1. Entre mentiras, boatos e notícias: a teia complexa da esfera pública política
1.3. O papel dos atalhos informativos no entendimento da realidade social
Os atalhos de informação são fenômenos inerentes à existência humana, porque decorre do fato de indivíduos se conectarem entre si por escolhas de vida e temas de interesse comum. Samuel Popkin, um dos principais cientistas políticos a relacionar a teoria da escolha racional com a comunicação pública e com o comportamento eleitoral, afirmou que a percepção do eleitor sobre um candidato é moldada por conjuntos de fatores que englobam o bem-estar coletivo, como as condições socioeconômica do país, e experiências, preferências e afinidades entre cidadãos (POPKIN, 1995).
Alguns grupos sociais têm conhecimento aprofundado sobre agricultura, por exemplo, porque são agricultores familiares ou empresários do agronegócios, assunto sobre o qual costumam se informar e debater ponto de vistas, mas podem ter lacunas de conhecimento sobre governo e política (POPKIN, 1995). Como consequência, recorrem a atalhos informativos, sendo um deles a influência interpessoal, na qual pesa o papel dos
66 “(...) stable starting points for consultation and discussion” (BILLIET et al., 2018, p. 25). 67 “(...) empirically verifiable nature” (BILLIET et al., 2018, p. 25).
33 líderes de opinião na interpretação da informação, como descrito no modelo de comunicação em duas etapas, no âmbito dos teoria dos efeitos da mídia.
A comunicação aos eleitores das opiniões dos principais líderes de opinião pode ocorrer tanto pela mídia quanto pelo contato direto. Mas ser alertado para possíveis problemas é apenas o começo da história. Níveis desiguais de interesse e conhecimento político entre os eleitores significam que uma parte essencial da dinâmica política ocorre entre os eleitores. Campanhas ou posições políticas tornadas visíveis pela atenção da mídia apenas enviam mensagens iniciais; até que essas mensagens sejam verificadas com outras pessoas e validadas são, em essência, estratégias para economizar informações e resolver incertezas68 (POPKIN, 1995, p. 20).
A ideia de líderes de opinião remonta às obras “The People´s Choice: how the
voter makes up his mind in a presidential campaign” (1944), de Paul F. Lazarsfeld,
Bernard Berelson, Hazel Gaudet, e “Personal Influence: the Part Played by People in the
Flow of Mass Communications” (1955), de Elihu Katz e Paul F. Lazarsfeld, seminais do
modelo de comunicação de duas etapas. O modelo prevê que existem atores intermediários, os líderes de opinião, que transmitem notícias a outros já com algum nível de interpretação própria, desvelando a força da comunicação interpessoal (KATZ, 1957; ROBINSON, 1976; ROBINSON; LEVY, 1986; BARAN, 2014). Relações interpessoais funcionam, nesse sentido, como “(1) canais de informação, (2) fontes de pressão social e (3) fontes de apoio social”69 (KATZ, 1957, p. 77), o que influenciaria tomadas de decisões como a escolha de voto.
Além dos líderes de opinião, a identificação partidária, atributos demográficos, competências inferidas e a moralidade privada, cada um ao seu turno, também podem ser entendidos como atalhos informativos. No primeiro caso, Popkin afirma que a identificação ou lealdade partidária “opera para reduzir os efeitos dos media” (POPKIN, 1995, p. 23). Isto é, se os media são entendidos como representantes de outro campo político ou se inexiste, na imprensa majoritária, vozes aderentes às bandeiras político-
68 “The communication to voters of opinions of key opinion leaders can occur through the media as well
as through direct contact. But being alerted to potential problems is only the beginning of the story. Uneven levels of political interest and knowledge across voters mean that an essential part of political dynamics takes place between voters. Political campaigns or positions made visible by media attention only send the initial messages; until these messages have checked with others and validated is, in essence, a strategy for economizing on information and resolving uncertainty” (POPKIN, 1995, p. 20).
