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Fundamentos de GeomorFoloGia e BioGeoGraFia

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Academic year: 2021

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2015

F

undamentos

de

G

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B

ioGeoGraFia

Org.ª Katia Spinelli

Prof. Arildo João de Souza Prof.ª Ângela da Veiga Beltrame Prof. Ricardo Wagner Ad-Víncula Veado Prof.ª Rosimar Bizello Müller

(2)

Elaboração: Org.ª Katia Spinelli Prof. Arildo João de Souza Prof.ª Ângela da Veiga Beltrame Prof. Ricardo Wagner Ad-Víncula Veado

Prof.ª Rosimar Bizello Müller

Revisão, Diagramação e Produção:

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial.

551.4

F981f Spinelli, Kátia

Fundamentos de geomorfologia e biogeografia/ Kátia Spinelli (Org.)... [et al.] . Indaial : UNIASSELVI, 2015.

262 p. : il. ISBN 978-85-7830-897-1 1.Geomorfologia; 2.Biogeografia.

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a

presentação

A Geografia é uma ciência tão fascinante quanto dinâmica, ao nos proporcionar o conhecimento, desde a estrutura do núcleo da Terra e seu funcionamento, até o topo da atmosfera, passando pelos vários ecossistemas e, naturalmente, a origem das variadas formas da superfície rochosa do planeta, objeto de estudo desta disciplina.

Originado das palavras gregas geo (Terra), morfo (forma) e logia (estudo), a Geomorfologia é, portanto, o estudo das formas da Terra ou do relevo terrestre.

A Biogeografia explica a distribuição dos seres vivos no espaço organizado. O dinamismo da expansão e distribuição das espécies na biosfera é muito complexo e envolve conceitos da Geografia, da Ecologia, da Biologia, da Climatologia, da Hidrologia e muitas outras disciplinas, inclusive as ligadas à Geografia Humana.

Abordaremos os fundamentos conceituais, ou seja, origem e evolução do conhecimento das formas do relevo terrestre, ressaltando os principais ícones mundiais e nacionais deste importante conhecimento. Afinal, vivemos na superfície da Terra e dependemos do equilíbrio entre as forças naturais envolvidas para continuar sustentando a vida.

Sabemos que a crosta terrestre é formada por grandes blocos rochosos que flutuam sobre o manto, chocando-se uns com os outros, criando cordilheiras na costa oeste de um continente e fossas abissais na costa leste, por exemplo, alterando constantemente a superfície do planeta. Estudaremos, portanto, as forças internas ou endógenas e as forças externas que atuaram e atuam para criar as mais belas formas de relevo, sejam elas continentais, costeiras ou submarinas, muitas musas de grandes poetas, mas que também escondem riquezas e os segredos da história geológica da Terra. Há o cuidado, na orientação deste estudo, no sentido de sempre se considerar a integração dos diferentes aspectos biogeográficos. Com isso, queremos enfatizar que a vida pode se desenvolver ou se adaptar ou se extinguir por um conjunto de fatores bióticos e abióticos, que agem sobre uma população ou comunidade de forma correlacionada, nunca isoladamente.

Não temos intenção de esgotarmos os assuntos aqui colocados. Pretendemos que o conteúdo deste caderno seja uma boa introdução aos seus estudos em Biogeografia e que, a partir dele, possa desenvolver outras leituras sobre esta fascinante disciplina.

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Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.

Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE.

Bons estudos!

são abordadas de forma sintética e resumida, portanto não significam um fim em si mesmas, mas a abertura de muitas portas, através das quais você deve entrar e se aprofundar, procurando realizar a leitura e estudo de outros autores.

Bom estudo.

Prof. Arildo João de Souza Prof.ª Rosimar Bizello Müller Prof.ª Ângela da Veiga Beltrame Prof. Ricardo Wagner Ad-Víncula Veado

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(7)

UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA ... 1

TÓPICO 1 – PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO ... 3

1 INTRODUÇÃO ... 3

2 O PAPEL DOS PROCESSOS ENDÓGENOS NA FORMAÇÃO DO RELEVO ... 4

2.1 A ATUAÇÃO DOS FENÔMENOS MAGMÁTICOS ... 5

2.2 A ATUAÇÃO DOS FENÔMENOS METAMÓRFICOS ... 6

2.3 A ATUAÇÃO DO TECTONISMO ... 6

2.3.1 A atuação da orogênese e epirogênese ... 7

2.3.2 A atuação dos falhamentos e dobramentos ... 8

2.3.3 A tectônica de placas e a evolução do relevo ... 10

3 PROCESSOS EXÓGENOS E SEUS EFEITOS NO RELEVO ... 10

3.1 EROSÃO E DENUDAÇÃO ... 11

3.2 TIPOS E FORMAS DE EROSÃO ... 12

3.2.1 O trabalho erosivo das águas ... 13

3.2.1.1 Erosão pluvial ... 13 3.2.1.2 Erosão fluvial ... 14 3.2.1.3 Erosão marinha ... 16 3.2.2 Erosão glacial ... 16 3.2.3 A erosão eólica ... 18 3.2.3.1 Registros erosivos ... 18 3.2.3.2 Registros deposicionais ... 20 RESUMO DO TÓPICO 1... 22 AUTOATIVIDADE ... 23

TÓPICO 2 – ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA ... 25

1 INTRODUÇÃO ... 25

2 VERTENTES ... 25

2.1 MORFOGÊNESE DAS VERTENTES ... 26

2.2 EVOLUÇÃO DAS VERTENTES ... 30

2.3 A FORMA DAS VERTENTES ... 32

2.4 DINÂMICA DAS VERTENTES ... 38

2.5 A IMPORTÂNCIA GEOLÓGICA DO ESTUDO DAS VERTENTES ... 39

3 MOVIMENTO DE MASSA ... 40

3.1 FATORES CONDICIONANTES ... 41

3.2 TIPOS DE MOVIMENTO DE MASSA ... 42

3.3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE ESCORREGAMENTOS E DESLIZAMENTOS ... 48

3.4 EXEMPLOS DE MOVIMENTOS DE MASSA OCORRIDOS NO BRASIL ... 48

RESUMO DO TÓPICO 2... 53

AUTOATIVIDADE ... 55

TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL ... 57

1 INTRODUÇÃO ... 57

(8)

2.1 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RIOS ... 58

2.2 OS PADRÕES DE DRENAGEM DOS RIOS ... 59

2.3 OS TIPOS DE LEITOS FLUVIAIS ... 62

2.4 OS TIPOS DE CANAIS FLUVIAIS ... 63

2.4.1 Canais retilíneos ... 64

2.4.2 Canais meandrantes ... 64

2.4.3 Canais anastomosados ... 66

2.4.4 Canais entrelaçados ou ramificados ... 66

2.5 LEQUES ALUVIAIS E DELTAICOS ... 67

2.6 OS DEPÓSITOS ALUVIAIS ... 69

LEITURA COMPLEMENTAR ... 72

RESUMO DO TÓPICO 3... 74

AUTOATIVIDADE ... 75

UNIDADE 2 – GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA ... 77

TÓPICO 1 – GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA ... 79

1 INTRODUÇÃO ... 79

2 A GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA ... 79

2.1 DESCRIÇÃO DO PERFIL LITORÂNEO ... 80

2.2 OS PROCESSOS MORFOGENÉTICOS RESPONSÁVEIS PELA MORFOGÊNESE LITORÂNEA ... 81

2.2.1 As forças marinhas atuantes na morfogênese litorânea ... 83

2.3 ALGUMAS FEIÇÕES LITORÂNEAS ... 85

2.3.1 As planícies costeiras ... 85 2.3.2 As escarpas e as falésias ... 86 2.3.3 Restinga ... 88 2.3.4 Tômbolo ... 88 2.3.5 Pontal ... 89 2.3.6 Baía ... 89 2.3.7 Golfo ... 90 2.3.8 Enseada ... 91 2.3.9 Recifes ... 91 2.3.10 Laguna ... 92 2.3.11 Atol ... 93 2.3.12 Praia ... 94 2.3.13 Dunas costeiras ... 94 3 A GEOMORFOLOGIA CÁRSTICA ... 95 3.1 OS SISTEMAS CÁRSTICOS ... 96

3.2 DISSOLUÇÃO DE ROCHAS CARBONÁTICAS ... 97

3.3 DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS CÁRSTICOS ... 98

3.4 AS CAVERNAS E OS CONDUTOS ... 99

3.4.1 Sistemas de cavernas ... 99

3.5 AS FORMAS DE RELEVO CÁRSTICO ... 100

LEITURA COMPLEMENTAR ... 104

RESUMO DO TÓPICO 1... 106

AUTOATIVIDADE ... 108

TÓPICO 2 – COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO ... 111

(9)

