RECI I S – R. Elet r . de Com . I nf. I nov. Saúde. Rio de Janeir o, v.6, n.1, p.50 - 61, Mar ., 2012 [ w w w .r eciis.icict .fiocr uz.br ] e- I SSN 1981 - 6278
* Ar t igo Or iginal
A pr ospe cçã o t e cn ológica com o fe r r a m e n t a de pla n e j a m e n t o
e st r a t é gico pa r a a con st r u çã o do fu t u r o do I n st it u t o Osw a ldo
Cr u z
M ôn ica M . M a r t in s de Oliv e ir a
Analist a de Gest ão em Saúde, Fundação Osw aldo Cr uz, Rio de Janeir o, RJ, Br asil m oliveir [email protected] uz.br
Cr ist ia n e M a ch a do Qu e n t a l
Escola Nacional de Saúde Pública Sér gio Ar ouca, Fundação Osw aldo Cr uz, Rio de Janeir o, RJ, Br asil
cquent al@fiocr uz.br
DOI : 10.3395/ r eciis.v6i1.466pt
Re su m o
Est e t r abalho apr esent a um a pr opost a de est udo pr ospect ivo com o fer r am ent a indispensável de planej am ent o est r at égico par a subsidiar a t om ada de decisões e a for m ulação das polít icas inst it ucionais que façam o I nst it ut o Osw aldo Cr uz ( I OC) / Fiocr uz, unidade alcançar sua visão de fut ur o. A m et odologia ut ilizada envolveu a r ealização de r evisão da lit er at ur a par a a const r ução do r efer encial t eór ico, a análise com par at iva de dois est udos pr ospect ivos r ealizados no país e um r ealizado por inst it uição est r angeir a sim ilar e a ident ificação dos inst r um ent os e fer r am ent as ut ilizados nesses est udos. O r esult ado foi a apr esent ação de um a pr opost a de est udo pr ospect ivo dividido em t r ês fases: I nicial, de colet a, t r at am ent o e sist em at ização da infor m ação; Pr incipal, de análise e int er pr et ação da infor m ação e pr odução do conhecim ent o; e de Com pr om et im ent o, de dissem inação dos r esult ados, que poder á pr opiciar ao I OC alcançar a excelência descr it a em sua visão de fut ur o.
Pa la v r a s- ch a v e : Pr ospecção Tecnológica; est udos de fut ur o; inst it ut o de pesquisa; inst it uição pública; Gest ão de PD&I
I n t r odu çã o
O I nst it ut o Osw aldo Cr uz ( I OC) , unidade da Fundação Osw aldo Cr uz ( Fiocr uz) volt ada par a.a pesquisa biom édica, quer chegar em 2015 com o “ um I nst it ut o de Pesquisa e Tecnologia int er nacional de excelência, for m ador de cient ist as e t écnicos, r econhecido pela qualidade de sua ação de r efer ência de diagnóst ico, assist ência e vigilância epidem iológica e capaz de r esponder às dem andas na ár ea de saúde com r apidez e confiabilidade” , confor m e ficou definido no I I Encont r o do I OC, inst ância de planej am ent o est r at égico inst it ucional que, em m ar ço de 2006, r euniu os r epr esent ant es da sua lider ança cient ífica e ger encial ( FI OCRUZ, 2005) .
Est e t r abalho pr et ende dem onst r ar a r elevância do est udo pr ospect ivo com o fer r am ent a indispensável de planej am ent o est r at égico par a subsidiar a t om ada de decisões e a for m ulação das polít icas inst it ucionais do I OC e par a t ant o se baseou em um a per gunt a nor t eador a: um est udo pr ospect ivo ser ia a fer r am ent a adequada par a o planej am ent o est r at égico que t or nar á possível ao I OC alcançar a excelência definida em sua visão de fut ur o?
Par a conseguir r esponder ao quest ionam ent o pr opost o, a m et odologia ut ilizada envolveu a r evisão da lit er at ur a par a a const r ução do r efer encial t eór ico, a análise com par at iva de t r ês est udos pr ospect ivos e a ident ificação das fer r am ent as ut ilizadas nesses est udos.
Após r evisar o r efer encial t eór ico e analisar os est udos escolhidos, foi possível const at ar que est udos pr ospect ivos possibilit am a const r ução de um fut ur o pr et endido at r avés da conj ugação de m ét odos qualit at ivos e quant it at ivos.
Logo, o r esult ado dest e t r abalho é um a pr opost a de est udo pr ospect ivo dividido em 3 fases: I nicial, de colet a, t r at am ent o e sist em at ização da infor m ação; Pr incipal, de análise e int er pr et ação da infor m ação e pr odução do conhecim ent o; e de Com pr om et im ent o, de dissem inação dos r esult ados.
alcançar a excelência descr it a em sua visão de fut ur o.
Ant es de passar par a o t ópico seguint e, faz- se necessár io deixar clar o que essa pr opost a pr et ende ser um exer cício exper im ent al que adm it ir á adapt ações ao longo de sua im plem ent ação e que dever á envolver a com unidade do I OC desde o início do pr ocesso.
D ESEN V OLV I M EN TO
Fu n da m e n t a çã o Te ór ica
As m et odologias de pr ospecção são fer r am ent as que buscam ent ender as for ças que or ient am o fut ur o, de m odo a ‘const r uir conhecim ent o’. Os est udos pr ospect ivos buscam agr egar valor às infor m ações do pr esent e, t r ansfor m ando- as em conhecim ent o de m odo a subsidiar a const r ução de est r at égias e ident ificação de r um os e opor t unidades fut ur as par a subsidiar a t om ada de decisão ( SANTOS et al, 2004) .
Par a Godet et al ( 2000) , t odos os que pr et endem pr ever ou pr edizer o fut ur o são im post or es, por que o fut ur o não exist e e, por t ant o, não est á escr it o em par t e algum a.
Segundo Kupfer e Tigr e ( 2004) , a pr ospecção t ecnológica pode ser definida “ com o um m eio sist em át ico de m apear desenvolvim ent os cient íficos e t ecnológicos fut ur os capazes de influenciar de for m a significat iva um a indúst r ia, a econom ia ou a sociedade com o um t odo. Difer ent em ent e das at ividades de pr evisão clássica, que se dedicam a ant ecipar um fut ur o supost o com o único, os exer cícios de pr ospecção são const r uídos a par t ir da pr em issa de que são vár ios os fut ur os possíveis. Esses são t ipicam ent e os casos em que as ações pr esent es alt er am o fut ur o, com o ocor r e com a inovação t ecnológica. Os exer cícios de pr ospecção funcionam com o m eio de at ingir dois obj et ivos: O pr im eir o é pr epar ar os at or es na indúst r ia par a apr oveit ar ou enfr ent ar opor t unidades ou am eaças fut ur as. O segundo obj et ivo é desencadear um pr ocesso de const r ução de um fut ur o desej ável( KUPFER; TI GRE, 2004) .
