6.2.3 Terceira Etapa: Definir a estratégia/ Mainstreaming/Definir objectivos e Efectuar Avaliação Ambiental Estratégica
TÍTULO DA PROPOSTA/MEDIDA DE ACÇÃO Objectivo:
Identificação dos fins a atingir com a acção proposta.
Conteúdo:
Resumo do conteúdo da proposta de acção.
Tipo de Acção:
Indicação do tipo de intervenção: Estudo, plano, projecto de execução, obra, actividade organizativa, entre outros.
Instrumentos e meios a serem utilizados:
Explicitação dos instrumentos e meios a utilizar para realizar a acção.
Parceiros:
Identificação dos parceiros a envolver para a concretização da acção e descrição das responsabilidades a atribuir aos diversos parceiros, técnicos e financeiros.
Prazo de Execução:
Estimativa dos prazos necessários para implementar a acção.
Custos:
Se possível, uma estimativa dos custos e outros recursos necessários para realizar a acção.
Enquadramento em Programas de Financiamento:
Identificação de possíveis fontes de financiamento, nomeadamente de âmbito Comunitário.
Principais Pontos Fracos da Acção:
Descrição das principais ameaças à realização da acção ou dos pontos críticos a dedicar especial atenção.
Principais Pontos Fortes da Acção:
Identificação dos principais méritos, principais oportunidades e os principais apoios que potenciam a acção
objectivo é, à partida, potencialmente complexo e exigirá um investimento significativo no diálogo (Ribeiro, et al, 2009).
Cada medida/acção pode ser sistematizada numa ficha de caracterização (ver figura 20), que contenha por exemplo: a indicação dos objectivos a atingir; a explicitação clara e detalhada do conteúdo da acção e eventuais sub-acções; a informação sobre o tipo de acção, se, se trata de um plano, projecto, obra, estudo ou outro tipo de iniciativa; os instrumentos e meios a serem utilizados; os potenciais parceiros a mobilizar; uma estimativa dos prazos de execução; os custos envolvidos; possível enquadramento em programas de financiamento; e um balanço dos pontos fortes e fracos da acção.
A equipa técnica tem, na elaboração do plano de acção/operacionalização, uma das suas tarefas mais centrais. Deve, portanto, reservar recursos humanos e financeiros, assim como o tempo necessário, para a realizar cabalmente. Esses recursos podem ser gastos com as fases demasiado abrangentes de determinação dos impactes e avaliação das vulnerabilidades, e dos riscos associados às alterações climáticas, podendo não ser suficientes para esta fase de concretização das medidas.
Quando o plano de acção estiver concluído, as medidas propostas devem ser implementadas. Pode ser efectuado um lançamento público do plano de acção de forma a chamar a atenção e criar entusiasmo junto dos stakeholders para que se inicie a sua implementação. As acções deverão ser executadas através de uma conjugação entre a autoridade de liderança local e os vários stakeholders, envolvidos como parceiros de implementação (Ribeiro, et al, 2009).
6.2.5 – Quinta Etapa: Acompanhamento, Avaliação e Revisão
A avaliação do desempenho do PMAAC constitui uma etapa essencial para todos os envolvidos na sua elaboração e concretização. Avaliar e monitorizar o plano implementado, significa poder reconhecer pontos fortes e fracos, do processo e dos resultados do PMAAC. Este conhecimento vai permitir identificar boas práticas, áreas problema e corrigir e melhorar situações menos eficientes, com o objectivo de se obterem melhores resultados.
Em termos gerais, adquirem-se conhecimentos que permitem efectuar um benchmarking e possivelmente identificar metodologias e factores que influenciam (que favorecem ou dificultam) o PMAAC e, consequentemente, a concretização da adaptação às alterações climáticas a nível local. A monitorização deverá ainda avaliar até que ponto as estruturas criadas e os sistemas de informação estão a funcionar da forma mais adequada aos objectivos do PMAAC. Uma avaliação periódica do PMAAC é também essencial para incorporar nova informação sobre o clima (e outras), e reavaliar prioridades e objectivos, tornando, desta forma, a adaptação um processo interactivo. Ao iniciar esta etapa colocam-se, de imediato, um conjunto de questões: que critérios se devem adoptar para efectuar a avaliação; que metodologia deve ser adoptada; quem deve realizar a avaliação; e que consequências se devem retirar dos resultados da avaliação.