RELEVO ... 111

3 CARACTERÍSTICAS MORFOESTRUTURAIS DAS BACIAS SEDIMENTARES ... 112

3.1 RELEVO TABULAR OU TABULIFORME ... 113

3.2 RELEVO DO TIPO CUESTA ... 116

4 CARACTERÍSTICAS MORFOESTRUTURAIS NAS ÁREAS DE DEFORMAÇÃO TECTÔNICA ... 117

4.1 RELEVO DO TIPO HOG-BACK ... 117

4.2 DOMO ... 118

4.3 ESTRUTURA APALACHIANA ... 119

4.4 RELEVO JURÁSSICO ... 120

4.5 ESCARPAMENTO DE FALHA ... 121

4.6 GRABEN OU FOSSA TECTÔNICA ... 122

4.7 HORST OU MURALHA ... 122

5 ESCUDOS ANTIGOS OU MACIÇOS CRISTALINOS ... 122

6 AS PRINCIPAIS FORMAS DE RELEVO TERRESTRE ... 122

6.1 CADEIAS DE MONTANHAS ... 123

6.2 PLANALTOS ... 127

6.3 PlANÍCIES ... 128

6.4 DEPRESSÕES ... 130

7 A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO SUBMARINO ... 133

7.1 PLATAFORMA CONTINENTAL ... 133

7.2 TALUDE CONTINENTAL ... 134

7.3 REGIÃO E/OU PLANÍCIE ABISSAL ... 134

7.4 OUTRAS FORMAS DO RELEVO BATIMÉTRICO ... 134

RESUMO DO TÓPICO 2... 136

AUTOATIVIDADE ... 137

TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA ... 139

1 INTRODUÇÃO ... 139

2 A ESTRUTURAÇÃO DA GEOMORFOLOGIA NO BRASIL ... 140

2.1 AS BASES CONCEITUAIS DA GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA... 140

2.2 GEOMORFOLOGIA NO CONTEXTO DA GEOGRAFIA BRASILEIRA ... 142

3 ESTRUTURA GEOLÓGICA DO RELEVO BRASILEIRO ... 148

3.1 ESCUDOS CRISTALINOS OU NÚCLEOS CRATÔNICOS ... 150

3.2 BACIAS SEDIMENTARES ... 151

3.3 TERRENOS VULCÂNICOS ... 152

4 AS CLASSIFICAÇÕES DO RELEVO BRASILEIRO ... 152

4.1 CLASSIFICAÇÃO DE AROLDO DE AZEVEDO ... 153

4.2 CLASSIFICAÇÃO DE AZIZ AB’SABER ... 154

4.3 CLASSIFICAÇÃO DE JURANDYR ROSS ... 155

5 HIPSOMETRIA DO BRASIL ... 160

LEITURA COMPLEMENTAR ... 162

RESUMO DO TÓPICO 3... 164

AUTOATIVIDADE ... 166

UNIDADE 3 – TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM ... 167

TÓPICO 1 – OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS ... 169

1 INTRODUÇÃO ... 169

2 TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS ... 169

(10)

2.3 REINO AUSTRALIANO ... 175

2.4 REINO ARQUINÓTICO ... 180

2.5 REINO NEOTROPICAL ... 186

3 OS BIOMAS ... 189

3.1 BIOMA DE TUNDRA ... 189

3.2 BIOMA DE TAIGA - FLORESTA BOREAL DE CONÍFERAS ... 193

3.3 FLORESTA TEMPERADA SEMIDECÍDUA OU MISTA ... 199

3.4 BIOMA DE ESTEPES, PRADARIAS OU CAMPOS ... 202

3.5 BIOMA DE DESERTOS E SEMIDESERTOS ... 205

3.6 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA ... 213

3.7 BIOMA DE SAVANAS ... 215

3.8 BIOMA DE FLORESTAS PLUVIAIS EQUATORIAIS ... 219

RESUMO DO TÓPICO 1... 226

AUTOATIVIDADE ... 229

TÓPICO 2 – AS PAISAGENS FITOGEOGRÁFICAS DO REINO NEOTROPICAL ... 231

1 INTRODUÇÃO ... 231

2 DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS BRASILEIROS ... 231

2.1 DOMÍNIO DOS CHAPADÕES TROPICAIS COM DUAS ESTAÇÕES, RECOBERTOS POR CERRADOS E COM FLORESTAS-GALERIA ... 232

2.2 DOMÍNIO DAS REGIÕES SERRANAS TROPICAIS ÚMIDAS OU DOS "MARES DE MORROS", RECOBERTOS POR FLORESTAS PLUVIAIS ... 235

2.3 DOMÍNIO DAS DEPRESSÕES INTERMONTANAS SEMIÁRIDAS, COM INSELBERGS E DRENAGEM INTERMITENTE E RECOBERTAS POR CAATINGAS ... 239

2.4 DOMÍNIO DAS TERRAS BAIXAS EQUATORIAIS, EXTENSIVAMENTE FLORESTADAS DA AMAZÔNIA ... 241

2.5 DOMÍNIO DOS PLANALTOS DAS ARAUCÁRIAS ... 244

2.6 DOMÍNIO DAS PRADARIAS ... 247

2.6.1 Mistas do Sudeste do Rio Grande do Sul ... 247

RESUMO DO TÓPICO 2... 251

AUTOATIVIDADE ... 254

(11)

UNIDADE 1

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA

GEOMORFOLOGIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

PLANO DE ESTUDOS

A partir desta unidade, você será capaz de:

• entender de que forma as forças tectônicas, como vulcões, terremotos, mo-vimento de placas tectônicas etc., atuaram ao longo de bilhões de anos, para dar a atual conformação do planeta Terra;

• saber como as forças externas ou exógenas atuaram ao longo do tempo para esculpir as diferentes formas de relevo;

• descobrir o que é uma vertente, sua dinâmica, tipos, importância, equilí-brio;

• saber analisar um movimento de massa e identificar a causa do mesmo. • compreender a dinâmica do rio no transporte e deposição de sedimentos,

na construção do seu leito, meandros, estuários etc.;

Esta unidade está organizada em três tópicos. Em cada um deles você encontrará atividades para uma maior compreensão das informações apresentadas.

TÓPICO 1 – PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO

TÓPICO 2 – ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL

(12)
(13)

TÓPICO 1

UNIDADE 1

PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA

FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO

1 INTRODUÇÃO

O relevo atual não foi sempre assim, pois a superfície da Terra é dinâmica. Como você estudou na Geografia Física, a Terra é um planeta “vivo”. Através dos processos endógenos e exógenos, a superfície do planeta foi se modificando ao longo do tempo geológico, deixando marcas de sua história nas sucessivas camadas que foram dando origem ao relevo atual. Ademais, “a interação da litosfera móvel terrestre com os fluidos da atmosfera e hidrosfera guia a formação de uma variada paisagem, única no sistema solar”. (PENHA, 2009, p. 51).

As forças endógenas e exógenas são responsáveis por modelar e/ou esculpir a superfície do planeta Terra. As formas de relevo que você visualiza no seu dia a dia são o resultado da atuação dessas forças ao longo de milhões ou bilhões de anos. Lembrando que a Terra tem aproximadamente 4,5 a 4,6 bilhões de anos.

A título de curiosidade, de acordo com Penha (2009), se apenas as forças exógenas agissem sobre a superfície da Terra, considerando a não existência da atuação das forças endógenas, o nosso planeta estaria coberto por um único oceano cuja profundidade seria de aproximadamente 2,6 km. Na realidade, como você bem sabe, os oceanos cobrem 71% da superfície terrestre e a profundidade em média é de 3,8 km. É evidente que essa profundidade é muito irregular. Para você ter uma ideia, a maior profundidade é de 11.033 metros na fossa Challenger, nas Marianas, a sudoeste do Pacífico. Os 29% correspondem às terras emersas, com uma altitude média de 840 metros acima do nível do mar, tendo como ponto mais alto o Pico Everest, no Himalaia (Ásia), com 8.848 metros. Desse modo, pode-se dizer que a maior diferença altimétrica registrada no nosso planeta, se considerarmos o ponto mais alto e o ponto mais profundo, corresponde a aproximadamente 20 km.

O intuito deste tópico é fazer com que você entenda o processo de formação, transformação e desgaste do relevo.

(14)

2 O PAPEL DOS PROCESSOS ENDÓGENOS NA

FORMAÇÃO DO RELEVO

Os processos endógenos ou endogenéticos, ou ainda geodinâmicos internos, correspondem aos processos geológicos que atuam no interior da Terra. O fluxo da matéria do interior para o exterior ou vice-versa é contínuo e constitui o ciclo das rochas, no qual as massas rochosas são impulsionadas para a superfície, acentuando o relevo e impedindo o aplainamento generalizado oriundo dos processos exógenos.

