• Nenhum resultado encontrado

A revisão da literatura e as proposições teóricas evidenciaram a complexa relação existente entre o consumo na sociedade contemporânea, que reflete transformações constantes e profundas, e a produção de bens maduros baseados em plataformas padronizadas de manufatura e em inovações incrementais. Tal aspecto aponta para a necessidade de uma atuação mais estruturada do design no estágio de maturidade do ciclo de vida da indústria.

Neste contexto, serão apresentados neste capítulo os resultados da pesquisa, tanto aqueles que respondem aos objetivos estabelecidos na introdução, quanto aqueles que emergiram do processo de pesquisa e mostraram-se relevantes para o estudo a que esta tese se propõe.

Mais do que conclusões, são proposições, discussões e reflexões. Serão apresentados: relações em mutação que envolvem bens de consumo, tecnologias e princípios culturais; proposição de um espaço de pesquisa e das Capacidades Dinâmicas do Design Estratégico; resultados resumidos sob a perspectiva dos objetivos propostos originalmente e finalmente, os eixos focais da Gestão do Design no estágio de maturidade da indústria.

6.1.

Relações em mutação

Valorizar as relações dialógicas entre o ambiente acadêmico e o setor produtivo era uma das contribuições esperadas desta tese. Nesse sentido, a realização de uma etapa empírica do método de Design Science Research apoiada pela Matriz Analítico-Criativa de Design Estratégico permitiu uma aproximação com uma indústria que passa por um momento crítico. Mas, principalmente, possibilitou identificar que as relações entre bens de consumo, tecnologias e princípios culturais estão em mutação.

Inovar é fundamental no momento em que o futuro da Indústria Brasileira de Tapetes e Carpetes depende da sua capacidade de enfrentar os desafios de um

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

setor maduro. O futuro está indefinido e até a tendência de declínio pode ser questionada. Porém, mesmo considerando a hipótese mais otimista, é possível antever a necessidade de essa indústria empreender esforços de revisão estratégica.

Quanto à categoria de produto “carpete”, pode-se especular como se poderia projetar um produto inovador considerando as tecnologias dominantes; assim como, levando em conta as estratégias emergentes, pode-se perguntar em que o carpete pode se transformar. Tais conjecturas são relevantes para a indústria brasileira avaliar a posição estratégica que deseja ocupar na cadeia de valor nacional e global. Embora o estudo de caso único utilizado na pesquisa não seja suficiente para confirmar a validade do modelo, foi possível fazer inferências sobre trajetórias promissoras para desenvolvimentos futuros no que se refere a produtos, princípios culturais e tecnologias.

Para o setor têxtil em geral, fibras e fios provavelmente deverão permanecer como unidade constitutiva básica por mais algum tempo. Contudo, não se pode prever por quanto tempo. Experiências inovadoras orientadas para o desenvolvimento de novos processos e de materiais híbridos indicam a possibilidade de alterações profundas no conceito de produtos têxteis e, possivelmente, o surgimento de modelos de negócios alternativos. Assim, parcerias intersetoriais apontam para a construção de benefícios mútuos, tanto para a indústria têxtil, quanto paras as outras envolvidas, devido às possibilidades existentes na convergência de conhecimentos e capacidades essenciais à ação estratégica em novos ambientes competitivos.

Particularmente para a indústria de revestimentos têxteis para pisos, percebe-se que ela se encontra em uma situação desafiadora quanto à percepção do consumidor; e pode-se pressupor que o carpete somente deixará sua condição de desvantagem em relação aos seus substitutos se for capaz de oferecer aos possíveis consumidores as ideias de conforto, saúde, limpeza e qualidade de vida.

Com a aplicação da matriz, pode-se afirmar que os materiais têxteis permanecem como uma base para o mundo físico e material; porém, percebe-se o seu potencial de ressignificação por meio de experiências inovadoras e capazes de alterar as fronteiras entre indústrias distintas.

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

Em relação a casa como um ambiente físico, fica evidente a inevitabilidade de abordá-la como algo móvel e mutável, evocando ponderações sobre a criação de um senso de habitar expandido e híbrido – físico e virtual.

