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J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número5

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Academic year: 2018

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www.jped.com.br

ARTIGO

ORIGINAL

Maternal

depression

and

anxiety

and

fetal-neonatal

growth

Tiago

Miguel

Pinto

a,∗

,

Filipa

Caldas

b

,

Cristina

Nogueira-Silva

c,d,e

e

Bárbara

Figueiredo

a

aUniversidadedoMinho,EscoladePsicologia,Braga,Portugal

bUniversidadedoMinho,EscoladeCiênciasdaSaúde,Braga,Portugal

cUniversidadedoMinho,EscoladeCiênciasdaSaúde,InstitutodePesquisaemCiênciasdeVidaeSaúde(ICVS),Braga,Portugal

dICVS/3B’s---PTGovernmentAssociateLaboratory,Braga/Guimarães,Portugal eHospitaldeBraga,DepartamentodeObstetríciaeGinecologia,Braga,Portugal

Recebidoem21deagostode2016;aceitoem10denovembrode2016

KEYWORDS Maternaldepression; Maternalanxiety; Fetal-neonatal growthoutcomes; Fetal-neonatal growthtrajectories

Abstract

Objective: Maternaldepressionandanxietyhave beenfound tonegativelyaffect fetaland

neonatalgrowth. However, the independent effectsofmaternal depression andanxietyon fetal-neonatalgrowthoutcomesandtrajectoriesremainunclear.Thisstudyaimedtoanalyze simultaneouslytheeffectsofmaternalprenataldepressionandanxietyon(1)neonatalgrowth outcomes,and(2),onfetal-neonatalgrowthtrajectories,fromthe2ndtrimesterofpregnancy tochildbirth.

Methods: A sample of172 women was recruited andcompleted self-reportedmeasures of

depressionandanxietyduringthe2ndand3rdtrimestersofpregnancy,andatchildbirth.Fetal andneonatalbiometrical datawere collectedfromclinicalreports atthesameassessment moments.

Results: Neonates of prenatally anxious mothers showed lower weight (p=0.006), length

(p=0.025),andponderal index(p=0.049)atbirth thanneonates ofprenatallynon-anxious mothers.Moreover,fetuses-neonatesofhigh-anxietymothersshowedalowerincreaseofweight fromthe2ndtrimesterofpregnancytochildbirththanfetuses-neonatesoflow-anxietymothers (p<0.001).Considering maternal depressionand anxiety simultaneously,onlythe effectof maternalanxietywasfoundonthesemarkersoffetal-neonatalgrowthoutcomesand trajecto-ries.

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.11.005

Comocitaresteartigo:PintoTM,CaldasF,Nogueira-SilvaC,FigueiredoB.Maternaldepressionandanxietyandfetal-neonatalgrowth. JPediatr(RioJ).2017;93:452---9.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](T.M.Pinto).

(2)

Conclusion: Thisstudydemonstratestheindependentlongitudinaleffectofmaternalanxietyon majormarkersoffetal-neonatalgrowthoutcomesandtrajectories,simultaneouslyconsidering theeffectofmaternaldepressionandanxiety.

©2017SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/ 4.0/).

PALAVRAS-CHAVE Depressãomaternal; Ansiedadematernal; Resultados

decrescimentofetal eneonatal;

Trajetórias

decrescimentofetal eneonatal

Depressãoeansiedadematernalecrescimentofetal-neonatal

Resumo

Objetivo: Foiconstatadoqueadepressãoeansiedadematernaafetamnegativamenteo

cres-cimentofetaleneonatal.Contudo,oefeitoindependentedadepressãoeansiedadematerna sobreosresultadoseastrajetóriasdecrescimentofetaleneonatalcontinuaincerto.Esteestudo visouaanalisarsimultaneamenteoefeitodadepressãoeansiedadematernapré-natal(1)sobre osresultadosdecrescimentoneonatale(2)sobreastrajetóriasdocrescimentofetal-neonatal apartirdo2◦trimestredegravidezatéoparto.

Métodos: Umaamostrade172mulheresfoirecrutadaeelasrelataramgrausdedepressãoe

ansiedadeno2◦ e3trimestredegravidezeparto.Osdadosbiométricosfetaiseneonatais

foramcoletadosdosprontuáriosclínicosnasmesmasondasdeavaliac¸ão.