Ham el e Pr ahalad ( 2005) r elat am que a difer ença ent r e em pr esas ganhador as e per dedor as est á na capacidade de clar ividência de algum as, capazes de aceler ar o nascim ent o de pr odut os, ser viços e set or es de at ividades ainda inexist ent es. Par a essas em pr esas inovador as não lhes int er essam os espaços concor r enciais exist ent es, m as sim a cr iação de novos espaços. As em pr esas ganhador as se pr eocupam com a conquist a do fut ur o, por que o êxit o do passado não gar ant e o sucesso do fut ur o.
Muit os m ét odos e t écnicas at ualm ent e em uso se or iginam de out r os cam pos do conhecim ent o e se valem das facilidades t r azidas pela t ecnologia da infor m ação, colet ando e t r at ando gr andes quant idades de dados disponíveis de for m a elet r ônica par a ident ificar t endências at r avés da seleção desses dados.
Ressalt a- se que nenhum m ét odo, t écnica ou fer r am ent a conseguir á tr azer isoladam ent e, r espost as adequadas par a t odas as quest ões com plexas que est ão envolvidas no debat e e m odelagem do fut ur o. É pr eciso, por t ant o, conhecer e usar adequadam ent e t odo o conj unt o de m ét odos e t écnicas hoj e disponíveis, selecionando os m ais adequados em cada caso. Out r o pont o im por t ant e é o car át er par t icipat ivo que deve t er cada exer cício pr ospect ivo, de m odo a envolver t odos os at or es int er essados, de pr efer ência, desde o início do pr ocesso, gar ant indo os esfor ços de coor denação e consist ência e cr edibilidade aos r esult ado ( SANTOS et al, 2004) .
A pr ospecção pode ser ut ilizada par a expor as adver sidades e incer t ezas fr ent e ao fut ur o, m as os r esult ados de um a at ividade de pr ospecção ger alm ent e apont am par a quat r o at it udes face ao fut ur o: ( i) passivo, que sofr e a m udança; ( ii) r eat ivo, que aguar da os acont ecim ent os par a t om ar algum a ação; ( iii) pr é- at ivo, que se pr epar a par a as m udanças; e, ( iv) pr ó- at ivo, que at ua no sent ido de incit ar as m udanças desej adas. Mas isso não im possibilit a a sobr eposição dessas at it udes, o que vai depender do m om ent o e da sit uação pela qual a or ganização est á passando. Por exem plo, no cont ext o de cr ise, é nor m al que a r eat ividade sobr eponha- se a t odo o r est o ( GODET et al, 2000) .
especialist as.
Os m ét odos e t écnicas podem ainda ser classificados com o " har d" , baseados em dados quant it at ivos, em pír icos, num ér icos, que defr ont am - se com a necessidade de sér ies hist ór icas confiáveis ou dados padr onizados, ou " soft " , baseados em dados qualit at ivos, que r equer em j ulgam ent os ou conhecim ent os t ácit os, vulner áveis à lim it ação do conhecim ent o dos especialist as, de suas pr efer ências pessoais e par cialidades. De m odo ger al, m ét odos quant it at ivos devem ser com binados com m ét odos qualit at ivos, conhecim ent os explícit os devem som ar - se a conhecim ent os t ácit os na busca de com plem ent ar idade ou de visões difer enciadas ( SANTOS et al, 2004) .
A qualidade dos r esult ados dos est udos est á for t em ent e ligada à cor r et a escolha da m et odologia a ser ut ilizada e o em pr ego de m ais de um a t écnica, m ét odo ou fer r am ent a é um a t endência obser vada e um a pr át ica r ecom endada pelos especialist as da ár ea ( SANTOS et al, 2004) .
Abor da ge n s Pr ospe ct iv a s
Est udos pr ospect ivos são conduzidos par a possibilit ar int er venções planej adas r esult ant es da ident ificação de opor t unidades e necessidades. Assim , é com um que um est udo pr ospect ivo aplique vár ios m ét odos de for m a com plem ent ar , onde um apóie o out r o, sobr et udo, par a m inim izar as suas deficiências.
Os pr ocessos sist em át icos de analisar as t ecnologias em er gent es, as r ot as de desenvolvim ent o e seus im pact os no fut ur o encont r am - se inser idos no conceit o de Technology Fut ur es Analysis ( TFA) , que faz a int egr ação dos conceit os de Technology For esight , Technology For ecast e Assesm ent st udies e incor por a um a gr ande var iedade de m ét odos de pr ospecção t ecnológica.
At ualm ent e, m uit as são as for m as de analisar o fut ur o, das quais dest acar em os as abor dagens m ais conhecidas: For ecast , For esight e Assessm ent .
Assessm ent consist e no acom panham ent o da evolução e ident ificação de sinais de m udança, r ealizados de for m a m ais ou m enos sist em át ica e cont ínua e t em r ecebido vár ias denom inações: veille t echnologique , em fr ancês; t echnological w at ch , envir onm ent al scanning e assessm ent , em inglês; e vigilancia t ecnológica, em espanhol.
Segundo Sant os et al ( 2004) , as difer ent es denom inações t êm ger ado confusão na t er m inologia, dificult ando a elabor ação de seus conceit os e por isso alguns são ut ilizados par a fins difer ent es daqueles par a os quais for am cr iados.
For ecast t r abalha infor m ações de evolução hist ór ica, m odelos m at em át icos e pr oj eção de sit uações fut ur as. Segundo Salles- Filho et al ( 2001) , possui um a conot ação pr óxim a à pr edição, ou sej a, r elacionada à const r ução de m odelos par a definir as r elações causais dos desenvolvim ent os cient íficos e t ecnológicos e esboçar cenár ios pr obabilíst icos do fut ur o, confer indo à t écnica um car át er det er m inist a.
Por t er et al ( 2004 apud SANTOS et al, 2004 ) suger e que Technology for ecast é o pr ocesso de descr ever um a t ecnologia em algum m om ent o no fut ur o, sua em er gência, desem penho, car act er íst icas e im pact os.
