SEÇÃO 5 – ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
5.2 Análise interpretativa
5.3.3. Os aspectos mais enfatizados nesses estudos
A partir dos dados analisados nas pesquisas selecionadas para o presente estudo, destacamos a importância dada à formação continuada dos professores a qual contempla e que esta, de acordo com os esses estudos, incluem opções e caminhos diversos oferecidos pela matemática, propiciando articulações no processo de ensino. Como exemplos de possibilidades de boas práticas são destacadas pelos autores o uso de novos recursos, sejam eles tecnológicos ou não, dependendo da realidade vivida na escola; debates construtivos sobre determinados temas da matemática; planejamentos e atuações colaborativas; e visitas de pesquisadores nos encontros docentes realizados pela unidade escolar etc. Destaca-se também nas pesquisas analisadas, o pressuposto de que o ensino da matemática deva propiciar aos alunos, práticas de aprendizagem nas quais possam criar, analisar, estabelecer relações, representar e validar seu pensamento lógico, em uma cultura de ensino que não seja fragmentada, seguindo um modelo curricular a ser executado.
Ainda de acordo com os dados enfatizados nos estudos, a problemática de uma formação não qualificada para o ensino da matemática também afeta a construção das crenças e concepções dos professores que estão se formando. Portanto, se faz essencial a premissa de que cursos de formação de professores dos anos iniciais criem oportunidades para que os alunos desenvolvam a consciência dessas crenças e concepções, reflitam sobre elas e consigam transformá-las em conjunto na relação de ensino-aprendizagem, pois implementar propostas que possibilitem aos alunos ressignificar a relação que possuem com a matemática passa necessariamente por aprender matemática e aprender a ensinar matemática.
Os aspectos relacionados à formação inicial dos professores que ensinam matemática nos anos iniciais ganham destaque nas pesquisas analisadas, pois além de apontarem as fragilidades em termos de aprendizagem dos conceitos matemáticos, mostram também a baixa carga horária curricular para a formação do ensino de matemática, inviabilizando a sua importância para a base estrutural desses profissionais.
Reforçamos a importância de potencializar o compartilhamento das práticas profissionais, como também das discussões coletivas entre professores atuantes para amplificar e enriquecer o processo de ensino da matemática. Em nossa análise, verificamos que o espaço de compartilhamento e discussões são sumarizadas como de alta importância para a permanência na profissão, contribuindo de forma significativa para a formação docente ao possibilitar o cultivo de boas práticas de ensino que favoreçam a aprendizagem dos alunos.
Outro aspecto enfatizado incide na importância da ludicidade, tendo a sua relevância enquanto estratégia didática enaltecida no contexto de aprendizagem escolar, a fim de que as crianças possam se sentir motivadas a participar mais ativamente das atividades propostas.
Todavia, as limitações na formação inicial dos professores podem inviabilizar a implementação de tais estratégias de ensino.
Além disso, é destacada a necessidade de serem empreendidas políticas públicas voltadas ao processo educacional, a fim de priorizar uma metodologia que contemple a temática do lúdico, auxiliando as instituições a obterem estruturas necessárias, bem como, instrumentos que possam auxiliar o professor no ensino dos conteúdos escolares, especialmente os matemáticos.
A resolução de problemas, segundo as pesquisas analisadas, destaca-se como metodologia de ensino, pois possibilita que a construção do conhecimento matemático ocorra nas vivências cotidianas do aluno, nos momentos em que utiliza estratégias pessoais para resolver seus problemas. No entanto, enfatiza-se que, para que o aluno tenha iniciativa para resolver desafios, é necessário que seu interesse seja mobilizado pelo professor, que deve assumir o papel de incentivador e orientador desse processo de construção de conhecimento centrado no aluno.