Nessas circunstâncias, o design depara-se com novas situações, muitas vezes contraditórias, como: “estar” em casa ou “sentir-se” em casa; integrar sem invadir; deixar de ser local íntimo e privado – santuário da família – e passar a ser lugar público e social, de exposição constante; harmonizar descanso e prazer com autonomia e eficiência; abrigar experimentações criativas não só nas funções estéticas, mas na concepção de novas práticas sociais. Isso sem julgar princípios culturais emergentes como prejudiciais ou ameaçadores, mas apenas como diferentes de contextos anteriores. E ainda, cabe ao design refletir sobre a necessidade de se projetar para zonas indefinidas e fronteiriças entre as duas experiências – sentir-se ou estar em casa – não somente para condições fixas e específicas.

Quanto à tecnologia, a hibridização entre indústrias é uma estratégia a ser considerada devido ao seu potencial criativo. Materiais híbridos serão projetados para atender novas demandas, e as limitações possivelmente estarão relacionadas à capacidade de investimento das empresas, à aceitação dos consumidores e à imaginação dos designers. O uso compartilhado de tecnologias produtivas exógenas possui potencialidade para provocar mudanças estruturais nas indústrias, exigindo reflexões estratégicas sobre o que transcende o campo de atuação tradicional de determinado setor, sobre as novas possibilidades de geração de valor conjunto e sobre o que tudo isso acarreta para o design.

A área de atuação do design expande-se e indica a necessidade de ele assumir novas posturas para extrapolar melhorias pontuais e favorecer a inovação radical, como a capacitação de profissionais com perfil generalista e o compromisso com o fomento à concepção de indústrias menos especializadas e mais descentralizadas. Sobretudo, é preciso considerar a interação entre o design e outros campos do conhecimento para abordar os contextos presente e emergente e para elaborar visões para o contexto futuro.

Nesse sentido, a experiência profissional da autora da tese na indústria utilizada no estudo de caso contribuiu na medida em que: (1) favoreceu a busca e o aprofundamento sobre o conhecimento específico do setor; (2) permitiu comparar percepções anteriores à pesquisa com os resultados obtidos na aplicação

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

da matriz. Por um lado, foi possível confirmar a noção quanto à necessidade de se ampliar os horizontes do setor têxtil e tornar seus contornos permeáveis a interações com indústrias mais afeitas à inovação. Por outro lado, o conhecimento prévio da pesquisadora não foi essencial para fase de elaboração das visões e a proposição de cenários. Ao contrário, há de se considerar a possibilidade de ele ter limitado o processo criativo ao resgatar - de modo não consciente - condicionantes arraigados na indústria têxtil. Mas, acima de tudo, o know-how anterior sobre a indústria em foco possibilitou reconhecer o significativo potencial de inovação que a acumulação criativa do conhecimento é capaz de proporcionar.

6.2.

Espaço de pesquisa e capacidades do Design Estratégico

A complexidade do mundo contemporâneo provoca o surgimento de diferentes contextos, impondo novos desafios ao design. Nesse sentido, o design é uma força transformadora ao perceber mudanças e reconhecer oportunidades. Para isso, ele sustenta-se em investigações de Design Estratégico de naturezas diferentes e complementares. Elas acontecem em um espaço de pesquisa em permanente construção, aqui proposto e composto por contextos temporais e Capacidades Dinâmicas baseadas em conhecimento.

Os contextos temporais – passado, presente, emergente e futuro – não são compreendidos sob uma visão clássica do tempo, isto é, como uma sucessão de acontecimentos. As partições temporais nas atividades de Design Estratégico aqui propostas são camadas que se sobrepõem e permitem intervenções simultâneas. O contexto emergente e o contexto futuro merecem explicação, pois podem ser percebidos de modo ambíguo.

