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O conhecimento sobre diabetes mellitus no processo de autocuidado.

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Academic year: 2017

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O CONHECI MENTO SOBRE DI ABETES MELLI TUS NO PROCESSO DE AUTOCUI DADO

1

Ana Em ilia Pace2 Kat t ia Och oa- Vigo3 Mar ia Helena Lar cher Calir i2 Ana Paula Mor ais Fer nandes2

Est udo descr it ivo r ealizado no int er ior paulist a, cuj o obj et ivo foi ver ificar o conhecim ent o das pessoas com diabet es m ellit us em r elação à doença, causas e com plicações adv indas, dest acando sua im por t ância no aut ocuidado. Os dados foram colet ados de 84 pessoas por m eio de ent revist a e analisadas m ediant e est at íst ica descrit iva. A m édia de idade foi 53,3± 13 anos, t em po de doença 12,9± 9 anos e 58% dos part icipant es t inham ensino fundam ent al incom plet o. Verificou- se que apenas 28,6% incluíram - se na cat egoria corret a sobre “ o que é diabet es” e “ quais suas causas” ; 71% foram diagnost icados sem apresent ar sint om as clássicos e 64% foram int er nados por algum a com plicação aguda ou cr ônica. I ndicou- se, aqui, aspect os que dificult am o pr ocesso de apr endizagem , pouco conhecim ent o em r elação à doença, et iologia e sint om as, com pr om et endo a pr ev enção e diagn óst ico pr ecoce, além da pr edisposição par a as com plicações. Ressalt a- se a in t er fer ên cia dos fat or es biopsicossociais n o pr ocesso de au t ocu idado.

DESCRI TORES: enfer m agem ; diabet es m ellit us; conhecim ent o e aut ocuidado

KNOW LEDGE ON DI ABETES MELLI TUS I N THE SELF CARE PROCESS

This descript ive st udy in t he int erior of São Paulo aim ed t o verify diabet es m ellit us pat ient s’ knowledge abou t t h e disease, cau ses an d com plicat ion s, h igh ligh t in g it s im por t an ce in self car e. Dat a w er e collect ed t h r ou gh in t er v iew s w it h 8 4 per son s an d an aly zed t h r ou gh descr ipt iv e st at ist ics. Av er age age w as 5 3 . 3 ± 1 3 years, t im e of disease 12.9± 9 years and 58% of t he part icipant s did not finish basic educat ion. Only 28.6% of t he par t icipant s gav e cor r ect answ er s t o “ w hat is diabet es” and “ w hat ar e it s causes” ; 71% w er e diagnosed w it h ou t p r esen t in g classic sy m p t om s an d 6 4 % h ad alr ead y b een h osp it alized d u e t o an acu t e or ch r on ic com plicat ion . We in dicat ed aspect s t h at t u r n t h e lear n in g pr ocess m or e difficu lt ; lit t le k n ow ledge abou t t h e disease, it s causes and sym pt om s, t hus affect ing t he prevent ion and early diagnosis and ent ailing predisposit ion t ow ar ds com plicat ion s. Fu r t h er m or e, t h e in t er f er en ce of biopsy ch osocial f act or s in t h e self car e pr ocess is h igh ligh t ed.

DESCRI PTORS: nur sing; diabet es m ellit us; k now ledge and self car e

EL CONOCI MI ENTO SOBRE DI ABETES MELLI TUS EN EL PROCESO DE AUTOCUI DADO

Est udio descript ivo realizado en el int erior de São Paulo, cuyo obj et ivo fue verificar el conocim ient o de las per son as con diabet es m ellit u s en r elación con la en f er m edad, cau sas y com plicacion es su bsecu en t es, dest acan do su im por t an cia en el au t ocu idado. Los dat os f u er on r ecolect ados en 8 4 per son as por m edio de ent r ev ist a y analizados m ediant e est adíst ica descr ipt iv a. La edad m edia fue de 5 3 , 3 ± 1 3 años, t iem po de la enferm edad de 12,9± 9 años y 58% de los part icipant es t enían prim aria incom plet a. Apenas 28,6% respondieron cor r ect am ent e sobr e “ qué es diabet es” y “ cuáles sus causas” ; 71% fuer on diagnost icados sin la pr esencia de los sínt om as clásicos y , 6 4 % y a habían sido int er nados por alguna com plicación aguda o cr ónica. Se indicó aspect os que dificult an el pr oceso de apr endizaj e, poco conocim ient o en r elación con la enfer m edad, et iología y sínt om as, com pr om et iendo la pr evención y el diagnóst ico pr ecoz, pr edisponiéndolos a las com plicaciones. Se r esalt an la int er fer encia de los fact or es biopsicosociales en el pr oceso de aut ocuidado.