Resultados: Os neonatos de mães ansiosas no período pré-natal mostraram menor peso

(p=0,006),comprimento(p=0,025)eíndiceponderal(p=0,049)nonascimentodoqueos neo-natosdemãesnãoansiosasnoperíodopré-natal.Alémdisso,osneonatosdemãesmuitoansiosas mostraramummenoraumentodepesodo2◦ trimestredegravidezatéopartoqueos

fetos--neonatosdemãespoucoansiosas(p<0,001).Considerandosimultaneamenteadepressãoea ansiedadematernal,apenasoefeitodaansiedadematernafoiconstatadonessesmarcadores deresultadosetrajetóriasdecrescimentofetal-neonatal.

Conclusão: Esteestudodemonstraoefeitolongitudinalindependentedaansiedadematerna

sobreosprincipaismarcadoresderesultadosetrajetóriasdecrescimentofetal-neonatal, con-siderandosimultaneamenteoefeitodadepressãoeansiedadematerna.

©2017SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigo OpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4. 0/).

Introduc

¸ão

Asconsequênciasdecurtoprazodadepressãoeansiedade pré-natalsobreasaúdefísicadamulher grávida referem--se a complicac¸ões obstétricas e sintomas físicos, ambos associadosa menorcrescimentofetale neonatalemenor maturac¸ãodosistemanervosoautônomo(SNA).1,2A

depres-sãoeaansiedadecompartilhamumaviagenéticacomume

normalmenteaparecem simultaneamente,tornamdifícila

avaliac¸ãodeseuefeitoindependente.Assim,aoanalisaro

efeitodadepressãoeansiedadematerna,podeser

impor-tanteconsiderarambassimultaneamente,afimdecontrolar

seuefeitomútuoemelhoridentificaroefeitoindependente

decadauma.3

Diferentes estudos constataram um efeito semelhante

da depressão e ansiedade materna pré-natal sobre o

crescimento fetal, comportamento e maturac¸ão do

sis-tema nervoso autônomo(SNA). Constatou-se que osfetos

de mães depressivas e ansiosas apresentam menor peso

estimadoemaioratividadefetaltotal.4---6Alémdisso,

estu-dos mencionaram que os fetos de mães depressivas e

ansiosas mostraram uma maior reatividade da

frequên-cia cardíaca em comparac¸ão com os fetos de mães sem

depressãoenãoansiosas.2,7---10

Ademais, os estudos também constataram um efeito

semelhante da depressão e ansiedade materna pré-natal

sobre o crescimento neonatal, comportamento e

resul-tados de maturac¸ão. Neonatos de mães depressivas e

ansiosasnoperíodopré-natalapresentarammaiorriscode

nascerprematuramenteecom menorpeso, ambos

impor-tantesproblemas de saúde infantil.11---13 Constatou-se que

os neonatos de mães depressivas e ansiosas apresentam

padrõesdesonodesorganizadosefrequentesmudanc¸asde

humor.2Umamenormaturac¸ãotambémfoiconstatadaem

neonatos de mães depressivase ansiosas noperíodo

pré--natal, inclusive menos tônus vagal e menor maturidade

neurocomportamental.2,11,13,14 Adicionalmente,

constatou--se que os neonatos de mães depressivas e ansiosas no

período pré-natal mostram maiores níveis de cortisol e

menoresníveisdedopaminaeserotonina,emcomparac¸ão

comosníveishormonaisdeneonatosdemãessem

depres-sãoe nãoansiosasno períodopré-natal.15 Outros estudos

tambémrelataramqueosneonatosdemãesdepressivase

ansiosasnoperíodopré-natalapresentamaumentonastaxas

deinternac¸ãonaunidadedecuidadoneonataleretardodo

crescimentoduranteoprimeiroanodevida.16,17

Poucosestudos consideraram simultaneamente

(3)

