5.2 DEFINIÇÃO DOS VALORES DOS PARÂMETROS
5.2.6 Parâmetros subordinados aos indicadores económicos A5.2
Pretende-se quantificar os parâmetros que permitam proceder a avaliação do indicador económico A5.2. (Custo de armazenamento dos materiais e produtos), pertencente à etapa de construção. O parâmetro a quantificar é o P21 – Custo do armazenamento dos materiais e produtos.
Contexto
Normalmente, para o sector comercial de venda a retalho de materiais ou produtos, pode-se definir a missão de armazenamento como o compromisso entre os custos e a melhor solução para as empresas. Na prática isto só é possível se tiver em conta todos os fatores que influenciam os custos de armazenamento, bem como a importância relativa dos mesmos. O armazenamento é constituído por um conjunto de funções de receção, descarga, carregamento, arrumação e conservação dos materiais, produtos acabados ou semiacabados. É um subsistema responsável pela gestão física dos stocks compreendendo as atividades de guarda, preservação, embalagem, receção e expedição de material, segundo determinadas normas e métodos de armazenamento, como por exemplo; rotatividade de materiais; volume e peso; ordem de entrada/saída; valor e acondicionamento e embalagem. Os produtos têm como destino final serem transacionados. Numa obra, os materiais ou produtos de construção chegam ao estaleiro de forma programada e não são transacionados mas, sim, transformados ou aplicados na obra. No setor da construção civil existe um longo período de tempo, em que decorre o processo de construção, onde os materiais e os produtos são transformados em partes constituintes do edifício. Neste setor de atividade não se transaciona materiais ou produtos, mas sim um “complexo material compósito”, que é um edifício de habitação.
Não se espera que os materiais e produtos que chegam ao estaleiro da obra tenham um grande período de repouso no mesmo. O planeamento e a gestão do aprovisionamento dos materiais são efetuados de forma continua, em função das necessidades para a realização de cada tarefa, garantindo a quantidade mínima de materiais. A grande variação do tipo de material (cimento, inertes, aço, cerâmico, madeira, etc.) necessário em cada “instante” da etapa do processo de construção é outro aspeto que diferencia este sector dos restantes.
Os estaleiros temporários ou móveis, geralmente designados simplesmente por "estaleiros", são definidos como os locais onde se efetuam trabalhos de construção de edifícios, assim como as
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atividades de apoio direto aos mesmos trabalhos. O Decreto-Lei n.º 273/2003, de 29 de Outubro, procede à revisão da regulamentação das condições de segurança e de saúde no trabalho em estaleiros temporários ou móveis. No artigo 8º prevê como obrigações dos empregadores do seguinte (Decreto-Lei n.º 273/2003, de 29 de Outubro);
a) Manter o estaleiro em boa ordem e em estado de salubridade adequado;
b) Garantir as condições de acesso, deslocação e circulação necessárias à segurança de todos os postos de trabalho no estaleiro;
c) Garantir a correta movimentação dos materiais;
d) Efetuar a manutenção e o controlo das instalações e dos equipamentos antes da sua entrada em funcionamento e com intervalos regulares durante a laboração;
e) Delimitar e organizar as zonas de armazenagem de materiais, em especial de substâncias perigosas;
f) Recolher, em condições de segurança, os materiais perigosos utilizados; g) Armazenar, eliminar ou evacuar resíduos e escombros;
h) Determinar e adaptar, em função da evolução do estaleiro, o tempo efetivo a consagrar aos diferentes tipos de trabalho ou fases do trabalho;
i) Cooperar na articulação dos trabalhos por si desenvolvidos com outras atividades desenvolvidas no local ou no meio envolvente.
Como foi referido anteriormente, são muitos tipos os materiais que são aplicados em cada momento do processo de construtivo. Poderíamos classificar os materiais, pelo custo, pelas quantidades consumidas em obra, pelo tempo de existência no estaleiro, pela densidade, pelo volume, pela possibilidade de obsolescência, etc. Existem materiais, em que o tempo de existência e permanência no estaleiro é transversal desde a fase das fundações até a fase de acabamentos, como por exemplo os inertes e o cimento, enquanto outros permanecem curtos espaços de tempo e são imediatamente aplicados em obra em função do sistema construtivo utilizado, convencional ou industrializado.
Outro fator importante que condiciona a existência e o respetivo tempo de permanência no estaleiro de obra é tipo de estrutura do edifício. Poderá ser uma estrutura de betão armado, metálica, madeira ou em alvenaria. Cada tipo de estrutura exige fluxos de materiais diferentes ao longo do processo de construção.
