Tipos de planejamento
PLANEJAMENTO TECNICISTA
Não existe um modelo único de planejamento. Diferentes metodologias conduzem a planos diferenciados. A maior influência no campo do planejamento é a do TECNICISMO, que conduz a um modelo de previsão e controle como objetivos centrais de um planejamento.
Neste tipo de planejamento, portanto, são os profissionais que se encarregam do desenvolvimento do
Dica da professora
Na verdade, todo planejamento convive com a dupla sensação que o futuro oferece: - impossível realmente prevê-lo, porque tudo pode mudar a qualquer momento; - inviável não planejá-lo, senão os planos não se realizam.
Você já se viu diante destas questões? Dica da professora Vamos às definições? Técnico – peculiar a uma determinada arte, ofício, profissão ou ciência. Indivíduo que aplica determinada técnica. Especialista, perito.
plano, sem consultar as pessoas envolvidas na situação que vai sofrer a respectiva intervenção.
Tomemos como exemplo um contexto ambiental delimitado. Em um planejamento tecnicista, o mais importante é o CONHECIMENTO TÉCNICO DOS PROFISSIONAIS RESPONSÁVEIS, sendo os moradores da região apenas fontes de informações sobre a realidade local. Não se entende, neste caso, que neles haja alguma forma se SABER que mereça ser ouvida na elaboração do projeto. Servir como FONTE de informações é diferente de PARTICIPAR da elaboração de uma proposta.
No planejamento tecnicista, afirma-se uma hierarquia de saber e, conseqüentemente, de poder. Os técnicos tomam as decisões finais, eles definem o que deve e o que não deve ser feito de intervenção em determinada localidade. Os moradores da região convivem com a presença dos técnicos, sentem sua ação, “dão” informações (quando solicitados), mas estão completamente afastados do âmbito de tomada de decisões.
No caso de projetos ambientais, algumas vezes as pessoas envolvidas no ambiente da intervenção nem são ouvidas. O planejamento tecnicista tende a apoiar- se em dados “objetivos”, oferecidos pela análise técnica do ambiente físico em questão; dessa forma, as pessoas que habitam este ambiente podem mesmo passar despercebidas.
A expressão “trabalho de campo” nas ciências sociais diz respeito a uma pesquisa com as pessoas: entrevistas, observação participante, ou seja, estratégias de apreensão da “fala” das pessoas envolvidas na temática. Já em áreas técnicas, o “trabalho de campo” por vezes nem se aproxima das
pessoas: consiste em coleta de material “concreto” no “campo” – amostras de solo, água.
Vamos ver um exemplo do que acabamos de falar?
Leia abaixo a descrição do “trabalho de campo” em geologia:
Vamos analisar agora um segundo exemplo onde a “pesquisa de campo” é pensada dentro do modelo psicossociológico:
Aqui tentaremos explicar o que é trabalho de campo. São aulas práticas que temos em contato com o nosso material de estudo, as rochas. São trabalhos realizados ao ar livre dentro do Rio de Janeiro e em outros estados do Brasil. As viagens de trabalho de campo podem ser de 1 dia ou de até de 15 dias. Os trabalhos de 15 dias são conhecidos por estágio de campo 1 e 2, que se realizam a partir do sétimo período do curso. No estágio de campo, os alunos formam duplas ou trios e fazem mapeamento de uma área escolhida pelos professores. Nos trabalhos de campo, percorrem-se muitos quilômetros de ônibus ou a pé no caso do estágio de campo. Por isso o trabalho de campo requer que levemos conosco certo equipamento para a caminhada e para o estudo da região de estudo. Para isso levamos mochila (de uma boa marca de 30 a 40 litros), cantil ou garrafa térmica com água, caderneta de campo (caderno de capa dura), bota (tem várias marcas boas, normalmente estrangeiras), bússola geológica, martelo pena de 800g a 1 kg, kit primeiros socorros (sempre levo), chapéu (boné, chapéu australiano etc.), lápis, máquina fotográfica (bom levar para tirar fotos das rochas para relatório, sua e de seus colegas de turma), lanche (pois nunca se sabe se vai achar um lugar para comer), lanterna, capa de chuva, pilha. O resultado desses trabalhos são relatórios produzidos ao término do campo.
Disponível em: http://www.geologiabrasil.hpg.ig.com.br/geologia_li nks/tabcampo.htm
O planejamento tecnicista na área ambiental focaliza suas decisões em levantamentos técnicos baseados em amostras materiais do campo, sem necessariamente interagir com a cultura e o contexto local de implementação futura do projeto.
Riscos de um planejamento tecnicista na área ambiental:
Dificuldades na implantação: o projeto elaborado sem participação dos moradores da região atingida chega até eles como algo “de fora” e de certa forma “imposto” à localidade. Isso pode gerar resistências, dificuldades na compreensão da proposta e mesmo discordâncias quanto aos procedimentos;
Sustentabilidade: um projeto desenvolvido sem a participação da comunidade local dificilmente será mantido por ela, afinal não há uma identificação entre o grupo e a proposta;
Enganos desnecessários: os moradores de uma localidade conhecem bem sua dinâmica: seu clima, as chuvas, as marés, as festividades, os dias sagrados, enfim, pode dar importantes orientações quanto ao cronograma viável para um projeto, levando em consideração variáveis que o técnico “de fora” nem sempre levaria em conta.
Pesquisa de campo em psicologia social Spink,Peter Kevin.
O termo ''pesquisa de campo'' é normalmente empregado na Psicologia Social para descrever um tipo de pesquisa feito nos lugares da vida cotidiana e fora do laboratório ou da sala de entrevista. Nesta ótica, o pesquisador ou pesquisadora vai ao campo para coletar dados que serão depois analisados, utilizando uma variedade de métodos tanto para a coleta quanto para a análise.
Mas não é à toa que este planejamento muitas vezes é utilizado. Apesar das diversas desvantagens e de não indicarmos esta metodologia como a mais apropriada de acordo com nossa concepção de meio ambiente, existem fatores que favorecem sua utilização:
Elaborar um projeto sem a participação da comunidade local é mais rápido, mais prático e exige menos esforço do profissional envolvido nesta tarefa. Dialogar com os moradores de uma região implica compartilhar saberes (inclusive os técnicos), a fim de engajar os interessados em uma discussão sólida sobre o tema em questão. Não são todos os profissionais que gostam deste tipo de intervenção... Ela é trabalhosa e muitas vezes demorada;
Em outras situações, o tempo que o profissional tem para apresentar o projeto ao financiador é muito curto, e, mesmo que ele quisesse, não seria viável o diálogo com a comunidade. No máximo, ele se apóia em contatos já existentes e dados já sistematizados sobre a região e a população onde o projeto será realizado;