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3.3.1) Características individuais

No documento Tribuna ao vivo (páginas 113-119)

Dentre as características individuais, escolaridade e número de mandatos são estatisticamente significantes, porém, com valores mais baixos que as características institucionais. Nas entrevistas, as características individuais incluídas nos modelos foram pouco citadas como relevantes para a decisão de se manifestar em Plenário ou como fator explicativo para o comportamento dos pares.

Apesar de não ser estatisticamente significante, o sexo surge com sinal negativo no primeiro modelo, sugerindo que ser mulher reduz a participação nos discursos em Plenário.

Observando os dados de cada ano separadamente, percebemos que, em 2014, a participação das deputadas na tribuna foi bastante equilibrada com a dos homens: as cinco mulheres representavam 6,49% do total de membros da ALMG e foram responsáveis por 6,20% dos pronunciamentos; a média de pronunciamentos delas foi 7,2, bem próxima à média geral de 7,55. Em 2015, a bancada aumentou para sete mulheres (9,09%), mas o número de pronunciamentos não acompanhou esta evolução: as deputadas fizeram apenas 4,33% dos pronunciamentos; e sua média foi de 7,57, menos de metade da média geral (15,9). Chama a atenção ainda o fato de que não há mulheres entre os dez deputados mais atuantes em Plenário em nenhum dos dois anos. Os dados são coerentes com os achados de outras pesquisas sobre o tema (MIGUEL e FEITOSA, 2009, p. 209; MARTINS, 2016, p. 24), que caracterizam o debate em plenário como prioritariamente masculino.

Questões de gênero não foram citadas espontaneamente pelos homens entrevistados.

Nas entrevistas com as duas deputadas, o assunto foi tematizado através de perguntas específicas. Ambas reconhecem que existe machismo, preconceito e certa resistência à efetiva participação das mulheres, bem como falta de vontade política para avançar as pautas de gênero (por exemplo, a garantia de uma mulher na composição da Mesa da Assembleia). As deputadas apontam que muito já foi feito, contudo, reconhecem dificuldades e valorizam sua capacidade pessoal de superá-las.

realmente tentam colocar que esse ambiente não é um espaço para mulher, não é um espaço seu, mas sim de homens. (...) Então, acho que nós já evoluímos muito, mas temos muito que evoluir, muito que trabalhar nesses espaços e entender mais o que é o processo político. Eu acho que, à medida que nós conhecemos, torna-se fácil para que você possa traçar um projeto político para sua região, para sua cidade, para o seu Estado. Torna-se mais fácil, mas tem que conhecer e tem que participar dele (deputada Rosângela Reis / PROS).

é uma questão cultural, eu acho que nós não vamos conseguir de um dia para o outro.

Isso é caminhada. (...) É um direito nosso como mulheres, nós temos aqui que ocupar esse espaço. Nós não temos que provar para ninguém se nós somos melhores que os homens, ou se nós somos piores que os homens, não. É direito. Pronto e acabou. (...) Eu acho que nós temos que mostrar que nós temos os nossos direitos (...)

de ocupar esses cargos, ocupar esse espaço na política, no dia a dia, influenciar a vida de uma cidade, de um estado. É nosso direito (deputada Ione Pinheiro / DEM).

Assim como na regressão, a escolaridade também foi – dentre essas quatro características – a mais citada pelos entrevistados. Alguns que se pronunciam bastante destacam a importância de sua formação e veem a falta de estudo formal de alguns colegas como prejudicial para a ocupação da tribuna:

Eu sou economista, formado na Universidade Federal de Uberlândia, sou também administrador de empresas. Então, a gente estudou orçamento de estado, se preparou para discutir, tem várias leituras, temos conhecido o Estado, temos examinado dados, números (...) Eu não falo nada sem estudo e sem embasamento. (...) E muitos deles [colegas deputados] são representantes do povo e não tem nenhuma formação, então têm dificuldade de falar alguma coisa. Quem não lê e não tem informação, não tem como falar, fala muito pouco, tem muito pouco conteúdo para falar, também isso é natural (deputado Felipe Attiê / PP).