69 “(1) channels of information, (2) sources of social pressure, and (3) sources of social support (KATZ,
34 partidárias daquele indivíduo, meios de comunicação alternativos, partidos e líderes informais se convertem em atalhos informativos (POPKIN, 1995, p. 27).
Nos demais casos, atributos demográficos são considerados atalhos de baixo custo na escolha de candidatos, abrangendo etnia, religião, gênero; competências aferidas significaria que os eleitores levam em conta, independentemente ou para além das plataformas de governo, a percepção sobre a capacidade de o candidato atender as suas próprias preferências políticas; já em moralidade privada, impõe-se mais peso sobre a percepção do eleitor acerca da personalidade e do caráter do candidato”70 (POPKIN, 1995, p. 27-33).
Os atalhos informativos, como visto, são integrativos na medida em que mesclam pré-disposições de nível individual, de grupos sociais e do tecido social no processo de discussão política e tomada de decisão política. Nessa dinâmica, os líderes de opinião aparecem como intermediários importantes para a formação da opinião política de indivíduos e coletivos sociais, podendo ser figuras presentes nos meios de comunicação, em partidos políticos, em igrejas ou em ambientes informais, como agora as plataformas de mídias sociais. Atalhos como esses, na análise de Popkin, “limitam os efeitos das campanhas” (POPKIN, 1995, p. 32), conforme argumento apresentado no trecho abaixo:
Antes dos estudos de opinião pública sobre o voto, a convicção geral sustentava que eleitores racionais e independentes recolhiam e absorviam informações, de modo que se esperava que o voto fosse afetado principalmente pelas informações às quais foram expostos. Portanto, supunha-se que o voto fosse uma escolha facilmente manipulada pela propaganda. Mas, em vez de efeitos diretos da mídia sobre eleitores racionais sem memória, encontramos um padrão complexo no qual os eleitores combinam conhecimento histórico sobre os partidos refletidos nas imagens dos partidos, com informações que podem ser recolhidas a baixo custo, informações que chegam a eles como um produto de outras atividades e interpretações das elites sobre as notícias71 (POPKIN, 1995, p. 32-33).
70 “(...) assuming, in the absence of better information, that candidates treat their constituents as they
treat their own wives and children” (POPKIN, 1995, p. 32-33).
71 “Before public opinion studies of voting, conventional wisdom has it that rational, independent voters
gathered and absorbed information, it was expected that voting would be affected primarily by the information to which they were exposed. Therefore, it was assumed that voting was a choice easily manipulated by propaganda. But instead of direct media effects on rational voters without memory, we find a complex pattern in which voters combine historical knowledge about the parties reflected in party images, with information that can be gathered at little cost, information that comes to them as a by- product of other activities, and elite interpretations of the news” (POPKIN, 1995, p. 32-33).
35 O intercâmbio entre informações de interesse público e a dinâmica de discussão política com verniz de racionalidade e sustentada pela argumentação pública (GOMES, 2008) envolve diretamente os atalhos informativos. Ou seja, os hábitos informativos que garantem a participação dos cidadãos na construção da opinião pública não abarcam somente notícias obtidas pelos meios de comunicação profissionais, alternativos ou por fontes oficiais de campanhas e de governos, mas também são conformados via comunicação interpessoal e formação de redes de contato. Entende-se, do ponto de vista normativo, que civilidade, argumentação racional e abertura a discordâncias sejam elementos indispensáveis ao se pensar a organicidade da esfera pública e a própria ideia de democracia moderna.
(...) um público não é uma mera aglutinação de indivíduos, mas uma reunião de pessoas privadas, isto é, livres, capazes de apresentar posições discursivamente, de transformá-las em argumentos e de confrontar-se com as posições dos outros numa discussão protegida de intromissão de elementos não-racionais e não- argumentativos (GOMES, 2008, p. 39-40).