Os resultados analisados descrevem que o ensino da matemática praticado pela maioria dos professores participantes está, em boa parte, pautado nas ideias que puderam, e podem, fazer da matemática e do seu método de ensino a partir dos seus processos de formação ou de suas vivências no ambiente escolar, marcado pela carência de apoio organizacional, material e pessoal; ideias de ensino essas pautadas prioritariamente no que chamaram de ensino tradicional, em sensos comuns e compreensões muitas vezes distorcidas do que é sugerido pelas instâncias superiores de educação para o ensino de matemática.
Outro aspecto recorrente nas pesquisas, diz respeito ao uso de recursos concretos no ensino de matemática. São citados materiais manipuláveis como: material dourado, o ábaco, o dominó de tabuada e a calculadora; CM; a resolução de problemas por meio de estratégias pessoais que permitam a exposição de ideias, o desenvolvimento da criatividade dos estudantes e o uso de dramatizações e de problematização para estimular a participação dos estudantes; e o reforço positivo, elogiando e ressaltando as qualidades de todos os alunos em relação às suas aprendizagens.
Entretanto, segundo algumas pesquisas analisadas, os recursos utilizados por alguns professores, muitas vezes se reduziam ao livro didático e à internet, reforçando a dinâmica
comum das aulas pautadas no método expositivo. Nesse sentido, as pesquisas enfatizam a necessidade de se investir mais em processos de pesquisa e de formação continuada acerca da constituição de um ambiente propício à aprendizagem matemática e ao desenvolvimento da criatividade nesta área do conhecimento.
Nota-se no conjunto de pesquisas analisadas, a valorização e a importância do professor polivalente na Educação Básica, assim como, a pungente necessidade de se pensar políticas públicas que estabeleçam seu papel, considerando sua profissionalização e sua valorização, seja no cotidiano da sala de aula, ou em cursos de formação e desenvolvimento profissional.
Ainda, pôde-se observar a partir da análise dos dados, que os aspectos menos enfatizados são referentes às situações em que o trabalho em grupo é contemplado, assim como a ênfase no Cálculo Mental, ou ambientes de aprendizagem mais abertos, como por exemplo, ambientes de trabalho com projetos que permitam a imersão do diálogo. Quando a criança aprende matemática em uma interação dialógica, ela também aprende a respeitar os outros estudantes e as perspectivas que são diferentes da sua, aprende que as perspectivas dos outros estudantes podem ser fontes de aprendizagem. O estudante aprende a ouvir de forma ativa, desenvolve argumentos para justificar suas perspectivas e aprende a compartilhar, de forma oral, as estratégias matemáticas que está utilizando.
De modo geral, são evidenciadas lacunas no processo de formação inicial dos professores que ensinam matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, essa negligência dos currículos de Pedagogia não pode limitar as possibilidades de aprender matemática e sobremaneira, aprender a ensinar matemática para crianças. Essa relação pode e deve ser fortalecida na prática pedagógica, no desenvolvimento profissional, na pesquisa, nas necessidades formativas, uma vez que é preciso reconhecer a matemática como um campo de conhecimento histórica e socialmente construindo. Nesse sentido, os investimentos formativos precisam contemplar outras fontes, estudos e pesquisas.
As experiências que podem ser consideradas possibilidade de boas práticas no ensino da matemática nos anos iniciais presentes nas teses e dissertações do corpus de estudo da presente investigação, enfatizam a melhoria de aquisição dos conhecimentos pelos alunos em propostas baseadas em posturas cognitivistas, principalmente as de aprendizagem significativa pela mudança conceitual. Ressaltam que a vivência de novos processos metodológicos, durante o curso de formação, propicia a sua utilização quando os licenciandos vierem atuar como professores.
A preocupação com abordagens de conteúdo que superem a fragmentação para propostas interdisciplinares são outras proposições presentes nas investigações examinadas, bem como as que valorizam abordagens de contextualização dos conhecimentos para torná-los significativos superando a concepção de reprodução-transmissão. Destacam-se, ainda, as vivências de novos processos de interação professor-aluno.