Caso você não se lembre dos estudos do caderno de Geografia Física, relacionam-se à geodinâmica interna da Terra os fenômenos magmáticos vulcânicos e plutônicos, os dobramentos e falhamentos, a epirogênese e a orogênese, os terremotos e a tectônica de placas.

A maior parte do conhecimento do interior do planeta é fornecida através de estudos geofísicos, principalmente com o auxílio da sismologia (estudo dos terremotos).” (PENHA, 2009).

ATENCAO

A conjunção dos processos endógenos, presentes durante toda a evolução da história geológica da Terra, ocasiona a dinâmica da litosfera e, consequentemente, a formação das cadeias de montanhas, das fossas oceânicas, do deslocamento de porções continentais e das atividades magmáticas em grandes extensões da crosta terrestre.

Em zonas tracionadas por correntes convectivas ascendentes, a crosta oceânica é formada por sucessivas injeções de magma básico, dorsais são estruturadas, e o assoalho submarino é arrastado, simetricamente, para fora da cordilheira oceânica, levando consigo porções continentais mais leves e de natureza siálica. (PENHA, 2009).

Ainda de acordo com o mesmo autor, em zonas compressivas, presumivelmente geradas por correntes convectivas descendentes, ocorre a formação de cordilheiras, favorecendo assim o aparecimento de cinturões orogenéticos, zonas de subducção e, consequentemente, a formação de arcos de ilhas e fossas oceânicas. Desse modo, podem ser visualizadas as colisões de crosta oceânica, bem como, continental. Assim, movimentações tectônicas intensas são encontradas, ocasionando dobramentos e falhamentos da crosta em larga escala, bem como a presença de terremotos e vulcões.

(15)

Para facilitar sua compreensão, observe atentamente a ilustração a seguir, a qual indica zonas de construção e destruição de placas litosféricas e feições geológicas associadas.

FONTE: Penha (2009)

FIGURA 1 – SEÇÃO NA CROSTA TERRESTRE INDICANDO ZONAS DE CONSTRUÇÃO E DESTRUIÇÃO DE PLACAS LITOSFÉRICAS E FEIÇÕES GEOLÓGICAS ASSOCIADAS

Se necessário, retome os estudos do caderno de Geografia Física, com os conteúdos do Tópico 1 da Unidade 2.

ATENCAO

Embora os fenômenos e/ou processos geológicos associados à geodinâmica interna da Terra já tenham sido abordados no caderno de Geografia Física, gostaríamos de rever alguns aspectos, no intuito de compreender melhor a formação do relevo. Vejamos:

2.1 A ATUAÇÃO DOS FENÔMENOS MAGMÁTICOS

As rochas ígneas ou magmáticas resultam do processo de resfriamento e/ ou consolidação do material em estado de fusão proveniente do manto, o chamado magma. Estas podem ser intrusivas ou plutônicas (solidificação no interior da crosta) e extrusivas ou vulcânicas (solidificação na superfície).

A ascensão do magma, na litosfera, pode ocorrer de forma ativa, ocasionando a formação de corpos intrusivos de aspecto globular, que forçam e deformam as rochas envolventes, possibilitando a formação de corpos circunscritos com características dômicas (meia esfera), bem como, pode ocorrer de forma passiva, sem deformar ou arquear as rochas encaixantes. (PENHA, 2009). Ainda

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de acordo com o mesmo autor, é evidente que tais condições intrusivas podem influenciar as formas do relevo, seja pela erosão diferencial, seja pela deformação das formações rochosas envolventes, quando esses corpos magmáticos ficam expostos na superfície por meio da denudação.

2.2 A ATUAÇÃO DOS FENÔMENOS METAMÓRFICOS

2.3 A ATUAÇÃO DO TECTONISMO

As rochas metamórficas resultam da transformação (metamorfização) de rochas preexistentes (magmáticas, sedimentares e as próprias metamórficas) em condições de pressão e de temperaturas muito elevadas. Dependendo da pressão e da temperatura, as rochas metamórficas poderão mudar ou não a composição mineralógica, mas a textura obrigatoriamente muda.

É importante relembrar que são identificados três cenários ou tipos de metamorfismo fundamentais: regional ou dinamotermal, de contato ou termal e dinâmico ou cataclástico. No que concerne ao metamorfismo regional, não podemos deixar de abordar a sua importância como fenômeno plutônico, pois vastas porções da crosta podem ser afetadas, originando tipos rochosos comuns, como o escudo brasileiro e o canadense (pré-cambrianos).

As rochas variam em composição, bem como o grau de cristalinidade, sendo o maior para os gnaisses, onde alguns minerais chegam a ser centimétricos e de grande influência no relevo de terrenos muito antigos, como o denominado Complexo Cristalino. (PENHA, 2009). É claro que um gnaisse rico em cristais centimétricos de feldspato potássico (gnaisse facoidal) manifestar-se-á diferentemente, por exemplo, dos filitos e os micaxistos, isso porque são mais débeis e susceptíveis à erosão. O quartzito, por exemplo, quando exposto na superfície, tende sempre a formar relevo positivo e cristas, nem sempre ocorrentes em arenitos. (PENHA, 2009).

Sobre o material rochoso da litosfera ocorrem tensões de diferentes tipos e ordem de esforços. Amplas deformações e movimentos são produzidos em larga escala, estabelecendo assim a configuração arquitetônica do modelado terrestre. Associados ao estudo do tectonismo ocorrem a movimentação de placas, os falhamentos, os dobramentos, a orogênese e a epirogênese. Estes processos são determinantes na formação e transformação do relevo.

A ordem dos fenômenos relacionados à tectônica de placas, à orogênese, bem como à epirogênese é de nível mundial e/ou regional, isso porque seus efeitos são verificados em grades extensões da superfície do planeta, a ponto de considerarmos uma tectônica global. Já as consequências dos falhamentos e dos dobramentos também relacionados à tectônica de placas podem ser efetuadas a nível regional e/ou local e de forma independente, quando tratados isoladamente.

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Segundo Penha (2009, p. 61), “o fato de o material rochoso, quando submetido a esforços, fraturar ou dobrar deve-se ao tipo de resposta que ele apresentará às tensões, isto é, se quebrando, indicando regime rúptil de deformação, ou se dobrando indicando regime plástico de deformação”. Como você já sabe, esses regimes físicos estão presentes no interior da Terra. O regime rúptil pode se estabelecer a uma profundidade média inferior a 20 km, enquanto que o regime dúctil pode ser superior a esta, face obviamente às condições de pressão e temperatura.

É importante relembrar que os dobramentos e os falhamentos são processos endógenos, processados no interior da crosta e não na superfície, como aparentam ser. Assim, estratos de rochas que sofreram deformação há milhões de anos (Era Cenozoica) só agora estão aflorando, contribuindo assim, em maior ou menor grau, para as formas de relevo que estamos visualizando. Desse modo, podemos dizer que a idade das rochas ou das deformações nelas existentes não é necessariamente a mesma das formas nelas esculpidas. (PENHA, 2009). Pode-se dizer que os principais traços do relevo que visualizamos no nosso cotidiano foram delineados recentemente, na sua maioria no período terciário da Era Cenozoica.

2.3.1 A atuação da orogênese e epirogênese

A orogênese corresponde aos processos tectônicos responsáveis pela deformação e elevação de extensas regiões da crosta, formando assim os grandes cinturões montanhosos, a exemplo da Cordilheira dos Andes (foto), os Alpes e a Cordilheira do Himalaia (foto), dentre outros.

FONTE: Disponível em: <http://www.dolphinscommunications.com/wp- content/ uploads/2009/06/Foto-72-_3.jpg>. Acesso em: 10 jun. 2010.

FIGURA 2 – CORDILHEIRAS DOS ANDES E DO HIMALAIA

(18)

Uma faixa orogênica é uma longa e relativamente estrita região próxima a uma margem continental de colisão de placas. Nesta, existem muitos ou todos os processos formadores de montanhas. Desse modo, podemos dizer que uma faixa orogênica “é uma região alongada da crosta, intensamente dobrada e falhada durante os processos de formação de montanhas”. (PENHA, 2009, p. 62).

Uma informação importante que você não pode esquecer é que as orogenias apresentam diferenciação no que concerne à idade, à história, ao tamanho, bem como à origem. No entanto, todas já foram uma vez terrenos montanhosos. Os Apalaches, por exemplo, na Era Paleozoica foram uma grande cordilheira.