crescimento e comportamento fetal-neonatal. Ao

consi-derar simultaneamente depressão e ansiedade maternal,

os estudos apenas constataram um efeito independente

da ansiedade maternal sobre o crescimento e

comporta-mento fetal-neonatal.18---20 Um estudo transversal apenas

constatou o efeito da ansiedade maternasobre o

cresci-mento e comportamentofetal (osfetos de mãesansiosas

apresentaram menor peso estimado e maior atividade na

metadedagravidez).18Adicionalmente,doisestudos

longi-tudinaisconstataramapenasoefeitodaansiedadematernal

sobreastrajetóriasdecrescimentofetal-neonatal(amaior

ansiedadematerna durantea gravidezfoiassociada a um

menoraumentodopesofetal-neonatal).19,20Contudo,esses

estudosincluíramapenasumaavaliac¸ãodadepressãoe

ansi-edadematernapré-natal (durantea gravidez)ao analisar

seuefeitosobreocrescimentofetal-neonatal,nãoabordou

oefeitolongitudinaldadepressãoeansiedadematerna.

Constatou-se que a depressão e ansiedade materna

afetam negativamente o crescimento fetal e neonatal.

Apesardeessesefeitos teremsidoamplamente

documen-tadosna literatura,oefeitoindependentedadepressãoe

ansiedadematernasobreosresultadosetrajetóriasde

cres-cimentofetal-neonatalcontinuaincerto.Ademais,háuma

faltadeestudosquetenhamabordadosimultaneamenteo

efeitolongitudinalindependentedadepressãoeansiedade

maternasobreastrajetóriasdecrescimentofetal-neonatal.

Este estudo visou a analisar simultaneamente o efeito da

depressãoeansiedadematernapré-natal(1)sobreos

resul-tadosneonatais e (2) sobreastrajetórias do crescimento

fetal-neonatal a partir do2◦

trimestre de gravidez até o

parto.

Método

Participantes

A amostra foi composta de 172 mães recrutadas no Centro Hospitalar do Porto no 1◦

trimestre de gravidez (8-14semanasdegestac¸ão).Oscritériosdeinclusãoforam: conseguirlereescreverem português;moraremPortugal porpelo menos umano; estar com 14 semanas de gravi-dez; e gestac¸ões únicas sem complicac¸ões médicas e/ou obstétricas. Das 172 mães que concluíram a 1a

onda de avaliac¸ão, 88,4% (n=152) concluíram todasas três ondas deavaliac¸ão.

Procedimentos

Este estudo foi conduzido de acordo com a Declarac¸ão de Helsinque e aprovado previamente pelo Comitê de Éticadetodasasinstituic¸õesenvolvidas.As mulheresque desejaramparticiparforneceramumconsentimento infor-mado por escrito, depois de explicados os objetivos e procedimentosdoestudo.Esteestudotinhaummodelo lon-gitudinalcomtrêsondasdeavaliac¸ão:2◦trimestrede

grav-idez(20-24semanasdegestac¸ão),3◦

trimestredegravidez (30-34semanasdegestac¸ão)eparto(1-3diaspós-natal).As mãesrelataramrepetidamentegrausdedepressãoe ansi-edade.Osregistros obstétricose dadosbiométricosfetais eneonataisforamcoletadosdosprontuáriosclínicosno2◦

e3◦ trimestredegravidezenoparto.Paraevitarpossíveis

errosrelacionadosàidadeestimada,aidadegestacionalfoi estimadacombasenoúltimoperíodomenstrualdasmãese confirmadacomasmedic¸õesdoultrassom.

Medidas

Asinformac¸õessociodemográficaseobstétricasforam obti-dascom umquestionáriosociodemográfico.Para avaliara depressão maternal, foi usada a versão em português da Escala deDepressãoPós-PartodeEdimburgo(EPDS).21,22 A

EPDS é uma escala de autorrelato composta de 10 itens

em uma escala Likert de 4 pontos. Um ponto de corte

de 10 foi sugerido para detectar depressão em

mulhe-res portuguesas.22 Vários estudos usaram essa escala em

mulheres durante a gravidez e no período pós-natal.18---20

A versãoem português daEPDS mostrou boaconsistência

internaem mulheresduranteagravideze noperíodo

pós--natal (␣=0,85).18,22 No presente estudo, os coeficientes

alfadeCronbachvariaramde0,84a0,85.