DESCRI PTORES: enfer m er ía; diabet es m ellit us; conocim ient o y aut ocuidado

1 Trabalho extraído do Proj eto I ntegrado CNPq 520309/ 98- 7; 2 Docente da Escola de Enferm agem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, Centro

Colaborador da OMS para o desenvolvim ent o da pesquisa em enferm agem , e- m ail: [email protected], m [email protected], [email protected];

3 Enferm eira, Dout or, Professor da Faculdade de Enferm agem da Universidade Peruana Cayetano Heredia, e- m ail: [email protected] Art igo Original

O conhecim ent o sobre Diabet es Mellit us...

(2)

I NTRODUÇÃO

C

o n d i çõ e s cr ô n i ca s d e sa ú d e sã o responsáveis por 60% de t odo o ônus decorrent e de doenças no m undo. Nos países em desenvolvim ent o, a adesão ao tratam ento chega a ser apenas de 20% , lev ando a est at íst icas negat iv as na ár ea da saúde, o ca si o n a d o e n ca r g o s e l e v a d o s p a r a a f a m íl i a , sociedade e governo( 1).

En t r e a s co n d i çõ e s cr ô n i ca s d e sa ú d e , d est aca- se o d iab et es m ellit u s p ela alt a t ax a d e m o r b i m o r t a l i d a d e , b e m co m o p e l a cr e sce n t e t endência à prevalência. O diabet es m ellit us requer cuidado clínico e educação contínua para a prevenção das com plicações agudas e crônicas( 2).

Am bigüidades e incer t ezas pr ovocadas pelo diabet es m ellit us form am a base para as dem andas/ n ecessi d ad es d as p esso as q u e ap r esen t am essa doença, as quais podem ser de natureza im ediata ou d e l o n g o p r a zo . As d e m a n d a s/ n e ce ssi d a d e s o r i g i n á r i a s d o d i a b et es f o r a m ca t eg o r i za d a s em psicossociais, de aut ocuidado e aquelas relacionadas ao conhecim ent o e habilidades( 3).

Dessa form a, o cuidado integral à pessoa com diabet es deve com preender aspect os psicossociais e cult urais. A educação t erapêut ica é fundam ent al para inform ar, m otivar e fortalecer a pessoa e fam ília, para co n v i v er co m a co n d i çã o cr ô n i ca , o n d e, a ca d a atendim ento, deve ser reforçada a percepção de risco à sa ú d e, o d esen v o l v i m en t o d e h a b i l i d a d es e a m ot ivação para superar esse risco( 4).

Tem sido descrit o que at enção à saúde, que fornece inform ação oportuna, apoio e m onitoram ento, pode m elhorar a adesão, o que reduzirá o ônus das condições crônicas e proporcionará m elhor qualidade de vida às pessoas com diabet es( 1). Nesse sent ido, a

habilidade par a det ect ar e agir m ediant e sinais de p r on t id ão q u e a p essoa ap r esen t a em r elação às m u d an ças d e co m p o r t am en t o e est i l o d e v i d a é im port ant e( 3).

Pa r a su b si d i a r o cu i d a d o à p e sso a co m d iab et es m ellit u s e, id en t if icar p r ov áv eis f at or es int ervenient es nesse processo, realizou- se o present e est udo com o obj et iv o de v er ificar o conhecim ent o que essa pessoa possui sobr e a doença, causas e com plicações advindas do diabet es, dest acando sua im port ância no aut ocuidado.

METODOLOGI A

Est u d o d e scr i t i v o , t i p o t r a n sv e r sa l , d esen v olv id o n o Am b u lat ór io d e En d ocr in olog ia e Met abologia do Hospit al das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeir ão Pr et o da Univ er sidade de São Paulo ( HCFMRP- USP) , ent re abril de 2000 e abril de

2001. Nesse per íodo, for am at endidas 659 pessoas com d iag n óst ico d e d iab et es m ellit u s, com id ad e superior a 20 anos e de am bos os sexos. Desse total, 84 pessoas part iciparam volunt ariam ent e do est udo. A seleção dos part icipant es foi realizada por m eio d os p r on t u ár ios d est in ad os ao at en d im en t o am bulat orial e, no m om ent o em que com pareciam à consult a, for am conv idados a par t icipar do est udo. Par a os concor dant es, foi apr esent ado o t er m o de consent im ent o para ciência e assinat ura.