Neste redemoinho de fluxo de informações e de discussão política, contudo, existem “filtros” e “sintetizadores”, como destaca Habermas, capazes de ajuntar “opiniões públicas enfeixadas em temas específicos” (HABERMAS, 2011, p. 93). Alguns partícipes são atores-chave nesse processo, seja no papel de difusor de informações, como a imprensa, partidos ou governos enquanto instituições, seja no de interpretar os acontecimentos públicos, como os líderes de opinião. Habermas, que afirma claramente que “na esfera pública luta-se por influência” (HABERMAS, 2011, p. 96), também descreve que, no amplo leque de influenciadores, há diferentes tipos de atores e diferentes níveis de prestígios sociais, desde os socialmente reconhecidos até membros de igrejas, com algum poder a mais na tarefa persuasiva de “mobilizar convicções” (HABERMAS, 2011, p. 97). O que distinguiria a esfera privada da esfera pública seria, portanto, a interação entre a intimidade e a publicidade, ou “as condições de comunicação modificadas”: “(...) elas não isolam simplesmente a esfera privada da esfera pública, pois canalizam o fluxo de temas de uma esfera para outra” (HABERMAS, 2011, p. 99).
Diferentemente do disse-me-disse da vida privada, a conversação sobre assuntos de governo e de política, onde quer que seja, configura esfera pública política. Para isso, é preciso que tal comunicação seja publicizada, ou tornada pública e disponíveis a grupos e à sociedade como um todo. O comentário público, por exemplo, torna-se a “mais
36 primitiva publicidade política burguesa” – aqui, primitiva no sentido de primária -, mas que também não pode prescindir de princípios de civilidade argumentativa (GOMES, 2006, p. 4). Para Gomes, a esfera pública pode ser entendida mais objetivamente como “domínio deliberativo da vida social”, inclusive como conversação civil aberta, na qual inclui-se “todas as formas de expressão discursiva sobre os negócios públicos”, entre debate, fofoca e jornalismo, e também como sociabilidade, ou seja, interação social (GOMES, 2006, p. 8-10). Quando as expressões discursivas se conformam em um “conhecimento comum sobre a esfera política e os negócios públicos”, chega-se a um patamar de condensação e exposição de argumentos chamado de esfera de visibilidade pública política, refletida na imprensa profissional, mas também nas “esferas alternativas” (GOMES, 2006).
Trata-se de uma espécie de esfera pública expositiva, que contrasta com a esfera pública discursiva apresentada há pouco. A esfera de visibilidade pública, por sua vez, nem se orienta pelos valores democráticos nem pelo serviço ao interesse público, embora não necessariamente lhe seja contrária. A sua forma predominante é controlada pela indústria da informação, mas isso não impede a existência de esferas alternativas ou especializadas que podem ser igualmente muito importantes (GOMES, 2006, p. 11).
Essa dinâmica se dá de forma mais complexa e incontrolável do que se pode supor. Na dimensão individual, Walter Lippmann retrata que a criação de imagens mentais é intrínseca à condição humana quando o indivíduo não presenciou o acontecimento que se tornou público e, sobre ele, cria os chamados pseudofatos, principalmente em situações de radicalização como guerras (LIPPMANN, 2008) - ou, por analogia, crises e instabilidade democrática. Pseudofatos resultariam, nesse sentido, da interação entre os indivíduos e o ambiente a qual pertencem, em uma lógica que deriva de ficções, ou “(...) representação do ambiente que em menor ou maior medida é feita pelo próprio ser humano” (LIPPMANN, 2008, p. 30), o que deixa claro não se tratar de mentiras. “As ficções determinam grande parte do comportamento político dos seres humanos” (LIPPMANN, 2008, p. 34), perspectiva que ilustra a complexidade da vida política e as condições adjacentes e psicológicas que refletem em hábitos informativos, participação na esfera pública política e processos de formação de opinião pública.
