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POLÍTICAS PÚBLICAS DE PERMANÊNCIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA

2.2 ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

2.2.3 Programa Nacional de Assistência Estudantil

A referida Portaria do MEC expressa em certa medida os anseios emergidos dos debates promovidos pelos Fonaprace e Andifes, bem como pelos movimentos estudantis no país, quando reconhece a “assistência estudantil como estratégia de combate às desigualdades sociais e regionais, bem como sua importância para a ampliação e a democratização das condições de acesso e permanência dos jovens no ensino superior público federal” (BRASIL, 2007).

A Portaria designa ainda que as ações de assistência estudantil deverão ser executadas pelas instituições de ensino superior, no intuito de viabilizar a igualdade de oportunidade, bem como “contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico e agir, preventivamente, nas situações de repetência e evasão decorrentes da insuficiência de condições financeiras” (BRASIL, 2007). No ano seguinte, em 2008, as universidades iniciam a execução dos recursos repassados pelo MEC, direcionados a políticas de permanência de estudantes em cursos de graduação.

No ano 2010, por meio do MEC, o Governo Federal lança o PNAES, instituído como Política de Estado e regulamentado por meio do Decreto Presidencial n.º 7.234, de 19 julho de 2010. Portanto, de maneira mais abrangente, definiu-se como objetivos do PNAES:

I democratizar as condições de permanência dos jovens na educação superior pública federal;

II minimizar os efeitos das desigualdades sociais e regionais na permanência e conclusão da educação superior;

III reduzir as taxas de retenção e evasão;

IV contribuir para a promoção da inclusão social pela educação (BRASIL, 2010).

Na reformulação do programa, acrescentou-se como campo de atuação e investimentos, os segmentos de estudantes público-alvo da política de educação especial, que são: estudantes com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) e altas habilidades e superdotação.

O Plano define dez áreas elencadas para o desenvolvimento de ações de assistência estudantil, a saber: I - moradia estudantil; II - alimentação; III - transporte; IV - atenção à saúde; V - inclusão digital; VI - cultura; VII - esporte; VIII - creche; IX - apoio pedagógico; e X - acesso, participação e aprendizagem de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Os recursos são repassados às IFES, as quais são responsáveis pela execução, acompanhamento e avaliação do desenvolvimento do programa (BRASIL, 2010).

Outro ponto que pode ser destacado e que se relaciona diretamente com a execução diz respeito ao perfil desses alunos a serem atendidos, os quais devem ser prioritariamente estudantes oriundos da rede pública de educação básica ou com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. Definidos estes critérios mínimos, o PNAES deixa sob responsabilidade das universidades a definição dos demais requisitos a serem utilizados em processos seletivos.

Com relação aos critérios para o repasse dos valores dos créditos orçamentários, no PNAES, toma-se como referência o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada ente da federação e o número de alunos e de vagas oferecidas por meio do Sisu (REIS, 2016). Entretanto, conforme mencionado, a execução do programa inclui os processos de seleção dos discentes e será definida pelas IFES, conforme as determinações mais gerais do Decreto que rege o Programa.

O PNAES é considerado um marco para as políticas de assistência aos estudantes, primeiro, por conta do volume de recursos disponibilizados para as instituições de educação superior no país; segundo, pela abrangência nas áreas de atuação às quais as IFES poderão implementar suas políticas de permanência.16

Com relação aos valores dos créditos orçamentários, apesar de serem apontadas as limitações desses recursos financeiros em função das demandas de assistência estudantil no país (KOWALSKI, 2012; NASCIMENTO, 2014; DUTRA; SANTOS, 2017), verifica-se um crescimento do repasse desses recursos ao longo dos anos, conforme Tabela 1.

Tabela 1 – Recursos financeiros do PNAES repassados às IFES entre os anos 2008 e 2014

Recursos do PNAES repassados às IFES

Ano 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014

Recursos R$ 125,3

milhões R$ 203,8 milhões R$ 304 milhões R$ 400 milhões R$ 504 milhões R$ 603 milhões R$ 742,7 milhões Fonte: MEC/BRASIL, 2014.

Em 2014, por meio da Portaria n.º 389, de 9 de maio de 2013, o MEC institui o Programa de Bolsa Permanência (PBP). Elaborado com base na política nacional de assistência estudantil, o programa oferece bolsas para estudantes de graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica, indígenas e quilombolas, com a finalidade de minimizar as desigualdades

16 É relevante salientar que no mesmo ano da emissão do Decreto do PNAES, por meio da Portaria Normativa n.º

25, de 28 de dezembro de 2010, o MEC lança o Programa Nacional de Assistência Estudantil para as Instituições de Educação Superior Públicas Estaduais (PNAEST). Elaborado com os mesmos princípios do PNAES, com a finalidade de promover a inclusão social por meio da garantia do acesso e permanência dos estudantes na educação superior, a vinculação de receita a esse programa foi condicionada à adesão da universidade à proposta do Sisu.

sociais, étnico-raciais e contribuir para permanência e conclusão dos seus respectivos cursos. Esse Programa se caracteriza pelo repasse do recurso direto ao estudante e compete às IES realizarem o processo seletivo. Dentre os requisitos para acessar o auxílio financeiro, exige-se a matrícula em curso de graduação com carga horária média igual ou superior a cinco horas diárias. Além disso, o MEC prioriza os indígenas e quilombolas, que, independentemente da carga horária dos cursos nos quais estão matriculados, poderão ser usuários do Programa.17

Observa-se que há uma perspectiva de inclusão social e democratização do acesso à universidade, quando o PNAES se propõe a desenvolver ações de apoio aos estudantes em situação de vulnerabilidade social e econômica, para que estes tenham condições de se manter em seus percursos acadêmicos. No referido decreto, a concepção do programa se mostra quando é definido, em parágrafo único do Decreto n.º 7.234/2010, que “as ações de assistência estudantil devem considerar a necessidade de viabilizar a igualdade de oportunidades, contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico e agir, preventivamente, nas situações de retenção e evasão decorrentes da insuficiência de condições financeiras” (BRASIL, 2010).

A partir dessa descrição sobre os aspectos normativos do PNAES, supõe-se que que as políticas de permanência na educação superior estão sujeitas a múltiplos olhares que influenciam os processos e práticas de implementação. Nesse sentido, fatores ligados aos contextos – como a dinâmica organizacional e a interpretação dos planos pelos implementadores – dão diferentes contornos à política nas formas de entrega aos usuários nas diversas IFES no país.

2.2.4 Literatura que analisa o PNAES na perspectiva da implementação de políticas