A colet a d e d ad os f oi r ealizad a m ed ian t e e n t r e v i st a , e m sa l a p r i v a t i v a , u t i l i za n d o - se i n st r u m e n t o se m i - e st r u t u r a d o a p l i ca d o p e l o pesquisador e/ ou assistente, antes ou após a consulta m édica. A dur ação m édia das ent r evist as foi de 45 m inut os.

O inst rum ent o foi previam ent e subm et ido à av aliação apar ent e e de cont eúdo por pr ofissionais que t rabalham na área e t est ados durant e o est udo piloto. A partir das sugestões e dificuldades/ lim itações i d e n t i f i ca d a s r e a l i za r a m - se a s m o d i f i ca çõ e s n ecessár ias. A p r im eir a p ar t e d esse in st r u m en t o i n cl u i u d a d o s d e m o g r á f i co s, so b r e t a b a g i sm o e se d e n t a r i sm o ; a se g u n d a , d a d o s r e f e r e n t e s a o conhecim ento da doença tais com o: o que é diabetes e su a s ca u sa s, e x a m e s l a b o r a t o r i a i s p a r a o diagnóstico e controle e, adicionalm ente, com plicações agudas e crônicas.

Resp o st as r ef er en t es ao co n h eci m en t o e causas do diabet es foram classificadas nas seguint es cat egor ias: cor r et a, par cialm ent e cor r et a, er r ada e não sabe. Par a a cat egor ia cor r et a, consider ou- se, n o m ín i m o , a m e n çã o d e d u a s r e sp o st a s est a b el eci d a s co m o co r r et a s e p a r a a ca t eg o r i a parcialm ent e corret a, apenas um a dessas respost as; a cat egoria errada est abeleceu- se para as respost as incor r et as e par a àquelas que não se r elacionavam com a p er g u n t a; a cat eg or ia n ão sab e, a p essoa ex pr essou essa fr ase.

An á l i se d e d a d o s f o i r ea l i za d a m ed i a n t e cat eg or ização e t r an scr it os p ar a b an co d e d ad os estruturado, utilizando- se o program a Excel, e depois p r ocessad os n o EPI I NFO, p or m eio d a est at íst ica descr it iv a.

O desenvolvim ento deste estudo foi aprovado pelo Com it ê de Ét ica em Pesquisa do HCFMRP- USP, m ediant e o Processo HCRP Nº 7720/ 99.

RESULTADOS

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Online

Tabela 1 - Caract eríst icas sociodem ográficas e clínicas ( n= 84) . Ribeirão Pret o, SP, 2001

? s e t e b a i d é e u q O s e t e b a i d o d s a s u a C a t e r r o

C Parcialmentecorreta Errada Nãosabe

l a t o T o l i t s e , a i r á t i d e r e H e s s e r t s e , a d i v e d o l i t s e u o a i r á t i d e r e H a d i v e d o d a n o i c a l e r o ã N a ç n e o d a m o

c Desconhece

a t e r r o C , s a e r c n â p o n a m e l b o r P o ã n , a n il u s n i z u d o r p o ã n r a c ú ç a o a m i e u q 4

2 - - - 24

a t e r r o c e t n e m l a i c r a

P Açúcarelevadonosangue 15 15 - 6 36

a d a r r

E Nãorelacionadocoma

a ç n e o

d - - - 6 6

e b a s o ã

N Desconhece - - - 18 18

l a t o

T 39 15 - 30 84

%CTCEVGTÈUVKECU 8CNQTGU

+FCFGGOCPQU

Z

rFGUXKQRCFTºQ r

5GZQŌOCUEWNKPQHGOKPKPQ

'PUKPQHWPFCOGPVCNKPEQORNGVQP

8KÕXQQWUQNVGKTQP

#RQUGPVCFQQWFQNCTP

&KCDGVGUVKRQ

6GORQFCFQGPÁCGOCPQU

Z

rFGUXKQRCFTºQ r

6TCVCOGPVQEQOKPUWNKPCP

* 79 pessoas

Na Tabela 2 , apr esen t am - se as cat egor ias das r espost as sobr e o que é diabet es e qu ais su as

cau sas. As r espost as for am cr uzadas par a dest acar o conhecim ent o dos part icipant es.

Tabela 2 - Conhecim ent o sobre o diabet es e suas causas ( n= 84) . Ribeirão Pret o, SP, 2001

Quando quest ionados sobr e o v alor nor m al da glicose sangüínea, som ent e 24( 8,6% ) incluíram -se na resposta correta, entre 70- 110m g/ dl, enquanto que 21( 25% ) apenas expressaram um desses valores. As r e sp o st a s d e 2 2 ( 2 6 , 2 % ) p e sso a s f o r a m consideradas incorret as porque não se enquadravam nest a faixa e 17( 20,2% ) não souberam responder.