Ao mesmo tempo, fatores externos também são pontos de inflexão entre a dimensão individual e coletiva, como tentativas de manipulação psicológica por meio da
37 propaganda política, que levam o público a interpretar os fatos da forma como um grupo assim o pretendeu (LIPPMANN, 2008, p. 50). A despeito da perspectiva normativa que pretende que a argumentação baseada no discurso racional, crítico e aberto à pluralidade deva ser entendida como um “empreendimento em comum” para evitar “deformações” no esqueleto da esfera pública (HABERMAS, 2011), essa postura está também sujeita a intervenções radicais, populistas, autoritárias e antidemocráticas em momentos específicos. Coletivos que surgem em contextos de tensões democráticas, ou os chamados “novos movimentos sociais”, convertem-se em um dos atores ou intermediários-chave que exercem um tipo de ação política antissistema baseada em abordagens ao mesmo tempo “agressivas” e “defensivas”, fomentando a radicalização da esfera pública política. “Esses movimentos são modernos devido às formas de sua mobilização, porém antidemocráticos em seus objetivos” (HABERMAS, 2011, p. 105). A popularização do debate político frente à esfera pública não deixa de ter implicações políticas adversas. Mais gente participando e opinando sobre assuntos públicos não significa necessariamente argumentação pública moderada e tolerante. Para o sociólogo e filósofo Alfred Schütz (1946), qualquer prevalência da opinião supostamente mal informada sobre a opinião informada não parece positiva para a democracia. Para Schütz, o “especialista” – ou aqueles com conhecimento estrito a um tema limitado, donos de opiniões e afirmações fundamentadas – e o “cidadão bem informado” – ou aqueles que alcançam opiniões “razoavelmente fundamentadas” em assuntos de interesse comum, mesmo que não sejam “de seu interesse mais próximo” - são capazes de participar da vida pública, cada um a seu modo, portando conhecimento socialmente aprovado e com peso maior do que os “cidadãos comuns”- ou aqueles que têm conhecimentos imprecisos, porém úteis para propósitos práticos em campos variados, e que aceitam “sentimentos e emoções como guias” (SCHUTZ, 1946, p. 465). Isso leva a crer que indivíduos que consomem bastante informação, em temas de interesses diversos, incluindo a política, mas são costumeira e irracionalmente acometidos por preconcepções e preconceitos sociais, não são necessariamente cidadãos bem- informados, independentemente da instrução educacional.
Este risco aumenta com uma tendência a interpretar mal a democracia como uma instituição política em que o parecer do homem desinformado da rua deve predominar. É o dever e o privilégio, portanto, de o cidadão bem-informado, numa sociedade democrática, fazer a sua opinião particular prevalecer, em termos da opinião pública, sobre a opinião do cidadão ordinário (SCHÜTZ, 1946, pg. 465).
38 Delli Carpini e Keeter (2002), ao buscar entender o perfil dos cidadãos médios norte-americanos (cidadãos comuns ou médios) no que concerne aos hábitos informativos, identificou, entre outras coisas, que eles não necessariamente são desinformados, mas “mal-informados”; que a maior parte da população é generalista e não especialista; e que o conhecimento político é relevante para a cidadania (DELLI CARPINI; KEETER, 2002, p. 131). Outras características apontadas nesse estudo afirmam que cidadãos politicamente informados tendem a aceitar as normas democráticas e a terem mais tolerância política. Adicionalmente, também naquele início dos anos 2000, época em que as plataformas de mídias sociais ainda não eram tão centrais na paisagem comunicativa, a pesquisa revelou que cidadãos mais interessados em política também são “menos propensos a mudar suas opiniões diante de informações recentes, mas tangenciais ou enganosas, porém mais propensas a mudar diante de novas informações relevantes ou convincentes”72 (DELLI CARPINI e KEETER, 2002, pág. 134).