Coat es ( 1985) definiu For esight com o um pr ocesso ut ilizado par a com pr eender as for ças que m oldam o fut ur o de longo pr azo e que deve subsidiar a for m ulação de polít icas e a t om ada de decisões, visão est a que vincula est r eit am ent e a at ividade pr ospect iva ao planej am ent o.
Ben Mar t in ( apud Aulicino e Kr uglianskas, 2004) ant es de definir For esight , explica as quat r o pr incipais for ças m ot r izes de m udança na econom ia global nas últ im as décadas, que influenciam a econom ia de qualquer país e que podem ser r esum idas nos 4 Cs: aum ent o da Com pet it ividade; aum ent o de Const r angim ent os ( r est r ições) nos gast os públicos; aum ent o da Com plexidade; e aum ent o da im por t ância da Com pet ência cient ífica e t ecnológica. Assim , o aut or am pliou o conceit o de For esight par a além de som ent e pr ever o fut ur o, definindo - o com o: “ Um pr ocesso que se pr eocupa em , sist em at icam ent e, exam inar o fut ur o de longo pr azo da ciência, da t ecnologia, da econom ia e da sociedade, com o obj et ivo de ident ificar as ár eas de pesquisas est r at égicas e as t ecnologias em er gent es que t enham a pr opensão de ger ar os m aior es benefícios econôm icos e sociais ( AULI CI NO e KRUGLI ANSKAS, 2004) .
Por t er et al ( 2004) e Skum anich e Siber nagel ( 1997) classificam os m ét odos de pr ospecção em fam ílias: Cr iat ividade , Mét odos Descr it ivos e Mat r izes, Mét odos Est at íst icos, Opinião de Especialist as, Monit or am ent o e Sist em as de I nt eligência, Modelagem e Sim ulação, Cenár ios, Análises de Tendências, e Sist em as de Avaliação e Decisão.
classificação dos m ét odos e t écnicas, cham ada de Diam ant e de For esight , que os r elaciona em quat r o dim ensões: a) cr ia t iv ida de , ligados à im aginação; b) e x pe r t ise , influenciados pela exper iência e conhecim ent o; c) in t e r a çã o , que buscam a discussão e int er ação e d) e v idê n cia s , que consider a a análise de dados r eais. Popper ( 2006) suger e escolher e com binar m ét odos que equilibr em essas quat r o dim ensões ( Figur a 1) .
Figu r a 1 : O diam ant e de For esight .
Fon t e : POPPER, 2006.
Coelho et al ( 2005) dest acam que essa classificação com plem ent ou a classificação de Lover idge, cham ada de “ t r iângulo de for esight ” . Segundo os aut or es, a at ividade pr ospect iva j á est á sendo am plam ent e ut ilizada no m undo e a sua im plem ent ação ainda é a m aior dificuldade a ser enfr ent ada, vist o que os est udos de fut ur o são com plexos, por t ent ar em ant ecipar um fut ur o incer t o, afet ado por um núm er o enor m e de var iáveis não cont r oláveis de nat ur eza social, polít ica, am bient al, econôm ica, t ecnológica e cult ur al.
Por ém , os est udos pr ospect ivos const it uem subsídios im por t ant es par a a t om ada de decisão sobr e est r at égias a ser em per seguidas e a abor dagem adot ada nos t r abalhos deve incor por ar a avaliação de im pact os sociais, ét icos e am bient ais da t ecnologia.
Sobr et udo, é necessár io r essalt ar que par a se desenhar o fut ur o é pr eciso ir além daquilo que é conhecido, per m it ir a ent r ada de novas idéias e posicionam ent os, com par t ilhar quest ões inquiet ant es e pr ovocat ivas e, ainda, encont r ar linguagem e cr ença com uns par a se est abelecer um padr ão m ent al que per m it a const r uir o cam inho da m udança ( SANTOS et al, 2004) .
M ETOD OLOGI A
A m et odologia ut ilizada por est e est udo envolveu a r ealização de r evisão da lit er at ur a par a a const r ução do r efer encial t eór ico, um a análise com par at iva de diver sos est udos pr ospect ivos e a ident ificação dos inst r um ent os e fer r am ent as ut ilizados nesses est udos.
O r efer encial t eór ico foi const r uído a par t ir da r evisão da lit er at ur a, feit a na base de dados Kor icgee do Cent r o de Gest ão e Est udos Est r at égicos ( CGEE) , do Pr ogr am a de I nfor m ação par a Gest ão de Ciência, Tecnologia e I novação do I nst it ut o Br asileir o de I nfor m ação em Ciência e Tecnologia ( Pr ossiga) , da Lit er at ur a Lat ino- am er icana e do Car ibe em Ciências da Saúde ( LI LACS) e em r evist as especializadas. For am selecionados ar t igos, ensaios, disser t ações e t eses no per íodo de 1985 a 2008, r elacionados aos est udos e at ividades de pr ospecção t ecnológica.
Após a análise com par at iva de diver sos est udos pr ospect ivos que pudessem t r azer cont r ibuições r elevant es par a est e t r abalho, o Est udo PROSPECTAR ( ) e o est udo do I nst it ut o Past eur ( ) , inicialm ent e, ser vir am com o base nor t eador a da pr opost a.
Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia ( CCT) , t or nou - se r efer ência por t er sido o pr im eir o gr ande est udo pr ospect ivo nacional, que t eve o m ér it o de m obilizar par t e da com unidade cient ífica e t ecnológica br asileir a e dissem inar a pr ospecção t ecnológica e suas m et odologias ent r e os difer ent es at or es de t odas as r egiões do País.
O est udo do I nst it ut o Past eur ( 2008 ) se m ost r ou r elevant e pela sim ilar idade ent r e sua m issão e a do I OC, de cont r ibuir par a a pr evenção e o t r at am ent o das doenças, pr ior it ar iam ent e infecciosas, at r avés da pesquisa, ensino e ações de saúde pública. Out r o fat o r elevant e na escolha do I nst it ut o Past eur é que ele t em est ado no cent r o dos pr incipais avanços cient íficos e m édicos, enfr ent ando quest ões at uais de saúde pública e abr indo novas e inovador as per spect ivas no cam po biom édico.