Outros indicam que a questão não seria tanto o grau de escolaridade, mas a preparação específica para participar do debate legislativo, as informações sobre os temas e projetos em pauta:

Os deputados aqui que mais aparecem, que mais são procurados inclusive pela mídia, na televisão, para fazer debates calorosos, são aqueles que mais estudam, aqueles que mais se dedicam, (...) que se aprofundam mais nos assuntos, que não falam muita bobagem, né? Porque quando você usa a televisão, qualquer bobagem você logo é recriminado, você logo é chamado atenção (...) Então a pessoa tem também que usar a tribuna com conhecimento, tendo um estudo prévio, para que ele não passe às vezes por situações um pouco constrangedoras, não é? (deputado Dilzon Melo / PTB).

Com relação à idade, alguns autores sugerem que membros mais jovens seriam mais favoráveis à transmissão ao vivo dos trabalhos do que aqueles que estabeleceram suas carreiras e reputações em uma época com menos influência da TV (CRAIN e GOFF, 1998, p.

60; SUSSMAN, 1996, p. 86; TYRONE et al., 2003, p. 349). Devemos considerar, porém, que, à medida que as emissoras legislativas se estabelecem e passam a fazer parte do cotidiano do legislativo, também os políticos mais velhos e mais experientes constroem uma relação de intimidade com o meio. A transmissão ao vivo deixa de ser uma novidade ou uma mudança e passa a fazer parte do status quo – seria, neste caso, uma novidade para os deputados que têm menos mandatos.

Com o tempo de vivência na casa, você vai aprendendo como funciona cada ponto.

Eu acredito que essa timidez se dá também pela inexperiência (deputado Missionário Márcio Santiago / PTB).

[os novatos] ficavam completamente perdidos, lá no Plenário. (...) chegam aqui completamente crus, verdes (deputado Duarte Bechir / PSD).

Enquanto alguns destacam, como vimos acima, que os novatos podem demorar um pouco para criar intimidade com o legislativo e, nesse ínterim, se pronunciar menos em

Plenário (como sugerem os modelos 1A e 1B), outros entrevistados consideram que o fator não é preponderante:

Tem os parlamentares que jamais usaram a tribuna. Passaram quatro anos aqui, ou passam até mais, tem uns que têm vários mandatos e não usam (deputado Pompílio Canavez / PT).

A literatura oferece evidências inconclusivas com relação ao impacto do número de mandatos sobre as participações nos debates legislativos, com sugestões de que os veteranos aparecem mais (SILVA, 2012, p. 141-142; MARTINS, 2016, p. 27) ou de que a senioridade não influencia a exposição (MALTZMAN e SIGELMAN, 1996). Uma forma de interpretar essas opiniões contrastantes é seguir o raciocínio de Hall (1996, p. 101-102): não existem normas internalizadas ou processos de socialização que recomendem aos novatos adotar uma postura mais quieta e observadora; porém, os novatos podem ter certas desvantagens se comparados com seus colegas mais experientes – menos experiência legislativa na área, menos conhecimento sobre o contexto e as possibilidades políticas de ação, relação menos desenvolvida com outros atores etc. –, diminuindo suas chances de participação. Isso não significa que todos os novatos serão menos ativos do que seus colegas veteranos, apenas que encontrarão obstáculos diferentes à sua atuação e/ou dependerão de experiências e conhecimentos adquiridos em sua atuação anterior ao parlamento para superá-los. É o que mostram os relatos de alguns novatos da 18ª Legislatura:

Eu [estou] no primeiro cargo meu eletivo, mas eu sempre participei. Eu comecei, como diz, a pedir voto, eu tinha menos de 10 anos. (risos) (...) Depois também eu ajudei na administração do meu irmão [Toninho Pinheiro], na prefeitura e tudo.

Então, isso é uma caminhada, isso não acontece assim acho que de um dia para o outro, não (deputada Ione Pinheiro / DEM).

Eu cresci no meio político, não é? O meu pai é deputado [Lincoln Portela], já no quinto mandato. Então eu nunca tive dificuldade. Eu sou professor universitário...

Nunca tive dificuldades em usar – sou advogado – nenhum tipo de tribuna. Então tenho muita tranquilidade em falar, assim. (...) Não senti nenhum tipo de resistência [dos colegas à minha participação], nesse sentido. (...) Senti um grande incentivo.

Me senti acolhido pelos pares (deputado Léo Portela / PR).

Os depoimentos ilustram ainda que o número de mandatos na ALMG não capta a trajetória e experiência pregressa dos deputados – o que contribui para o coeficiente reduzido desta variável. A percepção de que a origem ou atuação anterior dos deputados interfere em suas estratégias para se posicionar no legislativo, interagir com os eleitores e utilizar as oportunidades de visibilidade midiática está presente nas pesquisas de Jardim (2008, p. 239) e Silva (2012, p.

