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O IMPOSTO PROVISORIO SOBRE MOVIMENTAÇOES FINANCEIRAS

No documento Tributação no Brasil e o Imposto Único (páginas 187-189)

SOBRE TRANSAÇÕES (IUT)

5) O IMPOSTO PROVISORIO SOBRE MOVIMENTAÇOES FINANCEIRAS

Por fim há que se desfazer qualquer mal-entendido: o Imposto Provisório sobre Movimentações Financeiras (IPMF) e o Imposto Único sobre transações (IUT) não são a mesma coisa. Há pelo menos dez razões pelas quais o IPMF é uma péssima forma de tributar e pelos quais, em contra posição, o IUT é um bom imposto.

1 - O IPMF é mais um imposto a ser adicionado ao atual sistema tributário, cujas principais características permanecerão como se encontram hoje. Todos os seus defeitos e distorções permanecerão praticamente intocados. Perdurará um sistema tributário de baixa produtividade, burocratizado, de incidência desigual, regressivo, contaminado pela corrupção e pela expansão da economia informal. Já o IUT pretende ser um novo modelo. Substituiria todos os impostos arrecadatórios atualmente cobrados do contribuinte, e implicaria uma radical mudança na sistemática tributária brasileira.

2 - O IPMF incidirá sobre todos os débitos bancários, mercantis e financeiros. .Implicará uma cunha fiscal tão maior quanto mais curto for o prazo da operação. Isso poderá encarecer e até inviabilizar operações em Bolsas, descontos de duplicatas e operações de curto prazo.

O IUT prevê sistemáticas diferentes para a tributação de operações financeiras. Em realidade, haveria uma tributação sobre lucros financeiros reais com alíquotas de 25%. Pela sistemática operacional proposta, as transações financeiras não seriam oneradas enquanto ocorressem dentro do circuito do mercado de capitais. A tributação ocorreria apenas na transferência dos ganhos reais para a conta movimento dos aplicadores, ao se tornarem disponíveis para outros tipos de transações.

3 - O IPMF não prevê sobre taxação de saques e depósitos de numerário do sistema bancário.

O IUT impõe alíquota dobrada nessas operações. Assim, ele desestimularia fortemente a desintermediação bancária, o que não ocorre com o IPMF.

4 - O IPMF impõe custos marginais positivos para o sistema bancário, pois trata-se de mais um imposto a ser arrecadado pelos bancos.

O IUT eliminaria os impostos atualmente existentes, reduzindo brutalmente os custos bancários atuais. Nesse sentido, o IUT teria custo marginal negativo para os bancos.

5 - Considerando-se que o custo marginal da cobrança do IPMF é de cerca de 15 centavos por lançamento, grande parte das transações bancárias terá arrecadação

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negativa. Cerca de 60% dos cheques de pessoas físicas deveriam ser isentados do IPMF (com perda de cerca de 10% da arrecadação prevista). A alternativa adotada foi o recolhimento após acumulação de transações durante períodos predeterminados. Nesse caso, os recursos fiscais ficariam retidos no sistema bancário.

6 - O IPMF não move uma palha para reduzir a burocracia fiscal brasileira, pois aquele imposto é adicionado ao rol dos tributos atualmente existentes. Continuarão existindo centenas de livros fiscais, talonários, declarações, formulários etc.

O IUT eliminaria completamente a parafernália fiscal, liberando recursos equivalentes a cerca de 4% do PIB hoje consumidos nas estéreis obrigações tributárias acessórias impostas ao setor privado e nos custos administrativos fiscais em todos os níveis e poderes da administração pública. Desapareceriam as declarações de impostos e a necessidade de justificar, do ponto de vista fiscal, a origem de recursos.

7 - O IUT prevê um arcabouço institucional que impediria a circulação de cheques como se fossem moeda. Seria proibida a emissão de cheques ao portador. Mesmo os endossos teriam de ser feitos nominativamente e cada um deles implicaria a cobrança do IUT quando do depósito do cheque no sistema bancário.

O IPMF não prevê essas salvaguardas institucionais para desestimular o uso do cheque como quase-moeda. Essa prática é naturalmente limitada pelos riscos que tal operação implica, como atesta o crescente número de cheques sem 'fundos. Porém, o fenômeno da circulação de cheques poderá acontecer, corroendo o potencial arrecadador do IPMF.

8 - O IPMF não incorpora totalmente a economia informal ao universo tributário brasileiro. Mais de 80% da arrecadação pública ainda continuarão incidindo desigualmente sobre os segmentos formais e, dentro deles, nos setores mais incapazes de praticar evasão fiscal, como é o caso da tributação direta sobre os assalariados.

O IUT acabaria com a distinção entre economia formal e informal, além de eliminar a evasão, a sonegação e a corrupção fiscal.

9 - O IPMF está sendo adotado pelo governo apenas por seu grande potencial arrecadador. Em realidade, parece ter sido apenas esta a qualidade que atraiu sua atenção. Ao adicioná-lo ao rol dos demais impostos e contribuições existentes, o governo ignora as vantagens desburocratizantes e moralizantes que um imposto sobre transações financeiras poderia ter se fosse único.

O IUT garantiria, além de alto potencial de arrecadação, a desburocratização radical do sistema, a libertação do indivíduo dos controles estatais e a extrema economicidade gerada pela radical automatização da coleta tributária.

10 - O IPMF - por ser um imposto a mais e por não estabelecer critérios operacionais diferenciados para transações mercantis e financeiras - tem

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forçosamente de isentar determinados tipos de transações de sua incidência, como, por exemplo, a poupança. À medida que se aceitem exceções, estarão abertas verdadeiras avenidas para as mais variadas formas de burla, como, por exemplo, o pagamento de salário e de outras operações diretamente nas contas de poupança.

O IUT prevê algumas mudanças institucionais para ampará-lo. Seriam alterações cujos custos apenas justificariam sua implementação no caso de o IUT ser o imposto único do sistema. Com o IPMF, as mesmas mudanças conflitariam com os demais componentes da atual estrutura tributária. O IPMF está sendo imposto a seco, sem maiores cuidados para garantir sua correta utilização. Assim, corre-se sério risco de comprometer gravemente os resultados de sua implantação.

Da forma como está sendo imaginado, o IPMF produzirá resultados positivos apenas do ponto de vista de arrecadação. Mas serão introduzidas perigosas distorções no funcionamento da economia brasileira.

O Imposto sobre Transações é excelente alternativa para a reforma tributária se for único como o IUT; mas como mais um imposto, como o IPMF, agravará as já inaceitáveis contradições do atual modelo tributário brasileiro.

O IMPOSTO ÚNICO

No documento Tributação no Brasil e o Imposto Único (páginas 187-189)