Para avaliar a ansiedade maternal, foi usada a versão

em português do Inventário de Ansiedade Trac¸o-Estado

(Idate).23,24 O Inventário de Ansiedade Trac¸o-Estado é

composto de duas subescalas: uma para avaliar a

ansi-edade como um estado emocional (Idate) e outra para

avaliarotrac¸odeansiedade,cadaumadelascom20itens

classificadosem umaescalaLikert de4pontos.Umponto

de corte de 45 foi sugeridopara detectar ansiedade alta

em mulheres portuguesas.24 Vários estudos usaram essa

medida em mulheres durante a gravidez e no período

pós-natal.18,19AversãoemportuguêsdaIdatemostrouboa

consistênciainternaem mulheresdurante agravidezeno

períodopós-natal(o␣varioude0,87a0,93).24Nopresente

estudo,oscoeficientesalfadeCronbachdoIdatevariaram

de0,89a0,93.

Paraavaliarocrescimentofetal,o pesofetalestimado

(medidoemgramas)foiobtidodosultrassonsobstétricosno

2◦ e3trimestredegravidez.Essasmedidasforamobtidas

seguindoumprotocolopadrãodemedic¸ãoclínica,porum

obstetra daequipedepesquisa.O pesofetalestimadofoi

calculadocomafórmuladeHadlock.25

Para avaliar os resultados de crescimento neonatal, o

peso neonatal,o comprimento (medido em centímetros),

o índice ponderal(100 x [peso/comprimento]3) e a idade

gestacionalnonascimentoforamcoletadosdosprontuários

médicos.Essasmedidasforamsugeridasporumapesquisa

anterior como importantes marcadores de crescimento e

resultadosfetal-neonatal.18---20

Estratégiadeanálisededados

Para analisarsimultaneamenteo efeitodadepressãoeda ansiedadematernanoperíodopré-natalsobreosresultados neonatais,foifeitaumaAnáliseMultivariadadeCovariância (Mancova)Bidirecional.Nomodelo,adepressãoea ansie-dade maternanoperíodopré-natal(médiadosescoresno 2◦

e3◦

trimestredegravidez;codificadacomo0=EPDS<10 e 1=EPDS ≥ 10 para depressão; 0=Idate<45 e 1=Idate ≥45paraansiedade)foramincluídascomovariáveis

(4)

dagravidezeoconsumodetabacoecaféduranteagravidez foramincluídoscomocovariáveis.AMancovaBidirecionalfoi feitacomoSPSS(IBMCorp;SPSSEstatísticaparaWindows, versão23.0.NY,EUA).Amedidadetamanhodoefeitodoeta quadradoparcial(␩p2)foiapresentadaparaosresultadosda

MancovaBidirecional.

Para analisarsimultaneamente o efeitodadepressãoe ansiedade materna sobre o crescimento e as trajetórias fetal-neonatal,osmodelosdecurvadecrescimento(MCC) foramestimadoscomamodelagem multinível.Otempo0 foidefinidocomoadatadaprimeiraavaliac¸ãono2◦

trimes-tre degravidez (base) e o tempo variávelfoi classificado emsemanasdesdeabaseatéoparto.Osescoresdaescala depesofetal-neonatal, depressãomaterna(escoresEPDS) esintomasdeansiedade(escoresIdate)foramexaminados emcada ondadeavaliac¸ão.Osefeitos fixosparaos sinto-masdedepressãoeansiedadematerna(efeitosvariáveisno tempocentradosem suasgrandesmédias)foramincluídos nomodelo.Foramfeitosdoismodelos(incondicionalecom preditores).Opesodamãeantesdagravidezeoconsumo detabacoe caféduranteagravidezforamincluídoscomo covariáveis.Asinterac¸õessignificativasforaminterpretadas egrafadascomumdesviopadrãoacimaeabaixodagrande médiadasvariáveispreditorascomovaloresaltosebaixos. Foifeitoumtestede diferenc¸adedesvio entreomodelo incondicionale omodelo compreditoresparaexaminaras melhoriasdeajuste nosmodelos.OsMCCforamfeitosem umconjunto dedadospares-pessoa-período coma versão 23.0doSPSS(SPSSInc.,EUA).Osdadosresultantes consis-tiramem516possíveisobservac¸ões(172participantespor3 pontostemporais).Otamanhodoefeitorfoiestimadopara todososefeitossignificativos.

