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VIDA SAUDÁVEL

No documento Shadowrun 5ª Ed.pdf (páginas 42-44)

Ficar saudável nesse mundo não é fácil, e não é só porque as pessoas estão sempre apontando armas uns pros ou- tros. Existem diversas outras ameaças à sua saúde.

No início do século vinte e um, o mundo era uma mu- vuca completa. Daí veio uma nova doença e exterminou quase um quarto da população. Talvez o planeta tenha arranjado uma forma de reequilibrar o ecossistema, tal- vez fosse algo que nós fizemos, mas o Vírus por Indução Tóxica de Alergia Sintomática, ou VITAS, foi terrível. Ela ativava algo parecido com um choque anafilático, mes- mo em quem não tinha alergias, e as pessoas morriam sufocadas quando o sistema respiratório inchava e fecha- va. Existe um velho vídeo pela Matriz de vítimas tentan- do respirar. É bem feio.

De vez em quando uma nova espécie do VITAS brota por aí, nem perto de ser tão ruim quanto o primeiro surto, mas deixam os médicos bem ligados. E então, na déca- da de 2040, surgiu algo totalmente novo: o vírus indutor de vampirismo obsedante, ou VIVO. Não viaja no nome, isso não deu imortalidade nem habilidade de transfor-

mação em morcegos e lobos pras vítimas. Na verdade ela consumia o pigmento antirradiação do corpo, parava a produção de células vermelhas do sangue, arrombava com o desenvol- vimento dentário e desligava o sistema digestório. Indepen- dentemente de sua cor original, a

vítima ficava com uma carne cinza e morta, não podia fi- car no sol, ficava com presas e precisava de muito sangue fresco pra se manter vivo. Essa última parte é importante: eles não são imortais. Se cair num beco ferrado com um nosferatu te perseguindo, bastam umas balas no lugar certo pra parar o bicho.

Assim como o VITAS, diversas espécies do VIVO causadoras de diferentes tipos de pseudo-mortos-vivos existem, incluindo carniçais, banshees e outras coisas di- ferentes das lendas. Os becos escuros do Sexto Mundo ficaram mais sombrios com esse vírus.

Mas o Sexto Mundo não precisa de vírus pra te ferrar. Existe uma quantidade absurda de drogas que alteram a mente, desde a favorita das ruas novacoca até a dobra- dora de mentes zen, e até o surto de puro combate do kamikaze, sem esquecer a sensação astral da profunder- va. Se quiser sentir alguma coisa específica, existe uma droga pra isso. Também temos novas formas de vício, como chips melhor-que-tudo (MQTs ou mosquitos). Pra criar um desses, pegue uma gravação do seu sensora- ma básico com alguma experiência emocional poderosa, depois potencialize cada parte dela. Quer um surto de adrenalina maior do que surfar uma onda de dez metros, ou uma viagem de esmagar o cérebro maior do que fazer skydiving da estratosfera? Quer experimentar algo me- lhor do que sexo? Então bota um MQT no seu cérebro. Mas fica o aviso: Você pode perceber que a realidade não

chega nem perto e pode acabar passando o resto da sua vida aguentando as sombras pálidas só pra ter uns mo- mentos coloridos de puro êxtase.

Então temos os nossos vírus, nossas drogas e todas as doenças e situações que têm matado a meta-huma- nidade por centenas ou milhares de anos. Você precisa é se perguntar: como eu consigo ajuda depois que eu me ferrar todo?

Sistemas públicos de saúde ficam entre os inadequa- dos e inexistentes. A medicina dá muito dinheiro pra dei- xar nas mãos dos bons samaritanos. Se quiser qualquer tipo de cuidado médico, isso vai te custar.

O melhor tratamento vem das corps de planos de saú- de e, desde que esteja disposto a entregar uma pilha de neoienes, você fica de boa, incluindo a melhor tecnologia e os melhores serviços de ambulância pra qualquer lugar do mundo, até mesmo em zonas ativas de combate. Mas você provavelmente não tem tanta grana assim, senão não estaria se arrastando pelas sombras. Ainda assim, é possível conseguir o básico, como médicos que tiram a sua carcaça hemorrágica da zona e te estabilizam até que seu amigo usuário de magia chegue com um feitiço de cura. Pode não parecer muito, mas pode salvar a sua vida. É por isso que muitos shadowrunners com qualquer tipo de reputação compram um contrato básico com um dos planos. O mais popular é o venerável DocWagon, com décadas de experiência navegando as piores das ruas, mas o CrashCart da Evo, com acesso à tecnologia médica avançada da sua corp matriz, está ganhando fama.

