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08/05/12 14/05/12 16/05/12 Academic Search Premier

4. METODOLOGIA DE PESQUISA

4.3. COLETA DE DADOS

4.3.1. Pesquisa quantitativa – Survey

A pesquisa quantitativa foi realizada por meio de survey, visando identificar a aceitação do ERP por seus usuários e os FC da implantação daquele sistema relacionados a essa aceitação. É um tipo de pesquisa muito empregado nas ciências sociais (BABBIE, 2003, p. 79) e que permite a coleta e quantificação de dados, que se tornam fonte permanente de

informação (p. 87). Outro ponto relevante desse tipo de pesquisa é a possibilidade de inserção de questões abertas para a coleta de informações, que, depois, devem ser codificadas para permitir a análise, conforme as técnicas de análise de conteúdo (p. 88). A survey pode ser utilizada na pesquisa para a descrição, explicação ou exploração de um objeto de pesquisa, essa última (exploração) um mecanismo de busca, quando se está investigando algum tema cujos detalhes ainda são desconhecidos (p. 95-98).

4.3.1.1. Instrumento

O instrumento da pesquisa survey é composto de cinco seções, conforme o Apêndice F, que contém sombreamento na cor preta sobre termos relacionados ao nome do sistema ERP em uso na EMPRESA e sobre informações dela, visando ao sigilo empresarial. A primeira seção busca identificar o perfil dos respondentes, solicitando informações sobre idade, sexo, tempo de empresa, grau de escolaridade, experiência no uso de ERP e cargo atual. A segunda busca entender o perfil do respondente em relação ao uso do ERP. Essas seções foram adaptadas à realidade desta pesquisa a partir do instrumento de pesquisa adotado na dissertação de Yoshino (2010, p. 112), no que tange aos itens sobre tempo de experiência com o ERP, uso do mesmo, frequência desse uso e experiência do respondente com TI em geral.

As seções três e quatro também foram adaptadas do instrumento de pesquisa da dissertação de Yoshino (2010, p. 112), já traduzido ao português, que o construiu a partir da revisão da literatura sobre estudos que tratam da aceitação e uso de sistemas de informação com o uso do TAM, nos quais houve validação estatística desse modelo, validação essa também realizada por ela (p. 68). Além disso, foi realizada a tradução para o português de um instrumento sobre o TAM, no seu idioma original em inglês, por um especialista em sistemas de informação e em modelos de avaliação de satisfação de usuários com esses sistemas. Essa tradução, quando comparada ao instrumento adotado por Yoshino (2010, p. 112), apresentou conformidade de entendimento sobre o conteúdo.

A seção três apresenta cinco itens fechados (questões fechadas) sobre o construto AT do TAM. Os itens foram mensurados através da escala de diferencial semântico bipolar de sete pontos (boa ideia – péssima ideia; ideia imprudente – ideia insensata; gosto da ideia – detesto a ideia; agradável – desagradável; e oportuno – inoportuno), conforme o instrumento original utilizado na tese de Davis (1986, p. 76).

A seção quatro apresenta oito itens fechados sobre os demais construtos do TAM aplicados ao ERP, sendo três sobre PEU, três sobre PU e dois sobre BI, onde foi adotada a escala Likert de sete pontos (1 – concordo totalmente; 2 – concordo; 3 – concordo

moderadamente; 4 – indiferente; 5 – discordo moderadamente; 6 – discordo; e 7 – discordo totalmente), também conforme o instrumento original do TAM (DAVIS, 1986, p. 76). Nas escalas adotadas nas seções três e quatro, 1 a 3 indicam aceitação; 4 indica neutro; e 5 a 7 indicam rejeição.

A quinta seção do instrumento buscou identificar a percepção dos respondentes sobre a relação entre os FC e os construtos do TAM. É composta por oito questões abertas, onde é perguntado ao respondente o que ele identifica como fator influente para cada um dos construtos TAM. Os respondentes da pesquisa são os usuários do ERP da EMPRESA.

