4.3 ESTUDO DE CASO 3 OC
4.3.5 Processo de implementação OC
O processo de concepção das práticas sociais realizadas pela OC já é descrito e seguido conforme estabelecido, em todas as práticas desenvolvidas seguem as mesmas etapas iniciais.
De modo geral, grande parte dos projetos atualmente, eles têm esse enfoque de constitucionalidade do projeto, de ter um estudo bem detalhado, desde a sua concepção, até as pessoas que estão envolvidas e até o controle dos resultados (E3 – Mg, OC, nov./2017).
o projeto saiu da sustentabilidade, a gente apresentou para a diretoria, benefícios, possíveis maléficos que possa ter os riscos que a cooperativa possa estar correndo a questão financeira. Então primeiro passo criou projeto, apresentou para a diretoria, a diretoria aprovou, eles levam para a reunião de assembleia, a assembleia aprovou, nós tocamos o projeto (E2 – Jo, OC, out./2017).
A gente tem um formulário de abertura do projeto, a gente coloca os objetivos, a metodologia... fazemos o cronograma com as atividades que precisam ser feitas no projeto e daí vamos vendo o que temos internamente: se precisamos de palestrante e temos internamente, preenchemos um formulário para a medicina preventiva solicitando o palestrante para o horário determinado. A gente tem um banco de voluntários onde a gente vê se tem algum voluntário disponível. Depois vamos ver com as instituições parceiras que nós temos. A gente apela para esse lado pago em último caso, mas a gente capta o que der internamente (E4 – Mi, OC, nov./2017). Assim sendo, as ações passam por um processo inicial de pesquisa e desenvolvimento, para depois serem encaminhadas para aprovação nas instâncias superiores.
Surge uma demanda, seja externa ou interna, se faz um estudo em relação a isso, onde pode ser aplicado e se tem a ver com nosso objetivo de trabalho, quantas pessoas vão estar atuando, quanto recurso vamos ter que buscar para isso e o quanto a gente vai prover e, especialmente, como a gente vai poder acompanhar isso (E3 – Mg, OC, nov./2017).
Primeiro a gente tem que ver o porquê, que público a gente vai atingir, o que nós vamos fazer e como vamos fazer. Ver o que a gente vai conseguir atender, o público, o que a gente vai conseguir fazer com aquilo e o que vamos conseguir doar. Nós damos a ideia e vai para a aprovação que passa para a coordenação, diretoria, e vê como os médicos vão aceitar isso também para ter concelho o de todo mundo. Então é isso, sempre passa para o coordenador a ideia, para ver se ele gosta ou se parte dele mesmo, depois passa pelo superintendente, dele vai para a diretoria, dois disso eles fazem um consenso com os médicos que é a assembleia (E2 – Jk, OC, out./2017).
Após a aprovação da diretoria, o projeto já pode seguir para a etapa seguinte, de aplicação. Nesta etapa os atores externos são envolvidos, para conhecerem o novo projeto e verificarem se tem interesse em receber. Iniciam com a aplicação piloto e realizam as adaptações, caso percebam a necessidade.
Depois que o projeto foi aprovado a gente já começa a aplicar. A gente apresenta para a escola, quando é em escola, a agente apresenta para a secretaria municipal, consegue o aval deles e pede a indicação de com qual escola trabalhar. Em cima disso, do mapeamento da secretaria a gente faz o processo piloto, vamos se é preciso alguma readequação, alguma mudança para continuar o projeto conforme a realidade (E3 – Mi, OC, nov./2017).
Após as alterações necessárias, o projeto entra na cartela de práticas sociais do setor e passa a ser ofertado para seus respectivos públicos-alvo. Quando as práticas começam a ser aplicadas, há o esforço em divulga-las na mídia, para a comunidade. Esta é a forma pela qual os profissionais da OC difundem suas práticas, no sentido de torna-las conhecidas e possibilitar que as demandas para receber os projetos sejam feitas. Entretanto, não promovem o compartilhamento dos projetos para que outras empresas, instituições ou localidades repliquem.
Depois colocou na mídia e que as pessoas conheceram, as demandas vêm vindo e então é um pouco mais fácil (E1 – Jo, OC, out./2017).
Os mesmos projetos que nós, não. Os nossos a gente geralmente insere e eles vem, geralmente pedir patrocínio para projetos deles. Até tem um fluxo interno em que as pessoas podem vir e conhecer os setores, isso a gente faz. Isso não tem problema (E3 – Mg, OC, out./2017).
Após implementadas, as ações que envolvem oficinas, palestras, cursos e cine-debates podem ter um segundo momento de pesquisa. Pois, são ações realizadas sob demanda, nestes casos, é possível verificar a necessidade da comunidade que está demandando e adaptar o tema a necessidade percebida.
A gente faz pesquisa, olha sites, jornais e vê os índices, qual o foco que temos que trabalhar. Se o problema maior é DST, a gente vai focar nisso, a faixa etária que está precisando... tudo é através de pesquisa. Online mesmo. Depois a gente faz pesquisa com as pessoas mesmo, com os adolescentes, com o público que a gente quer atingir. Vamos construindo aos poucos (E4 – Mi, OC, nov./2017).
Foram indicadas cinco etapas desde a criação do projeto até sua difusão. A síntese das etapas do processo adotado é apresentada na Figura 26.
Figura 26 - Processo de implementação das práticas sociais - OC
Fonte: elaborada pela autora (2018).
Algumas das práticas sociais realizada possui um enfoque interno, como é o caso daquelas voltadas ao consumo consciente. Neste caso, todos os setores da organização são envolvidos e tem avaliado seus índices de consumo e economia. A parte isto, não foi identificado no discurso dos entrevistados mudanças sistêmicas que interfiram e modifiquem a cultura empresarial ou social. Neste sentido, o processo de implementação das práticas sociais adotados pela OC poderia encaixar-se melhor no processo proposto por Caulier-Grice et al. (2012), sendo os prompts o surgimento de ideias dos funcionários do setor de Gestão de Sustentabilidade ou por meio da solicitação de patrocínio e as demais etapas conforme propõe os autores, sem contemplar, por hora, a última etapa.
Entretanto, ainda é preciso avaliar que os diversos atores não são envolvidos em todas as partes do projeto, assim como o usuário final pode ser apenas receptor do projeto e, em alguns deles, demandante. Assim, não atende por completo os critérios sugestivos de inovação social indicados por Cloutier (2003).