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QUANDO UM ENGENHEIRO ELETRICISTA TORNA-SE PROFESSOR

No documento QUANDO ENGENHEIROS TORNAM-SE PROFESSORES (páginas 116-132)

“Hoje, quando me perguntam sobre a minha profissão,

digo que sou professor da Universidade Federal de

Mato Grosso”

Pedro Paulo Carneiro Nogueira é natural de Carmo de Minas, no estado de Minas Gerais e tem cinqüenta e nove anos. É casado e tem dois filhos. É professor adjunto IV, em regime de dedicação exclusiva, do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMT. Estudou em escolas públicas desde o curso primário até o mestrado. No nível médio cursou o científico. No ano de 1972 graduou-se em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). Durante o curso de graduação deu aulas para o curso científico do Colégio Estadual de Itajubá, e também para o cursinho. Em 1973 foi trabalhar como engenheiro na Espírito Santo Centrais Elétricas S. A. (ESCELSA), no estado do Espírito Santo, e simultaneamente deu aulas para o nível médio na Escola Técnica Federal do Espírito Santo. No ano de 1978 veio para o estado de Mato Grosso e começou a trabalhar nas Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. (CEMAT). No ano de 1980 foi convidado para trabalhar como professor na UFMT, mais especificamente para dar aulas para o curso de Engenharia Elétrica. Aceitou o convite e, como continuaria trabalhando na CEMAT, o seu contrato com a UFMT foi para o regime de vinte horas. No ano de 1997, aposentou-se na CEMAT, e em 2001 passou para o regime de dedicação exclusiva na UFMT. No ano de 1979, fez o Curso de Especialização em Sistemas Elétricos de Potência na UNIFEI. No período de 2004 a 2006 cursou o Mestrado em Educação, na linha de pesquisa Educação e Meio Ambiente, desenvolvendo o trabalho Inserção do Meio Ambiente como tema transversal no curso de Engenharia Elétrica da UFMT: um estudo de caso.

A narrativa do professor Pedro Paulo começa com uma breve apresentação abrangendo a sua idade, naturalidade, situação civil, informações sobre esposa e filhos e informações sobre a sua classe e nível na UFMT. Depois fala sobre a sua identidade profissional. Prossegue falando sobre algumas vivências da época do curso primário, do curso ginasial e do segundo grau, como o seu interesse pelos estudos e as experiências que influenciaram na sua opção pela engenharia. A seguir lembra de alguns professores do curso

de graduação, que são referência para a sua atuação como professor universitário. Após relatar as suas primeiras experiências com o ensino, fala da sua atuação como engenheiro e, a seguir, do seu ingresso no quadro docente da UFMT. Depois, fala sobre a importância da capacitação para os profissionais na atualidade, e sobre a sua perspectiva de como superar a dificuldade em conciliar a experiência prática com a capacitação. Em seguida, fala da sua experiência como professor da Educação Superior, fazendo uma comparação entre a sua atuação antes de cursar o Mestrado em Educação e após ter concluído este curso. Dando prosseguimento, relata uma experiência relacionada com a produção de conhecimento no âmbito do senso comum. Apresenta algumas concepções sobre educação, curso superior, profissão, trabalho e Educação Superior. A seguir, fala das suas impressões sobre os requisitos para ser um bom professor deste nível da educação. Depois aborda a questão da ética no ensino de engenharia. Encerra a sua narrativa falando das suas expectativas em relação às mudanças que deverão ocorrer no ensino superior e, mais especificamente, na formação dos engenheiros.

No início da sua narrativa, o professor Pedro Paulo fala sobre a sua família, ficando bem evidente o interesse de todos eles pela área de conhecimento da biologia, fato que deve tê-lo levado a desenvolver no mestrado um trabalho voltado para a questão do meio ambiente: “Sou casado e tenho dois filhos. Yara, a mais velha, é formada em Arquitetura pela UFMT e tem mestrado em biologia na área de Ecologia e o mais novo, Pedro, está fazendo Biologia, também na UFMT. Minha esposa é bióloga.”