Quanto à epirogênese, podemos dizer que se caracteriza por movimentos verticais de extensas áreas continentais, sem gerar perturbações significativas à disposição e estrutura geológica das formações rochosas afetadas. Para Leinz e Amaral (2001), apesar da grande lentidão dos movimentos epirogênicos, as provas diretas da sua ocorrência podem ser observadas em muitos lugares do globo terrestre, à beira-mar. Assim, esses movimentos podem causar variações lentas no nível do mar, denominadas eustasia ou movimentos eustáticos. (GUERRA; GUERRA, 1997).

De acordo com Penha (2009, p. 63), “um produto típico do movimento epirogenético negativo é a bacia, uma depressão geralmente de expressão regional, preenchida por sedimentos, como as bacias sedimentares intracratônicas”. Extensas camadas de rochas sedimentares podem ser encontradas nesses locais, inclusive com vários quilômetros de espessura, como, por exemplo, a bacia de Michigan (EUA) e a bacia do Parnaíba (Brasil).

2.3.2 A atuação dos falhamentos e dobramentos

De acordo com Leinz e Amaral (2001, p. 351), as falhas “são fraturas nas quais ocorre um deslocamento perceptível das partes, o que se dá ao longo do plano de fratura”. O tipo de falha está diretamente relacionado com o regime geotectônico que ocorreu e ainda ocorre em determinadas áreas do globo terrestre. As feições lineares do fraturamento da crosta são facilmente identificadas na superfície, através de imagens aéreas ou de satélites. Muitas vezes as falhas podem promover variações bruscas da litologia, ocasionando alteração no relevo. Dependendo da amplitude e idade do falhamento, a configuração do relevo será afetada em maior ou menor escala.

Na ilustração a seguir é possível verificar as principais feições morfológicas associadas aos falhamentos. Observe-a.

(19)

FONTE: Penha (2009)

FIGURA 3 – TIPOS DE FALHAS E RELEVOS ASSOCIADOS

Quanto aos dobramentos, é importante relembrar que estes correspondem às deformações dúcteis que afetam os corpos rochosos. As dobras são geradas no interior da crosta, onde a temperatura e a pressão ocasionam a plasticidade das rochas. E, quando expostas na superfície, podem controlar o relevo, principalmente quando geradas em sequências de rochas acamadas, de diferentes composições, bem como, com resistência diferencial à erosão. Atente para a ilustração que segue.

FONTE: Penha (2009)

FIGURA 4 – FORMAS CONTROLADAS PELO MERGULHO DE STRATOS RESISTENTES DEFORMADOS

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2.3.3 A tectônica de placas e a evolução do relevo

A maioria das atividades tectônicas se manifesta no limite das placas tectônicas. Podemos exemplificar as montanhas e as cadeias montanhosas que praticamente foram formadas nos limites das placas. Assim, sua evolução é comumente acompanhada de falhamentos, dobramentos, terremotos, erupções vulcânicas, intrusões de plútons e metamorfismo, principalmente nas zonas de subducção de margens continentais ativas. (PENHA, 2009).

Os esforços compressivos, gerados nas zonas de colisão de placas convergentes, associados ao intenso magnetismo que introduz corpos ígneos no material crustal afetado, edificam vulcões na superfície, criando as condições necessárias para o enrugamento do relevo por extensas áreas do planeta, em diferentes períodos geológicos. Assim, as montanhas quase sempre se apresentam como cadeias ou cordilheiras, porque as forças que as criaram operavam por extensas regiões da crosta terrestre, associadas a fenômenos de grande transcendência geodinâmica interna, sejam montanhas vulcânicas, de blocos falhados ou de dobramento e empurrão, como os Alpes e o Himalaia (vide imagem anterior). (PENHA, 2009).

Sem dúvida, o relevo terrestre está intimamente ligado aos episódios de grande mobilidade crustal, que confere inúmeros aspectos morfológicos à superfície da Terra no decorrer do tempo geológico.

Sugerimos que você retome os estudos do caderno de Geografia Física no que concerne ao estudo das rochas e, principalmente, o estudo sobre a gênese e evolução da tectônica global. Esta releitura poderá facilitar seu entendimento sobre a atuação dos agentes endógenos na formação do relevo, uma vez que as informações estão mais detalhadas. IMPORTANTE

3 PROCESSOS EXÓGENOS E SEUS EFEITOS NO RELEVO

Os processos exógenos correspondem aos processos que atuam no exterior da Terra. Sem dúvida, nas mais diversas paisagens do mundo é possível reconhecer a presença dos agentes exógenos no relevo. O trabalho destes agentes é denominado de erosão.

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2.3.3 A tectônica de placas e a evolução do relevo

3.1 EROSÃO E DENUDAÇÃO

Antes de verificarmos os tipos e formas de erosão é preciso deixar claro o conceito de erosão e denudação. Vejamos:

O conceito de erosão (do latim = erodere) está vinculado aos

processos de desgaste da superfície do terreno com a retirada e o transporte dos grãos minerais. Implica na relação de fragmentação mecânica das rochas ou na decomposição química das mesmas, bem como na remoção superficial ou subsuperficial dos produtos do intemperismo. Atua através de vários processos intempéricos (mecânicos [corrasão], químicos [corrosão], dissolução) e pela ação das águas correntes, das ondas, dos movimentos das geleiras e dos ventos. (BIGARELLA, 2003, p. 884).

Em um sentido mais amplo, a erosão consiste no desgaste, no “afrouxamento” do material rochoso, bem como na remoção dos detritos através dos processos atuantes na superfície da Terra. De acordo com Bigarella (2003), muitas vezes a erosão é confundida com a denudação.

O termo denudação (do latim = denudare = descobrir) por muito tempo tem sido empregado na geomorfologia como sendo a remoção do material solto resultante do processo de intemperismo das rochas, oriundo da ação dos diferentes processos erosivos. (BIGARELLA, 2003). A denudação, conforme foi ressaltado no tópico 1, consiste no desgaste das formas de relevo mais salientes devido à ação dos agentes erosivos, ou seja, ocasionará acentuadamente a exposição das estruturas rochosas.

Mas, afinal, você conseguiu entender a diferença entre a erosão e a denudação? Lembre-se: A erosão refere-se aos processos de desgastes da superfície e a denudação consiste nas consequências deste desgaste.

Você também precisa ter clara a diferença entre corrasão, corrosão e dissolução. Vejamos conforme a conceituação de Bigarella (2003, p. 885):

Corrasão

refere-se ao desgaste exclusivamente mecânico da rocha pela ação de materiais que se movem sobre a superfície, seja pelos movimentos de massa nas vertentes pela força da gravidade, ou pelos agentes de transporte que exercem ação erosiva.

Corrosão

refere-se ao desgaste de natureza química sobre os constituintes minerais das rochas. A corrosão é muito efetiva e evidente nas paisagens cársticas.

Dissolução

neste processo, um material no estado sólido ou gasoso é transformado no estado líquido pela ação de um solvente, principalmente pela água.

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É importante destacar que a determinação das taxas de erosão ou de denudação, segundo Bigarella (2003), é bastante complexa, dependendo de uma série de fatores envolvidos no intemperismo e na remoção de detritos. Dentre eles podem ser destacados as condições geográficas e climáticas; o tipo de relevo (sua forma e altimetria) e a natureza das rochas.

No que se refere à cronologia dos eventos denudacionais, segundo Bigarella (2003), diz respeito tanto aos geomorfólogos como aos geógrafos, geólogos, estratígrafos e pedólogos, uma vez que se torna necessário correlacionar as diversas superfícies ou níveis de erosão com seus depósitos correlativos. “A cronologia da denudação depende da obtenção de muitos dados relativos aos depósitos correlativos associados, bem como da aplicação de metodologia apropriada”. (BIGARELLA, 2003, p. 908).

3.2 TIPOS E FORMAS DE EROSÃO

A erosão pode ser considerada normal ou natural e acelerada. A erosão normal é menos evidente, sendo percebida apenas com o decorrer do tempo e efetua-se dentro das condições naturais do ambiente. Já a erosão acelerada consiste na remoção de grande massa de material, a curto prazo, ocasionando sulcos mais ou menos profundos na superfície do terreno, destruindo o solo no meio rural e as propriedades na área urbana, além de afetar as obras de engenharia de modo geral. (BIGARELLA, 2003). É importante destacar que na erosão acelerada existe a interferência antrópica, bem como as mudanças climáticas, que fazem com que ocorra o aumento da intensidade erosiva.