Ent r et ant o, em um a nova apr oxim ação aos est udos disponíveis, o Est udo Pr ospect ivo do Set or de Equipam ent os Médicos, Hospit alar es e Odont ológicos ( EMHO) ( ABDI , 2008) m ost r ou- se m et odologicam ent e m ais int er essant e por sua at ualidade e por t er com o pont o de par t ida sua visão de fut ur o, a saber :
Alcançar , nos pr óxim os 15 anos, o r econhecim ent o int er nacional com o pr odut or es de equipam ent os m édicos, hospit alar es e odont ológicos de padr ão t ecnológico m undial nos segm ent os de diagnóst ico de im agem , ópt ica, hem odiálise, e neonat al, com em pr esas nacionais com pet it ivas m undialm ent e ( ABDI , 2008) .
Muit o sem elhant e à visão de fut ur o do I OC, que dest acam os:
Um I nst it ut o de Pesquisa e Tecnologia int er nacional de excelência, for m ador de cient ist as e t écnicos, r econhecido pela qualidade de sua ação de r efer ência de diagnóst ico, assist ência e vigilância epidem iológica e capaz de r esponder às dem andas na ár ea de saúde com r apidez e confiabilidade ( I OC, 2005) .
A abor dagem m et odológica do est udo pr ospect ivo do set or de EMHO foi baseada no m odelo t eór ico elabor ado pelo CGEE par a or ient ar as ações de pr ospecção em CT&I , que const it uiu seu r efer encial t eór ico e pr át ico a par t ir da incor por ação de elem ent os advindos de exper iências conduzidas ao r edor do m undo com gr ande diver sidade de aplicações e uso de difer ent es abor dagens e m et odologias.
Sabe - se que a efet ividade da at ividade pr ospect iva em CT&I est á int r insecam ent e ligada a um desenho m et odológico adequado, obt ido a par t ir de um a delim it ação pr ecisa das quest ões a ser em r espondidas, do t ipo de r espost a desej ada, da or ient ação espacial, do escopo do t em a, bem com o da est r ut ur ação de um a r ede de at or es capazes do consenso e com pr om et im ent o necessár ios à im plem ent ação das linhas de ação ident ificadas.
Assim , se t or na um poder oso auxiliar do planej am ent o e do ger enciam ent o dos alt os níveis de incer t eza associados ao pr ocesso de t om ada de decisão.
A pr im eir a et apa de nossa análise com par at iva dos est udos pr ospect ivos ser viu par a definir um a base inicial de nossa pr opost a inspir ada na abor dagem m et odológica do CGEE, que pr evê o per cur so em t r ês fases descr it as na seqüência com o pr opósit o de favor ecer a com pr eensão int egr al do pr ocesso.
A Fase I nicial t em com o obj et ivo colet ar , t r at ar , analisar e sist em at izar a infor m ação , o que possibilit ar á m ost r ar o posicionam ent o do inst it ut o de pesquisa em r elação à pesquisa cient ífica em sua ár ea de at uação no Br asil e no m undo, pr opiciando o delineam ent o do PANORAMA ATUAL .
A Fase Pr incipal t em com o obj et ivo analisar e int er pr et ar a infor m ação colet ada na fase inicial, pr oduzindo conhecim ent o que subsidiar á os exer cícios pr ospect ivos, que indicar ão as pr ováveis r ot as t ecnológicas a ser em adot adas pelo inst it ut o de pesquisa par a alcançar a sua visão de fut ur o, pr opiciando a visualização de suas PERSPECTI VAS DE FUTURO.
A Fase de Com pr om et im ent o t em com o obj et ivo fazer as r ecom endações necessár ias par a alcançar a visão est r at égica do I OC e dissem inar os r esult ados dos est udos pr ospect ivos a ser em im plem ent ados at r avés de um a polít ica inst it ucional, inclusive com a elabor ação das Rot as Tecnológicas e Agendas Tecnológicas.
Na segunda et apa da análise com par at iva, ident ificam os os inst r um ent os e fer r am ent as ut ilizadas nos est udos PROSPECTAR, do I nst it ut o Past eur e do set or de EMHO que poder iam ser adot adas no est udo pr ospect ivo do I nst it ut o Osw aldo Cr uz, levando em consider ação as suas peculiar idades e a diver sidade de suas at ividades.
Esses inst r um ent os e fer r am ent as for am :
2) a im plem ent ação de um a coor denação ,
3) a cont r at ação de assessor ia t écnica par a coor denar o est udo;
4) a inst it ucionalização do est udo na est r ut ur a do I OC;
5) a alocação de r ecur sos específicos par a o desenvolvim ent o do est udo pr ospect ivo;
6) o desenvolvim ent o de exer cícios pr ospect ivos e da m et odologia a ser adot ada;
7) a cr iação de um banco de dados, com t odas as infor m ações colet adas.
8) a análise e a int er pr et ação das infor m ações colet adas;
9) o est udo de r ot as est r at égicas e t ecnológicas;
10) a absor ção e capacit ação de r ecur sos hum anos ;
11) o desenvolvim ent o de um soft w ar e específico;
12) a elabor ação das r ot as t ecnológicas;
13) a ident ificação de r ecom endações par a alcançar a visão est r at égica;
14) a dissem inação de r esult ados.
O pr oj et o foi analisado e apr ovado pelo Com it ê de Ét ica em Pesquisa da Escola Nacional de Saúde Publica Sér gio Ar ouca, no Par ecer n o 147/ 08 de 05 de set em br o de 2008.
D I SCUSSÃO E RESULTAD O
A per spect iva de que est udos pr ospect ivos auxiliar ão o I OC a alcançar sua visão de fut ur o par a o ano de 2015 nor t eou est e t r abalho.
O r esult ado é um a pr opost a de est udo pr ospect ivo par a subsidiar o desenvolvim ent o de um a m et odologia adequada ao I OC. Após a análise dos est udos pr ospect ivos r ealizados pelo PROSPECTAR, pelo I nst it ut o Past eur e pelo set or de EMHO, t or nou - se evident e que um est udo pr ospect ivo inst it ucionalizado ser ia, de fat o, um a fer r am ent a fundam ent al par a que o I OC venha a alcançar plenam ent e a sua visão de fut ur o.
Est a seção apr esent a a pr opost a desenvolvida nest e est udo r essalt ando que, a exem plo das exper iências analisadas, pr et ende ser um exer cício exper im ent al que adm it ir á adapt ações ao longo de sua im plem ent ação e que dever á envolver a com unidade do I OC e dem ais at or es int er essados desde o início do pr ocesso.