4.3.1.2. Pré-teste e teste piloto

Babbie (2003, p. 303) define pré-teste como a administração do esboço do instrumento de pesquisa a um grupo de sujeitos, quando o objetivo é validá-lo e conferir sua adequação. Pode ser feito através de entrevista ou mesmo da aplicação do instrumento seguida de uma entrevista para ouvir as observações dos respondentes (p. 303). Gil (2010, p. 108) acrescenta que nessa entrevista tenta-se identificar o que causou dificuldade para o respondente, se houve alguma pergunta que o constrangeu ou se há duas perguntas em uma só, solicitando-lhe informações sobre pontos que causaram dificuldade ao responder.

Nesta pesquisa, o instrumento survey passou pela etapa de pré-teste para verificar sua adequação. Seguindo a orientação de Gil (2010, p. 108), o instrumento foi aplicado em entrevista para que o respondente comentasse suas percepções durante o preenchimento. Junto com o instrumento, também foi apresentado o e-mail que seria enviado ao público alvo de usuários do ERP na EMPRESA. Esse e-mail está disponível no Apêndice G, havendo sombreamento na cor preta nas palavras que poderiam identificar os participantes e o nome do ERP.

O pré-teste do instrumento foi realizado com dois usuários do sistema ERP. O primeiro é um especialista no ERP e é responsável pela manutenção e suporte do mesmo na EMPRESA. Foi escolhido dada sua experiência com o ERP e sua larga convivência com os usuários do mesmo. Além disso, como é uma pessoa da área de TI, poderia auxiliar na identificação de possíveis equívocos no instrumento. O segundo usuário é da área de recursos humanos e foi escolhido por não ser da área de TI e não deter conhecimento técnico sobre ERP, contribuindo com uma visão de usuário ao instrumento e evitando que ele fosse eminentemente técnico, o que potencialmente prejudicaria seu entendimento e seu preenchimento por aqueles que não detivessem tal conhecimento.

Após responderem o instrumento, os usuários foram convidados a responder um questionário de avaliação do mesmo (vide Apêndice H), seguindo recomendação de Gil (2010, p. 108) e com base no questionário de avaliação utilizado por Yoshino (2010, p. 115). O pré-teste se mostrou eficiente, pois apontou ajustes no instrumento da pesquisa e no e-mail de convocação dos respondentes (vide Apêndice G). O pré-teste com o primeiro usuário durou 22 minutos, que fez as seguintes observações:

• A introdução do formulário está redundante com o e-mail de convocação;

• No item PR05 ficou com dúvida se deveria levar em consideração outras empresas;

• Ficou com dúvida se deveria responder algo após a o título da seção V; • Não achou claro o que deveria responder na seção V;

• Sugeriu retirar o sigla FC do início da pergunta na seção V; e

• Sugeriu alterar o item PR05 para “Você teve experiências anteriores com sistemas desse tipo?”.

O pré-teste com o segundo usuário durou 19 minutos, que fez as seguintes observações:

• “O que significa * Required ?”;

• “Nas perguntas onde consta esse tipo de sistema, a que sistema se refere?”; • “O que é ASR01, ASR02...?”;

• “Na AS07 aparece usar/usar. Está repetindo o usar.”; • Dúvida sobre o que era perguntado na questão aberta FC06;

• Incluir o telefone de contato no e-mail de convite para participação da pesquisa; e • No item PR06, alterar o último item para Auxiliar/Assistente e acrescentar a

opção outros.

Após o pré-teste, os ajustes foram realizados no instrumento da pesquisa, incluindo explicações após o cabeçalho das seções e dos itens mais complexos para melhor orientar os respondentes. Assim, passou-se a realização do teste piloto com o instrumento ajustado, uma abordagem que visa validá-lo antes da sua aplicação. Como o pré-teste, o teste piloto pode ser aplicado para diversas etapas da pesquisa ou para a pesquisa como um todo (BABBIE 2003, p. 310). Ele envolveu três respondentes, sendo um chefe de departamento, um gerente executivo e uma auxiliar/assistente. Os respondentes levaram 15, 11 e 17 minutos, respectivamente, para responder o instrumento de pesquisa.