Quando trata da sua identidade profissional, distingue duas fases: quando atuava profissionalmente na CEMAT e na UFMT simultaneamente, e quando se aposentou na CEMAT, ficando ativo apenas na UFMT. Referindo-se à primeira fase diz: “antes de me aposentar na CEMAT, falava que era engenheiro da CEMAT e professor da universidade.” Neste caso, cabe melhor a denominação de engenheiro-professor que adotei neste trabalho.

Não é por acaso que se identificava primeiramente como engenheiro, uma vez que se considerava mais como tal: “Embora eu tenha atuado como professor desde jovem, acho que me considerava mais engenheiro [...] Achava bom o convívio no ambiente acadêmico, mas me considerava mais engenheiro e professor parcial.” Chamo a atenção para o fato de que ao usar o termo professor parcial, ele não está se referindo ao regime de trabalho, mas à sua identidade profissional.

Quando justifica a sua opção pela atividade docente, como na fala: “acho que me considerava mais engenheiro, porém via uma responsabilidade em auxiliar na formação dos novos engenheiros,” percebe-se a concepção da docência, não como uma profissão, mas como uma missão, o que está de acordo com o comentário que Pimenta e Anastasiou tecem sobre o

professor universitário, dizendo que este “muitas vezes está ali como uma concessão, como um favor, como uma forma de complementar salário, como um abnegado que vê no ensino uma forma de ajudar os outros, como um bico, etc.”254

Referindo-se à segunda fase, ou seja, àquela quando ficou ativo apenas na UFMT, faz as seguintes afirmações: “Em 2001, passei para o regime de dedicação exclusiva na universidade e, então, pude me dedicar mais à carreira de professor;” “Hoje, quando me perguntam sobre a minha profissão, digo que sou professor da Universidade Federal de Mato Grosso” e “Hoje me considero mais professor.” O que sinaliza a importância da dedicação exclusiva para que o engenheiro-professor assuma a identidade docente.

De acordo com a sua narrativa, o professor Pedro Paulo tem origem humilde e o estudo significava para ele abertura de possibilidades de conquistas: “Na minha família eu observava o meu pai que não estudou, mas que procurava nos mostrar que o estudo era a forma de ter um espaço na vida. Então eu cresci valorizando o estudo para ter conquistas no futuro.”

Quando se refere ao curso primário, fala de relações com afetividade, dando a perceber que a escola e as vivências relacionadas a ela deixaram marcas positivas:

Eram boas escolas. A minha professora do primeiro ano do curso primário, era bem interessante. Ela gostava de mim e eu gostava dela. No segundo, terceiro e quarto ano, a minha irmã que era minha professora. Ela também era muito legal e como eu não era tão dedicado aos estudos, ela me colocava para estudar também em casa. É uma lembrança boa que eu tenho.

Nessa fala vimos que o professor Pedro Paulo tinha uma irmã que era professora, e da qual gostava muito. A admiração pela irmã pode ter despertado nele, desde cedo, o interesse pela profissão de professor, embora nessa época não tivesse consciência disso.

Também tem boas lembranças do curso ginasial:

Eu acredito que comecei a gostar de estudar quando cursava o segundo ano ginasial, até aí eu ia meio levado. Na sexta série já comecei a me interessar mais, a querer saber mais das coisas. Sempre gostei de ciências, de matemática, de desenho, também gostava de história, enfim, passei a me interessar por tudo.

Dessa forma, desde a época do curso primário, as vivências foram construindo o seu interesse pelo ambiente e atividades acadêmicos. O seu gosto pelas disciplinas ciências, matemática e desenho já o impulsionava desde cedo para a área das ciências exatas.

Quando concluiu o curso ginasial, o seu pai desejava que ele cursasse a graduação em medicina, como está declarado nas seguintes falas: “O meu pai queria que eu fizesse medicina;” “Naquela época, o meu pai falava para eu fazer medicina porque eu gostava de ciências” e “Apesar do incentivo do meu pai para eu fazer o curso de medicina.”