Resultados

Quase todas as mães eram portuguesas (92,1%), brancas (94,8%), casadas ou em coabitac¸ão (86,8%) e moravam com oparceiro (86,2%). Maisdametade tinhaentre 18e 29anos(M=27,69,DP=5,82),pertenciaaumnível socioe-conômico médio-baixo oubaixo (62,0%),tinha empregado (67,1%) e entre nove e 12 anos de escolaridade (54,5%). Alémdisso,maisdametadedasmãeseraprimípara(52,1%), tevepartoeutócico(comousemepidural;56,3%).A maio-riarelatouquenãofumouduranteagravidez(83,8%),mais dametaderelatou nãoterconsumidocafé(70,7%)etodas relataramnãoterem consumidoálcool edrogasdurante a gravidez.

Maisdametadedosneonatoseramenino(56,3%)enasceu comcomprimentode≥50cm(63,5%).Amaiorianãofoi

rea-nimadanonascimento(94,0%),nasceucompesoentre2.500 e4.199g(91,0%),índiceponderal≥2,50(81,2%),idade

ges-tacionalaonascer≥37semanas(95,8%)eapresentouíndice

deApgarentre7e 10no1◦ (92,6%)e5minutos(98,8%),

respectivamente(tabela1).

Nenhumaassociac¸ãoediferenc¸afoiencontradaentreas

mãesqueconcluírameaquelasquenãoconcluíramastrês

ondasdeavaliac¸ão,comrelac¸ãoàsvariáveisdasmãesedos

neonatos.

Adicionalmente, nenhuma associac¸ão e diferenc¸a foi

encontradaentreasmãesqueconcluírameaquelasquenão

Tabela 1 Característicasobstétricasesociodemográficas dasmãesedadosbiométricosdosneonatos

Mães n=172(%) Idade(anos) 15-17 4,8

18-29 51,5 30-41 43,7 Nível

socioeconômico

Alto 15,7

Médioalto 4,7 Médio 17,6 Médiobaixo 22,2 Baixo 39,8 Situac¸ão

profissional

Empregada 67,1 Desempregada 25,7 Donadecasa/estudante 7,2 Escolaridade(em

anos)

<9 27,5

9-12 54,5

>12 18,0 Paridade Primíparas 52,1 Multíparas 47,9 Tipodeparto Eutópico 56,3 Distócico 43,7 Consumode

tabaco

Sim 16,2

Não 83,8

Consumodecafé Sim 29,3

Não 70,7

Neonatos n=168(%) Sexo Masculino 56,3

Feminino 43,7 Reanimac¸ão Sim 6,0

Não 94,0

Peso(g) <2500 6,6 2500-4199 91,0

≥4200 2,4

Comprimento(cm) <50 63,5

≥50 36,5

Índiceponderal <2,50 18,8

≥2,50 81,2

Idadegestacional aonascer (semanas)

<37 4,2

≥37 95,8

concluíramastrêsondasdeavaliac¸ãoemtodasasvariáveis doestudoemcadaondadeavaliac¸ão.

Foram feitas as estatísticas descritivas de todas as variáveis do estudo em cada avaliac¸ão (tabela 2). Foram

encontradasassociac¸õessignificativasentreasvariáveisdo

estudonoinício(variac¸ãoderde−0,289,p<0,05,a0,652,

p<0,001).Nãofoiencontradaassociac¸ãoentreopesofetal

(5)

Tabela2 Estatísticasdescritivadasvariáveisdoestudocomotempo Gravidez

2◦trimestre 3trimestre Parto

Depressão n=172(%) n=165(%) n=160(%)

Nãodepressiva(EPDS<10) 75,6 75,8 76,3 Depressiva(EPDS≥10) 24,4 24,2 23,7

Ansiedade n=170(%) n=164(%) n=160(%)

Nãoansiosa(Idate<45) 84,1 76,8 79,9

Ansiosa(Idate≥45) 15,9 23,2 23,1

M DP M DP M DP

Pesofetal-neonatal 417,51 120,66 1722,36 397,96 3177,64 479,97 Sintomasdepressivos 6,78 4,38 6,48 4,39 6,17 4,84 Sintomasdeansiedade 36,48 8,98 37,77 10,28 36,66 10,32

DP,desviopadrão;EPDS,EscaladeDepressãoPós-partodeEdimburgo;Idate,inventáriodeansiedadetrac¸o-estado;M,média.