Na verdade, desde o período neolítico (caracterizado pelas sociedades sedentárias) o homem passou a interferir decisivamente no meio ambiente, ao utilizar práticas agrícolas inadequadas à conservação do solo, criando assim novas situações para a atuação de fenômenos erosivos acelerados. Atualmente, o ser humano continua fazendo uso do solo de maneira inadequada, seja nas áreas rurais ou nas áreas urbanas.

O processo erosivo pode ser compreendido em três etapas: a desagregação, o transporte e a sedimentação e/ou acumulação.

A erosão inicia com a desagregação das rochas em virtude do intemperismo (processos que geram a destruição física e a decomposição química dos minerais em decorrência da ação dos agentes climáticos e biológicos). Os sedimentos que se formam são posteriormente transportados para áreas mais baixas pelos próprios mecanismos naturais em movimento (vento, chuvas, rios etc.). Esses sedimentos são depositados nas partes mais baixas da superfície, nas quais se acumulam.

Os principais agentes erosivos são: a água (que pode agir no desgaste do relevo de diferentes formas, através das chuvas, rios, mares); glaciações; vento e a própria ação do ser humano.

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3.2.1 O trabalho erosivo das águas

3.2.1.1 Erosão pluvial

A ação das águas pode gerar o desgaste no relevo de diferentes formas, através da água das chuvas, dos rios e dos mares. A saber.

A erosão pluvial é ocasionada pela retirada de material correspondente à parte superficial do solo pelas águas das chuvas. Quando o solo está desprovido de vegetação, este processo erosivo ocorre de maneira acelerada. Num primeiro momento, o contato das águas das chuvas com o solo pode provocar a desagregação dos “torrões” e agregados do solo, o que resultará no lançamento do material mais fino para o alto e para longe, processo conhecido como salpicamento. À medida que aumenta o impacto do contato, o material mais fino do solo é pressionado para baixo da superfície, ocasionando a obstrução da porosidade do solo, aumentando, consequentemente, o fluxo superficial e a erosão. Assim, conforme o grau de agressão da força destrutiva das águas, podem ser consideradas as seguintes e principais formas de erosão pluvial:

Erosão Laminar → consiste no processo de remoção de uma camada

delgada e uniforme de solo superficial, ocasionada pelo fluxo hídrico não concentrado, no qual o solo não apresenta incisões significativas, bem como canais perceptíveis.

Erosão de Sulcos → são pequenas incisões na superfície terrestre, em

formato de filetes muito rasos, perpendiculares às curvas de nível, representando áreas em que a erosão laminar é mais intensa. É possível recuperar os sulcos através de operações normais de preparação do solo.

Erosão de Ravinamento → são formas erosivas resultantes do

aprofundamento dos sulcos devido ao fluxo concentrado de águas pluviais. É importante destacar que a velocidade do fluxo pluvial é em decorrência do aumento da intensidade da chuva, da declividade da encosta e/ou terreno e da ultrapassagem da capacidade de armazenamento do solo.

Erosão de Voçorocas → podemos dizer que este tipo de erosão é a mais

complexa e destrutiva. Corresponde ao produto da ação combinada das águas do escoamento superficial e subterrâneo, apresentando grande porte e formas variadas. As voçorocas são verdadeiras “crateras”, possuindo paredes laterais íngremes e, em geral, fundo chato, ocorrendo fluxo de água no seu interior durante os eventos chuvosos. Observe a figura a seguir.

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FONTE: Almeida e Rigolin (2004)

Acerca da erosão pluvial, é importante destacar também que parte das águas das chuvas que caem sobre a superfície da Terra infiltra-se no subsolo, formando a água subterrânea. Essa água subterrânea realiza um trabalho de erosão no subsolo, modelando formas bem características, principalmente em terrenos constituídos por rochas de fácil dissolução. O calcário é uma delas, e as regiões onde ele é trabalhado pelas águas formam um relevo típico denominado

karst (nome emprestado de uma região da Croácia). Sem dúvida, as cavernas

são as mais belas formações desse relevo, que possui vários outros aspectos característicos, como os lapiás (formas superficiais) e as dolinas (depressões).

FIGURA 5 – IMAGEM DE UMA VOÇOROCA EM PARANAVAÍ (PR). É O TIPO DE EROSÃO MAIS AGRESSIVA PROVOCADA PELAS ÁGUAS DAS CHUVAS

No Tópico 2 da Unidade 2 abordaremos a morfologia cársica ou cárstica.

ATENCAO

3.2.1.2 Erosão fluvial

A erosão fluvial corresponde à erosão ocasionada pela ação das águas dos rios sobre a superfície terrestre. As águas dos rios, durante o seu percurso,

retiram, transportam e depositam materiais, ocasionando a “construção” e/ou

destruição de suas respectivas margens.

É evidente que o trabalho de construção e/ou destruição realizado pela erosão fluvial depende de alguns fatores, como a natureza da rocha, a declividade

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Os vales fluviais são considerados um dos mais significativos testemunhos do trabalho erosivo fluvial. Não podemos deixar de ressaltar que este processo erosivo de formação dos vales fluviais levou bilhões e/ou milhões de anos para ocorrer.

Os exemplos mais comuns desse tipo de formação são os vales em V e os cânions, a exemplo do Grand Canyon, nos Estados Unidos (Figura 15). Para você ter uma ideia, o cânion exemplificado foi escavado pelas forças das águas do rio Colorado, sendo que, entre o ponto mais alto do rio e sua foz há um desnível de aproximadamente 2.400 metros, cuja extensão é de cerca de 500 km e varia de 7 a 30 km de borda a borda. Sua idade é de aproximadamente 13 milhões de anos. A ilustração a seguir explica como se forma um cânion. Atente para a foto à direita.

FONTE: FARNDON, J. Dictionary of the Earth. London: Dorling Kindersley, 2000.

É importante destacar que não são todos os vales que apresentam a forma de “garganta”, como os cânions. Os vales também podem ser encontrados em forma de vale em calha, vale normal e vale assimétrico. Ao observar a figura a seguir você perceberá a diferença entre eles.

FIGURA 6 – FORMAÇÃO DE UM CÂNION. À ESQUERDA VOCÊ OBSERVA UMA ILUSTRAÇÃO DE COMO OS RIOS ESCAVAM OS CÂNIONS. À DIREITA TEMOS UMA IMAGEM DO GRAND

CANION DO COLORADO (EUA)

FONTE: Disponível em: <www.agriturismo.net>. Acesso em: 2 jun. 2009. FIGURA 7 – ETAPAS DA EROSÃO FLUVIAL

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3.2.1.3 Erosão marinha

Podemos dizer que o mar também forma e/ou transforma as paisagens litorâneas. A erosão marinha pode ser construtiva e também destrutiva. Assim, o trabalho de construção do relevo, bem como de destruição, realizado pelo mar nas áreas litorâneas, chama-se de erosão marinha.

No que concerne ao processo construtivo de erosão marinha, podemos exemplificar a formação das praias, tômbolos e restingas, resultados a partir da deposição de sedimentos.

O poder erosivo (destrutivo) das ondas é conhecido como abrasão

marinha.

Quando as ondas quebram nas partes em que o continente avança sobre o mar, arrancam fragmentos das rochas, fazendo com que as paredes rochosas desmoronem, num processo erosivo de destruição (abrasão).

Um exemplo típico de formas resultantes da abrasão marinha são as falésias (costas altas e abruptas). O esquema a seguir ilustra a formação de uma falésia. Observe-o.

FONTE: Almeida e Rigolin (2004)

FIGURA 8 – ESQUEMA DE FORMAÇÃO DE UMA FALÉSIA

3.2.2 Erosão glacial

Os processos de erosão glacial ocorrem sob as massas de gelo. Este tipo de erosão pode ser definido como envolvendo a incorporação e remoção, pelas geleiras, de partículas ou detritos do assoalho sobre o qual elas se movem. De modo geral, ocorrem três processos principais de erosão glacial: abrasão; remoção e ação da água no degelo. Vejamos cada um deles, segundo Campos e Santos (2001, p. 223):

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3.2.1.3 Erosão marinha

3.2.2 Erosão glacial

Processo de abrasão – corresponde ao desgaste do assoalho sobre o qual

as geleiras se deslocam, pela ação de partículas rochosas transportadas na base de gelo. É importante frisar que a maior parte da abrasão é produzida não pela ação direta do gelo, mas pelos fragmentos rochosos que ele transporta, pelo fato de o gelo ter dureza relativamente baixa. A maior ou menor eficiência da abrasão depende da pressão exercida pela partícula rochosa sobre o assoalho, da velocidade do movimento das geleiras e da disponibilidade de partículas protuberantes na base.

