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Sensing – Surfando a onda da Transformação Digital

5.1 DESCRIÇÃO DOS DADOS

5.1.2 O 4º Período de Alfa e a Transformação Digital: de 2012 a 202

5.1.2.1 Sensing – Surfando a onda da Transformação Digital

Conforme mencionado, entre os anos de 2007 e 2011, a Alfa passou por um período de rápida expansão internacional e profissionalização dos serviços. A partir de 2012, o plano de crescimento da empresa se mantém, porém, o foco agora passa a ser a aquisição de empresas de inovação e tecnologias digitais como parte do processo de transformação digital da multinacional de TI.

Um dos entrevistados relembra que, em 2012, a empresa participou de um evento de tecnologia na Alemanha que despertou sua atenção para a transformação digital: “muita coisa ali dava uma ideia de adoção rápida e falava que essas coisas

iriam transformar o mundo, vão transformar o mercado, transformar o consumidor. Então, a gente tem que entrar rápido nisso para poder surfar essa onda” (E7). O

entrevistado acrescenta que, a partir da análise do mercado, a gestão entendeu que a transformação digital se tornaria uma tendência:

Então, lá em 2012, analisando o mercado, analisando as novas ondas que começaram a surgir de novas tecnologias, elas caminhavam para as tecnologias digitais, nós víamos assim, essa transformação vai ganhar forma, essa onda vai crescer e em um dado momento tudo vai ser entregue para o usuário em uma plataforma móvel, em serviços rápidos, em coisas que encurtem os caminhos e deixem de ser manualizadas (E7).

Desse modo, a identificação da necessidade das empresas de fazer uma transformação digital foi uma mudança que ocorreu no ambiente e sua constatação pode ser atribuída à rotina de monitoramento das tendências de mercado realizado pela Alfa, que nesse período apresenta-se ainda mais desenvolvida.

A partir do acompanhamento das transições mercadológicas, os gestores também notaram que com o crescimento das empresas baseadas em plataformas, houve uma mudança na maneira de se fazer negócios, levando parte de seus clientes de setores como o bancário, telecomunicações e grandes redes de varejo a se preocupar com o avanço dos novos concorrentes. A Alfa, então, identificou novas necessidades de seus clientes:

A transformação digital é uma coisa que todos os grandes bancos, as grandes empresas, tudo que a gente está vendo no mercado com o advento dessas plataformas que foram criadas, que estão sendo criadas baseadas em redes sociais, baseadas em experiência do usuário, em Customer Experience, tudo isso está mudando muito rápido a nossa forma de fazer negócios. E não só da Alfa, mas do mundo inteiro, de todas as pessoas, de todas as empresas. E as grandes empresas que normalmente são os nossos clientes estão muito preocupados com esse movimento que está acontecendo, os grandes bancos eles têm uma preocupação muito grande de estar nesta onda porque como eles têm uma estrutura muito pesada e uma estrutura muito baseada em coisas tradicionais, em regulamentações, quando começa a ter esse movimento muito forte que é formado por empresas de plataformas, por fintechs, por todo esse grande advento aí das redes sociais, os bancos estão percebendo que se eles não se moverem muito rápido, eles ficam fora. E assim como os bancos, as grandes operadoras de telecomunicações, as grandes empresas de varejo. Então, esse movimento é um movimento que está vindo tanto por parte dos grandes fornecedores quanto por parte dos clientes que estão buscando. Então, existe uma fusão de interesses nesse meio, e isso acaba fazendo com que empresas como a Alfa se movimentem, e nós estamos nos movimentando muito rápido (E2).

Entretanto, mais do que uma mudança tecnológica que afetava seus clientes, a Alfa também percebeu que a transformação digital exigia da empresa a readequação do seu modelo de negócio, “entendeu que tinha que fazer uma

adaptação muito grande nos serviços que ela tinha” (E8). Portanto, o fato de a

empresa estar “constantemente questionando seu modelo de negócio de mercado e

qual a sua saída para sobrevivência” (E8), ajudou com que a empresa reconhecesse

a necessidade de reconfiguração estratégica:

[...] quando a gente olha, vê que o meu modelo de negócio daqui uns anos vai conseguir sobreviver do jeito que ele está, a grande maioria não, o nosso também não, quando começa a ver como a gente oferecia serviço, começa a olhar que precisa robotizar, colocar experiência, no meu trabalho

atual começo a colocar mais soluções, tecnologia embarcada, para não morrer como outras empresas já morreram. Apesar de sermos uma empresa de tecnologia, é importante que, aí não tem a ver sobre ser ou não ser uma empresa de tecnologia, mas ter muito claro a estratégia de sobrevivência do mercado (E8).

Ao relatar como a Alfa identificou a mudança no ambiente e percebeu que precisava se readequar, o fundador e CEO destaca que as diversas experiências anteriores com mudanças econômicas, tecnológicas e mercadológicas contribuíram para que a empresa identificasse o movimento de mercado em direção à transformação digital:

Na prática, obviamente, vem da experiência de ter sofrido várias transformações em que a gente percebe que se a gente não se mexer a gente morre, né. [...] Ao longo desses trinta anos, muitas empresas de TI foram morrendo ao longo dessas mudanças, né? Então, eu acho que essas mudanças, talvez essa decisão, venha um pouco mais da experiência, né? Vamos dizer assim [...] gato escaldado tem medo de água fria, quer dizer, já sofreu por outros movimentos (E1).

A partir dos relatos dos entrevistados, destaca-se que a identificação de oportunidade da transformação digital envolveu ações organizacionais de monitoramento das tendências de mercado, participação de eventos internacionais sobre tendências tecnológicas, identificação das necessidades dos clientes e constante questionamento do modelo de negócio. Tais atividades podem ser entendidas como ações de sensing subjacentes às capacidades dinâmicas desenvolvidas ao longo do tempo.