Efeitodadepressãoeansiedadematernapré-natal

sobreosresultadosdecrescimentoneonatal

A Mancova Bidirecional revelou efeitos multivariados sig-nificativos de ansiedade materna pré-natal sobre os resultadosdecrescimentoneonatal,Wilk’sLambda=0,91,

F (4,142)=3,29, p=0,013, ␩p2=0,09. Os resultados

reve-laramefeitosunivariados daansiedadematernal pré-natal sobre o peso neonatal, o comprimento neonatal e o índiceponderalneonatal.Osneonatosdemãesansiosasno períodopré-natal mostrarammenor peso, comprimento e índiceponderalnonascimentodoqueosneonatosdemães nãoansiosasnoperíodopré-natal.Nãofoiencontradoefeito univariado significativo da ansiedade materna pré-natal sobreaidadegestacionalneonatalaonascer(tabela3).

Não foiencontrado efeito multivariado significativo da

depressãomaterna pré-natalsobre osresultados de

cres-cimento neonatal, Wilk’s Lambda=0,95, F (4,142)=1,92,

p=0,110,␩p2=0,05.

Efeitodadepressãoeansiedadematernasobre

astrajetóriasdecrescimentofetal-neonatal

apartirdo2trimestredegravidezatéo

nascimento

Importantes efeitos com relac¸ão ao tempo foram encon-trados sobre o peso fetal-neonatal, b=96,71, SE=1,71, IC de 95%=[93,33,100,08], p<0,001, tamanho do efeito

r=0,95.Do2◦

trimestredegravidezatéonascimento,houve aumentonopesofetal-neonatal,emmédia,97gramaspor semana.Alémdisso,foramencontradosefeitosdeinterac¸ão dossintomasdeansiedade etempo, b=2,65,SE=0,10,IC de95%=[2,45,2,86],p<0,001,tamanhodoefeitor=0,86. Osfetos-neonatos demães muito ansiosas mostraram um menoraumentodepesoapartirdo2◦trimestredegravidez

atéonascimentoqueosfetos-neonatosdemãespouco

ansi-osas(fig.1).Nãoforamencontradosefeitosimportantesdos

sintomasdaansiedadematernasobreopesofetal-neonatal.

Não foram encontrados efeitos importantes dos

sinto-masdedepressãomaternasobreopesofetal-neonatal.Da

mesmaforma,nãoforamencontradosefeitosdainterac¸ão

entreossintomasdedepressão dasmãese tempoe

efei-tosdainterac¸ãoentreossintomasdedepressãomaterna,

os sintomas de ansiedade materna e tempo. Os efeitos

deintercepc¸ãoealeatórios(intercepto+tempo;residuais)

foram estatisticamente significativos (todos p<0,001). O

teste de diferenc¸a de desvio mostrou que o modelo com

preditores (sintomas de depressão e ansiedade materna)

forneceu melhor adequac¸ão aos dados, ␹2(5)=138,87,

p<0,001.

Discussão

Considerando simultaneamente o efeito da depressão e ansiedade materna no período pré-natal, foi encontrado umefeitoindependentesignificativodaansiedadematerna pré-natalsobreos principaismarcadoresde resultadosde crescimento neonatal. Os neonatos de mães ansiosas no período pré-natalmostraram menor peso, comprimentoe índiceponderalnonascimentodoqueosneonatosdemães não ansiosas no período pré-natal. Esses resultados são compatíveiscom umapesquisa anteriorquerelata queos neonatosdemãesansiosasnasceramcommenorpeso, com-primentoeíndiceponderal.2Adicionalmente,considerando