A abordagem ideal será recorrer a um conjunto de metas e indicadores. A utilização de metas e indicadores possibilitará ainda: identificar necessidades de informação/sensibilização; simular e avaliar o efeito de diferentes alternativas; identificar tendências; entre outros (Ribeiro, et al, 2009). Os objectivos e as metas definidos e identificados na terceira etapa podem ser utilizados para avaliar, regularmente, os progressos registados na execução de estratégias de adaptação e medidas. Duas categorias de indicadores podem ser definidas (Ribeiro, et al, 2009):
Indicadores com base no processo – são concebidos para avaliar o progresso na construção de capacidades adaptativas;
Indicadores baseados em resultados – são projectados para medir a eficácia das políticas de adaptação e avaliar a obtenção dos resultados pretendidos, sendo principalmente expressos em termos de redução de vulnerabilidade.O progresso deve ser avaliado com base em critérios de “mal adaptação”. É essencial para verificar se existem, ou não, quaisquer efeitos secundários imprevistos, resultantes da execução de medidas de adaptação.
Responsabilidades claras, ao nível da monitorização, devem ser acordadas e atribuídas. É provável que o grupo de trabalho assuma a liderança nesta tarefa, mas, outros órgãos e stakeholders, podem estar envolvidos.
Por exemplo a avaliação pode efectuar-se com a colaboração activa de uma entidade técnica externa, competente e isenta, no sentido de apoiar todo o processo e de o fazer de forma neutral. Essa entidade externa pode, eventualmente, ser a equipa de consultores externos, mas,
unicamente, se os critérios de avaliação forem totalmente transparentes e previamente acordados. Esta situação pode apresentar vantagens, pelo conhecimento directo e interno do processo, mas pode também ter inconvenientes, uma vez que a equipa de consultores externos é, de algum modo, uma parte interessada e envolvida nas etapas anteriores.
Quanto à administração central, na avaliação destes processos, eminentemente locais – e mesmo nos casos em que esta financia parte da elaboração do PMAAC e,, por tal, queira garantir um certo controlo de qualidade – esta deverá, caso intervenha, assumir um papel de dinamizadora e facilitadora do processo, e não, propriamente, de entidade fiscalizadora ou penalizadora.
Uma outra forma de avaliar a implementação do PMAAC, pode ser, simplesmente, verificar o grau de concretização de cada uma das acções previstas e depois agregá-las em termos globais. A avaliação e revisão devem seguir os princípios da tomada de decisão participativa e procurar envolver um amplo leque de interessados. Assim, a monitorização do processo deverá ser tornada pública, a fim de que toda a comunidade possa saber a qualquer momento (com uma periodicidade razoável de, por exemplo, um ano) que progressos estão efectivamente a ser realizados.
A concretização das acções deve ser utilizada como um “tónico” para reforçar a adesão. Deve reconhecer-se o trabalho de todos os actores envolvidos e fazê-los sentirem-se parte do processo de adaptação às alterações climáticas.
Devem, pois, ser publicados regularmente relatos de acções implementadas, no âmbito do PMAAC e dos progressos alcançados. A medição e a publicação dos resultados é um meio de conceder visibilidade pública e de motivar os agentes locais a manterem ou aumentarem o seu empenhamento no processo.
As lições devem ser aprendidas e os sucessos comemorados e compartilhados com outros municípios. O processo de PMAAC é interactivo, o que significa que, as fases iniciais devem ser repetidas após a fase de avaliação e revisão, com base nos resultados da avaliação, as vulnerabilidades e riscos devem ser reavaliados, o que poderá implicar, uma reavaliação dos objectivos, medidas e da estratégia de implementação, para que se complete o ciclo (Ribeiro, et al, 2009).
No Anexo XII apresenta-se um esquema com todas as etapas da metodologia proposta para a elaboração de um PMAAC.