Por sua vez, Larry Bartels buscou entender os efeitos do que chamou de eleitores desinformados (aqui, o sentido correto seria mal-informados ou mesmo ignorantes) ao longo de seis eleições nos Estados Unidos, de 1972 a 1992. O pesquisador apontou que as pistas sociais e atalhos informativos são centrais para esses eleitores interpretarem os fatos públicos (BARTELS, 1996, p. 217). Os atalhos informativos aparecem como modo de obtenção de conhecimento político de indivíduos considerados mal-informados, sendo o principal a comunicação interpessoal, também na pesquisa de Mckelvey e Ordeshoo (1986). Segundo os autores, esse perfil de cidadão tenderia a se apegar mais a questões como filiação partidária ou opinião de amigos do que buscar ativa e independentemente formar opinião sobre os assuntos públicos (MCKELVEY; ORDESHOO; 1986, p. 910).
No início dos anos 2000, saltavam aos olhos os estudos que afirmavam que a internet seria capaz de aumentar o nível médio de conhecimento político e de reduzir as lacunas informativas entre os diferentes grupos socioeconômicos (DELLI CARPINI; KEETER, 2002), que ampliaria os espaços de interação e deliberação, a conexão entre cidadãos, representantes e empresariado, e a quantidade significativa de informação
online de alta qualidade, “para que os cidadãos possam considerar opções políticas com
base em conhecimento confiável”73 (COLEMAN; SPILLER, 2003, p. 14–15).
72 “They are also less likely to change their opinions in the face of new but tangential or misleading
information but more likely to change in the face of new relevant or compelling information” (DELLI CARPINI e KEETER, 2002, pg. 134).
73 “(...) so that citizen can consider policy option on the basis of the trusted knowledge (...)” (COLEMAN,
39 Plataformas de redes sociais como Twitter e Facebook, ou mensageiros como o WhatsApp, que reúnem globalmente fluxo inestimável de informação de fontes cada vez mais plurais, tornaram-se ambientes informais para conversação, participação e monitoramento de diversas ordens, desde a mais pessoal (do universo familiar e de amizades) até os acalorados debates políticos (incluindo temas identitários, eleições, política partidária, entre outros).
O ano de 2016 foi um marco – ou balde de água fria - que redirecionou os estudos de informação política online para os riscos do consumo em larga escala de conteúdos falsos, falseados, incompletos, enganosos e mentirosos nas plataformas de mídias sociais. As eleições dos Estados Unidos que elegeram o apresentador e empresário filiado ao Partido Republicano conseguiram misturar campanha eleitoral oficial com táticas de propaganda política ocultada sustentadas na análise de grande volume dados para traçar perfis psicológicos e distribuir conteúdo hipersegmentado (ANDRADE, 2018). Assim, ansiedades, frustrações e emoções coletivas foram mobilizadas a ponto de alçar candidatos populistas para o pelotão de frente das preferências do eleitorado.
A partir deste momento, campanhas de desinformação retornaram ao centro das preocupações das democracias contemporâneas, com aproximações e distinções com os contextos pré-jornalismo industrial e entre guerras. Parte desse fenômeno tem sido chamado de “fake news” na contemporaneidade. O presente trabalho passa, a partir deste momento, a se envolver mais diretamente no que se entende por fake news, de modo a apresentar a consolidação de uma definição operacional e os aspectos sociotécnicos e políticos que ensejam a propagação viral de histórias fraudulentas e falseadas em mídias sociais como Facebook, Twitter e WhatsApp.
Neste tópico, especificamente, buscou-se delinear que a discussão política que acontece na esfera pública e conforma a opinião pública é sustentada por processos comunicacionais e trocas informativas que envolvem cidadãos, entre cidadãos e meios de comunicação, entre cidadãos, meios de comunicação e governos. Essa teia social é mobilizada por dinâmicas complexas que abrangem não apenas aquisição de conhecimento político via notícias dos meios de comunicação tradicionais, especializados e alternativos, mas também via incessante comunicação interpessoal e de influência transversal de líderes de opinião, o que reflete e direciona mobilização, participação e engajamento político, principalmente em eleições. Ao longo da tese, essas questões serão centrais para entender como o fluxo informativo baseado em mediação técnica e social
40 das plataformas de mídias sociais facilita, fomenta e amplia a potência de fake news e demais informações não verificadas na esfera pública política da atualidade.