Descar t ando as per spect ivas de pr evisão clássica, que se dedicam a ant ecipar um fut ur o supost o com o único, adot am os, em nossa pr opost a de est udo pr ospect ivo par a o I OC, a per spect iva de que est udos pr ospect ivos são const r uídos a par t ir da pr em issa de que são vár ios os fut ur os possíveis ( GODET et al, 2000) .
Concor dando com Ham el & Pr ahalad ( 2005) , que afir m am que o êxit o do passado não gar ant e o sucesso do fut ur o e t endo em cont a a consider ação por eles apr esent ada de que em pr esas ganhador as se pr eocupam com a conquist a do fut ur o, est r ut ur am os a pr opost a par a o I OC est im ando que sua at it ude face ao fut ur o sej a pr ó- at iva, no sent ido de incit ar as m udanças desej adas. Dest e m odo, a pr opost a se const it ui com o um a fer r am ent a par a ident ificar e apr oveit ar opor t unidades ou enfr ent ar am eaças fut ur as e de desencadear um pr ocesso de const r ução de um fut ur o desej ável ( KUPFER e TI GRE, 2004) .
Por out r o lado, consider am os que nenhum m ét odo, t écnica ou fer r am ent a conseguir á t r azer isoladam ent e r espost as adequadas par a t odas as quest ões com plexas que est ão envolvidas no debat e e m odelagem do fut ur o, e que a qualidade dos r esult ados dos est udos est á for t em ent e ligada à cor r et a escolha da m et odologia a ser ut ilizada e ao em pr ego de m ais de um a t écnica, m ét odo ou fer r am ent a ( SANTOS et al, 2004) .
Nosso est udo adot ou ent ão a m et odologia de levant ar o conj unt o de m ét odos e t écnicas hoj e disponíveis por m eio de ext ensa r evisão da lit er at ur a e da com par ação de est udos r ealizados, ident ificando as t écnicas, inst r um ent os e fer r am ent as por eles ut ilizadas par a const r uir um a pr opost a adequada ao I OC.
ent r e os difer ent es at or es de t odas as r egiões do País.
O est udo do I nst it ut o Past eur se m ost r ou r elevant e pela sim ilar idade ent r e sua m issão e a do I OC, e por ele est ar no cent r o dos pr incipais avanços cient íficos e m édicos, enfr ent ando quest ões at uais de saúde pública e abr indo novas e inovador as per spect ivas no cam po biom édico.
Ent r et ant o, após um a nova apr oxim ação aos est udos disponíveis, o Est udo Pr ospect ivo do Set or de Equipam ent os Médicos, Hospit alar es e Odont ológicos ( EMHO) , conduzido pelo CGEE, m ost r ou-se m et odologicam ent e m ais int er essant e por sua at ualidade e pelo fat o de sua abor dagem m et odológica j á t er sido const r uída a par t ir de ext ensa r evisão do est ado da ar t e e da t écnica com incor por ação de elem ent os advindos de exper iências conduzidas ao r edor de t odo o m undo com binando difer ent es abor dagens e m et odologias e apr esent ando gr ande diver sidade de aplicações. A const r ução da pr opost a par a I OC t om ou o m odelo de t r ês fases desenvolvido par a est e Est udo Pr ospect ivo com o pont o de par t ida.
A Pr opost a pa r a o I OC
Apr esent am os a seguir a pr opost a de est udo pr ospect ivo par a o I OC, desenvolvida nest e t r abalho.
A Fase I nicial, ident ificada com o a fase de I NFORMAÇÃO, é onde ocor r e a colet a, t r at am ent o, análise e sist em at ização da infor m ação, at r avés de Est udos Set or iais pr elim inar es.
Par a conduzir o est udo pr opost o, um Gr upo de Tr abalho ( GT) dever á ser cr iado, for m ado por pr ofissionais que r epr esent em as difer ent es ár eas de at uação do I nst it ut o Osw aldo Cr uz: 1) Pesquisa, Desenvolvim ent o Tecnológico e I novação, 2) Ensino, 3) Ser viços de Refer ência e Coleções e 4) Gest ão. Est e GT ser á subor dinado dir et am ent e à Dir eção, par a que o gr au de inst it ucionalização sej a bem elevado, fat or indispensável par a dar capacidade polít ica e t écnica par a a r ealização de suas at ividades e par a a absor ção de seus r esult ados. Um a coor denação dever á ser cr iada dent r o do GT, pr efer encialm ent e sob a assessor ia t écnica.
Dever á ocor r er a alocação de r ecur sos financeir os específicos par a o desenvolvim ent o dest e est udo, vist o que est a m edida é condição indispensável par a seu sucesso, pois, além da necessidade de cust eio do m esm o, as exper iências dem onst r am que quant o m aior for em os r ecur sos alocados m aior ser á o com pr om et im ent o inst it ucional. Um dos obj et ivos da alocação de r ecur sos é possibilit ar o financiam ent o de visit as a inst it ut os de pesquisa est r angeir os com o aquele r ealizado dur ant e o est udo pr ospect ivo do I nst it ut o Past eur ( 2007) .
Um a vez cr iado esse supor t e inicial, é indispensável t am bém o envolvim ent o, desde o início, da com unidade do I OC e dos difer ent es at or es em sua elabor ação e em com pr om et ê- los com o r esult ado final.
Com r elação à const r ução de um fut ur o desej ado, o I OC or ganizou um event o int it ulado I I Encont r o do I OC - Const r uindo o fut ur o par a r esponder a per gunt a básica feit a à sua lider ança cient ífica e ger encial: Com o qu e r e m os qu e o I OC se j a e m 2 0 1 5 ? Qu a l a n ossa v isã o de fu t u r o? ( FI OCRUZ, 2005) .
A est a per gunt a, out r as for am levant adas par a subsidiar a const r ução da visão de fut ur o do I OC, em t er m os de excelência cient ífica, em t er m os de desenvolvim ent o t ecnológico e inovação par a o set or saúde, em t er m os de diagnóst ico e assist ência de r efer ência par a o Sist em a Nacional de Vigilância Epidem iológica.
Tam bém foi per gunt ado com o a com unidade quer ia que o I OC fosse vist o daqui a 10 anos, 20 anos pela Fiocr uz, pela sociedade, pelos seus par es.
O qu e fa z e m os de m e lh or ( qu a is n ossa s com pe t ê n cia s e sse n cia is) ? Pe lo qu e som os ide n t ifica dos e n o qu e n os dife r e n cia m os dos de m a is ?