Co n si d e r a n d o a i m p o r t â n ci a d o r econhecim ent o dos sinais e sint om as da doença e do diagnóst ico pr ecoce, os quais podem m ot iv ar a p essoa a p r ocu r ar o at en d im en t o p r of ission al d a sa ú d e , i n d a g o u - se a o s p a r t i ci p a n t e s so b r e a s principais queixas que o levaram ao diagnóst ico do diabet es ( Tabela 3) .

Tabela 3 - Sint om as que levaram ao diagnóst ico do diabet es ( n= 83) . Ribeirão Pret o , SP, 2001

s a d i r e f e r s a x i e u Q s e t n a p i c i t r a p s o l e p s a l p i t l ú m s a t s o p s e R a i c n ê ü q e r

F % Acumulada

s i a u s i v s a m e l b o r

P 11 13,3 11

a i s p i d il o

P 21 25,3 32

a i r ú il o

P 14 16,9 46

o ç a s n a

C 6 7,2 52

a c e s a c o

B 4 4,8 56

e d ú a s e d s a m e l b o r p s o r t u

O 59 71,1 115

* s o v it o m s o r t u

O 5 6,0 120

* Consult a de rot ina anual

Ver if icou - se, t am b ém , se os p ar t icip an t es est av am cient es de que o diabet es m al cont r olado pode causar out ros problem as de saúde, 81( 96,4% ) r e sp o n d e r a m a f i r m a t i v a m e n t e e , d e n t r e o s problem as, foram apont adas as com plicações agudas e cr ô n i ca s. Na Ta b e l a 4 a p r e se n t a m - se a s 2 7 6 r espost as obt idas.

Tab el a 4 - Pr o b l em as d e saú d e r el aci o n ad o s o u causados pelo diabetes (n= 81). Ribeirão Preto, SP, 2001

s e t e b a i d o s a m e l b o r p s i a u Q ? e d ú a s a n r a s u a c e d o p s a l p i t l ú m s a t s o p s e R a i c n ê ü q e r

F % Acumulada

a i m e c il g r e p i

H 47 56,0 47

a i m e c il g o p i

H 38 45,2 85

a m o

C 11 13,1 96

e s o d e c a o t e

C 5 6,0 101

s i a n e

R 26 31,1 127

s o c i m l á t f

O 40 47,6 167

s a m e l b o r p /l a u x e s a i c n ê t o p m I s i a n it s e t n i o r t s a

g 26 31,0 193

s e r a l u c s a

V 29 34,5 222

s é p s o

N 39 46,4 261

s o r t u

O 15 17,9 276

DI SCUSSÃO

No e st u d o , o b se r v o u - se u m a p o p u l a çã o adult a, r elat iv am ent e j ov em , com m aior fr eqüência Rev Latino- am Enferm agem 2006 setem bro- outubro; 14( 5)

www.eerp.usp.br/ rlae O conhecim ent o sobre Diabet es Mellit us...

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de m ulheres ( 56% ) , aposent ada ou do lar ( 73,8% ) , com ensino fundam ent al incom plet o ( 58, 3% ) ; com t em po m édio da doença m aior que 10 anos, sendo 85,7% com diabet es m ellit us t ipo 2.

Em e st u d o r e ce n t e( 5 ), r e a l i za d o e n t r e

pacientes com diabetes tipo 2 de longa duração, com a f i n a l i d a d e d e d e scr e v e r o s f a t o r e s cl ín i co s, p si co l ó g i co s e so ci a i s q u e i n t e r f e r e m n o co n h e ci m e n t o , i d e n t i f i co u - se co n h e ci m e n t o insatisfatório sobre a doença, o qual esteve altam ente influenciado pela idade, anos de escolaridade, t em po d e t r at am en t o, f u n ção cog n it iv a, sex o e n ív el d e depr essão.

Out r o est udo r ealizado ent r e pessoas com d i a b e t e s( 6 ), cu j o s o b j e t i v o s f o r a m a v a l i a r o

conhecim ento e m anej o da doença e a relação desse conhecim ent o com o cont r ole do diabet es, m ost r ou que o nív el de conhecim ent o adequado não est av a r elacionado com o cont r ole glicêm ico. Vê- se, nesse est udo, ainda, que o conhecim ent o é apenas um a d a s v a r i á v e i s q u e p o d e i n f l u e n ci a r n o co n t r o l e m etabólico e que o estilo de vida e as crenças podem t am bém t er grande im pact o no com port am ent o das pessoas.