Processo de remoção – consiste na remoção de fragmentos rochosos

maiores pelas geleiras. O fenômeno está associado à presença de fraturas ou descontinuidades nas rochas do substrato que podem corresponder a estruturas previamente existentes ou a descontinuidades formadas subglacialmente pelo alívio da pressão causada pela erosão glacial. Variações na pressão basal do gelo, normalmente associadas à presença de irregularidades no embasamento, podem gerar campos de esforços ou alterar os existentes, facilitando o aparecimento ou ampliação das zonas de fraqueza, promovendo a remoção de fragmentos de rocha. O mesmo pode resultar de mudanças térmicas na base do gelo. Finalmente, variações na pressão da água de degelo subglacial, nas adjacências de cavidades nas rochas do embasamento, podem também tornar o processo de remoção mais eficiente.

Água de degelo – duas são as maneiras pelas quais a água do degelo

glacial produz erosão: a) mecanicamente – resulta do impacto de partículas transportadas sobre a superfície das rochas do assoalho das geleiras, pela agitação de clastos transportados e ação de redemoinho destes, dentro de cavidades subglaciais, e pelo processo de cavitação (consiste na formação de ondas de choques pelo colapso de bolhas de ar dentro da corrente aquosa, que se faz sentir mais intensamente em geleiras de base quente, drenadas por fortes correntes aquosas subglaciais). b) por ação química – os estados insaturados das soluções aquosas, a disponibilidade de partículas finas, com grande superfície relativa de reação e a maior solubilidade do dióxido de carbono em razão da baixa temperatura da água, acidificando-a, são os fatores aventados para explicar a erosão química glacial.

Os vales e os circos glaciais são as estruturas mais impressionantes esculpidas pelo gelo. Vales glaciais formaram-se devido à canalização das geleiras ao longo de depressões topográficas, modificando-as. A ação abrasiva do gelo resulta em modificação do perfil dos vales fluviais de V para vales glaciais de U.

Os fiordes da Escócia, da Groenlândia e da Noruega são antigos vales glaciais localizados em litorais de costas altas, que foram reescavados profundamente pela ação das geleiras e invadidos pelas águas do mar.

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FONTE: Disponível em: <http://www.almadeviajante.com/fotos/noruega/noruega.php>. Acesso em: 15 maio 2010.

FIGURA 9 – IMAGEM DO FIORDE AURLANSFJORD, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA UNESCO

3.2.3 A erosão eólica

3.2.3.1 Registros erosivos

A ação do vento fica registrada tanto nas formas de relevo como nos fragmentos trabalhados pela ação eólica, seja de forma destrutiva (erosão) ou de forma construtiva e/ou acumulativa (sedimentação ou deposição).

Os dois processos erosivos que correspondem à atividade eólica são: a deflação e abrasão. Segundo Sígolo (2001, p. 252), “na deflação a remoção de areia e poeira da superfície pode produzir depressões no deserto, chamadas bacias de deflação, podendo chegar a níveis mais baixos do que o nível do mar”. De acordo com o mesmo autor, deflação também pode produzir os chamados pavimentos desérticos (figura a seguir (esquerda)), caracterizados por extensas superfícies exibindo cascalho ou o substrato rochoso, expostas pela remoção dos sedimentos finos. Se o nível topográfico no deserto sofrer um rebaixamento por esse mecanismo até atingir a zona subsaturada ou saturada em água, podem originar-se os chamados oásis (figura a seguir).

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FONTE: Sígolo (2001)

FIGURA 10 – REGISTROS EROSIVOS. À ESQUERDA VOCÊ OBSERVA O PAVIMENTO DESÉRTICO NO DESERTO DO ATACAMA, CORDILHEIRA DOS ANDES. A FOTO À DIREITA CORRESPONDE

AO OÁSIS, TAMBÉM NO DESERTO DO ATACAMA

Por causa dos constantes impactos de diferentes partículas em movimento (areia fina, média ou mesmo grossa) entre si e com materiais estacionados, geralmente maiores (seixos, blocos etc.), ocorre um intenso processo de desgaste e polimento de todos esses materiais. (SÍGOLO, 2001). Este processo denomina-se abrasão eólica. É importante ressaltar que o vento, isoladamente, não produz qualquer efeito abrasivo sobre materiais rochosos. Apenas quando transporta areia e poeira é que exerce papel erosivo. A abrasão produzida pelo vento assemelha-se ao processo de jateamento e polimento com areia, utilizado na indústria para limpar, polir ou decorar diversos objetos.

Segundo Sígolo (2001), a ação erosiva do vento produz outras formas de registro, como os yardangs, que se assemelham a cascos de barcos virados, formados pela ação abrasiva eólica sobre materiais relativamente frágeis, como sedimentos e rochas sedimentares pouco consolidadas. Representam formas de abrasão importantes em diferentes áreas desérticas, tais como a Bacia do Lut, no sudoeste do Irã, e Atacama, no Chile.

No Brasil, embora os ventifactos (seixos que apresentam duas ou mais faces planas desenvolvidas pela ação da abrasão eólica) sejam raros, outras formas erosivas são encontradas, muitas delas conjugadas à atividade pluvial. Quando assim ocorrem, as ações erosivas eólica e pluvial podem produzir formas específicas no relevo, como, por exemplo, nos arenitos do Subgrupo Itararé em Vila Velha, Paraná. Observe a imagem a seguir.

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FONTE: Sígolo (2001)

3.2.3.2 Registros deposicionais

FIGURA 11 – ARENITOS DO SUBGRUPO ITARARÉ ERODIDOS PELA CONJUGAÇÃO DA AÇÃO EÓLICA E PLUVIAL, EM VILA VELHA, PARANÁ

O transporte e a posterior deposição de partículas pelo vento formam registros geológicos peculiares que são testemunhos desse tipo de atividade no passado. Os principais registros eólicos deste tipo são as dunas, os mares de areia e os depósitos de loess. Atente para estes registros.

Dunas – são formadas por uma deposição contínua, apresentam-se como

grandes elevações de areia, podendo ser estacionárias (fixas) ou migratórias (móveis). As formas de dunas mais comuns são as dunas transversais, barcanas, parabólicas, estrela e longitudinais.

Mares de areia – é empregado em desertos para grandes áreas cobertas

de areia, a exemplo da Arábia Saudita, com cerca de 1.000.000 km² da superfície atualmente cobertos por areia. Gigantescas áreas com dunas também ocorrem na Austrália e Ásia. As extensas coberturas de areia no Norte da África são conhecidas como ergs. (SÍGOLO, 2001).

Loess – sedimentos muito finos, quase sempre amarelados, e muito férteis,

constituídos por quartzo, argila e calcário. Sua área de ocorrência mais conhecida é a da China meridional.

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As paisagens estão em constante transformação, seja pelos agentes exógenos ou pelos agentes endógenos. Como a nossa presença no planeta é muito curta, dado o tempo de formação e/ou transformação dessas paisagens, não conseguimos identificar mudanças significativas em suas formas.

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Neste tópico você estudou que:

• Os processos endógenos correspondem aos processos geológicos que atuam no interior da Terra. O fluxo da matéria do interior para o exterior ou vice-versa é contínuo e constitui o ciclo das rochas, no qual as massas rochosas são impulsionadas para a superfície, acentuando o relevo e impedindo o aplainamento generalizado oriundo dos processos exógenos.

• Estão relacionados à geodinâmica interna da Terra os fenômenos magmáticos vulcânicos e plutônicos, os dobramentos e falhamentos, a epirogênese e a orogênese, os terremotos e a tectônica de placas.

• A conjunção dos processos endógenos, presentes durante toda a evolução da história geológica da Terra, ocasiona a dinâmica da litosfera e, consequentemente, a formação das cadeias de montanhas, das fossas oceânicas, do deslocamento de porções continentais e das atividades magmáticas em grandes extensões da crosta terrestre.

• Os processos exógenos correspondem aos processos que atuam no exterior da Terra. Nas mais diversas paisagens do mundo é possível reconhecer a presença dos agentes exógenos no relevo. O trabalho destes agentes é denominado de erosão.

• Os principais agentes erosivos do relevo são: a água (que pode agir no desgaste do relevo de diferentes formas, através das chuvas, glaciações, rios, mares); o vento e a própria ação do ser humano.

• A ação das águas pode gerar o desgaste no relevo de diferentes formas, através das chuvas, gelo, rios, mares.

• Os processos de erosão glacial ocorrem sob as massas de gelo. Este tipo de erosão pode ser definido como envolvendo a incorporação e remoção, pelas geleiras, de partículas ou detritos do assoalho sobre o qual elas se movem. De modo geral, ocorrem três processos principais de erosão glacial: abrasão; remoção e ação da água no degelo.