121). Nas entrevistas, fica claro o quanto os próprios parlamentares valorizam seus percursos – tão diferentes uns dos outros – e consideram que eles estruturam sua forma de atuação na ALMG:

Eu vim de uma família humilde, eu sou filho de trabalhadores rurais, alfabetizado aos onze anos de idade. Passei por muita dificuldade na vida, e eu dedico ao meu

mandato. (...) sempre presente no parlamento, nas discussões que interessam à minha região, defendendo bandeiras da minha região, e uma presença que é lá e cá.

Então, presença aqui e presença na base. (...) É, eu sou uma zebra aqui, chegar aqui, sair de onde eu saí, eu sou do município mais pobre de Minas Gerais, São João da Missões, nasci praticamente dentro de uma reserva indígena. Não é fácil, não. (...) então eu venho para cá com o coração aberto (deputado Paulo Guedes / PT).

Então a gente procura aplicar [aqui] os conhecimentos que adquirimos na Academia e a prática como ex-secretário de Educação, ex-assessor de prefeito, cinco mandatos de vereador. É a minha prática na vida pública, e aí são 23 anos. (...) Na verdade, a minha vocação política já era falar no microfone da escola. (...) aos 13 anos de idade, eu botei os autofalantes da escola para dar recadinho na hora do recreio, então já era natural. (...) eu criei um programa de rádio para ser político. Eu sou da elite, da classe A e B. Eu, para ser conhecido na classe D e E, criei um programa de rádio para que eles soubessem das minhas ideias e das minhas posições (deputado Felipe Attiê / PP).

A importância de fatores idiossincráticos é destacada não só com relação à história de vida de cada um, mas – também e principalmente – com relação ao seu perfil. Quando falam de si mesmos e também quando refletem sobre a atuação dos colegas, os deputados estaduais mineiros são praticamente unânimes: a forma de atuação de cada um depende de seu feitio, jeito, personalidade, temperamento. Suas declarações mostram que o esforço de tentar identificar características individuais relacionadas à atuação na tribuna aponta na direção correta, ainda que com ferramentas inadequadas. Isso porque as qualidades que eles julgam fazer diferença são mais subjetivas do que é possível captar com uma análise quantitativa75.

São estilos diferentes. Tem deputado populista, tem deputado que não é. Tem deputado que gosta de aparecer, tem deputado que não gosta. Tem deputado que fala, tem deputado que não fala. (...) Nessa Casa aqui, tem de tudo e de todos os estilos.

Você tem de tudo e de todos os perfis. (...) A Casa é uma representatividade heterogênea (deputado Alencar da Silveira Jr. / PDT).

Tem aqueles parlamentares que não gostam de dar entrevista de jeito nenhum, parece que tem até medo de microfone, tem aqueles outros que não podem ver um microfone que querem aparecer (...) Tem aquele deputado que é mais de bastidor, aqueles que gostam de subir na tribuna e alardear mais, então isso é claro que você consegue perceber na Casa (deputado Gustavo Corrêa / DEM).

Alguns que, se deixar, toda hora eles estão lá. (silêncio) E tem uns que não querem nem passar na porta. Então é bem diversificado o que eu observo dos parlamentares.

Tem alguns que têm assunto todo dia, sempre estão fuçando e têm isso como objetivo, de estar sempre aparecendo. (silêncio) E tem outros que (...) não têm interesse nenhum (deputado Anselmo José Domingos / PTC).

75 Martins (2016, p. 45) aponta essa dificuldade de sistematização: “em lugar de buscar um denominador comum a todos os senadores – de estabelecer um uso ‘típico’ da palavra –, que conduziria inevitavelmente a uma lista significativa de exceções à regra, revela-se mais produtivo tomar cada caso isoladamente e perceber que o uso da palavra, embora possa ser afetado por alguns traços relativamente estáveis e frequentes, termina por ser sobretudo heterogêneo e diversificado. (...) Recusar a possibilidade de uma regularidade que inclua todos os senadores não significa, porém, dizer que imperam razões subjetivas e de natureza exclusivamente pessoal. (...) Significa, sobretudo, optar por uma abordagem que, em lugar de buscar as semelhanças, privilegie principalmente as diferenças, igualmente reveladoras da dinâmica que caracteriza o uso da palavra no plenário do Senado Federal.”