O baix o nív el de escolar idade, cer t am ent e, p od e lim it ar o acesso às in f or m ações, d ev id o ao possível com prom etim ento das habilidades de leitura, escr i t a, com p r een são ou m esm o d a f al a( 7 ). Essa

condição pode reduzir o acesso às oport unidades de ap r en d i zag em r el aci o n ad as ao cu i d ad o à saú d e, especialm ent e ao reconhecer que, de m odo geral, as pessoas adult as desenvolvem seus próprios cuidados diár ios.

Pesso a s co m esse n ív el d e esco l a r i d a d e parecem , tam bém , não valorizar as ações preventivas de doenças e, habit ualm ent e, ret ardam a procura de assi st ên ci a m éd i ca, o q u e r ep er cu t e em g r an d e i m p a ct o e d e m a n d a d e r e cu r so s f i n a n ce i r o s dest in ados à assist ên cia à saú de da popu lação( 7 ).

Adicionalm ente, essa dem ora pode propiciar o agravo da doença.

Nesse sen t id o, d est aca- se a ed u cação d a pessoa com diabet es, com o um aspect o fundam ent al do cu idado n a obt en ção do con t r ole da doen ça e, assim , pr ev enir ou r et ar dar o desencadeam ent o de com p licações ag u d as e cr ôn icas, aj u d an d o- os n a prom oção da qualidade de vida.

O d e se n v o l v i m e n t o p r e co ce e a h i st ó r i a n a t u r a l d a d o e n ça d e v e m se r co m p r e e n d i d o s suficient em ent e bem , para ident ificar parâm et ros de

m edidas na pr ogr essão da doença. Mesm o que os est udos dem onst r em for t e r elação ent r e incidência do diabet es com est ado hiper glicêm ico em j ej um e i n t o l e r â n ci a à g l i co se , o u t r o s f a t o r e s, independent em ent e associados ao desenv olv im ent o da doença, t ais com o idade, hist ória fam iliar, razão cin t u r a- qu adr il, ín dice de m assa cor por al, pr essão a r t e r i a l e n ív e i s d e l i p íd i o s t a m b é m d e v e m se r consider ados( 2).

A com pr eensão desses fat or es de r isco, de form a isolada ou associada, deve est ar present e na p o p u l a çã o g e r a l , p a r a p r o p o r ci o n a r a çõ e s direcionadas à prevenção prim ária, as quais poderiam ser inseridas no com portam ento cotidiano. Nos dados apr esent ados na Tabela 2 , obser v ou- se fragilidade n esse asp ect o, u m a v ez q u e som en t e 2 4 ( 2 8 , 6 % ) pessoas incluír am - se na cat egor ia cor r et a, sobr e o que é diabet es e quais suas causas.

Pôde- se tam bém observar entre os fam iliares da população est udada( 8) escasso conhecim ent o em

relação às m esm as quest ões, o que represent a m ais um fator dificultador no m anej o do diabetes, um a vez que o fam iliar é considerado o suport e m ais próxim o das pessoas com doença crônica.

Ou t r o a sp e ct o r e l e v a n t e co n st i t u i o co n h e ci m e n t o d o s p a r â m e t r o s d e se j á v e i s d e n or m alid ad e d a g licem ia, q u e f oi id en t if icad o em 24( 28,6% ) pessoas. Acredit a- se que o conhecim ent o desses valor es poder á est im ular o envolvim ent o da pessoa no seu aut ocuidado por saber que sua t axa glicêm ica poderá variar dent ro de um a det erm inada faixa e assim auxiliar no m onit oram ent o da glicem ia no dia- a- dia.

Po r u m l a d o , i d e n t i f i co u - se e sca sso conhecim ento, associado ao tem po de doença, à idade e escolar id ad e e, p or ou t r o, t em - se o com p l ex o p r o ce sso d e a p r e e n sã o d e i n f o r m a çõ e s e d e conhecim ent os relacionados à pat ogenia do diabet es, b e m co m o su a i n co r p o r a çã o n o cu i d a d o , caract erizando, na população est udada, problem át ica que m er ece dest aque e que r efor ça a necessidade d e b u scar est r at ég ias in ov ad or as p ar a p r om ov er adesão dessa população ao tratam ento instituído, bem com o conseguir m aior par t icipação nos pr ogr am as educat iv os.