Processo de cálculo
O custo de armazenamento dos materiais num estaleiro de obra (Carmaz) será estimado por
aplicação de uma percentagem (Tarmaz) sobre o custo global (quantidades x custo unitário) de cada
tipo de material utilizado (Ctmi), corrigido, por coeficientes de tempo de permanência que cada
tipo de material coexiste em obra (Cpei), e de condições de armazenamento exigidas por cada tipo
de material (Ccai).
Calculado pela equação:
𝐶𝑎𝑟𝑚𝑎𝑧= 𝑇𝑎𝑟𝑚𝑎𝑧∗ (∑ 𝐶𝑡𝑚𝑛 𝑖∗ 𝐶𝑝𝑒𝑖∗ 𝐶𝑐𝑎𝑖
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Sendo: n – número de materiais; Carmaz – Custos de armazenamento (€); Tarmaz – Taxa de
armazenamento = 5%; Ctmi – Custo global de cada tipo de material (€); Cpei – Coeficiente de
permanência no estaleiro para cada tipo de material; Ccai – Coeficiente de condições de
armazenamento de cada tipo de material.
Como já foi referido anteriormente, a subdivisão do edifício efetuada de forma estruturada até ao nível dos subcomponentes, tornou possível a quantificação dos custos de cada tipo de material ou
produto aplicado em obra, obtendo assim o valor (Ctmi).
O valor do coeficiente de permanência do estaleiro para cada tipo de material (Cpei) varia
conforme o tipo de estrutura resistente do edifício se é de betão armado, madeira, metálica ou de alvenaria. Para cada tipo de estrutura foi idealizado uma programação de utilização de cada tipo de material em cada uma das partes do edifício consideradas no desenvolvimento da metodologia MAEP-RB, nomeadamente nas fundações, superestrutura, envelope, e no interior e instalações. Nos quadros seguintes apresentam-se as distribuições da permanência temporal de cada tipo de material em estaleiro para uma estrutura em betão armado tabela 5.4, madeira tabela 5.5,
metálica tabela 5.6 ou de alvenaria tabela 5.7. O coeficiente Cpei é obtido pelo cociente do
somatório de cada linha correspondente a cada material pelo valor 20. Por exemplo a água é um
material com permanência contínua em estaleiro e por isso o Cpei é igual a unidade.
Na determinação dos valores do parâmetro P21 é utilizado o software “IND_A5_2” que utiliza a base da dados do edifício avaliado e os coeficientes necessários a aplicação da equação (5.21).
Tabela 5.4
Estimativa do coeficiente de permanência Cpei em edifícios com estrutura de betão
Tempo (Meses) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Cpei
% Temporal 10% 20% 25% 45%
% Por mês 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
Partes edifício Fund. Superestrutura Envelope Interior e instalações
Água 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Combustível 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Agregados 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,85 Cerâmico 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,65 Ligantes 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,85 Madeira 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,45 Metálicos 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,50 Pedra natural 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Pedra artificial 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Blocos leves 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,50 Blocos betão 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,70 Tintas/Vernizes 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,85 Pré-fabricados 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Prod. auxiliares 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Prod. prontos 1 1 1 1 1 0,25
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Tabela 5.5
Estimativa do coeficiente de permanência Cpei em edifícios com estrutura de madeira
Tempo (Meses) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Cpei
% Temporal 10% 20% 25% 45%
% Por mês 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
Partes edifício Fund. Superestrutura Envelope Interior e instalações
Água 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Combustível 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Agregados 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Cerâmico 1 1 1 1 1 0,25 Ligantes 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Madeira 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,95 Metálicos 1 1 1 1 1 1 0,30 Pedra natural 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Pedra artificial 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Blocos leves 1 1 1 1 1 0,25 Blocos betão 1 1 1 1 1 0,25 Tintas/Vernizes 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Pré-fabricados 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,45 Prod. auxiliares 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Prod. prontos 1 1 1 1 1 1 1 1 0,40 Tabela 5.6
Estimativa do coeficiente de permanência Cpei em edifícios com estrutura metálica
Tempo (Meses) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Cpei
% Temporal 10% 20% 25% 45%
% Por mês 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
Partes edifício Fund. Superestrutura Envelope Interior e instalações
Água 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Combustível 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Agregados 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Cerâmico 1 1 1 1 1 0,25 Ligantes 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Madeira 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Metálicos 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,90 Pedra natural 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Pedra artificial 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Blocos leves 1 1 1 1 1 0,25 Blocos betão 1 1 1 1 1 0,25 Tintas/Vernizes 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,60 Pré-fabricados 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,45 Prod. auxiliares 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Prod. prontos 1 1 1 1 1 1 1 1 0,40
As tabelas 5.4, 5.5, 5.6 e 5.7 apresentadas não são exaustivas quanto aos recursos utilizados na construção de edifícios. Outros materiais podem ser incluídos. Seguindo a metodologia de cálculo apresentado, os valores do coeficiente Cpei de um novo material pode ser determinado.