• A ação do vento fica registrada tanto nas formas de relevo como nos fragmentos trabalhados pela ação eólica, seja de forma destrutiva (erosão) ou de forma construtiva e/ou acumulativa (sedimentação).

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1 Sobre o papel dos processos endógenos na formação do relevo, analise as afirmativas que seguem e posteriormente assinale a alternativa que apresenta as afirmações CORRETAS:

I- A junção dos processos endógenos, presentes durante toda a evolução da história geológica da Terra, ocasionou a formação das cadeias de montanhas, das fossas oceânicas, do deslocamento de porções continentais e das atividades magmáticas em grandes extensões da crosta terrestre. II- A orogenia é responsável pela deformação e elevação de extensas regiões

da crosta, formando assim os grandes cinturões montanhosos.

III- As dobras, quando expostas na superfície, podem controlar o relevo, principalmente quando são geradas em sequências de rochas acamadas com diferentes composições e uma resistência diferencial à erosão.

IV- A configuração do relevo, dependendo da amplitude e idade do falhamento, será afetada em maior ou menor escala.

a) ( ) Estão corretas apenas as afirmativas II, III e IV. b) ( ) Estão corretas apenas as afirmativas I e II. c) ( ) Somente a afirmativa III está correta. d) ( ) Todas as afirmativas estão corretas.

2 A presença dos agentes exógenos do relevo pode ser reconhecida nas mais diversas paisagens. Em relação a este estudo, analise as afirmativas e em seguida assinale a alternativa que corresponde à sequência CORRETA: I- A erosão pluvial é um dos agentes erosivos mais ativos no relevo, pois pode

ocasionar grandes crateras no solo ou as chamadas voçorocas.

II- Os vales fluviais são considerados os mais significativos testemunhos do trabalho erosivo dos rios.

III- As falésias são as formas típicas de abrasão marinha.

IV- Um dos processos erosivos eólicos é a deflação. Nesta, a remoção de areia e poeira da superfície pode produzir depressões no deserto, chamadas bacias de deflação.

a) ( ) As alternativas I, II e III estão corretas. b) ( ) As alternativas II, III e IV estão corretas. c) ( ) Somente a alternativa III está correta. d) ( ) Todas as alternativas estão corretas.

3 Diante do que foi exposto sobre a atuação dos processos endógenos e exógenos na formação, transformação e desgaste do relevo, teça um texto, elencando o seu entendimento acerca desses processos e sua interação no modelado terrestre.

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TÓPICO 2

ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA

UNIDADE 1

1 INTRODUÇÃO

2 VERTENTES

Sem dúvida, o estudo das vertentes é um dos mais importantes setores de pesquisa geomorfológica, contemplando não apenas a análise de processos, mas também das formas. Todavia, o estudo das vertentes é muito complexo, pois envolve a ação de vários processos responsáveis tanto pela formação como pela remoção de material detrítico.

Os vários processos que atuam nas vertentes dependem de muitos fatores, dentre eles podemos destacar o clima atuante da região, a cobertura vegetal, a litologia, a estrutura geológica e a forma erosiva. Desse modo, ter-se-á uma grande variedade de formas, dificultando assim o estabelecimento de um modelo generalizado de desenvolvimento e evolução de vertentes.

Neste tópico você também terá a oportunidade de compreender os movimentos de massas que são reconhecidos como os mais importantes processos geomórficos modeladores da superfície terrestre.

Assim, dada a importância do estudo das vertentes, bem como dos movimentos de massa, convidamos você a “mergulhar” neste estudo e compreender a morfogênese das vertentes, os tipos e formas de vertentes, bem como a importância geológica do estudo das mesmas.

Primeiramente é importante que você entenda o que é uma vertente. De acordo com o dicionário geológico-geomorfológico de Guerra e Guerra (1997, p. 634-635), vertentes “são planos de declives variados que divergem das cristas ou dos interflúvios, enquadrando o vale. Nas zonas montanhosas, as vertentes podem ser abruptas e formarem gargantas”. Neste caso, as vertentes estão mais próximas do leito do rio, enquanto nas planícies estão mais afastadas.

Você ficou confuso? Vejamos em um sentido mais amplo o que é uma vertente.

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Vertente significa superfície inclinada, não horizontal, sem apresentar qualquer conotação genética ou locacional. As vertentes podem ser subaéreas ou submarinas, podendo resultar da influência de qualquer processo, e, nesse sentido amplo, abrangem todos os elementos componentes da superfície terrestre, sendo formadas pela ampla variedade de condições internas e externas. (CHRISTOFOLLETI, 1980, p. 26).

Pode-se dizer que o conceito de vertente foi consagrado por J. Dylik como “toda superfície terrestre inclinada, muito extensa ou distintamente limitada,

subordinada às leis gerais da gravidade”. (CASSETI, 2005).

Na verdade, o estudo das vertentes enquanto categoria do relevo ganha importância acadêmico-institucional em 1957, com o trabalho de Tricart, no qual afirmava que a vertente compunha o elemento principal do relevo.

De fato, o estudo das vertentes é caracterizado pelos geógrafos de fundamental importância, pois consistem nas mais básicas de todas as formas de relevo. E essa importância pode ser justificada, pois contribui no entendimento do processo evolutivo do relevo, bem como, por sintetizar as diferentes formas tratadas pela geomorfologia.

2.1 MORFOGÊNESE DAS VERTENTES

Conforme Christofoletti (1980), as vertentes podem resultar da influência de qualquer processo e, nesse sentido amplo, abrangem todos os elementos componentes da superfície terrestre, sendo formadas pela ampla variedade de condições tanto internas quanto externas.

Desse modo, as vertentes endogenéticas correspondem àquelas vertentes cuja formação está relacionada aos processos endógenos (que se originam no interior da Terra). As vertentes exogenéticas resultam dos processos exógenos (que se originam na superfície da Terra). Enquanto que os processos endógenos modificam a posição altimétrica e a orientação preexistente das vertentes, bem como podem ocasionar a formação de novas vertentes, os processos exógenos reduzem a paisagem terrestre a um determinado nível de base (o principal é o nível do mar).

É evidente que a interação dos processos endógenos e exógenos responsáveis pela formação das formas de relevo tanto da superfície continental quanto oceânica é um processo relativamente lento na escala do tempo geológico. Gostaríamos de destacar também, conforme coloca Christofoletti (1980, p. 26):

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2.1 MORFOGÊNESE DAS VERTENTES

Que considerando que os processos endógenos pertencem ao âmbito da geodinâmica, e que qualquer que seja a origem endogênica primitiva toda vertente está esculpida pelos processos exógenos, em maior ou menor grau, podemos afirmar que as vertentes representam a categoria de forma que se constitui no objeto primordial da geomorfologia, pois são os componentes básicos de qualquer paisagem.

Os processos morfogenéticos são os responsáveis pela esculturação das formas de relevo, representando a ação da dinâmica externa sobre as vertentes. (CHRISTOFOLETTI, 1980). Apesar desses processos atuarem conjuntamente, apresentam um desenvolvimento diferenciado, cuja eficácia é igualmente variada, conforme o meio no qual agem. Para Christofolleti (1980, p. 27):

os processos morfogenéticos constituem fenômenos de escala métrica ou decamétrica, e o seu estudo traz informações de ordem teórica e prática. No âmbito teórico, explica a evolução das vertentes e a esculturação do relevo, e no campo prático fornece informações a propósito da melhor aplicabilidade das técnicas de conservação dos solos.

Na Unidade 3 você fará um estudo aprofundado sobre o solo, bem como as técnicas de conservação.

ESTUDOS FUTUROS

Todavia, se considerarmos os processos morfogenéticos isoladamente, segundo Christofolleti (1980), podemos distinguir as seguintes categorias mais

importantes na morfogênese do modelado terrestre:

a) Meteorização ou intemperismo → este processo é responsável pela produção de detritos que serão erodidos, ocasionando a formação do regolito. Pode-se dizer que é um pré-requisito necessário para a movimentação de fragmentos rochosos ao longo das vertentes.

Caso você não saiba o significado de regolito, é importante ter claro o conceito. Assim, regolito é o “material decomposto que repousa sobre a rocha-matriz, sem ter sofrido transporte. O material do regolito é um resíduo que não sofreu ainda o processo de edafização. Por conseguinte, o regolito constitui um material decomposto, isto é, resultante da meteorização e não edafização, o que leva alguns pedólogos a denominá-los de solo cru”. (GUERRA; GUERRA, 1997, p. 525).