Se não puder comprar um contrato médico, sempre pode ir até um dos hospitais ou clínicas gerenciadas pe- las corps médicas e pagar só o que precisar na hora. Se não puder pagar, vai precisar de um médico das ruas. Se sobreviver mais do que duas incursões, é bem capaz de se preparar com primeiros socorros básicos, como evitar sangue jorrando pra todo lado. Quanto mais incursões sobreviver, mais você vai aprender. Alguns runners têm um talento nato com anatomia e primeiros socorros, ganhando certa reputação com esse tipo de trabalho: runners feridos começaram a procurá-los e isso acabou gerando uma medicina não licenciada em diversos locais não-esterilizados. De vez em quando até vai ter um mé- dico de verdade em uma clínica de rua. Ou ex-médicos que estão nas ruas graças ao vício, crime, incompetência ou uma combinação dessas. Muitos de nós costumam achar os ex-runners melhorados mais confiáveis do que os médicos piorados, mas não importa qual escolher. Você está se arriscando. Especialmente se está atrás de alguém pra instalar um ciber-olho de segunda mão mais baratinho.

LOCOMOÇÃO

Você precisa lembrar de algo bem importante sobre o Sexto Mundo, além de “Tudo tem um preço”: as corpora- ções adoram coisas previsíveis e vivem para o controle. Tome o GradeGuia, por exemplo, propagandeado como a conveniência definitiva pra quem vai pro trabalho. É um sistema programado de controle pro seu veículo pessoal

que te leva onde quer ir com pouca intervenção de você, a motorista. E assim o tráfego flui melhor quando todo mundo usa GradeGuia e você pode fazer outras coisas enquanto dirige, é maravilhoso. Mas é claro que o Gra- deGuia só funciona aonde as corps querem, o que é óti- mo pros zangões corporativos no seu trajeto de trabalho habitual, mas terrível se precisa ir pros piores lugares ou uma área industrial geralmente fechada pro público. E mesmo em áreas aprovadas o GradeGuia não responde bem a emergências como manobras evasivas ou fugas às pressas. Na verdade, se você tentar qualquer coisa que o GradeGuia não ache correto ou seguro, o sistema vai te arrastar. (Mas não é sempre assim?) Se pretende sair do caminho definido, ou de repente fazer algo fora do comum, você precisa aprender a dirigir e como ter um veículo que não depende da energia da rede.

Se viajar entre cidades ou entre países, pode contar com o seu veículo pessoal, mas existem outras maneiras de transporte disponíveis. A maioria dos cortiços têm acesso a trens e ônibus que podem te levar entre os cor- tiços. A segurança do trânsito da cidade é bem leve. Se tiver neoiene, pode usar. Talvez tenha que passar pela segurança e ter seu SIN verificado em viagens mais lon- gas, nas os scanners dos trens são baratos e facilmente enganáveis. E andar em um trem bala é muito maneiro. Se estiver limpo, claro.

Se quiser uma viagem aérea, você tem três opções: regular, sub-orbital e semibalística.

A semibalística é a mais cara e veloz; pode te levar da Europa até a América do Norte em menos de uma hora. Esse privilégio custa horrores. A segurança é pe- sada. Scanners de SIN top de linha, quase impossíveis de enganar. Todas as armas são verificadas (nem pense em explosivos) e todos os ciber-itens devem ser desati- vados.

Sub-orbitais são um pouco mais devagar, não tão caras e não tão difíceis de se infiltrar. Um pouco. Passa- geiros sub-orbitais costumam ser clientes megacorpora- tivos e as corps querem que eles se sintam seguros. A segurança é pesada e lida fortemente contra qualquer violação.

Viagem aérea regular é pra pessoas normais. A se- gurança está presente, mas a qualidade varia com o ser- viço; se o seu SIN falso e documentação forjada é boa suficiente, pode relaxar. Tudo depende.

É claro que se não quiser transporte público nenhum existem outras formas de locomoção. Pegar carona com uma van de carga, um navio de carga ou como parte de um comboio de empregados. E tem o poderoso t-bird, a escolha preferida de contrabandistas, espiões e qual- quer outro envolvido em entradas e saídas ilegais de fronteiras. Existem alguns tipos de t-birds, mas todos têm algumas características em comum: são pequenos, muito manobráveis, capazes de aterrissar em lugares apertados e de voar abaixo de radares. Aprenda a pilotar uma dessas belezinhas e você nunca ficará sem trabalho. Nem fogo antiaéreo de quem você irritar.

No documento Shadowrun 5ª Ed.pdf (páginas 42-44)