Qu a is os t e m a s, a s á r e a s, a s a t iv ida de s com qu e ope r a m os h oj e e qu e gost a r ía m os de v ir a ope r a r da qu i a 1 0 a n os?
A r espost a dada pela lider ança cient ífica e ger encial do I OC no I I Encont r o do I OC foi:
• As com pet ências essenciais do I OC est ão focadas na pesquisa biom édica, com for m ação e capacit ação de pr ofissionais na ár ea de pesquisa e ser viço de r efer ência. Som os difer enciados pela abr angência com m ult idisciplinar iedade e pelo pr ocesso r egular de avaliação ext er na. Daqui a dez anos, gost ar íam os de t er com pet ências e flexibilidade par a oper ar em t em át icas que r espondam às necessidades de saúde e C&T daquele m om ent o.
m ecanism o de pr ospecção t ecnológica” , que dever á ser um dos r esult ados do est udo aqui pr opost o.
I m por t ant e r essalt ar que, apesar do I OC não t er pr ior izado um est udo pr ospect ivo especializado, desenvolveu at ividades de cunho pr ospect ivo na m edida de sua pr eocupação com o fut ur o.
Segundo Sant os et al ( 2004) , no âm bit o de sist em as de ciência, t ecnologia e inovação, os exer cícios pr ospect ivos ou de pr ospecção t ecnológica t êm sido consider ados fundam ent ais par a pr om over a cr iação da capacidade de or ganizar sist em as de inovação, que respondam aos int er esses da sociedade. Esses m esm os aut or es dest acam que é im por t ant e t er um a cr escent e consciência de que o desenvolvim ent o cient ífico e t ecnológico é r esult ant e de int er ações com plexas ent r e difer ent es fat or es, da exist ência e ação de at or es sociais diver sos, de t r aj et ór ias t ecnológicas em evolução e com pet ição, de visões de fut ur o conflit ant es, de necessidades sociais ur gent es, de opor t unidades e r est r ições econôm icas e am bient ais, e de m uit as out r as quest ões, per t encent es, inclusive, ao cam po do im ponder ável. Desse m odo, os exer cícios “ pr ospect ivos” j á r ealizados pelo I OC, no nosso pont o de vist a, m ost r ar - se- ão de ext r em a ut ilidade com o par t e inicial e essencial par a a conscient ização da com unidade sobr e est udos de fut ur o, por que est e t er m o am plo abr ange t oda at ividade que m elhor a a com pr eensão sobr e as conseqüências fut ur as dos desenvolvim ent os e das escolhas at uais.
No ent ant o, som ent e esses exer cícios j á r ealizados no I OC não ser iam suficient es par a alçá- lo à posição descr it a em sua visão de fut ur o. Sendo assim , essa pr opost a acr escent a em sua fase inicial algum as at ividades com plem ent ar es. Um a delas é a adoção de um sist em a de infor m ação oper acional que m onit or e a r ede cient ífica global baseada nas publicações do PubMed, que per m it e explor ar e expandir sua r ede de conhecim ent o pr ofissional; encont r ar publicações e aut or es no Br asil e no ext er ior e m onit or ar o pot encial da pr odução cient ífica de sua or ganização, do Br asil e do m undo at r avés de um pr ogr am a de t ext - m ining.
Segundo Por t er et al ( 2004) , o m onit or am ent o pr ovê o pano de fundo necessár io no qual a pr ospecção se baseia e pode ser usado par a buscar t odas as font es de infor m ação e pr oduzir um r ico e var iado conj unt o. As pr incipais font es em que se baseia são as de nat ur eza t écnica, t ais com o r evist as, pat ent es, cat álogos, ar t igos cient íficos, ent r e out r os. Além disso, podem ser feit as ent r evist as com especialist as e out r as infor m ações não lit er ár ias podem ser colet adas.
O m onit or am ent o é am plam ent e ut ilizado, por que const it ui font e básica de infor m ação r elevant e. Monit or ar significa obser var , checar e at ualizar - se em r elação aos desenvolvim ent os num a ár ea de int er esse bem definida par a um a finalidade bem específica ( 19) . Alguns obj et ivos possíveis do m onit or am ent o são: 1) a I dent ificação de event os cient íficos, t écnicos ou sócio - econôm icos im por t ant es par a a or ganização; 2) a definição de am eaças pot enciais par a a or ganização, im plícit as nesses event os; 3) a I dent ificação de opor t unidades par a a or ganização possíveis nas m udanças no am bient e e; 4) a indicação de t endências que est ão conver gindo, diver gindo, am pliando, dim inuindo ou int er agindo.
Um a at ividade adicional com o par t e da fase inicial dest a pr opost a, é a análise de t endências que dever á ser feit a at r avés do m apeam ent o da pr odução t écnico- cient ífica em Doenças Cr ônicas, Doenças I nfecciosas e Par asit ár ias e Doenças Negligenciadas na base de dados MEDLI NE, visando apont ar t endências do conhecim ent o e dos t em as das publicações e o m apeam ent o das com pet ências do país ut ilizando - se o Sist em a LATTES/ CNPq/ MCT.
A análise de t endências at r avés de m apeam ent os é um dos m ét odos de análise de t ecnologias de fut ur o. É a for m a m ais sim ples de pr ospecção baseada na hipót ese de que os padr ões do passado ser ão m ant idos no fut ur o at r avés da colet a de infor m ação sobr e um a var iável ao longo do t em po ( SANTOS et al, 2004) .
Adicionalm ent e, é pr opost o um levant am ent o par a ver ificar a sit uação da pesquisa cient ífica do I OC em r elação à subagenda “ Doenças Tr ansm issíveis” da Agenda Nacional de Pr ior idades de Pesquisa em Saúde at r avés do m ét odo Delphi com um quest ionár io est r ut ur ado, a ser aplicado aos Líder es de Pesquisa, cadast r ados no dir et ór io de Gr upos de Pesquisa do CNPq, consider ando um a escala de gr au de exper t ise de 3 níveis ( Baixo, Médio, Alt o) .
Dur ant e o est udo PROSPECTAR, o exer cício Delphi se m ost r ou eficaz par a facilit ar a colet a de infor m ações dos r espondent es, possibilit ando const r uir um pr ocesso de consult a am plo.