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b) Movimentos do regolito → este processo corresponde a todos os movimentos gravitacionais que ocasionam a movimentação de partículas ou parte do regolito encosta abaixo. A gravidade é a única força importante na qual não está envolvido nenhum meio de transporte (o vento, a água em movimento, o gelo e a lava em fusão). Contudo, é evidente que a presença da água e do gelo, por exemplo, pode acelerar o movimento do regolito.

c) O processo morfogenético pluvial → é um dos processos mais generalizados e importantes na esculturação das vertentes, distinguindo-se entre a ação mecânica das gotas de chuva e o escoamento pluvial. No que tange à ação mecânica das gotas de chuva, pode-se afirmar que este é o primeiro impacto erosivo dos solos, promovendo o “arrancamento” e deslocamento das partículas terrosas. Isso ocorre em função da energia cinética das gotas, variando conforme o tamanho e a velocidade das mesmas. Embora o impacto das gotas de chuva represente a primeira fase da morfogênese pluvial, o processo de transporte mais importante é o escoamento pluvial que se origina quando a quantidade de água precipitada é maior que a velocidade de infiltração.

No tópico anterior você pôde verificar a ação erosiva das águas das chuvas. Se for necessário, retome a leitura.

ATENCAO

d) A ação biológica → sem dúvida, a ação dos seres vivos também contribui no modelado das vertentes. As plantas, através das raízes, ocasionam o deslocamento de partículas, aumentando a permeabilidade do solo, bem como intensificam as ações bioquímicas e a retirada de nutrientes. As plantas também funcionam como camada interceptora diante da ação mecânica da água das chuvas, servindo de obstáculos ao escoamento pluvial e à ação dos ventos. Merece destaque também a ação dos animais. As minhocas, ao digerirem a terra, ocasionam a diminuição granulométrica das partículas. Os “fuçadores”, ao escavarem suas tocas, deslocam as partículas para jusante. As formigas, ao escavarem galerias no solo, facilitam a permeabilização e infiltração, removendo as partículas de locais mais profundos para a superfície. Desse modo, esse material é desagregado e carregado facilmente pela água das chuvas. De modo geral, a influência morfogenética dos animais pode ser considerada mais ativa que a ação das plantas.

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Jusante corresponde a uma área que fica abaixo de outra, ao considerar a corrente fluvial pela qual é banhada. Costuma-se também empregar a expressão relevo de jusante ao descrever uma região que está numa posição mais baixa em relação ao ponto considerado. (GUERRA; GUERRA, 1997).

ATENCAO

Segundo Christofoletti (1980, p. 31-32), o estudo dos processos morfogenéticos demonstra a importância que o fator climático assume no condicionamento para a esculturação das formas de relevo. Salienta também que dois conceitos básicos estão implicitamente envolvidos: que processos morfogenéticos diferentes produzem formas de relevo diferentes; e que as características do modelado devem refletir até certo ponto as condições climáticas sob as quais se desenvolveu a topografia. Baseando-se nesses princípios, decorre o corolário de que as consequências das oscilações climáticas podem ser reconhecidas através de elementos específicos da topografia, constituindo as formas relíquias que ainda não se adaptaram às novas condições de fluxo de matéria e energia.

Individualmente, os processos morfogenéticos possuem uma dinâmica própria e são elementos componentes de um conjunto maior, refletindo a influência do clima regional. Esse conjunto é denominado morfogenético, formando uma estrutura perfeitamente caracterizada, pois: a) a estrutura

não é reduzível à soma de suas partes. Cada processo pode se integrar e

ser encontrado em diversos sistemas morfogenéticos, mas o seu papel se modificará em função das condições gerais e dos demais processos aos quais está associado; b) a estrutura é um sistema de relações, os processos inter-relacionam-se em um verdadeiro conjunto; c) a estrutura é ordenada e possui

uma dominante. Em cada sistema podem ser encontrados inúmeros processos

comuns aos demais; todavia, todos os processos não possuem a mesma importância em cada sistema, compondo uma certa hierarquia, mas um deles será o predominante e fornecerá a característica básica de determinado sistema morfogenético, implicando a existência de relações variáveis entre os processos. Por exemplo, a alternância gelo-degelo constitui a dominante no sistema morfogenético periglaciário, mas é elemento subsidiário no sistema desértico ou no temperado; da mesma forma, a meteorização bioquímica é intensa nos sistemas tropicais úmidos, mas é reduzida nos sistemas desérticos e frios.

A verificação de semelhanças no modelado regional, aliada aos tipos de vegetação e aos solos, permite distinguir as regiões morfogenéticas. Essa noção foi introduzida primeiramente por Julius Büdel (1944), utilizando o termo Formkreisen, mas ganhou realce a partir de 1950. O seu conceito é o seguinte: “sob um conjunto determinado de condições climáticas, predominarão

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processos geomórficos particulares que, por sua vez, imprimirão à paisagem da região características que a tornarão distinta de outras áreas desenvolvidas sob condições climáticas diferentes”. Nota-se, portanto, que a região morfogenética nada mais é que a expressão areal do sistema morfogenético. Como tais sistemas são dependentes dos tipos de clima, facilmente se depreende o conceito de região ou zona morfoclimática.

Na verdade, várias foram as tentativas realizadas no intuito de definir e/ou reconhecer as regiões morfoclimáticas da superfície terrestre, podendo ser classificadas em três categorias: indutivas, sintéticas e objetivas.

Caso você queira saber detalhes e/ou características sobre as classificações indutivas, sintéticas e objetivas, recomendamos a leitura do capítulo 2 da obra de Antônio Christofoletti, intitulada Geomorfologia. Este capítulo também está disponível no material de apoio desta disciplina.

DICAS

De modo geral, podemos dizer que os fatores morfoclimáticos intervêm através da meteorização e pedogênese e da natureza dos processos de afeiçoamento das vertentes. Enquanto que as influências litológicas podem intervir de várias maneiras, seja na forma do perfil da vertente, na sua declividade média, na velocidade do recuo, dentre outras.

2.2 EVOLUÇÃO DAS VERTENTES

A evolução das vertentes compreende duas fases distintas: a produção

de detritos e sua remoção. (BIGARELLA, 2003). Pode-se dizer que a evolução

das vertentes é uma consequência da atuação dos processos deposicionais. Para Bigarella (2003 p. 984), “o mecanismo da evolução das vertentes consiste essencialmente em uma sutil interação entre profundas mudanças climáticas, variações de níveis de base locais e deslocamentos crustais”. Segundo o mesmo autor, esse mecanismo parece ser global. Na verdade, a atuação dos agentes modeladores da paisagem foi sincronizado e ao mesmo tempo seguiu um processo cíclico repetido nas vastas extensões da Terra.

Se partirmos do princípio de que os processos de vertentes se diferenciam em função do clima ou da ação tectônica, o limite do umbral de funcionamento de uma vertente sofre alterações, sobretudo na escala de tempo geológico, suscetível a eventuais mudanças. (CASSETI, 2005). Desse modo, em virtude das glaciações

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pleistocênicas, nas regiões temperadas, por exemplo, no limite superior das vertentes ocorria um declive de aproximadamente 2 graus, comandado pelo processo de solifluxão, associado à fusão de geleiras. Com o recuo dos glaciais no Holoceno, os processos de vertente atuais passam a ser observados em condições de declividade mais elevada. (CASSETI, 2005). Assim, a vertente deve ser analisada numa perspectiva onde o fator temporal assume relevância para a compreensão do processo evolutivo.

Na visão de Casseti (2005), as relações processuais em uma vertente dependem de fatores como o declive, a litologia e as condições climáticas. Ainda de acordo com o mesmo autor, o movimento de massa, por exemplo, pode ocorrer em declive moderado, desde que a presença de água e de argila seja suficiente para reduzir o atrito do material intemperizado em relação à estrutura subjacente. Desse modo, tanto o umbral de destacamento quanto o de parada, para uma vertente mais longa, variam em função das condições climáticas, do material proveniente da rocha subjacente (não necessariamente) e da própria declividade.

Observe atentamente o esquema proposto por Clark e Small (apud CASSETI, 2005), no qual procuram mostrar as relações processuais em uma vertente considerando sua forma.

FONTE: Clark e Smal (apud CASSETI, 2005)

FIGURA 12 – O SISTEMA EM UMA VERTENTE CONVEXO-RETILÍNEA-CÔNCAVA

Clima

Temperatura Precipitação Infiltração Percolação

Imtemperismo Imtemperismo

Escoamento Composição química acamamentoJuntas e Permeabilidade e porosidade

Tipo de rocha e estrutura Fatores endógenos Vegetação Fatores exógenos Infiltração de água no subsolo

Movimento de massaProdução de regolito Retilineidade Fluxo de superfície Concavidade Vegetação Fluxo de sub -superfíc ie e RegolitoSolo

Referências

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