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Técnicas e procedimentos na recolha de dados

V ários m étodos têm proliferado no cam po da investigação, co m o objectivo de recolher e analisar dados de n atureza qualitativa (Patton, 1990). N este âm bito, com várias técnicas à disposição para realizar um estudo, resolvem os reco rrer à entrevista sem iestruturada, à observação directa e à pesquisa de docum entos (M errian, 1988), com o objectivo de recolher inform ação para responder às questões de investigação. Ao recorrerm os a m últiplas fontes d e evidência pretendem os dar m aior consistên cia ao estudo.

N o dia 24 de O utubro de 2005 entregam os um pedido de autorização p ara realizar a nossa investigação (anexo I), no d ia 26 foi dada a autorização pelo C on selh o Pedagógico da escola em causa, p ara se pro ceder ao presente estudo (anexo II). A pós a autorização, no dia 12 de N ovem bro falám os sobre a nossa investigação com os d ois professores que leccionam a disciplina de D esenho-A do 10° e do 11° ano de escolaridade que se dem onstraram disponíveis e interessados em participar no estudo. F alám os, igualmente, co m os alunos das duas turm as de A rtes que, tam bém , m ostraram in teresse em participar no estudo.

A recolha dos dados com recurso a três técnicas decorreu em sim ultâneo, entre Janeiro e A bril de 2006. Seguidam ente, irem os abordar algum as con cepções teóricas sobre as técnicas utilizadas neste estud o que, posteriorm ente, perm itirão efectu ar a análise de conteúdo.

Entrevista

A entrevista é, neste estudo, a técnica principal que perm ite estu d ar o nosso caso em am plitude e em profundidade. C ontudo, para com preenderm os m e lh o r a im portância da entrevista no seio da investigação, m ostram os algum as p ersp ectiv as de autores conceituados. A ssim , K etele & R oegiers (1993, p.22) advoga q u e “ a entrevista é um m étodo de recolha de inform ações que consiste em conversas orais, individuais ou de grupo, com várias pessoas seleccionadas cuidadosam ente, a fim de o b te r inform ações sobre factos ou representações, cujo grau de pertinência, validade e fiabilidade é analisado na perspectiva dos objectivos da recolha de inform ações” . Cohen e M an io n (1990) indicam que a entrevista é um a técnica de investigação que tem com o objectivo recolher inform ação, visando os objectivos pretendidos. N este sentido, B ogdan e B liken (1994) referem que a entrevista é um m étodo de recolha de dados que assen ta n a representação e opinião do entrevistado sobre u m a m atéria relevante para a pesquisa.

O ra, estes autores sugerem , tam bém , que este recurso perm ite colher inform ações claras e precisas sobre um determ inado fenóm eno, de form a oral e directa entre os indivíduos. A crescentam os que, se por um lado, ficam os a conhecer o quadro conceptual do entrevistado, po r outro recolhem os inform ação e tom am os co nhecim ento do fenóm eno que pretendem os estudar (Estrela, 1994).

N este processo em que a entrevista coloca em contacto directo investigador e entrevistado p ossib ilita obter inform ação que não é possível o bserv ar directam ente, perm itindo, assim , aceder a factos e a conhecim entos através de quem viveu ou observou um determ inado fenóm eno (Q uivy e C am penhoudt, 1995). S eidam (1991) reforça, ainda, que esta perm ite adquirir dados válidos e fiáveis.

A profundando m ais o assunto, um a entrevista pode ser caracterizada pelo grau de liberdade que o entrevistador d á ao interlocutor (A lbarello, 2003), m ais especificam ente, a entrevista pode ser directiva, sem idirectiva e não directiva. P o r exem p lo, Q uivy & C am penhoudt (1995) e A fonso (2005) referem que a en trevista m ais u tilizada em investigação social é a sem idirectiva / sem iestruturada pois não é totalm ente aberta, nem dirigida por um núm ero de perguntas precisas. Face ao exposto, optam os po r um a entrevista sem iestruturada dado que esta perm ite m aior flexibilidade, isto é, construím os um a série de perguntas guias, relativam ente abertas para que o entrevistado p o ssa estruturar o seu pensam ento.

Para a construção do guião da entrevista aos alunos e professores, recorrem os a um a pesquisa assente em estudos realizados po r Estrela (1994) e por R odrigues (2002). Segundo Bogdan & B iklen (1994), o guião num a entrevista qualitativa perm ite ao investigador recolher tópicos e dados sobre a perspectiva do outro. Porém, “o guião deve ser construído a partir das questões de pesquisa e eixos de análise do projecto de investigação” (A fonso, 2005, p.99).