simultaneamente a depressão e ansiedade materna, foi

encontradoumefeitodeinterac¸ãosignificativodossintomas

deansiedade maternae temposobreumprincipal

marca-dordecrescimentofetal-neonatal.Esseresultadosugereo

efeitodossintomasdeansiedadematernasobreas

trajetó-riasdecrescimentofetal-neonatalapartirdo2◦

trimestre

degravidezatéo nascimento.Osfetos-neonatosdemães

ansiosas mostraram ummenor aumento depeso, a partir

do 2◦ trimestre de gravidez atéo nascimento,do que os

fetos-neonatosdemãesnãoansiosas.Essesachados

suge-riramque a ansiedade maternaafetanegativamenteesse

importante marcador de trajetóriasnormativas de

cresci-mento fetal-neonatal a partir do período pré-natal até o

nascimento,mesmoaoconsiderarsimultaneamenteoefeito

dadepressãomaterna.Esseresultadoécompatívelcomuma

pesquisaanteriorqueconstatouummenoraumentodepeso

emfetos-neonatosdemãesansiosasqueosfetos-neonatos

(6)

depression

and

anxiety

,

fetal-neonatal

growth

457

Tabela3 Efeitodadepressãoeansiedadematernapré-natalsobreosresultadosdecrescimentoneonatal

Depressãopré-natal Ansiedadepré-natal Nãodepressiva Depressiva Nãoansiosa Ansiosa (n=114) (n=39) (n=122) (n=28)

Resultadosdecrescimento M DP M DP F df ␩p2 M DP M DP F df ␩p2

Peso 3213,74 465,79 3088,21 517,33 2,85 1,145 0,02 3.360,21 397,12 3.142,34 495,21 12,36b 1,145 0,08

Comprimento 48,66 2,19 48,18 2,35 1,24 1,145 0,01 48,96 2,09 48,43 2,27 5,11a 1,145 0,03

Índiceponderal 2,79 0,36 2,74 0,20 1,99 1,145 0,02 2,86 0,27 2,75 0,34 3,96a 1,145 0,03

Idadegestacionalaonascer 38,89 1,29 38,57 1,50 0,85 1,145 0,00 38,81 1,17 38,80 1,40 0,26 1,145 0,00

DP,desviopadrão;M,média.

Observac¸ão:Opesodamãeantesdagravidezeoconsumodetabacoecaféduranteagravidezforamincluídoscomocovariáveis.

a p<0,05.

(7)

4000

3500

3000

2500

2000

1500

1000

500

2º trimestre 3º trimestre

Frequência de avaliações

Peso fetal/neonatal

Parto

Mães muito ansiosas Maes pouco ansiosas

552,37

538,81

3.075,83

2.270,79

Figura1 Trajetóriasdopesoestimadoparafetos-neonatosdemãesmuitoansiosasepoucoansiosas.

Vários mecanismos subjacentes foram sugeridos para explicar o efeito da ansiedade maternal sobre o cres-cimento fetal-neonatal. Mecanismos epigenéticos foram propostos como possíveis mediadores do efeito da ansie-dadepré-natalsobreocrescimentofetal-neonatal.Estudos sugeriram que a ansiedade pré-natal podealterar a fisio-logia fetal permanentemente, a saberuma hiperativac¸ão do eixo Hipotálamo Pituitária Adrenal (HPA).26,27 A