Segundo Coelho et al ( 2005) , o Mét odo Delphi t em sido usado par a solucionar incer t ezas sobr e condições e t endências fut ur as, r evelando r elações de causalidade e explor ando cenár ios plausíveis. Os aut or es esclar ecem que sua aplicabilidade é m aior em casos envolvendo quest ões cient íficas e t ecnológicas e valor es sociais, que são dificilm ent e t r at áveis sim ult aneam ent e por out r as abor dagens.
at r avés do apr ofundam ent o de est udos Set or iais pr elim inar es.
A par t ir dest a et apa, a pr esença de um especialist a em est udos pr ospect ivos se t or na indispensável par a agr egar valor às infor m ações j á colet adas e pr opiciar a capacit ação de r ecur sos hum anos int er nos ao I OC nesses est udos.
A pr esença/ opinião de especialist as per m it e a ident ificação de m odelos e per cepções, t or nando - os explícit os, fazendo com que a int uição encont r e espaço na pr ospecção ( 13) . Além disso, em nossa opinião, a exper iência no fazer é fat or ext r em am ent e r elevant e em t ais est udos dada a sua com plexidade.
Assim com o na fase inicial, nest a fase t am bém são pr opost as algum as at ividades com plem ent ar es com o um a análise SWOT das For ças e Fr aquezas do I OC ( fat or es int er nos e at uais) e das Opor t unidades e Am eaças ( fat or es ext er nos e fut ur os) at r avés de um w or kshop com a par t icipação das lider anças cient ífica e ger encial do I OC ( Chefes de Labor at ór io,chefes de Depar t am ent o, de Ser viços, Coor denador es de Com issão e de Cur sos de Pós Gr aduação) com a seguint e per gunt a de est ím ulo: Quais são as necessidades par a concr et izar a visão de fut ur o?
Nesse exer cício dever ão ser apr esent ados, inicialm ent e, os r esult ados da fase inicial. Em seguida, a análise SWOT dever á focar os segm ent os 1) Pesquisa, Desenvolvim ent o Tecnológico e I novação, 2) Ensino, 3) I nfor m ação e Com unicação, 4) Ser viços de Refer ência e Coleções e 5) Gest ão , em r elação às dim ensões t ecnologia, t alent os, invest im ent os, infr aest r ut ur a física e polít ica- inst it ucional.
• A dim ensão Tecnologia r epr esent ar á os elem ent os necessár ios par a o pr ocesso de desenvolvim ent o t ecnológico e a t r ansfer ência ou a aquisição de t ecnologia.
• A dim ensão Talent os r epr esent ar á o capit al hum ano, que inclui a cr iação do conhecim ent o, educação, t r einam ent o e apoio à m ão - de- obr a.
• A dim ensão I nvest im ent os r epr esent ar á os invest im ent os em PD&I , financiam ent os e ações de apoio ao em pr eendedor ism o.
• A dim ensão I nfr aest r ut ur a Física r epr esent ar á as est r ut ur as físicas no que t ange a obr as, equipam ent os e m áquinas.
• A dim ensão Polít ica- I nst it ucional r epr esent ar á as polít icas de pr opr iedade int elect ual, a r egulação de negócios, e est r ut ur as de colabor ação ent r e os at or es da inovação.
O est udo pr ospect ivo do set or EMHO, por m eio da análise SWOT, conseguiu levant ar além das t endências, os obj et ivos est r at égicos e as dir et r izes de ações par a os segm ent os que const it uem a essência do cont eúdo das r ot as est r at égicas e agendas t ecnológicas ( r efer ência EMHO) .
Acr edit a- se que o r esult ado da análise SWOT pr opost a par a o I OC, subsidiar á a definição das r ot as est r at égicas e agendas t ecnológicas de seus segm ent os: 1) Pesquisa, Desenvolvim ent o Tecnológico e I novação; 2) Ensino; 3) I nfor m ação e Com unicação; 4) Ser viços de Refer ência e Coleções; e, 5) Gest ão . Todos esses r esult ados dever ão ser discut idos e validados pelo GT, sob a coor denação do especialist a em pr ospecção.
Com o últ im a at ividade dent r o dest a fase, suger im os a r ealização de r eunião com os analist as das Ár eas de Pesquisa par a pr opor a cr iação de subgr upos de Tr abalho par a o desenvolvim ent o de análises SWOT específicas par a cada Ár ea de Pesquisa, que r eunidas cont em plam o escopo t em át ico de t odos os pr oj et os do I OC, sendo elas: 1) Doença de Chagas; 2) Leishm anioses; 3) Pr ot ozooses; 4) Helm int oses; 5) Dengue; 6) Doenças vir ais e r icket t sioses; 7) Doenças Bact er ianas e Fúngicas; 8) DST/ Aids; 9) Doenças Cr ônicas e Genét icas; 10) Genôm ica Funcional; 11) I m unologia e im unopr ot eção; 12) Educação e Sociedade; 13) Far m acologia; 14) Taxonom ia e biodiver sidade e; 15) Epidem iologia e Vigilância.
A Fase de Com pr om et im ent o é a fase de COMPROMI SSO, onde ocor r e a ident ificação de r ecom endações e dissem inação de r esult ados com a const r ução da visão est r at égica.
Nest a et apa ocor r e a elabor ação das Rot as Tecnológicas e Agendas Tecnológicas. A elabor ação das r ot as r equer a har m onização de visões dos difer ent es at or es e par a isso, oficinas de t r abalho dever ão ser or ganizadas par a levant ar as dir et r izes de ações par a os vár ios segm ent os, que const it uem a essência do cont eúdo das r ot as est r at égicas e agendas t ecnológicas.
Par a que a visão de fut ur o sej a alcançada, os r esult ados e r ecom endações dever ão ser apr esent ados em um Relat ór io Final e im plem ent ados at r avés de um a polít ica inst it ucional de pr ospecção t ecnológica.
dissem inar os r esult ados do est udo e for necer o subsídio par a a et apa seguint e. A r ealização de w or kshops , com palest r as de especialist as nas diver sas m et odologias de pr ospecção aj udar á na infor m ação e divulgação do t em a, de m odo a envolver t oda a com unidade, desde o início do pr ocesso, gar ant indo os esfor ços de coor denação. Esses encont r os t êm a vant agem de per m it ir um a gr ande int er ação ent r e os par t icipant es e de gar ant ir um equilíbr io na r epr esent at ividade de t odos os segm ent os.
