4 1 A FORMAÇÃO DO PSICÓLOGO NO MODELO TRADICIONAL DE PROMOÇÃO DE SAÚDE.
4.2. A FORMAÇÃO DO PSICÓLOGO QUE SE CONTRAPÕE ÀO MODELO TRADICIONAL DE PROMOÇÃO DE SAÚDE.
4.2.1. Perspectivas dadas pela Formação.
7 A conceituação “modos de vida” aqui citada é a discutida por Rey(1993): “O modo de vida
As discussões aqui apontadas pelos sujeitos participantes, demonstram o movimento presente atualmente nos cursos de formação, que propicia reflexões importantes para a construção de um profissional de Psicologia, cuja marca seja a de promover saúde, nas diferentes áreas de atuação, entendida como uma perspectiva sistêmica de saúde8.
4.2.1.1. A Formação entendida como um tempo de aprendizagens básicas.
Alguns dos sujeitos entendem que o principal objetivo que deve estar presente na Formação é o de apresentar as questões básicas referentes à ciência psicológica e à profissionalização do psicólogo.
Para S5, os cursos de formação devem possibilitar aos alunos , a partir do conhecimento básico da Psicologia, refletir sobre este, questionando as diferentes intervenções psicológicas em cada área. Considera que na Formação, o aluno irá encontrar muitos questionamentos e poucas soluções para as situações problemáticas, pois estas deverão ser construídas por ele, ao longo da sua atuação profissional.”(...) o curso de Psicologia ele te inicia com questões, não com soluções ou com respostas. A prática dentro do curso de Psicologia ela é muito restrita, então, você se transforma em psicólogo também na sua prática profissional.”(Anexo-/4.2.1.1./S5).
Para este sujeito, as diferentes correntes teóricas não são consideradas impeditivas para uma boa Formação, demonstrando sim a complexidade do objeto da Ciência Psicológica na descrição da singularidade do fenômeno humano. Aponta ainda que as dificuldades presentes na Formação devem ser compreendidas a partir do contexto do Ensino Superior
homem em um sistema de atividades concretas, pela qual esta categoria têm um importante significado para o estudo da a saúde humana”(p.17).- tradução minha -.
8 A concepção sistêmica aqui considerada é a citada por Capra (1982). Segundo o autor “ o
pensamento sistêmico é pensamento de processo e , por conseguinte a visão sistêmica encara a saúde em termos de um processo contínuo(...) a saúde é realmente um fenômeno multidimensional envolvendo aspectos fisícos, psicológicos e sociais, todos interligados”(p. 315).
no Brasil, que é marcado por problemas e contradições. Mas no seu ponto de vista “(...) a formação, apesar de estar faltando muita coisa, ela está muito melhor hoje do que antigamente, até porque teve um desenvolvimento muito grande da Psicologia no Brasil”(Anexo-/4.2.1.1./S5).
A formação permanente é a preocupação que S7 considera importante o aluno compreender ao longo da graduação, entendendo que o curso de Psicologia é apenas o início de um longo processo de novas vivências teóricas e práticas que irão compor a sua trajetória profissional. “(...) ele precisa saber que ela não vai sair da graduação formado, de jeito nenhum. E que a profissão da gente é realmente uma coisa de formação permanente , sabe? Que a gente nunca sabe tudo, então a gente tem que sempre estar atrás das coisas, porque cada conhecimento que a gente estabelece, a gente logo vai fazer um conflito com ele, e essa é uma busca permanente” (Anexo- /4.2.1.1./S7).
Na mesma direção, S10 considera que o curso de Psicologia deve propiciar uma visão geral sobre a ciência e a profissão. Na sua avaliação “(...)a Formação não dá para abarcar tudo. Nem acho que tem que ser mesmo dessa forma. Depois da graduação cada pessoa vai ver qual é a sua área de interesse e vai se especializar, vai se dedicar mais O importante é que o curso oferece as coisas básicas da Psicologia, dando uma visão mais geral”(Anexo-/4.2.1.1./S10). Considera que teve um bom curso de Formação, vivenciando diferentes práticas propiciadas pelo seu estágio.
Dentro dessa perspectiva de uma formação generalista, S2 apontou que “(...) você precisa ter uma formação mais generalista, ou seja uma formação menos técnica, uma formação onde o aluno consiga perceber socialmente qual é o papel do psicólogo”(Anexo-/4.2.1.1./S2).
Finalmente, para S9, é necessário que o aluno na Graduação tenha contatos não só com as principais correntes teóricas da Psicologia, mas também adquira uma visão dos aspectos preventivos na atuação do profissional. “(...) eu acho que é importante conhecer todas as teorias
psicológicas, porque todas tem algo a colaborar na atuação da gente, mas enfatizo a necessidade do aluno conhecer, na Formação, aspectos mais preventivos no trabalho do profissional de psicologia, ele precisa ter essa visão, ajuda muito no dia-a-dia...”(Anexo-/4.2.1.1./S9).
4.2.1.2. A importância de uma nova concepção de homem na Formação.
S2 citou, como aspecto fundamental, que deve estar presente nas discussões da Formação, uma nova concepção de homem, quebrando a hegemonia, hoje existente, da concepção do homem da psicanálise. Entende que isto pode contemplar uma reflexão ética e teórica, possibilitando concretamente o desenvolvimento de um modelo de promoção de saúde, na Formação, assim como formas de implementá-la.
Diz ela: “(...)uma questão importante é que o curso de Psicologia discuta mais a concepção de homem, é claro que tem diferentes teorias, nós temos dado para o aluno uma outra forma de conceber o homem, não esse homem que o édipo filogenéticamente transmitiu. Então não é negar isso , mas é poder dar outra possibilidade, outro tipo de homem que é histórico, construído nas relações(..) então um curso que dê uma visão mais social, no sentido de homem de mundo, que isso muitas vezes é fraco” (Anexo- /4.2.1.2./S2).
4.2.1.3. Discussão na Formação de novos espaços de atuação.
As práticas emergentes aparecem como fatos importantes e que devem ter mais espaço na formação. Essas práticas estão, na maioria dos casos, associadas a atuações institucionais e comunitárias. S5 considera fundamental essa discussão, sobre novos espaços de atuação, especialmente para aqueles que pretendem atuar na Educação, que são considerados como “situações educacionais”, onde o psicólogo pode atuar na perspectiva de promoção de saúde. “(...) procuro estar mostrando para eles - os alunos - as novas possibilidades do trabalho na Educação, indo além da Educação Formal e trabalhando com o que nós estamos chamando
de situações educacionais que podem estar presentes em diferentes instituições, privilegiando os trabalhos grupais e coletivos”(Anexo- /4.2.1.3./S5).
Outro aspecto, apontado, por S6, foi sobre práticas com enfoque educativo, junto à comunidade, ocorrendo uma interseção entre a Psicologia Comunitária e a Psicologia Educacional. Tais trabalhos são, ainda hoje, considerados incipientes, mas de grande importância para o psicólogo que deseja trabalhar com aspectos mais amplos, que envolvem um conhecimento da cultura institucional e comunitária.
Na sua opinião será “(...) partindo da Psicologia Comunitária, que a gente poderia produzir projetos governamentais muito mais coerentes, por que a Psicologia daria elementos da realidade(...) seria fundamental a Psicologia discutir políticas de saúde, políticas de educação(...) quando a gente fala em educação reduz muito à alfabetização, ao mundo letrado e esquece do espaço informal, presente na comunidade, que é de informação, que também é educação”(Anexo-/4.2.1.3./S6).