(5)

Online

lim it ado/ im pedido sua incor por ação. Nesse sent ido, os fat or es socioecon ôm icos e cu lt u r ais con st it u em e l e m e n t o s f a ci l i t a d o r e s/ d i f i cu l t a d o r e s p a r a o conhecim ent o, aos quais se associam , t am bém , os aspect os pessoais ( supor t e social/ fam iliar, aspect os psicológicos e percepção da doença) e o acesso aos serviços de saúde.

Um a form a para abordar aspectos relevantes d o cu i d a d o n o d i a b et es, co n st i t u i o s g r u p o s d e or ient ação sist em at izada ou pr ogr am as educat iv os. En t r e t a n t o , é i m p o r t a n t e q u e e sse s p r o g r a m a s considerem as caract eríst icas da população aos quais est ã o d i r i g i d o s, o q u a l o s co n d u zi r á a p r o cu r a r e st r a t é g i a s q u e se j a m ú t e i s p a r a ca d a g r u p o , con sid er an d o id ad e, g r au cog n it iv o, h ab ilid ad es, lim it ações, disponibilidade e int eresses.

No est udo, 20( 23,8% ) pessoas infor m ar am t er part icipado, ou ainda part icipam , de algum grupo d e o r i e n t a çã o ( d a d o s n ã o m o st r a d o s) . Est u d o r e a l i za d o n a m e sm a u n i d a d e a m b u l a t o r i a l , obj et iv an do an alisar as dif icu ldades r elat adas por essas pessoas para participar em grupos de educação, encont r ou t am bém baix a par t icipação e as causas r e l a ci o n a d a s f o r a m : f a l t a d e i n t e r e sse , h o r á r i o inadequado, dificuldades no transporte e m ais de 40% das pessoas não sabiam da exist ência do grupo( 9).

Dessa f or m a, ao t r an sm it ir in f or m ações à p e sso a , p a r a f a v o r e ce r a i n co r p o r a çã o d e conhecim ent os, deve- se considerar os fat ores acim a d e scr i t o s v i sa n d o a d e q u a d o se g u i m e n t o a o t r at am ent o, o qual dev e ser pr opost o em par cer ia entre a pessoa com diabetes e o profissional de saúde, conform e as necessidades individuais. É im port ant e t am bém difundir de for m a apr opr iada e cont ínua a program ação dos grupos educat ivos, disponibilizando os hor ár ios das r euniões, na per spect iv a de obt er m elhor acolhim ent o da população alvo.

Ao serem quest ionados sobre quais exam es lab or at or iais f or am u t ilizad os p ar a d iag n ost icar o diabet es, 41( 48,8% ) part icipant es consideraram o de sangue e 28( 33,3% ) sangue e urina. Em relação aos ex am es par a o con t r ole do diabet es, ao lon go do t em po, 72( 85,7% ) consideram os exam es de sangue e urina e sete( 8,3% ) apenas o de sangue ( dados não m ost rados) . Out ros exam es, t ais com o dosagem de co l est er o l ( HDL, LDL) , t r i g l i cér i d es e cr eat i n i n a, const it uem parâm et ros im port ant es na avaliação do con t r ole m et abólico, por ém , pou co en fat izados n o cuidado da pessoa com diabet es.

Out ro aspect o pouco enfat izado refere- se ao con t r ole d a p r essão ar t er ial, con sid er an d o q u e a

hipert ensão art erial é um a co- m orbidade com um do diabetes( 2). Estudo prospectivo clínico random izado( 10),

i n cl u i n d o , ap r o x i m ad am en t e, 7 0 0 0 p esso as co m diabetes tipo 2, recentem ente diagnosticadas, m ostrou a sso ci a çã o si g n i f i ca n t e e n t r e a i n ci d ê n ci a d e com plicações m acr o e m icr ov ascu lar es e elev ação da pr essão ar t er ial sist ólica. Cada r edu ção de 1 0 m m Hg na m édia da pressão sist ólica foi associada à d i m i n u i çã o d o r i sco e m 1 2 % p a r a q u a l q u e r com plicação r elacionada ao diabet es.

Re ssa l t a - se q u e d a d o s r e f e r e n t e s à s com plicações cr ônicas m icr o e m acr ov ascular es da população do pr esent e est udo for am discut idas em art igo prévio( 11).

Ent r e os sint om as clássicos que lev ar am a pessoa a buscar assist ência à saúde, ident ificou- se polidipsia e poliúria, em baixa proporção ( Tabela 3) , porém , verificou- se, entre a m aioria das pessoas, que o diagnóst ico do diabet es ocorreu em conseqüência de out ros problem as de saúde.