Estudiosos que se dedicaram a pesquisar a atuação em Plenário ou a performance frente às câmeras das TVs legislativas indicam que a participação extremamente desigual reflete diferenças de personalidade, circunstâncias de vida e outros fatores que não se prestam a análise sistemática (MALTZMAN e SIGELMAN, 1996, p. 820). Como resume Jardim (2008, p. 294): “O fato é que os parlamentares têm diferentes perfis, sendo que uns, de alguma forma, por diferentes razões, como a origem profissional, a escolaridade e a personalidade, conseguem beneficiar-se mais da visibilidade proporcionada pela TV legislativa”. Para os deputados estaduais mineiros, isso é consequência da composição heterogênea do parlamento, que reflete a diversidade da própria sociedade:

O parlamento (...) é a representação da amostragem da sociedade. (...) você vai encontrar essa pluralidade de pessoas, de origens, de classes sociais, de profissões, de crença religiosa (deputado Sargento Rodrigues / PDT).

A Assembleia é, na verdade, uma síntese do que tem a sociedade. Como a sociedade tem de tudo, na Assembleia praticamente também (deputado Dilzon Melo / PTB).

Eles deixam claro, porém, que a atuação esporádica ou até inexistente em Plenário não é, em si, um demérito, nem é indicativa de pouco trabalho ou dedicação. Segundo eles, os deputados que não estão ali apenas preferem se dedicar a outros tipos de atividades, igualmente válidas76.

Ah, tem deputados que não gosta de televisão, não gosta de falar, gosta mais de bastidor, tem de tudo. (...) Tem uns que são mais vereador de interior, trabalha por região. A gente fala vereadorzão, né? (risos) Pega uma região, trabalha por ela com muito afinco, ajuda as prefeituras a conseguir projeto (...) Todos têm função importante, cada um de sua maneira, mas tem de todo tipo que você imaginar (deputado Rogério Correia / PT).

76 Cabe destacar que a observação dos pronunciamentos em Plenário cobre apenas uma pequena parte de todas as atividades a que se dedicam os deputados. Sua atuação engloba diversas outras funções parlamentares (participação em comissões, redação de projetos e emendas, fiscalização do Executivo, atividades administrativas etc.), articulações de bastidores (construção de coalizões, planejamento e execução de estratégias legislativas e partidárias, barganhas e deliberações informais com os colegas), diligências e negociações junto ao Poder Executivo e a outras esferas de governo (principalmente para conquistar verbas, obras e execução favorável de políticas públicas para suas regiões ou eleitorados prioritários), trabalho de base, militância partidária, dentre outras. Os deputados combinam essas estratégias em proporções variáveis, de acordo com seu perfil, trajetória política, desejo de progredir na carreira, características do eleitorado, prioridades em termos de políticas públicas e outros fatores. Como aponta Hall (1996, p. 55), a carreira legislativa é uma “profissão livre”, na qual os membros definem, com amplo escopo de escolhas, os tópicos, atividades e projetos a que dedicarão sua atenção. Contudo, as atividades no parlamento e na base tensionam-se mutuamente, pois os parlamentares não podem se dedicar a ambas em grau ótimo (FENNO, 1977, p. 916). Dessa maneira, interessa aqui observar justamente se, quando e por que alguns deputados se dedicam fortemente à atuação em Plenário, enquanto para outros este é um espaço secundário ou mesmo desprezado. De acordo com Mayhew (2004, p. 73), os parlamentares dão ênfase distinta a diferentes atividades, mas existem padrões amplos e características comuns.

Desejo, justamente, identificar os padrões que caracterizam esta atividade específica que é a ocupação da tribuna – a atuação formal dentro da Assembleia que possivelmente conta com o mais alto grau de visibilidade (pois trata-se de reuniões oficiais, registradas e gravadas, com cobertura das mídias legislativa e comercial, participação de todo o conjunto dos deputados etc.). Ressalto, ainda, a necessidade de pensar em termos relativos, considerando que outras atividades podem ser mais visíveis para públicos específicos.

Tem gente que prefere um trabalho mais interno, prefere trabalhar nas comissões, prefere trabalhar nas articulações. (...) Aquele deputado que fala mais em Plenário, talvez, tenha facilidade para lidar com o dia a dia de TV. Talvez use mais esse instrumento, que é a TV legislativa. (...) Vai da personalidade. Tem gente que trabalha mais quietinho, não é?

