• Nenhum resultado encontrado

O Programa Aprendendo com a Diversidade do Sistema FIEP

3 Gestão empresarial e inserção de pessoas com deficiência

3.3 Diversidade como prática de gestão

3.3.1 O Programa Aprendendo com a Diversidade do Sistema FIEP

O Programa Aprendendendo com a Diversidade tem o objetivo de inserira as pessoas com deficiência no ambiente interno do Sistema FIEP, preparando-os para fazerem parte do seu quadro de funcionários.

Esse programa surgiu, segundo Oliveira et al (2010), a partir de uma iniciativa da Diretoria de Recursos Humanos do Serviço Social da Indústria (SESI) em uma conversa informal com outro gestor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Em entrevista sobre as finalidades do Programa Aprendendo com a Diversidade, Paula, sua representante declarou que esse programa inicialmente fo criado “[...] considerando as necessidades do SESI(PR) e SENAI(PR) no cumprimento de cotas e a dificuldade de pessoas capacitadas para contratação‖12.

Para isso a proposta inicial estava na criação de um programa que nasceu com a finalidade de capacitar as pessoas deficientes para contratá-las. Visava, ainda, a [...]

ampliação do convívio com as pessoas com deficiência no âmbiente do trabalho13. A capacitação das pessoas com deficiência era necessária em razão das qualificações exigidas para o cargo de auxiliar administrativo para o qual seriam contratadas, mas

12

Depoimento colhido por mim com a representante do programa de inserção do Sistema FIEP (foco interno), no dia 01 de julho de 2011, na cidade de Curitiba-PR.

a preocupação estava, também, na inserção dessas pessoas no ambiente de trabalho da melhor maneira possível, de forma a minimizar ao máximo, o impacto entre as partes que não tinham vivenciado essa experiência: funcionários, deficiêntes e surdos. Dentre as medidas tomadas para favorecer a maior inserção, criou-se a tutoria, que consiste no treinamento de um funcionário ou funcionária que se predisponha a ser uma espécie de padrinho para a pessoa deficiente, a fim de orientá-la e auxiliá-la até que se sinta segura e à vontade no ambiente de trabalho e na execução das suas tarefas.

O discurso de Paula reflete três objetivos principais do programa em questão e que devem ser ressaltados. O primeiro está relacionado à necessidade do cumprimento das cotas pelo Sistema FIEP, pois está abaixo do estabelecido em lei. O segundo diz respeito à qualificação das pessoas com deficiência que segue ao discurso empresarial de que as pessoas, quer sejam deficientes ou não, precisam estar qualificadas para o trabalho, no caso específico, a área administrativa. Isso fica evidente em outro momento da entrevista quando Paula faz referência ao grupo de pessoas que foi inserido na primeira ediçao do programa e explica que: As maiores

dificuldades eram a questão da Língua Portuguesa e da Matemática. Básico do básico. Lembro que no programa a gente pensou em não deixar um grande número de carga horária de português e matemática, porque eles já têm segundo grau. Mas a gente via erros assim como: o “nóis fazemo”, então isso vem das dificuldades e da defasagem escolar com a qual vem pro mercado de trabalho.14 Além dos conteúdos

de português e matemática, foram incluídos conteúdos e práticas de informática. O terceiro está ligado à necessidade de melhorar o convívio entre as pessoas com deficiência e sem deficiencia no processo de inserção, considerando-se as dificuldades de aceitação de ambas as partes para uma situação nova na instituição. O programa que teve início em 2007 e que não atendia deficientes intelectuais, foi reformulado em 2010 para atender as exigências jurídicas quanto à contratação do menor Aprendiz e das Pessoas com Deficiência, no Sistema FIEP. Este programa foi concebido de maneira a envolver as competências técnico- educacionais de duas entidades, SESI/PR e SENAI/PR, reafirmando a dimensão de responsabilidade social do Sistema FIEP, que se traduz em ―promover o

14

desenvolvimento industrial sustentável do Paraná‖, respondendo às políticas inclusivas.

Com tal intuído e objetivando a igualdade de oportunidades diante das diferenças e da diversidade, o programa foi ampliado e passou a ser denominado ―Programa Aprendendo com a Diversidade para Pessoas com Deficiência Intelectual na Área Administrativa‖. Neste novo direcionamento, como explicam Oliveira et al (2010) a proposta passou a ser ―[...] planejada e organizada entre o SESI, SENAI e a Escola Especial Bom Jesus [...] e envolve [...] o alinhamento conjunto das ações desde o planejamento e organização metodológica do Curso de Aprendizagem Auxiliar Administrativo a ser ministrado pelo SENAI, inserção dos alunos nas atividades teóricas e práticas do curso e acompanhamento das atividades inerentes ao programa no SESI e SENAI. Um modelo de ação que contribui para que as pessoas com deficiência intelectual possam com os recursos institucionais existentes [no] Sistema FIEP e somados a experiência e conhecimento pleno da Escola Especial Bom Jesus, conhecer, aprender, capacitar-se e conquistar o espaço que tem direito no mercado de trabalho.‖ (Idem: 01).

Tanto na primeira como na atual versão, a formatação desse programa envolve a oferta de cursos de auxiliar administrativo com 624 horas distribuídos em quatro semestres, a efetivação de contrato de aprendizagem capacitação e sensibilização dos funcionários do Sistema FIEP com vistas à inclusão de pessoas com deficiência, indicação e escolha dos funcionários que atuarão como tutores dos aprendizes durante o período de aprendizagem prática, e inserção nas equipes de trabalho, a orientação, o apoio e acompanhamento dos tutores por meio de reuniões e encontros periódicos, e a inserção gradativa das pessoas com deficiência no ambiente organizacional do Sistema FIEP.

Conforme informações obtidas junto à Paula, representante do Programa, a diferença entre uma versão e outra está em que os participantes do ―Programa Aprendendo com a Diversidade‖ em 2007 foram contratados com base na Lei 8.213/91 (Lei de Cotas) e na atual versão são contratados, inicialmente, com base na Lei de Aprendizes para posteriormente serem contratados com base na Lei de Cotas. Porém o conteúdo e a estrutura do programa, basicamente, não se alteraram.

O grande objetivo, na verdade, na alterarão do programa é criar alternativas para que o Sistema FIEP possa cumprir com a cota de 5% de inserção de pessoas

com deficiência. Como objetivos secundários está o sentido de utilidade dessas pessoas para o Sistema FIEP, não o simples fato de cumprir a cota, mas torná-las produtivas de acordo com a visão que embasa o sistema capitalista. A inserção (na desigualdade) ocorre com base na contrapartida – da produtividade – ou mediante os recursos intelectuais e competências com os quais a organização empresarial espera contar para construir sua vantagem competitiva no mercado. O sentido de utilidade, também, pode ensejar numa perspectiva mais otimista a realização do indivíduo por meio do trabalho, mas mesmo assim está implícita a contrapartida expressa pelo retorno esperado em forma de dedicação à organização que lhe proporciona bem estar, condições e meios de realizar seu potencial na condição de trabalhador assalariado.

3.3.2 O Programa Gestão da Diversidade (Ênfase na Pessoa com Deficiência –