Cabe r essalt ar que o est udo pr ospect ivo exige um t em po de apr endizado e m at ur ação par a que a inst it uição apr enda e se envolva com a cont inuidade do pr ocesso, cuj as at ividades r equer em assessor ia de t écnicos especialist as. Por isso, m ais um a vez se r efor ça a necessidade de um a assessor ia especializada em est udos pr ospect ivos par a coor denar e or ient ar a for m ação de r ecur sos hum anos par a a cont inuidade do pr ocesso.
Out r a quest ão im por t ant e é em r elação à capacit ação em pr ospecção cient ífica e t ecnológica, t endo em vist a a r elevância do t em a par a o planej am ent o est r at égico das em pr esas. Segundo Thiesen ( 2008) , as iniciat ivas adot adas pelas inst it uições de ensino e pesquisa e pelos ór gãos de gest ão do est ado de Sant a Cat ar ina no cam po da pr ospecção é m uit o incipient e e que a lit er at ur a sobr e essa t em át ica disponível nas bibliot ecas de duas univer sidades públicas invest igadas é insignificant e, aspect o que, de algum a for m a, indica insuficiência do debat e no m eio acadêm ico escolar .
De acor do com est e diagnóst ico, é im por t ant e que o t em a sej a inser ido na gr ade de disciplinas dos cur sos de pós - gr aduação do I OC, est im ulando nos pesquisador es em for m ação o exer cício de pensar o fut ur o, sobr et udo pelo papel r elevant e da inst it uição na const r ução de polít icas públicas de Saúde.
CON CLUSÃO
A pesquisa cient ífica do I OC alcançou um nível de excelência j á r econhecido, um a vez que seus labor at ór ios pr est am ser viço de r efer ência par a m ais de dois t er ços das doenças e agr avos à saúde de int er esse sanit ár io par a o país, sobr et udo na ár ea das doenças infecciosas e par asit ár ias, no âm bit o r egional, nacional e int er nacional , assim com o suas Coleções Cient íficas for m am um conj unt o de am ost r as de valor est r at égico par a o est udo de diver sas doenças par a univer sidades e out r as inst it uições cient íficas nacionais e int er nacionais ( FI OCRUZ, 2007) .
Ao const r uir sua visão de fut ur o de um inst it ut o de pesquisa e t ecnologia int er nacional de excelência, o I OC dem onst r a que ainda t em cam inhos a t r ilhar par a alcançar tal obj et ivo, necessit ando, sobr et udo, de um a m elhor definição de seu posicionam ent o at ual par a t r açar o cam inho necessár io at é a sit uação desej ada no fut ur o.
Nesse sent ido, acr edit am os que um est udo pr ospect ivo ser á fer r am ent a indispensável par a pr oj et ar o I OC a est e lugar de dest aque descr it o em sua visão de fut ur o, por que pr opor cionar á sair da pr evisão par a a ant ecipação, pr opiciando a com pr eensão das for ças que or ient am o fut ur o par a const r uir cam inhos que subsidiem o planej am ent o est r at égico e o invest im ent o inst it ucional em pesquisa, cr iando as condições m ais favor áveis possíveis par a o desenvolvim ent o de sua m issão em longo pr azo.
Com a or ganização do I I Encont r o do I OC – Const r uindo o fut ur o, onde sua lider ança cient ífica e ger encial delineou conj unt am ent e sua visão de fut ur o, o I OC dem onst r ou a im por t ância da adoção de exer cícios pr ospect ivos. A m oder nização de sua infr aest r ut ur a e a r eest r ut ur ação de sua pesquisa em r edes t am bém é out r o indicat ivo de seu esfor ço par a se adequar às condições necessár ias par a alcançar o desej ado em sua visão de fut ur o.
I sso com pr ova que j á há um int er esse cr escent e pela adoção de at ividade pr ospect iva no I OC, que deve ser est im ulado com m ais infor m ações sobr e pr ospecção t ecnológica, que desper t em ainda m ais o int er esse da com unidade e dos pesquisador es par a a r elevância do assunt o par a um a inst it uição alcançar e m ant er padr ões de excelência no m undo at ual.
Assim um a pr opost a, com o a aqui descr it a, dividida em t r ês fases poder á pr opor cionar ao I OC t em po necessár io par a seu am adur ecim ent o no t em a, agr egando valor às suas ár eas de at uação j á r econhecidas.
Sem elhant e ao I nst it ut o Past eur , que r esolveu pr epar ar - se par a o fut ur o desej ado invest indo em vár ias fr ent es, t ant o no âm bit o da infr aest r ut ur a com o no âm bit o cient ífico, o I OC t am bém adot ou ações par a a sua m oder nização, com o a at ualização de sua est r ut ur ação or ganizacional e a r eor ganização de sua pesquisa em inst âncias hor izont ais de int egr ação em r edes.
O m om ent o par ece ser o ideal par a im plem ent ar est e pr oj et o, que pr et ende ancor ar suas bases m et odológicas no conceit o de for esight ( ant evisão) , t endo com o pr incípio a const r ução colet iva, em que lider anças e especialist as est ar ão r eunidos par a discut ir est r at égias inst it ucionais or ient ados por um a assessor ia especializada que sej a capaz de coor denar o est udo de m aneir a a sensibilizar e int er nalizar o conhecim ent o do t em a na inst it uição.
Nesse sent ido, a assessor ia a ser cont r at ada dever á se m ost r ar capaz de desenvolver m et odologias adapt áveis caso a caso e dever á t er dado cont r ibuição aos est udos pr ospect ivos desenvolvidos no país nos últ im os anos. Adicionalm ent e, dever á dem onst r ar capacidade de pr opor cionar a confluência de ações dos set or es público e pr ivado e a int er locução, ar t iculação e int er ação dos set or es de ciência, t ecnologia com o set or pr odut ivo, com pondo um am bient e de elabor ação de ideias, obt enção de consensos e ident ificação de opor t unidades, difundindo infor m ações, exper iências e pr oj et os à sociedade.
Esper a- se que o I OC possa cont r ibuir com o or ganização pública br asileir a na ár ea da saúde a desenvolver est udos pr ospect ivos com o for m a de ar t icular as pr ior idades de inovação com as necessidades da pesquisa cient ífica. Pr et ende- se t am bém que sej a possível a indicação de ár eas de conhecim ent o e t em as est r at égicos, que per m it am a super ação de desafios e gar galos t ecnológicos e o conseqüent e aum ent o da com pet it ividade do set or PD&I br asileir o.
Con flit os de in t e r e sse
Os aut or es declar am que não t em conflit os de int er esse.
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