2.4. Análise do Jogo
2.4.6. Scouting: análise da equipa adversária
A análise da equipa adversária, actualmente denominada de Scouting, é outra das formas pelas quais os clubes tentam complementar a sua preparação para as competições.
De acordo com o Dicionário de Inglês/Português da Porto Editora (2008),
scouting reporta-nos para o acto de observar, explorar. Este é um termo
comummente utilizado pelos autores anglo-saxónicos (Moutinho, 1991), que em português é conotado como observação (Lopes, 2005).
Segundo Lopes (2005), scouting é uma modalidade particular de observação-análise que tem como principal intenção dotar o treinador de informações precisas sobre o adversário contra quem irá jogar. Para Carling (2005) o scouting permite traçar um perfil da equipa adversária, de forma a os conhecer melhor.
De acordo com Lopes (2005), as informações recolhidas pelo scouting acarretam vantagens para o treinador, uma vez que o capacita para o desenvolvimento estratégico-táctico de um jogo, tirando partido das informações recolhidas, permitindo-lhe preparar a equipa de forma a esta (a equipa) estar mais preparada para resolver eficazmente os problemas resultantes do jogo.
Garganta (1998) acrescenta que com o scouting permite explorar os pontos fracos do adversário assim como tentar contrariar os seus pontos mais fortes.
Segundo o mesmo autor, o estudo da estrutura básica, do estilo de jogo e das características fundamentais do adversário, são hoje em dia fundamentais no futebol de forma a, e de acordo com Franks et al. (1998), prever a
performance dos mesmos.
A esse respeito, a transmissão da informação recolhida pela análise do jogo, uns dias antes da competição (Pacheco, 2005), provoca na equipa uma sensação de grande segurança e confiança nas suas capacidades (Martins, 2000).
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Cunha (1998) refere que os dados observados, aquando da análise uma equipa adversária, são posteriormente utilizados para a construção de um plano de jogo, de forma a procurar atingir a vitória na competição.
Concordamos que este conjunto de aspectos trazem inúmeras vantagens a um treinador, e consequentemente a uma equipa. Se uma equipa se conhecer bem a ela própria e aliado a isso ainda tiver um conhecimento acerca das características da equipa que irá defrontar, com certeza que terá possibilidades de estar melhor preparada para a enfrentar.
Para se obter esse conhecimento, e para que esse se constitua como concreto, de acordo com um estudo de Lopes (2005), há a necessidade de se observar a equipa adversária, pelo menos, quatro vezes.
Relativamente ao Futebol de Formação, não nos parece uma situação fácil, realizar esse número de observações, uma vez que, por exemplo, em simultâneo com o jogo da equipa a observar, normalmente decorre também o jogo da equipa que pretende realizar essa observação. Daí que a solução aparente será esta ter a necessidade de ter “alguém” não envolvido no jogo da equipa (pelo menos directamente), que realize essa observação.
A este propósito, segundo Comas (1991) o treinador deverá enviar um observador para realizar essa acção, isto apesar de Lopes (2005), no seu estudo, ter chegado à conclusão que é importante a presença do treinador principal, nessa observação. Contudo, de acordo com o mesmo, isso nem sempre é possível, mas sempre que seja é preferível ser ele a realizar a acção de observação da equipa adversária, uma vez que ninguém melhor que ele saberá o que é fundamental que se observe.
No entanto, uma outra conclusão do estudo de Lopes (2005) refere que, apesar do treinador adjunto ser quem mais vezes realiza a observação da equipa adversária, é cada vez mais comum existir um elemento com essa função específica – o observador/analista. Concluindo esta ideia, de acordo com os autores referidos, parece ser um dado adquirido que quem deverá realizar esta função, sempre que possível é o treinador principal de equipa. Não se constituindo como viável esta solução, este deverá enviar um observador, com as mesmas funções, sendo esta a tendência actual. De
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acordo com Oliveira Silva (2006), o observador assume-se, normalmente, como uma pessoa pouco próxima da equipa técnica que apenas observa e faz chegar ao treinador a informação da equipa adversária.
Contudo, na opinião de Lopes (2005), o observador, é quem melhor conhece as equipas adversárias e nesse sentido constitui-se como vantagem este fazer parte da equipa técnica. Por isso, pensamos que a ideia de Oliveira Silva (2006), na qual afirma que este pode e deve fazer parte da equipa técnica e ter opinião acerca do processo de treino, é a mais apropriada para a situação. Concordamos também com Comas (1991) que este deverá ser uma pessoa da confiança do treinador.
Concluindo, de acordo com Carling (2005) existe um maior número de treinadores a conceder mais importância ao jogo da sua equipa do que ao do adversário com quem irão jogar. No fundo, o que este autor refere é que os treinadores valorizam mais a análise do jogo referente à sua equipa e ao desenvolvimento do seu jogo do que ao scouting, apesar de o realizarem.
No fundo, e concordando com Castelo (2004, cit. por Oliveira Silva, 2006), existem dois tipos de treinador (no que diz respeito a este assunto):
• Os treinadores que, independentemente da equipa adversária não estabelecem qualquer tipo de modificações na funcionalidade geral e especifica da sua equipa, procurando manter estável os padrões de jogo da sua equipa;
• Os treinadores que dão mais importância à expressão táctica da equipa adversária, procurando adaptar a funcionalidade geral e específica da sua equipa a essas mesmas características dos adversários, de forma a tentar criar condições o mais desfavoráveis possíveis a estes últimos.
Portanto, cada treinador terá a sua posição e nosso estudo tentaremos entender como se processam estes factos num clube de referência na Formação.