Assim, amplia-se o conceito apresentado no Quadro 11 (página 103) e define-se contexto emergente como referências acerca de um futuro próximo e que aponta tendências latentes, já identificadas em outros campos do conhecimento e em outras indústrias. Esse contexto – o emergente – apresenta interface com o presente e pode ser percebido como a fronteira mais próxima entre o designer, a organização e o futuro. Ele é um amanhã presente, parcialmente determinado, orientado para possibilidades ainda a serem exploradas. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

Já o contexto futuro, caracterizado anteriormente como um espaço de referências acerca de um tempo a acontecer sob uma perspectiva mais remota do que o emergente também pode ser complementado. Organizações que investem na compreensão e na elaboração do contexto futuro distanciam-se de outras que não empreendem nenhuma ação sobre esse horizonte em expansão. Trata-se de um contexto indeterminado, imprevisível, orientado para potencialidades e, como uma miragem no horizonte, não tem os seus contornos definidos, pois quanto mais a atividade projetual se aproxima dele, mais ele avança.

Esses contextos temporais são configurados pela leitura do ambiente externo realizada pelas Capacidades Dinâmicas baseadas em conhecimento. Três delas são derivadas de um agir projetual do Design Estratégico de Zurlo (2010): ver, prever e fazer ver. Nesta tese, adicionou-se o rever como uma capacidade relevante. Cada uma delas será definida com base na relação com os seus respectivos contextos temporais porque a percepção e a leitura o ambiente organiza-se em termos de uma temporalidade.

Ver

Capacidade orientada para o contexto presente e o contexto emergente. Seu propósito é compreender as dimensões existentes da oferta em foco porque para mudar e necessário conhecer o que se quer mudar. Mas também tem por objetivo identificar tendências latentes, ampliar a área de leitura e perceber o que já está acontecendo, mas está fora do radar da indústria.

Antever

Prever, associado à perspectiva de Zurlo (2010), é alterado para antever. Isso porque antever está mais alinhado com a ideia de antecipar (Poli, 2010, 2017) e, nesta tese, é considerada mais adequada à ação do Design Estratégico porque está associada a ver antes, contemplando a influência do pensamento presente e habilitado por conexões com o passado. Antever é uma capacidade orientada para o contexto futuro, mas com o propósito de atuar no presente.

Rever

Capacidade proposta nesta tese para compor com as outras Capacidades Dinâmicas baseadas em conhecimento orientadas para o Design Estratégico ao

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

focar no contexto passado. Trata-se de ver de novo, fazer releituras e reinterpretações. Não apenas fazer registros. Como já havia sido apontado, rever permite identificar causas, recuperar patrimônios e descartar dados desnecessários para o projeto.

Fazer ver

Capacidade que atua nos quatro contextos. Seu propósito é tornar visível o pensamento de design em todas as etapas de pesquisa do Design Estratégico. Ela permite que o design faça os agentes interessados no processo verem aspectos que não estão tangíveis. Portanto, ela também favorece o questionamento da validade das alternativas e contribui para a tomada de decisão.

Transver

Especula-se que o potencial do Design Estratégico será aumentado com a utilização das quatro capacidades sugeridas, mas se supõe que haja uma lacuna: uma Capacidade Dinâmica que permeie todos os quatro contextos temporais e tenha o compromisso com as outras capacidades, mas seja autônoma quanto ao seu potencial imaginativo, como é apresentado na Figura 25 (página 179).

Uma capacidade que considere a possibilidade – utópica – de se poder redesenhar o mundo e seus objetos. Assim, propõe-se a quinta Capacidade Dinâmica baseada em conhecimento para o Design Estratégico: transver. O termo que dá nome a esta capacidade proposta foi inspirado em um verso do poema “As lições de R. Q.”, epígrafe desta tese, de Manoel de Barros. Trata-se de um dos poemas do Livro sobre nada (2016). No poema, lê-se: “É preciso transver o mundo.” Transver está associado a ver além, a imaginar, a não se limitar. Desse modo, a capacidade de transver – no âmbito do Design Estratégico – diz respeito a elaborar uma visão de indústria e de mercado, no qual o design está comprometido com uma agenda de mudanças sistêmicas orientadas para formas mais positivas de se produzir e de consumir.

Como proposição, entende-se que cabe ao transver atravessar os contextos temporais – porque todos têm o seu propósito – mas com uma orientação para o futuro ao imaginá-lo com uma autonomia que não é permitida ao antever. Isso porque se pressupõe que transver deva quebrar barreiras do possível e inspirar. Libertar o pensamento criativo não significa abdicar do pensamento crítico.