Que é mais tímido (deputado Léo Portela / PR).

Se tem parlamentares que você não vê, [é] porque o foco deles é muito mais de levar demandas das suas regiões para as secretarias. Normalmente esse deputado está muito procurando os espaços do governo e brigando, ou buscando ali conquistas para seu município (deputado Paulo Lamac / PT).

A escolha de como atuar seria feita em função do “público-alvo que eles querem atingir” (deputada Rosângela Reis / PROS), pois “cada um tem a sua estratégia de se comunicar com o seu público, com o seu eleitor” (deputado Agostinho Patrus Filho / PV)77. Além disso, a literatura sugere que alguns parlamentares seriam mais preparados “para a linguagem e os padrões televisivos” (FREITAS, 2004, p. 57), mais “telegênicos”

(FRANKLIN, 1992, p. 22), e conseguiriam explorar as câmeras para alavancar sua atuação no parlamento. Os deputados mineiros, porém, ressaltam que não há uma conexão necessária entre visibilidade e efetividade:

Tem deputado que talvez verbalize muito mais pela TV Assembleia, mas que (...) aquilo não bate com aquela prática. É muito mais no campo da retórica. E você vai ver outros que são tímidos na retórica, mas que na prática têm atuação mais consolidada (deputado Sargento Rodrigues / PDT).

às vezes, sou até cobrado porque eu não tenho essa veia, vamos dizer assim, de mais exposição, de mais mídia, de mais marketing. (...) O meu perfil é muito mais de negociar dentro da Casa os pontos que eu acho importante estarem colocados no projeto, (...) do que ficar lá no Plenário fazendo discurso a favor ou contra alguma coisa. Porque eu entendo que a efetividade está muito mais na ação legislativa (...) de negociação, de entendimento, do que no discurso. (...) Então eu prefiro uma atuação sem ser de bastidor, mas uma atuação no Colégio de Líderes, uma atuação junto às comissões, uma atuação junto aos relatores de cada uma das comissões para colocar as nossas contribuições do que (...) defender essa emenda durante uma hora [na tribuna]. (...) eu perco na visibilidade, mas eu acho que eu ganho na efetividade (deputado Agostinho Patrus Filho / PV).

Mas, se os eleitores não veem a atuação, a imagem do parlamentar pode ser prejudicada:

Eu vejo aqui alguns companheiros que são mais acanhados, que não são tão desinibidos, que têm um excelente trabalho dentro da Assembleia e que às vezes não conseguem explicitá-lo fora. (...) dando uma conotação de que, às vezes, ele é mole, de que é apático – o que não é a realidade. Então, eu acho que a tribuna, o rádio, os

77 Um fator que impacta a decisão de utilizar ou não a TV Assembleia é se ela atinge a região que forma a base do parlamentar. Como aponta o deputado Deiró Marra (PR), “existem muitas cidades em que a Assembleia não consegue chegar com o seu sinal. A exemplo disso a minha cidade lá, a cidade onde a gente nasceu e mora, que é a cidade de Patrocínio. Nós não temos o sinal da ALMG, então o mecanismo que a gente pode utilizar lá é jornais, revista, rádios”. A transmissão TV através do site e a circulação de conteúdos por outros meios (como redes sociais) permitem que a atuação dos deputados seja acompanhada mesmo nas localidades onde a TV Assembleia não está presente de forma aberta – porém, isso reduz seu impacto político na percepção de alguns parlamentares. “Nós temos colegas de todas as regiões do Estado, e tem algumas regiões que realmente a TV não atinge. Então ele não fala para o público dele, talvez por isso (...) aqui tem uns que também não têm essa estratégia como (...) importante”, reforça o deputado Anselmo José Domingos (PTC).

meios de comunicação, têm essa virtude, de falar que você é atuante (deputado Dilzon Melo / PTB).

Como aponta Charaudeau (2013, p. 165-166), o silêncio “é um problema para o político, que deve confirmar sua credibilidade pelo discurso. (…) não falar, falar muito pouco, apresenta o risco de fazê-lo desaparecer da cena política ou de atribuir-lhe uma imagem de impotência”. As motivações para a ocupação da tribuna – em especial, a busca por visibilidade – serão exploradas ainda neste capítulo, bem como sua possível conexão com o sucesso eleitoral. Antes disso, porém, discuto o papel das variáveis institucionais na distribuição dos pronunciamentos.

No documento Tribuna ao vivo (páginas 113-119)