O teste piloto não apresentou nenhuma anomalia e os respondentes também não apresentaram nenhuma dúvida. Essa situação permitiu inferir que o instrumento estava pronto para ser aplicado na EMPRESA. A pesquisa contou com o auxílio da ferramenta Google Docs (GOOGLE, 2012c) na sua aplicação, que é de acesso gratuito e permite a criação de formulários eletrônicos, cujas respostas são coletadas e armazenas em planilha eletrônica. Os respondentes puderam acessá-lo através de um endereço eletrônico da Internet, no período de 22/01/2013 a 04/02/2013, totalizando 14 dias corridos de disponibilidade às respostas.

A pesquisa teve um ponto positivo ao contar com o apoio da EMPRESA, visto que o seu Diretor de Administração enviou o e-mail de convocação aos potenciais respondentes em 22/01/2013. Como pontos negativos, não foi permitido reenviar novos e-mails de convocação à pesquisa aos respondentes, conforme orientam os autores sobre o assunto (BABBIE, 2003, p. 251), bem como não foi possível que o instrumento ficasse disponível aos respondentes por mais tempo.

4.3.1.3. Amostra dos respondentes

O público alvo do questionário foi definido como sendo todos os usuários do ERP na EMPRESA. Assim solicitou-se à área de TI da EMPRESA para que fosse fornecida a relação desses usuários com nome, e-mail e login de cada um. A inclusão do nome na relação foi motivada pela possibilidade de se resolver algum possível conflito ou inconsistência nas respostas. O login foi escolhido por se tratar de informação única para cada usuário. O e-mail, além de também ser único para cada usuário, seria o canal para envio da convocação da pesquisa.

Foram recebidos dois e-mails com a relação de funcionários. A primeira relação recebida continha um total de 303 registros. Em uma análise superficial pôde-se identificar que havia nomes repetidos e, também, nomes de pessoas que já não faziam parte do quadro da EMPRESA. Em conversa com o técnico responsável pela geração do arquivo, foi-lhe explicado as inconsistências e solicitada nova relação. A relação seguinte foi enviada com apenas 145 nomes. Porém, fazendo-se uma revisão, também foram identificados nomes que não faziam parte do quadro da EMPRESA, como também faltavam os logins de todos os funcionários e o e-mail de alguns.

Diante dessa situação, foi adotada a primeira relação e descartada a segunda. Os dados estavam em três guias distintas e foram consolidados em uma única guia. Em seguida, os dados foram ordenados por nome e excluídos os registros repetidos. Após essa exclusão, os dados foram ordenados por login e, novamente, excluídos os registros repetidos. A

identificação dos registros repetidos foi feita através de fórmula no Microsoft® Excel, que conferia se a informação de determinada célula era igual a da célula anterior. Caso positivo apresentava o número 1; caso negativo, apresentava o número 0. Foi incluída mais uma coluna na planilha e em suas linhas a fórmula apresentada a seguir:

= IF (C4 = C3; 1; 0) ...(1) • IF é a função de condição no Microsoft® Excel;

• C4 corresponde à célula onde estava o login a ser validado;

• C3 corresponde à célula da linha anterior que é comparada a célula C4; • 1 corresponde ao valor a ser retornado se C4 for igual a C3; e

• 0 corresponde ao valor a ser retornado se C4 for diferente de C3.

Após aplicar os procedimentos descritos, restaram 178 registros. Essa técnica permitiu a exclusão dos registros duplicados, porém não eliminou os funcionários que não mais faziam parte do quadro da EMPRESA. Contatou-se, então, a área de recursos humanos e explicou-se a situação, solicitando-lhe auxílio no sentido de alimentar a planilha com algumas informações para a evolução da pesquisa. Foram incluídas na planilha mais duas colunas: cargo e situação. Na primeira deveria ser informado o cargo atual do funcionário, com o objetivo de comparar esse dado com o das respostas obtidas no instrumento da pesquisa. Na segunda coluna deveria ser informada a situação ativo, se ainda fizesse parte do quadro da empresa; e inativo, se já fora desligado. A área prontamente se dispôs a ajudar e no mesmo dia devolveu a planilha com os dados preenchidos naquelas novas colunas. Após a exclusão dos registros de funcionários que estavam com situação igual a inativo, sobraram 160, totalizando o público alvo desta pesquisa.