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

Transver implica em questionar se as perguntas certas estão sendo formuladas, inclusive considerar quais futuros se deseja evitar. Transver, mais como uma intenção a ser operacionalizada pelas outras capacidades, pode ser um antídoto para o não ver (apontado no Capítulo 3), conciliando pensamento estratégico, visão criativa e atitude crítica para gerar conhecimento em contextos dinâmicos.

Figura 25 – Espaço de pesquisa de Design Estratégico. Fonte: Adaptado de Bergmann & Magalhães (2016).

Parafraseando Manoel de Barros, é preciso transver as coisas que habitam o mundo; e o design, nesse sentido, pode contribuir para um redirecionamento não somente de indústrias maduras que pretendem conservar a sua razão de existir, mas outros formatos de negócios a serem inventados. São mudanças de paradigmas proporcionadas por atitudes visionárias; novos propósitos e desejos; meios de produção inovadores e novas responsabilidades geradas por todo esse conhecimento. PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

6.3.

Resultados consolidados

Esta seção tem o propósito de consolidar os resultados obtidos ao longo da pesquisa, considerando os objetivos estabelecidos na introdução. O objetivo geral era investigar como a Gestão do Design com ênfase em um agir projetual estratégico – orientado para contextos de mudança e de inovação – seria capaz de gerar conhecimento novo para indústriasmaduras se prepararem para inovar, mas sem desprezar o conhecimento existente endogenamente. Tal objetivo desmembrava-se em outros quatro, que serão discriminados a seguir com as repercussões da trajetória de pesquisa.

O primeiro objetivo dizia respeito à proposição de um quadro de referências teórico-conceitual adequado para a caracterização do design em indústrias maduras. Com a construção desse quadro de referência, foi proposta a definição do design pendular nos níveis operacional e estratégico, que atende os paradigmas do design em indústrias maduras ao proporcionar linearidade, estabilidade, previsibilidade, reprodução de padrões e inovação incremental.

No nível operacional, o quadro baseia-se em três forças limitadoras: o Design Dominante, a diferenciação e a comoditização. No nível estratégico, baseia- se em uma força limitadora: a cristalização do monitoramento da obsolescência. Esta negligencia a construção de conhecimento baseado em mudanças nos eixos tecnológico e cultural. Por um lado, tal força tende a apresentar resistência inercial ao lidar com o dilema entre aumentar a eficiência em práticas habituais e descobrir novas possibilidades. E, por outro lado, evidenciar a ausência de capacidade de realizar a leitura do ambiente externo para apoiar a alteração do estado de inércia em contextos dinâmicos.

O segundo objetivo admitia hipoteticamente que o design é influenciado e até mesmo limitado pelas circunstâncias do estágio de maturidade do ciclo de vida e propunha explorar possibilidades abertas pelo quadro de referência para alterar essa lógica. Para abordar o resultado almejado por este objetivo, faz-se necessária uma breve retrospectiva. Inicialmente, foi possível compreender que, combinados, design e maturidade não criam uma relação de oposição.

No nível operacional, estabelecem uma relação de conformidade, na qual o design se resigna às condições existentes, segundo conveniência previamente

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

estabelecida. Mas, se a resposta no nível operacional é negativa, embora aceitável, porque a ênfase se encontra na solução de problemas especificamente de projeto e na busca por eficiência, o mesmo ao acontecer o nível estratégico pressupõe inadequação diante da orientação do design para mudanças. Nesse caso, a condução da pesquisa permitiu considerar que a cristalização do monitoramento da obsolescência não só influencia o design, mas limita a sua atuação na maturidade. Por meio da analogia com o pêndulo duplo, buscou-se demonstrar, então, que as forças limitadoras do design em indústrias maduras no nível estratégico dificultam o reconhecimento de ilimitadas possibilidades criativas.

Depois, para de fato atender ao segundo objetivo e identificar como seria possível alterar a lógica pendular e limitada, foram identificadas quatro forças capacitadoras do design em indústrias maduras. São elas: no nível organizacional, (1) a liderança do design como vetor para a inovação; no nível estratégico (2), a cocriação por meio de redes colaborativas e transdisciplinares; (3) a inovação simultânea em múltiplas dimensões impulsionadas não somente pela interação entre agentes, mas pela tecnologia e cultura ao mesmo tempo; e (4) a criatividade e a geração de ideias baseadas na acumulação de conhecimentos. Conjuntamente, elas possibilitam gerar conhecimento no âmbito da transitoriedade dos contextos contemporâneos para explorar o potencial de alternativas geradas pela combinação simultânea entre aspectos tecnológicos e culturais.