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Tabela 5.7
Estimativa do coeficiente de permanência Cpei em edifícios com estrutura em alvenaria
Tempo (Meses) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Cpei
% Temporal 10% 20% 25% 45%
% Por mês 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
Partes edifício Fund. Superestrutura Envelope Interior e instalações
Água 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Combustível 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Agregados 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,85 Cerâmico 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,85 Ligantes 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,85 Madeira 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,50 Metálicos 1 1 1 1 0,20 Pedra natural 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Pedra artificial 1 1 1 1 1 1 1 0,35 Blocos leves 1 1 1 1 1 0,25 Blocos betão 1 1 1 1 1 0,25 Tintas/Vernizes 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,60 Pré-fabricados 1 1 1 1 1 1 0,30 Prod. auxiliares 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1,00 Prod. prontos 1 1 1 1 1 1 1 1 0,40
Cada tipo de material ou produto exige condições próprias de armazenamento e consequentemente desigualdade nos custos de armazenamento. Para o cálculo do coeficiente
(Ccai ), considerou-se 5 classes de condições de armazenamento, sendo a classe 1 a que comporta menos custos e a classe 5 a que comporta mais custos de armazenamento. As classes consideradas por ordem crescente são; exterior, exterior-base plana, cubas-jerricans, silos e armazém. Os resultados obtidos para edifícios com estrutura de betão encontram-se representados na tabela 5.8.
Tabela 5.8
Estimativa Ccai para cada tipo de armazenamento
Tipo de armazenamento Tipo de custo Ccai
Exterior 1 0,616
Exterior base plana 2 0,856
Cuba 3 0,936
Silos 4 0,976
Armazém 5 1,000
Com base nos resultados de “Ccai” apresentados na tabela 5.8 e atendendo ao tipo de materiais,
definiram-se os respetivos coeficientes “Ccai” (ver tabela 5.9).
No âmbito deste trabalho, estes foram os valores possíveis de obter tendo em conta a indisponibilidade de dados existentes e de tempo. Com um maior histórico de dados sobre custos de armazenagem observados em estaleiros de obras e com análises de um número suficientemente grande de “cronogramas de trabalhos” de obras com vários tipos de estruturas
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seria possível estimar com maior fiabilidade os coeficiente “Cpei ” e “Ccai ”, assim como o valor da
“Tarmaz”, de valor constante e igual a 5% do valor de cada tipo de material e portanto
independente do tipo de estrutura resistente utilizada no edifício.
Tabela 5.9
Estimativa Ccai para cada tipo de material
Material Tipo de armazenamento Tipo de custo Ccai
Água Cuba 3 0,936
Combustível Cuba 3 0,936
Agregados Silos 4 0,976
Cerâmico Exterior base plana 2 0,856
Ligantes Armazém 5 1,000
Madeira Armazém 5 1,000
Metálicos Exterior 1 0,616
Pedra natural Exterior base plana 2 0,856
Pedra artificial Exterior base plana 2 0,856
Blocos leves Exterior base plana 2 0,856
Blocos betão Exterior base plana 2 0,856
Tintas/Vernizes Armazém 5 1,000
Pré-fabricados Exterior base plana 2 0,856
Produtos auxiliares Armazém 5 1,000
Produtos prontos Exterior base plana 2 0,856
O valor de CP21s relativo ao custo armazenamento dos materiais/produtos do edifício em
avaliação é calculado utilizando a equação 5.21 integrada no software “IND_A5_2” da metodologia MAEP-RB, com leitura da base de dados do edifício em avaliação.
Para efeitos de benchmarks, definiu-se como valor de Melhor prática (CP21m) e o de Prática
convencional (CP21c) que a seguir se indicam:
P21 – Custo do armazenamento dos materiais e produtos Benchmarks
Solução: CP21s = Custo de armazenamento (€/m2 de construção)
Melhor prática: CP21m = 1,01 (€/m2 de construção)
Prática convencional: CP21c = 4,05 (€/m2 de construção)
Normalização
Valor normalizado 𝐶𝑛𝑃21 =𝐶𝑃21𝑚−𝐶𝑃21𝑐𝐶𝑃21𝑠−𝐶𝑃21𝑐 = 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑟𝑚𝑎𝑧𝑒𝑛𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 (𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜)−4,051,01−4,05 (5.22)