“Cognição, área da psicologia que descreve como adquirimos,
2. PSICOLOGIA COGNITIVA
2.8. PROCESSAMENTO E APRENDIZAGEM
Por volta de 1950, quando as ciências da comunicação e as computacionais começam a ganhar popularidade e a desenvolver-se rapidamente, vários são os investigadores que iniciam os estudos acerca do processamento de informação. Nesta abordagem ao processamento de informação, são determinados dois componentes essenciais, onde o inicial se refere a um processo mental, que pode ter uma maior compreensão a partir da utilização de operações realizadas por um computador. Enquanto que o segundo componente respeita o processamento de informação (processo mental), por meio de um sistema formado por uma série de etapas que se correlacionam e são seguidas passo a passo (Matlin 2004).
Nesta abordagem dos níveis de processamento, realizada pelos teóricos Craik e Lockhart, considera-se que os processos da atenção e os percetuais na aprendizagem, são determinantes na armazenagem de informação na memória de longo prazo. No entanto, os níveis de processamento são vários, sendo aplicados consoante a análise superficial ou física de um estímulo até à análise profunda ou semântica. “Quanto maior a extensão em que o significado é processado, mais profundo o nível de processamento.” (Eysenck 2017, p. 230)
Os principais pressupostos teóricos de Craik e Lockhart (1972) são:
1. O nível ou a profundidade do processamento do estímulo, tendo este um efeito importante para a sua memorização.
2. E os níveis mais profundos de análise, em que estes geram traços de memória mais composta, duradoura e forte do que os níveis superficiais. Contudo, Craik e Tulving (1972) concluíram que a natureza do processamento da tarefa é determinante para a memória, sendo que, a intenção de aprender já não o é. Estes teóricos defendem, no entanto que a elaboração do processamento também é essencial. Conforme a teoria do processamento adequado para transferência dos teóricos Morris et al., “a recuperação requer que o processamento no momento da aprendizagem seja relevante para as demandas do teste de memória” (Eysenck 2017, p.230).
Mais tarde estes conhecimentos foram alargados, descobrindo-se que os efeitos da profundidade do processamento, dependiam da recordação do indivíduo, ou seja, recordar a informação contextual sobre o que aconteceu ao aprender. Segundo Eysenck (2017), o processamento superficial difere do processamento profundo, devido a este circundar mais o processamento percetual e menos o conceitual. Assim, quando a memória requisita um nível elevado de processamento percetual, os efeitos dos níveis de processamento devem ser menores.
A recordação e reconhecimento, fazem parte da memória explícita, sendo esta composta pela recordação consciente e a ligação com pontos fortes resultantes na profundidade do processamento. Ao não existir uma recordação consciente, deparamo-nos com efeitos da profundidade do processamento ao nível da memória implícita. É através do processamento, que um dado indivíduo consegue distinguir e determinar qual a informação que deve ser transferida para a memória de longo prazo. Para tal, um dos fatores mais importante é denominado por distintividade.
Estes elementos tornam-se essenciais para a aprendizagem mais organizada e fácil da informação do indivíduo. Contudo, quanto maior o conhecimento, maior a distintividade e consequentemente, maior a habilidade dos indivíduos de críticar e rejeitar informações incorretas e de menor valor (Eysenck 2017).
Para Sternberg (2016), os psicólogos cognitivos disciplinam os principais processos de memória conforme três operações, onde cada uma delas é representativa de uma fase de processamento da memória:
1. Codificação, sendo esta referente à transformação de um dado físico e sensorial num tipo de representação armazenada na memoria; 2. Armazenamento, em que esta fase se refere à forma em como são
memorizadas informações codificadas, e por último,
3. Recuperação, em que esta é a responsável pela acessibilidade das informações armazenadas na memória
“Antes de cada informação ser armazenada na memória ela precisa ser codificada” (Sternberg, 2016, p.193).
Na memória de curto prazo, a codificação mais utilizada é a de código acústico, embora seja utilizado também o código visual. Contudo, existe a possibilidade de existirem outros códigos, tais como o código semântico12. Na memória de longo prazo ou memória de trabalho, as informações mantem-se codificadas maioritariamente, na codificação semântica. Neste tipo de memória, os níveis de processamento, são uns dos influenciadores na codificação na memória.
Como na memória de curto prazo, a memória de longo prazo não é exclusiva apenas de um género de codificação, havendo por vezes a existência de codificação visual e também de codificação acústica. Depois da codificação, existe o processo de transferência de informações da memória de curto prazo para a memória de longo prazo. No entanto, nesta transferência, deparamo-nos com dois problemas, como as interferências e o declínio (Sternberg 2016).
12 Código com base no
O modo de como as informações são transferidas depende sempre se essas envolvem uma memória declarativa que se refere aos fatos e ao conhecimento, ou se envolvem uma memória não declarativa referente às memórias processuais e habilidades. Esta última, por vezes transforma-se em memórias instáveis e que acabam por desaparecer rapidamente. Existem, no entanto, nestas memórias não declarativas, outras formas que “são mantidas mais disponíveis, particularmente como resultado da prática (de procedimento) repetida ou do condicionamento (de respostas) repetido” (Sternberg 2016, p.197).
A memória declarativa de longo prazo pode ocorrer devido a diversos processos. Um dos processos é, o de prestar atenção na informação para a sua compreensão e outro, é o de realizar associações entre os conhecimentos do indivíduo e as novas informações. Ao processo de inserção de novas informações às já existentes é denominado de consolidação.
Segundo Sternberg, durante este processo de consolidação, a memória de um indivíduo pode ser vulnerável à rutura e à distorção de informações. No entanto, é através da utilização de estratégias de metamemória13, que se pode preservar ou melhorar a integridade da memória durante a ação. Estas estratégias envolvem a reflexão sobre os próprios processos de memória, para melhorá-la. Contudo estas estratégias são apenas parte de várias componentes presentes na metacognição14.
Uma das técnicas utilizada para manter as informações ativas na memória do indivíduo é o ensaio. Este consiste na declamação continua e repetitiva da informação, resultando num efeito denominado efeito da prática. A prática da recuperação de informação durante o momento de aprendizagem, pode originar no reforço da memória de longo prazo, ocorrendo assim um efeito de teste (Eysenck, 2017).
O fenómeno de testar durante a aprendizagem, permite ao indivíduo, a vantagem de esta ser utilizada em qualquer tipo de natureza de material a ser aprendido. Este fenómeno torna-se importante devido aos seus efeitos benéficos na prática da evocação.
13 "Crenças e conhecimento sobre
a própria memória, incluindo estratégias de aprendizagem e memória." (Eysenck 2017, p.335) 14 Competência de pensar e controlar os processos de pensamento e as formas de aperfeiçoar o pensamento. “metacognição é pensar em como pensamos.” (Sternberg 2016, p.198).