Sabe- se que a duração do tem po entre o início da hiperglicem ia e o diagnóst ico do diabet es m ellit us t ipo 2 é de 9 a 12 anos, pelo fat o da concent ração glicêm ica não ser o suficient em ent e elevada para o aparecim ent o dos sint om as clássicos( 12), aum ent ando

o risco para o desenvolvim ento de com plicações m icro e m acrovasculares( 2,13- 14).

Quant o à presença de com plicações agudas e cr ônicas que o diabet es pode causar, obser va- se n a Tabela 4 , h iper glicem ia, pr oblem as of t álm icos, pr oblem as n os pés e h ipoglicem ia, su ger in do qu e exist e infor m ação sobr e gr avidade da doença ent r e a população est udada.

Em dados não m ost rados, ident ificou- se que 5 4 ( 6 4 , 3 % ) p ar t icip an t es j á f or am in t er n ad os p or algum a dessas com plicações, com m édia de 3,1/ dias de hospitalização. Observa- se que os problem as m ais freqüent es, considerando respost as m últ iplas, foram h iper glicem ia ( 6 3 % ) , com a ( 1 4 , 8 % ) , h ipoglicem ia ( 1 3 % ) e p r ob lem as n os p és ( 1 1 , 1 % ) , d ad os q u e p od em est ar r elacion ad os com a d u r ação e m au cont role do diabet es, sinalizando um a população de risco para as com plicações.

Ap r ox im ad am en t e 3 3 % d as p essoas com diabetes são hospitalizadas durante os prim eiros anos da doen ça por com plicações agu das, passív eis de serem prevenidas com bom controle glicêm ico, sendo que as condições de hiper glicem ia, hipoglicem ia e ce t o a ce d o se d i a b é t i ca r e p r e se n t a m 2 4 % d a s int ercorrências no serviço de em ergência( 14).

Rev Latino- am Enferm agem 2006 setem bro- outubro; 14( 5) www.eerp.usp.br/ rlae O conhecim ent o sobre Diabet es Mellit us...

(6)

Em sín t ese, os dados do pr esen t e est u do co n d u zem à p er cep ção d a f r ag i l i d ad e d as açõ es prevent ivas, em virt ude dos escassos conhecim ent os b ásicos sob r e a d oen ça, cau sas, sin ais/ sin t om as, m a n e j o e p r e v e n çã o d e co m p l i ca çõ e s a g u d a s e cr ôn icas.

Os co n t eú d o s i n v est i g a d o s n est e est u d o geralm ente são incluídos nos program as de educação em diabet es. No ent ant o, a part icipação das pessoas é reduzida, possivelm ente pela dificuldade no acesso, disponibilidade e m ot ivação pessoal.

Algum as das razões para a baixa participação nesses grupos podem ser at ribuídas ao fat o dessas pessoas pr ocur ar em por assist ência m édica apenas em sit uações agudas. Por out r o lado, ainda não se dispõe de núm ero suficiente de profissionais de saúde par a se dedicar em , ex clu siv am en t e, às at iv idades educat ivas e prevent ivas. Além do reduzido núm ero, pode- se acr escen t ar aspect os r elacion ados com a for m ação pr ofissional, que pr ior iza ações cur at iv as em det rim ent o das prevent ivas.

Profissionais dedicados às ações prevent ivas/ e d u ca t i v a s d e v e m e st a r f a m i l i a r i za d o s co m est rat égias educat ivas, que lhes perm it am adequar-se à s n e ce ssi d a d e s e l i m i t a çõ e s d o s a d u l t o s part icipant es, ent endendo que, de m odo geral, esse grupo de pessoas possui baixa escolaridade e pode não ter interesse por esse tipo de atendim ento. Nesse sentido, é necessário que o conteúdo das inform ações sej a t r ansfer ido de for m a sim plificada, por ém , que t enha im pact o na população alv o, m ot iv ando- os a aprender sobre a doença e a assum ir, de form a ativa, seu papel no t rat am ent o e cuidado, int egrando sua est rut ura pessoal, crenças e est ado psicossocial.

Al g u m a s e st r a t é g i a s p a r a e sse t i p o d e população, incluem as t eorias de m odelo de crenças em saúde, auto- eficácia, lócus de controle, dissonância co g n i t i v a, d i f u são , est ág i o s d e ap r en d i zag em e, finalm ent e, a t eoria de adult os( 7).

Ca d a u m a d e ssa s t e o r i a s r e q u e r a m p l o conhecim ento e prática, conform e o entendim ento do pr ofissional e da população alv o. Essas est r at égias de int er - r elação ent r e par t icipant es e pr ofissionais podem aj udar no apr endizado dos par t icipant es e, co n se q ü e n t e m e n t e , o s m e sm o s t e r ã o m e l h o r seguim ento ao tratam ento, destacando a pessoa com o prot agonist a no cuidado de sua doença.

