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Os custos e o seu objeto: custos diretos e custos indiretos

No documento Contabilidade de gestão simplificada (páginas 49-51)

Capítulo I Conceitos fundamentais da Contabilidade de Gestão

1.3 Os custos e o seu controlo

1.3.3 Os custos e o seu objeto: custos diretos e custos indiretos

Do ponto de vista da gestão, esta classificação é uma das mais importantes, uma vez que atende ao modo como os gastos ou elementos de custo se relacionam com um determinado objeto de custo (Silva, 1991; Caiado, 2009; Ferreira et al., 2014).

De acordo com Mortal (2007) e Franco et al. (2015), o objeto de custo é uma realidade ou grandeza que se pretende custear, ou seja, se os utilizadores querem conhecer o custo de algo, esse algo é o objeto de custo. Este pode ser de qualquer tipo, como uma atividade, uma função, um departamento, um produto, um serviço, entre outros.

Assim sendo, a identificação dos custos por objeto de custo permite a sua classificação em dois grandes grupos, os custos diretos e os custos indiretos.

Os custos diretos são aqueles que, de modo imediato e direto, se identificam com o objeto de custo e podem ser controlados economicamente de forma individualizada (Mortal, 2007; Ferreira et al., 2014). Ou seja, para Ferreira et al. (2015), correspondem às naturezas de custos que são exclusiva e especificamente de determinado objeto de custo, não ocorrendo se este não existisse. Por exemplo, o custo de materiais utilizados para determinado produto é um custo direto, pois ele pode ser identificado diretamente com o produto fabricado.

Por outro lado, os custos indiretos, conhecidos também como custos comuns, são gastos que não estão identificados de forma imediata com o objeto de custo (Silva, 1991; Mortal, 2007). Em geral, estes custos são gastos fixos ou semifixos que respeitam a vários objetos de custo, os quais serão analisados no próximo ponto.

Neste último grupo, uma vez que não há forma económica de identificar o custo com o objeto, é necessário definir critérios e adotar determinados processos contabilísticos, nem sempre fáceis de implementar (Caiado, 2009; Ferreira et al., 2014). Segundo os autores, a repartição destes é feita através de bases e de coeficientes de imputação, baseados no volume (Volume-Based Cos- ting – VBC) ou na estrutura organizacional (Organization-Based Costing – OBC), no caso da utiliza- ção da abordagem tradicional; ou de condutores de custos, nomeadamente o sistema de custeio baseado nas atividades (Activity-Based Costing – ABC), no caso de utilização da abordagem por atividades. Este tema é analisado mais pormenorizadamente no capítulo IV.

Apesar de a distinção entre estes dois grupos parecer simples, temos o caso dos custos indiretos de produção, ou gastos gerais de fabrico, em que é possível detetar os dois tipos de custos (Caiado, 2009). Ou seja, tendo como objeto de custo o produto, estes incluem por um lado custos diretos, como matérias-subsidiárias aplicadas e as amortizações das máquinas utilizadas especifi- camente para a produção do produto; por outro lado custos indiretos, como os custos com o pessoal de chefia, as amortizações dos edifícios, os seguros de incêndio, entre outros.

Silva (1991) afirma que quanto menor for a fração do custo correspondente a custos indire- tos, mais fidedigno será o mesmo custo. No entanto, com a evolução da indústria e consequente aumento da mecanização das operações, a parcela do custo de produção correspondente a custos indiretos tem vindo a aumentar.

Concluindo, o importante a reter é que o que permite distinguir os custos em diretos e indi- retos é a sua relação com o objeto de custo, e não a natureza do custo em si, pois se o objeto de custo muda, a classificação dos custos individuais pode também mudar (Upchurch, 2002; Ferreira et al., 2014; Franco et al., 2015).

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Exemplo de uma classificação de custos de acordo com o objeto de custo (Baseado em Upchurch, 2002):

A empresa OMEGA produz uma variedade de produtos em cerâmica, tendo três departa- mentos de produção: Forma, Vidro & Pintura, e o Forno. Durante o decurso normal dos negócios, alguns dos principais custos incorridos são:

- Ordenados dos operários e supervisores; - Aquisição de matérias-primas;

- Royalty pago a um designer por cada produto que incorpore algum padrão por este dese- nhado;

- Seguro de edifícios e equipamento;

- Tijolos à prova de fogo para manutenção dos fornos.

Reconhecendo a importância da relação dos custos com o seu objeto de custo, a empresa pretende começar a analisar a relação existente entre os custos principais e o custo unitário dos seus produtos. No entanto, se supormos que o objeto de custo é repartido por cada um dos três departamentos, esta classificação dos custos em diretos ou indiretos é afetada?

Resolução:

A relação dos custos com o seu objeto de custo, tal como foi analisado, classifica-se em dois grandes grupos: os custos diretos, que são quantificáveis e inequivocamente atribuídos a um único objeto de custo; e os custos indiretos, que são o oposto.

Classificando os principais custos da empresa OMEGA de acordo com o custo unitário dos seus produtos, podemos concluir que, como custos diretos temos os ordenados dos operários, uma vez que é possível saber o número de horas que demoram a fazer um produto; a quantidade de matérias-primas usada, pois consegue-se identificar o necessário para cada produto; e o montante dos royalties pagos ao designer, porque facilmente se identificada o produto que utiliza algum pa- drão. Por outro lado, como custos indiretos temos o seguro dos edifícios e equipamentos, que não é possível dizer o montante requerido na produção de cada produto; os ordenados dos supervisores, pois não é provável que se consiga identificar o número de horas de supervisão necessárias na produção de um produto, além de que, também devem estar ocupados com as outras atividades do departamento; e por fim, o custo de repor os tijolos antifogo, uma vez que estes não necessitam de manutenção após a produção de cada produto.

No entanto, se o objeto de custo a ter em conta for cada um dos departamentos em vez do custo unitário do produto, esta classificação provavelmente irá alterar. O que permite classificar os custos em diretos e indiretos é a sua relação com o objeto de custo.

Portanto, se o objeto de custo for um departamento, como custos diretos mantemos os or- denados dos operários e a matéria-prima utilizada, e passamos a considerar também os ordenados dos supervisores, uma vez que cada departamento presumivelmente tem o seu próprio supervisor; e o custo de repor os tijolos antifogo, pois só serão utilizados no departamento Forno, e como tal o custo pode ser inequívoca e quantificávelmente associado a este. No que respeita a custos indiretos, mantemos o custo do seguro do edifício e do equipamento, apesar de que se tivéssemos informa- ções mais detalhadas sobre o seguro do equipamento possivelmente conseguiriamos quantifica-lo por departamento, o que permitiria a sua classificação como direto; e por fim temos os royalties pagos, que neste caso são considerados como custos indiretos pelo facto de serem pagos por pro- duto, e uma vez que os produtos produzidos pela empresa passam por todos os departamentos de produção, não o conseguimos associar inequivocamente a um único centro de custo.

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Capítulo I – Conceitos fundamentais da Contabilidade de Gestão

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