lite-ratura também sugeriu a hiperativac¸ão do HPA das mães

como um mediador do efeito da ansiedade materna

pré--natal sobre o crescimento fetal-neonatal.28 A ansiedade

pré-natalpodeserumfatordeestresseparamulheres

grá-vidas, estimular o eixo HPA a produzir maiores níveis de

glicocorticoides. Os glicocorticoides maternos podem ser

transduzidospara o feto pelo transporte transplacentário

epela liberac¸ão induzidapelo estressedehormônios

pla-centáriosna circulac¸ãofetal. Oaumentonocortisol fetal

contribuiparaamaturac¸ãodossistemasdosórgãos,

neces-sária para a sobrevida extrauterina. Contudo, os níveis

excessivosdeglicocorticoidefeto-placentáriopodem

resul-taremrestric¸ãodocrescimentointrauterino.28Alémdisso,

a ansiedade maternapré-natal tem sido associada a uma

reduc¸ãogeralnoconsumoalimentícioemenoringestãode

vitaminasessenciaise ácidos graxos (p. ex., ácidofólico,

vitaminaB12).29

As principais preocupac¸ões com relac¸ão ao baixo peso

aonascer,comprimentoeíndice ponderalsurgiramdevido

a seu efeito negativo sobre a saúde infantil, associada à

maior mortalidade perinatal: ventilac¸ão mecânica, apoio

mecânico deoxigênio, alimentac¸ão oral posterior,

retino-patia,displasiabroncopulmonar,pneumotórax,hemorragia

intraventricular e outras complicac¸ões pediátricas.30

Adi-cionalmente, mais problemas de desenvolvimento foram

identificadosemneonatoscombaixopesoaonascer,

inclu-sive problemas de atenc¸ão, cognic¸ão e funcionamento

neuromotor, aumento do risco de morbidez na primeira

infância.30

Algumas limitac¸ões podem ser destacadas. A natureza

voluntáriadaparticipac¸ãonoestudopodelevara umviés

deselec¸ão.Asmãesqueconcordaramemparticipare

con-cluirtodasasondasdeavaliac¸ãopodemseraquelasquese

sentemmaissatisfeitase envolvidascomaexperiênciada

gravidez.Apesar disso,nãofoiencontradadiferenc¸aentre

asparticipantesqueconcluírameaquelasquenão

concluí-ram todas as ondas de avaliac¸ão. Um maior tamanho da

amostrapodeaumentaropoderestatísticodaanálise.Uma

entrevistaclínicapadronizadaparaavaliardepressãoe

ansi-edadepodeaumentaravalidadedosresultados.Contudo,

ambasasmedidasmostraramboaconsistênciainterna.Os

fatoresde confusãonãoavaliados podemterinfluenciado

osefeitosdescritos.Contudo,algunsdessesfatores(pesoda

mãeantesdagravidez,fumoeconsumodecafédurantea

gravidez)foramcontroladosnaanálise.

Este estudo demonstra o efeito longitudinal

indepen-dentedaansiedadematernasobreosprincipaismarcadores

deresultadose trajetóriasdecrescimentofetal-neonatal,

considerandosimultaneamenteoefeitodadepressãoe

ansi-edadematerna. Issodestacouumaumentonanecessidade

deumaavaliac¸ãosistemáticadeansiedadedurantea

gravi-dez.Essesachadostambémsugeriramqueosfetosdemães

ansiosassãoaquelesque podemserbeneficiadospelo

cui-dadoindividualizadoemunidadesdecuidadoneonatal.

Podemserfeitassugestõesdepesquisa.Estudosfuturos

podemexplorarsimultaneamenteoefeitoindependenteda

depressãoeansiedadematernasobreoutrosmarcadoresde

crescimento, comportamentoe maturac¸ão fetal-neonatal.

Umapesquisafuturapodeexploraraindaopapelmediador

dosmecanismosepigenéticoseendofenotípicosnoefeitoda

ansiedadematernapré-natalsobreosresultadose

trajetó-riasdecrescimentofetal-neonatal.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

(8)

EuropeudeDesenvolvimentoRegional[Feder]pormeiodo Compete2020nostermosdoAcordodeParceria (Poci-01-0145-Feder-007653). Este estudo tambémfoi patrocinado pelosFundosFederpormeiodoProgramaOperacional Fato-resdeCompetitividade---CompeteepelosFundosNacionais pormeiodaFundac¸ãoparaaCiênciaeTecnologia---FCTnos termosdoprojetoPTDC/SAU/SAP/116738/2010.

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Imagem

Tabela 1 Características obstétricas e sociodemográficas das mães e dados biométricos dos neonatos
Tabela 2 Estatísticas descritiva das variáveis do estudo com o tempo Gravidez
Tabela 3 Efeito da depressão e ansiedade materna pré-natal sobre os resultados de crescimento neonatal
Figura 1 Trajetórias do peso estimado para fetos-neonatos de mães muito ansiosas e pouco ansiosas.

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