Sa l i e n t a - se q u e o f o r n e ci m e n t o d e i n f o r m a çõ es en t r e o s a p r en d i za d o s d ev e i n cl u i r in f or m ações sig n if icat iv as p ar a as p essoas, caso

contrário, as m esm as não serão integradas a seu stock d e co n h e ci m e n t o s e h a b i l i d a d e s. D e ssa f o r m a , conhecer os int eresses e conhecim ent os prévios dos p a r t i ci p a n t e s é f a se i m p o r t a n t e d o p r o ce sso educat ivo( 6). Nesse m arco, as at ividades devem ser

program adas de acordo as necessidades ident ificadas e conform e cada contexto situacional, incluindo o grau de risco para com plicações.

O co n h e ci m e n t o so b r e o d i a b e t e s e a im p or t ân cia n o p r ocesso d e au t ocu id ad o p er m it e v alor izar a necessidade de sensibilizar a população acerca dos fat ores de risco para o desenvolvim ent o d o d i a b e t e s, b e m co m o d e su a s co m p l i ca çõ e s crônicas entre os diagnosticados. Tais aspectos devem ser cont em plados nos pr ogr am as educat iv os e nas cam panhas de rastream ento do diabetes m ellitus para despert ar m ot ivação e int eresse.

CONCLUSÕES

No est u do f or am apon t ados aspect os q u e dificult am o pr ocesso de apr endizagem , t ais com o idade ( m édia de 53,3± 13 anos) , t em po de doença ( m édia de 12,9± 9 anos) e baixo nível de escolaridade ( 5 8 % t i n h a e n si n o f u n d a m e n t a l i n co m p l e t o ) , co n d i çõ es q u e p o d em l i m i t a r a i n co r p o r a çã o d e inform ações nessa população e, conseqüent em ent e, com p r om et er a p r ev en ção e d iag n óst ico p r ecoce, além da predisposição para as com plicações.

No est udo t am bém foram apont ados out ros aspectos que interferem no processo de aprendizagem t ais com o os fat ores biopsicossociais e o acesso aos serviços de saúde.

Em relação ao conhecim ent o sobre “ o que é d iab et es” e “ q u ais su as cau sas”, v er if icou - se q u e apenas 24( 28,6% ) da população est udada incluíram se na categoria correta e outras 24( 28,6% ) incluíram -se na cat egoria errada ou não sabiam .

Consider ando r espost as m últ iplas, 71% da população est udada foi diagnost icada sem apresent ar os sintom as clássicos do diabetes e 64% foi internada por algum a com plicação aguda ou crônica t ais com o h iper glicem ia ( 6 3 % ) , com a ( 1 4 , 8 % ) , h ipoglicem ia ( 13% ) e problem as nos pés 11% ) .

(7)

Online

dificult ando o acesso às infor m ações fundam ent ais, si n a l i za n d o a o s p r o f i ssi o n a i s a n ecessi d a d e d e r edir ecionar as est r at égias par a o at endim ent o da p e sso a co m d i a b e t e s, co n si d e r a n d o o s f a t o r e s biopsicossociais e recursos exist ent es na unidade de saúde.

AGRADECI MENTOS

Este artigo é decorrente do Proj eto I ntegrado do CNPq - Conselho Nacional de Pesquisa, 520309/

98- 7 intitulado “ O enferm eiro na prevenção e detecção p r eco ce d as co m p l i caçõ es em ex t r em i d ad es d o s m e m b r o s i n f e r i o r e s d a s p e sso a s p o r t a d o r a s d e diabetes m ellitus” ; vigente no período de m arço 1999 a fevereiro 2001.

Ao Prof. Dr. Moacyr Lobo da Costa Júnior, pela assessoria na estruturação dos instrum entos de coleta de dados. À enferm eira Andréa Mathes Faustino, pela su a co l a b o r a çã o n a co l e t a d e d a d o s e n q u a n t o est udant e da graduação e à Dra. Miyeko Hayashida, enferm eira especialist a em laborat ório da EERP- USP, pelo apoio est at íst ico.

REFERÊNCI AS BI BLI OGRÁFI CAS

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Recebido em : 2.3.2005 Aprovado em : 11.7.2006

O conhecim ent o sobre Diabet es Mellit us...

Pace AE, Ochoa- Vigo K, Caliri MH, Fernandes APM.

Referências

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