O desejo do pai para que ele cursasse medicina era uma força que o impulsionava nesse sentido, porém, outras forças o conduziram para a engenharia, como o pequeno, mas decisivo acidente empírico da sua ida para a cidade de Itajubá, conforme é relatado por ele: “a minha cidade era muito pequena e só tinha até o curso ginasial e, por isso, fui para a cidade de Itajubá, que ficava a cem quilômetros da cidade onde eu morava, para cursar o científico e depois seguir em frente.”

Quando ele foi para Itajubá ainda não havia decidido sobre qual graduação iria cursar, mas encontrou nessa cidade um ambiente totalmente propício e motivador para o curso de engenharia, conforme relata:

em Itajubá só havia os cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica que funcionavam em uma antiga e famosa escola. O ambiente da cidade era propício para engenharia; todo mundo só pensava em engenharia e como eu gostava de matemática, comecei a pensar em fazer o curso de engenharia. Apesar do incentivo do meu pai para eu fazer o curso de medicina, antes de ir para Itajubá, eu não tinha uma escolha definida. Eu tinha um irmão mais velho que estava fazendo o curso de Engenharia Mecânica; convivia com estudantes de engenharia na república onde eu morava; no curso científico tinha professor estudante de engenharia e, então, eu entrei nesse clima, gostei e esqueci a medicina.

As vivências da época em que cursou o científico foram decisivas para a escolha do curso de graduação em Engenharia Elétrica, conforme o pensamento de Nietzsche: “aprendi que as vivências mais admiráveis, mais instrutivas, as vivências decisivas, são exatamente as vivências cotidianas.”255

Da sua preparação para o vestibular, diz:

Quando fui para Itajubá sabia que eu tinha que fazer um curso superior e era comum as pessoas terminarem o segundo grau e fazerem um cursinho, mas eu me dediquei bastante, estudei o que não foi dado no segundo grau. Na república tinha uns estudantes de engenharia que já estavam adiantados no curso e o que não era ensinado na escola eu aprendia com eles. Preparei-me bem para o vestibular e passei com facilidade.

Os cursos de engenharia das universidades federais são muito concorridos, o que exigia dos candidatos demasiado empenho na preparação para o vestibular e, no caso do

professor Pedro Paulo, não menosprezando a sua dedicação, mas conforme o seu relato, a ajuda dos estudantes de engenharia foi importante para a sua aprovação no primeiro vestibular que prestou.

A aprovação no vestibular com uma excelente classificação foi motivo de felicidade para a família e para ele mesmo, sendo mais uma vivência que ia dando firmeza para a sua nova empreitada, como se percebe através da sua narrativa: “No ano de 1968 terminei o segundo grau e fiz o vestibular para o curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) que era muito concorrido e passei em nono lugar, o que foi um sucesso na minha família, todo mundo gostou e eu também.”

Com relação à opção pela habilitação em Engenharia Elétrica, discorre:

Havia duas opções de modalidades de engenharia: Elétrica e Mecânica. A Engenharia Elétrica é muito abstrata, por isso necessita de uma modelagem matemática bastante forte e como eu gostava de matemática, caminhei para lá naturalmente. Além disso, eu gostava também de física, disciplina na qual estudei um pouco de eletricidade.

Não foi possível identificar nas suas falas a origem do seu gosto pela matemática e pela física, mas esse gosto foi uma das forças que o impulsionou para o curso de Engenharia Elétrica.

Sobre o curso de graduação, também foi bem positivo: “Não tive dificuldades para fazer o curso de graduação. Tive uma boa formação anterior.” Nesta fala percebe-se que as vivências no âmbito escolar, desde o curso primário, produziram marcas que refletiram nas experiências acadêmicas que se seguiram.