O terceiro objetivo era compreender a dinâmica da inovação em indústrias maduras. Nesse caso, buscou-se referencial teórico no campo da Administração e dos Estudos Estratégicos que direcionaram a resposta principalmente para a inovação endógena baseada na acumulação criativa de conhecimentos novos e existentes. Essa base teórica, alinhada com resultados de pesquisas que abordam o design no estágio de maturidade e de outras que o tangenciam, levou ao entendimento de que processos de inovação orientados pelo design em indústrias maduras são dependentes de abordagens holísticas que integrem transdisciplinaridade, multidimensionalidade e criatividade. Em conjunto, compreende-se que todos esses aspectos potencializariam a capacidade de inovar de indústrias no estágio de maturidade do ciclo de vida, opondo-se aos paradigmas restritivos e obsoletos do design pendular, contudo sob uma visão sustentável.

O quarto objetivo foi formulado em decorrência do anterior e buscava compreender como o design pode direcionar suas ações para a inovação nas

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

circunstâncias definidas pela maturidade da indústria. Logo, foi estabelecido que a dimensão estratégica do design no âmbito de indústrias maduras pode ser associada à processualidade existente entre inovação e as capacidades particulares de um agir estratégico para o design – ver, prever e fazer ver (Zurlo, 2010) – acrescidas de uma quarta proposta na tese, isto é, rever, enquanto um modo de recuperar patrimônios valiosos e descartar dados desnecessários para o futuro.

Ver, prever, fazer ver e rever são admitidas como Capacidades Dinâmicas baseadas em conhecimento porque são percebidas como essenciais para sustentar a noção de acumulação criativa de conhecimento em circunstâncias associadas ao estágio de maturidade do ciclo de vida da indústria. Destaca-se que posteriormente foi proposta uma quinta capacidade: o transver. Certamente, há de se considerá-las no âmbito da transitoriedade dos contextos contemporâneos, devido à necessidade de se aprender a mudar e a alterar o status quo na interação com o oposto dos paradigmas do design em indústrias maduras, isto é, criação de novos padrões (ou a rejeição deles), instabilidade, complexidade, inovação radical e imprevisibilidade.

Tais capacidades propiciam o entendimento de que as relações entre diversos contextos são fundamentais para a inovação e apontam para a construção de um espaço de crítica, reflexão e criação em permanente mutação, no qual são articulados conteúdos originários do passado, presente e futuro. Dessa forma, elas são essenciais para aplicação da Matriz Analítico-Criativa e para o mapeamento de mudanças ambientais, que, por sua vez, aumentam o potencial de indústrias maduras identificarem alternativas não exploradas.

O modelo matricial foi proposto como uma plataforma conceitual com três propósitos: a prospecção, a criação e a disseminação de conhecimento com base na noção de inovação endógena, na racionalidade da estratégia de rejuvenescimento de indústrias no estágio de maturidade do ciclo de vida e na lógica de acumulação criativa para apoiar processos de reação à obsolescência e de geração de conhecimento. A sua aplicação pressupõe articular transdisciplinaridade, multidimensionalidade e criatividade sob a liderança do design como forças capacitadoras do design para criar conhecimento composto por novos inputs associados a dados existentes (mas possivelmente revistados e reinterpretados) e, consequentemente, criar uma nova base de conhecimento.

PUC-Rio - Certificação Digital Nº 1412274/CA

Por tudo isso, a Matriz Analítico-Criativa de Design Estratégico como constructo teórico derivado da literatura tangibiliza a trajetória de pesquisa e confirma o que foi argumentado na introdução desta tese. Argumentou-se que o design seria capaz de gerar conhecimento novo para as indústrias maduras se prepararem para inovar sem desprezar o conhecimento existente endogenamente e questionava-se como isso era possível.

A matriz organiza recursos para maximizar o pensamento de design;