M as, p ara o sucesso da entrevista é necessário definir os objectivos que se pretende atingir, os tópicos ou os itens e algum as questões de orientação (Estrela, 1994 e A fonso, 2005). N esta sequência, referim os que a m atriz da nossa entrevista está organizada em blocos e contem pla tanto os objectivos gerais com o os específicos que pretendem os alcançar e os restantes aspectos acim a referenciados. Com este instrum ento, pretendem os: (i) recolher dados que perm itam com preender o modo com o a internet afecta a aprendizagem e a criatividade na disciplina de Desenho-A, (ii) obter dados passíveis de identificar indícios de inovação e m udança na disciplina de D esenho-A , provocados pela inserção da internet no currículo. Face ao anteriorm ente exposto, o guião p ara os alunos

(anexo III) e p ara o s professores (anexo IV) foi estruturado de acordo com os seis blocos seguintes:

Bloco A: L eg itim ação da Entrevista;

Bloco B: P osicionam ento do aluno e do professor face à internet; Bloco C: in tern et na disciplina de D esenho-A ;

Bloco D: Im p o rtân cia d a internet na aprendizagem e na criatividade; Bloco E: R elação entre internet e Inovação C urricular;

Bloco F: V alid ação da Entrevista.

E m sum a, a en trev ista com o form a de recolher inform ação está sem pre associada a um m étodo de an álise de conteúdo. Pretendem os, assim , com preender a form a com o um a experiência edu cacion al assente na internet é interpretada pelas pessoas que a viveram .

Observação

O utra técn ica que utilizam os no nosso estudo é a observação. E sta constitui, tam bém , um a im portante té c n ic a de recolha de dados. O ra, o que sabem os é que observar im plica um procedim ento m etodológico sobre um objecto p ara dele recolher inform ação (D am as & Ketele, 1985). A ssim , p ara com preenderm os o que é a observação, irem os apresentar algum as definições. Q uivy & C am penhoudt (1995) consideram que a observação é um método “baseado n a observação visual ( ...) que captam os com portam entos no m om ento em que eles se p ro d u zem ” . D am as & Ketele (1985, p .l 1) indicam que “ a observação é um processo cuja fu n ção prim eira ( ...) consiste em recolher inform ações sobre o objecto tom ado em con sid eração , em função do objectivo organizador” . K etele & R oegiers (1993) afirm am que a o bserv ação não só conjuga, com o se apoia nos sentidos, falam , então, da audição, do tacto, do olfacto e do gosto. M as, não podem os esquecer que “ na investigação científica a ob servação é concebida em função de um quadro teórico d e referência” (idem , 1993, p.23). E strela (1994) sugere que a observação naturalista, assen te na observação sistem atizada, recolhe percepções do m eio natural, com a finalidade de descrever e quantificar o co m portam ento e a conduta de um indivíduo. E sta reco lh a supõe um a actividade de codificação, pois a inform ação bruta é traduzida graças a um código refere o mesm o autor. A fo nso (2005, p.91), indica que a observação com o técn ica de recolha de dados é precisa e válida, dado que “a inform ação obtida não se en co ntra condicionada pelas opiniões e pontos de vista dos sujeitos, com o acontece nas entrevistas” . Segundo Tuckm an (2002, p.523), “ se a observação significar apenas exam inar o am biente através de um

esquem a geral, p ara nos orientar e, se o produto de tal observação for notas de cam po, a investigação é q u alitativ a” .

V erificam os, tam bém , que a observação pode ser de longa ou de curta duração e recorrer ou não a grelha de registo e ser ou não estruturada (A fonso, 2005). A ssim , nesta investigação, a observação é feita através de registo escrito, com recurso a um a grelha concebida previam ente a partir das grelhas do investigador E strela (1994) (anexo V). C onsideram os, então, a técn ica de observação estruturada na m edida em que tem em conta os objectivos e as questões d a investigação. Para facilitar a observação elaboram os, tam bém , a p lanta d a sala dispondo as m esas, as cadeiras, os com putadores, o professor, os alunos e o ob servad or qu er do 10° com o do 1 I o ano (anexos V I e VII).

Enfim , a o bservação é um processo m uito com plexo e fundam ental p ara estudar e perceber a actividade hum ana. A través da observação, são recolhidos dados das aulas de D esenho-A, onde os alunos e o professor lidam com a internet. N o presente estudo, a observação é d irecta, intencional, distanciada, contínua e não participante.