Ainda falando sobre o curso de graduação, cita dois professores que, de acordo com o seu discurso, são para ele referência de bom engenheiro-professor:

Do curso de graduação lembro-me do professor Cardoso, que os alunos chamavam de chuchu. Lembro-me também do Chiquinho Renó. Esses professores também trabalhavam em empresas, o Cardoso trabalhava na Siemens e dava aulas na UNIFEI e o Chiquinho Renó tinha uma empresa em Santos que prestava serviços para as indústrias e também dava aulas para nós, e eram aulas muito boas. Os dois eram formados em Itajubá. É interessante, eu não tinha pensado nisso antes, agora que estou pensando que talvez isso explique porque fui professor como fui. Poder ver a aplicação do que eu estava estudando, despertou em mim o amor pela engenharia. Agora que eu estou pensando que talvez por isso que eu quis ser engenheiro como eles, isto é, ser professor e trabalhar em uma empresa.

Ao recordar das vivências da época do curso de graduação, dentre todos os professores que teve, dois foram imediatamente destacados na sua memória. Nietzsche diz que: “Quanto à

memória, deve-se seguir uma orientação diferente: é o conjunto de todas as vivências de toda vida orgânica que vivem, se organizam, se formam reciprocamente, lutam entre si, se simplificam, se condensam e se transformam em muitas unidades.”256 De acordo com este pensamento de Nietzsche, as vivências impregnam a nossa estrutura orgânica, deixando marcas que vão moldando o nosso jeito de ser e constituindo a nossa memória.

Na fala do Professor Pedro Paulo, citada anteriormente, constata-se o que é comentado por Pimenta e Anastasiou sobre os professores universitários:

quando chegam à docência na universidade, trazem consigo inúmeras e variadas

experiências do que é ser professor. Experiências que adquiriram como alunos de

diferentes professores ao longo de sua vida escolar. Experiência que lhes possibilita dizer quais eram bons professores, quais eram bons em conteúdo, mas não em

didática, isto é, não sabiam ensinar. Formaram modelos “positivos” e “negativos”,

nos quais se espelham para reproduzir ou negar. Quais professores foram significativos em suas vidas, isto é, que contribuíram para sua formação pessoal e profissional.257

Quando ele diz:

É interessante, eu não tinha pensado nisso antes, agora que estou pensando que talvez isso explique porque fui professor como fui. [...] Agora que eu estou pensando que talvez por isso que eu quis ser engenheiro como eles, isto é, ser professor e trabalhar em uma empresa.

Assim como na narrativa da professora Marilda, percebem-se indícios de que a narrativa provocou no professor Pedro Paulo uma reflexão sobre a sua atuação na docência, que talvez não tenha ocorrido em nenhum outro momento da sua trajetória como professor.

Desde a época em que estava no curso ginasial, e em todas as fases seguintes da sua vida acadêmica e profissional, o professor Pedro Paulo teve vivências do âmbito da docência. Deduzimos isto das suas falas sobre a época do curso ginasial: “Embora eu tenha atuado como professor desde jovem” e “Desde bem jovem, quando estava no curso ginasial, eu já dava aulas para séries anteriores, aulas particulares;” sobre a época do curso de graduação: “Durante o curso de graduação dei aulas para o curso científico do Colégio Estadual de Itajubá e também para o cursinho;” sobre o início da sua carreira de engenheiro: “Formei-me no ano de 1972 e em 1973 fui trabalhar como engenheiro na ESCELSA (Espírito Santo Centrais Elétricas S. A.), no estado do Espírito Santo e simultaneamente dei aulas para o nível médio na Escola Técnica Federal do Espírito Santo;” e, finalmente, quando trabalhava na CEMAT:

256

Nietzsche, A sabedoria para depois de amanhã, Fragmento póstumo 26[94] do verão ao outono de 1884. 257 PIMENTA E ANASTASIOU, 2005, p. 79.

Quando teve início o curso de Engenharia Elétrica na UFMT, nós, engenheiros da CEMAT, fomos convidados para dar a parte técnica do curso. A parte básica já existia. Então, no ano de 1980, atendi a esse chamado da Universidade Federal para ministrar a disciplina Proteção de Sistemas Elétricos.

