Standard Brasileira das Obras Completas

de Sigmund Freud (Vol. 18, pp. 13-75). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1920).

Gaspar, F. L.; Lorenzutti, P. S.; Cardoso, M. R. (2006). Trauma e representação: estudo de um caso clínico. In M. R. Cardoso (Org.), Adolescentes. São Paulo: Escuta, p. 147-156.

Green, A. (2002). La diacronia en psicoanalisis. Buenos Aires: Amorrortu.

Laplanche, J., & Pontalis, J. (2004). Vocabulário de Psicanálise (4. ed.). São Paulo: Martins Fontes. Laplanche, J. (1992). Novos fundamentos para a Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes.

Maldonado, G., & Cardoso, M. R. (2009). O trauma psíquico e o paradoxo das narrativas impossíveis,

mas necessárias. Psicologia Clínica, 21(1), 45-57.

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AUTORIA

RESUMO

ANAMARIA SILVA NEVES

Professora adjunta da Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo. Pós-Doutora pelo Child and Woman Abuse Studies Unit – CWASU, instituição vinculada à London Metropolitan University.

CONTATO: [email protected]

FABIANA CAROLINA DE SOUZA CARVALHO DIAS

Psicóloga clínica Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM. Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU.

CONTATO: [email protected]

A literatura expressa o que está presente no imaginário social e tem sido muito utilizada nos estudos psicanalíticos, que a tomam como referência e dela se enriquecem. As histórias como expressão artística fornecem elementos preciosos para analisar manifestações inconscientes porque refletem a subjetividade e a pulsão sublimada. Nessa perspectiva, percorremos brevemente algumas histórias que remontam à temática da adoção. A maioria das crianças mitológicas que passou pela angústia do abandono ou da morte dos pais consegue alcançar um destino de heroísmo ou de poder. Esses mitos parecem significar que sobreviver a tal tragédia e ser amado por outro faz com que a pessoa torne-se psicologicamente (ou até

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