Sendo assim, dar aulas era uma atividade que desde cedo despertava o seu interesse e que também lhe dava prazer, conforme declara quando se refere sobre a sua atuação como professor do curso científico e do cursinho: “Na minha família uns ajudavam os outros e eu tinha o meu irmão mais velho, tinha irmão formado, tinha muita gente que me ajudava, de modo que eu dava aulas porque gostava e também porque ganhava um dinheirinho.” O mesmo é percebido quando fala sobre a época em que atuava como engenheiro da CEMAT e como professor da UFMT: “Achava bom o convívio no ambiente acadêmico;” “Achava que ensinar era bom para mim porque me atualizava, estudava um pouco mais. Sempre gostei de dar aulas pensando em aprender mais,” e “Eu sempre senti muito prazer em dar aula, gosto.”

Notei que o professor Pedro Paulo, até este ponto do seu relato, quando fala sobre a atuação dos seus professores no curso de graduação e sobre a sua própria atuação no curso de Engenharia Elétrica da UFMT , fala em dar aulas e não em ser professor.

Conforme o que é criticado por Pimenta e Anastasiou, na última fala do professor Pedro Paulo citada aparecem novamente indícios do profissional que atua na docência superior como uma concessão, como um favor: “nós, engenheiros da CEMAT, fomos convidados para dar a parte técnica do curso. [...] Então, no ano de 1980, atendi a esse chamado da Universidade Federal.”

A fala: “nós, engenheiros da CEMAT, fomos convidados para dar a parte técnica do curso. A parte básica já existia”, mostra que os engenheiros-professores normalmente ficam responsáveis pelas disciplinas de formação específica da área profissional da engenharia, ficando as de formação básica para os professores formados nos cursos de licenciatura ou bacharelados em matemática, física e química.

A afirmação: “O meu contrato inicial na UFMT era de vinte horas, porque continuei trabalhando na CEMAT” confirma o que foi colocado anteriormente neste trabalho, isto é, que os professores que estão contratados no regime de vinte horas têm outro vínculo empregatício.

O tipo de professor que cada docente da educação superior almeja ser depende da sua visão de mundo. O professor Pedro Paulo tinha a visão, ou o entendimento, de que para ser um bom professor era preciso estar atuante no mercado de trabalho: “Quando aposentei na CEMAT, em 1997, me convidaram para passar para o regime de dedicação exclusiva na

UFMT, mas eu ainda resisti um pouco a isso, porque tinha uma visão de que a engenharia e o ensino deveriam caminhar juntos.” Esta visão foi construída a partir das suas vivências como aluno do curso de graduação, quando observava e tinha admiração por alguns professores que, além de dar aulas, eram profissionais bem sucedidos no mercado de trabalho. Chamo a atenção para o fato de que, mesmo valorizando muito a experiência prática profissional, em nenhum momento ele abordou a questão da experiência prática na atividade docente, focando a sua preocupação com a experiência prática apenas na área de engenharia.

Após ter se aposentado na CEMAT, o professor Pedro Paulo resistiu a passar para o regime de dedicação exclusiva durante quatro anos, tendo passado para este regime em 2001, conforme relata: “Em 2001, passei para o regime de dedicação exclusiva na universidade e, então, pude me dedicar mais à carreira de professor.” Quando falou sobre o seu ingresso na UFMT, relatou: “Nessa época, além de mim, mais cinco engenheiros da CEMAT foram contratados como professores na UFMT. Entramos sem precisar fazer concurso, foi por convite.” Como atualmente no quadro de professores do Departamento de Engenharia Elétrica tem quatro professores no regime de vinte horas, provavelmente dos seis engenheiros da CEMAT que ingressaram na UFMT na mesma época que o professor Pedro Paulo, apenas dois passaram para o regime de dedicação exclusiva.

Retomo algumas falas do professor Pedro Paulo, que já foram citadas anteriormente, porque entendo que as mesmas suscitam outras reflexões. Com relação à fase em que já estava no regime de dedicação exclusiva, afirmou: “Em 2001, passei para o regime de dedicação exclusiva na universidade e, então, pude me dedicar mais à carreira de professor;” “Hoje, quando me perguntam sobre a minha profissão, digo que sou professor da Universidade Federal de Mato Grosso” e “Hoje me considero mais professor.” Essas três

No documento QUANDO ENGENHEIROS TORNAM-SE PROFESSORES (páginas 116-132)