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ARTIGO
ORIGINAL
Use
of
digital
media
for
the
education
of
health
professionals
in
the
treatment
of
childhood
asthma
夽
Helena
F.
Velasco
a,b,∗,
Catiane
Z.
Cabral
a,
Paula
P.
Pinheiro
b,
Rita
de
Cassia
S.
Azambuja
a,
Luciano
S.
Vitola
b,
Márcia
Rosa
da
Costa
ae
Sérgio
L.
Amantéa
a,baUniversidadeFederaldeCiênciasdaSaúdedePortoAlegre(UFCSPA),PortoAlegre,RS,Brasil
bServic¸odeEmergênciaPediátrica,HospitaldaCrianc¸aSantoAntônio,IrmandadeSantaCasadeMisericórdiadePortoAlegre,
PortoAlegre,RS,Brasil
Recebidoem27demarçode2014;aceitoem7dejulhode2014
KEYWORDS Asthma; Bronchodilators; Prevention&control
Abstract
Objectives: Inhalationtherapyisthemaintreatmentforasthmaanditsadequateusehasbeena factorresponsiblefordiseasecontrol;therefore,theaimofthestudywastodeterminewhether adigitalmediatool,whichfeaturesportabilityonmobilephones,modifiestheassimilationof theinhalationtechnique.
Methods: Atotalof66professionalsworkinginthehealthcareareawiththepediatric popula-tionwereselected.Theyweresubmittedtoapre-testontheirknowledgeofinhalationtherapy. Theprofessionalswererandomizedintotwogroups(AandB).GroupAreceivedamedia appli-cationontheirmobilephonesshowingthestepsofinhalationtherapy,whilegroupBreceived thesameinformationinwrittenformonly.Apost-testwasappliedafter15days.Theresults (pre-andpost-)wereanalyzedbytwopediatricpulmonologists.
Results: Ofthe66professionals,87.9%werefemales.Ofatotalpossiblescoreoften,themean scoreobtainedinthepre-testwas5.3±3,andinthesecondtest,7.5±2(p<0.000).There werenosignificantdifferenceswhencomparingthetwogroups(p=0.726).Thenurseshadthe lowest meanscores intheinitialtest (2.3±2);however,they werethe groupthatlearned themostwiththeintervention,showingsimilarmeanstothoseofothergroupsinthesecond test(6.1±3).
Conclusion: Therewassignificantimprovementinknowledgeaboutinhalationtherapyinall professionalcategoriesusingbothmethods,demonstratingthateducation,whenavailableto professionals,positivelymodifiesmedicalpractice.
©2014SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Allrightsreserved.
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2014.07.007
夽 Comocitaresteartigo:VelascoHF,CabralCZ,PinheiroPP,AzambujaRC,VitolaLS,CostaMR,etal.Useofdigitalmediafortheeducation
ofhealthprofessionalsinthetreatmentofchildhoodasthma.JPediatr(RioJ).2015;91:183---8.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](H.F.Velasco).
PALAVRAS-CHAVE Asma;
Broncodiltadores; Prevenc¸ão&controle
Usodemídiadigitalnaeducac¸ãodeprofissionaisdesaúdeparatratamentodaasma
infantil
Resumo
Objetivos: Ainaloterapiarepresentaaprincipalformadetratamentodaasmaeseuuso ade-quadotemsidofatorresponsávelpelocontroledadoenc¸a.Dessemodo,oobjetivodoestudofoi determinarseumaferramentademídiadigital,dotadadeportabilidadenaformadetelefonia móvel,modificaaassimilac¸ãodatécnicainalatória.
Métodos: Foramselecionados66profissionaisqueatuamnaáreadasaúdecompopulac¸ão pediá-tricaesubmetidosaumpré-testesobreseusconhecimentosdeinaloterapia.Osprofissionais foramrandomizadosem doisgrupos(A eB).OgrupoA recebeuem seutelefonemóvel um aplicativode mídiacomospassosdainaloterapia, enquanto ogrupo Brecebeu asmesmas informac¸õesapenasdeformaescrita.Após15dias,fez-seumpós-teste.Osresultados(prée pós)foramanalisadospordoispneumologistaspediátricos.
Resultados: Dos66profissionais,87,9%eramdosexofeminino.Numescoretotalpossívelde10, amédiadasnotasobtidasnopré-testefoide5,3±3easdosegundoteste7,5±2(p<0,000). Nãohouvediferenc¸assignificativasnacomparac¸ãoosdoisgrupos(p=0,726).Osprofissionais deenfermagemapresentaramamenormédianasprovasiniciais(2,3±2),porémfoiogrupo queaprendeumaiscomaintervenc¸ãoeapresentoumédiasimilaraosoutrosgruposnasegunda prova(6,1±3).
Conclusão: Houvemelhoriasignificativanoconhecimentosobreinaloterapiaemtodasas cate-goriasprofissionaiscomousodeambososmétodos.Issocomprovouqueaeducac¸ão,quando oferecidaaosprofissionais,modificapositivamenteapráticamédica.
©2014SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Todososdireitos reservados.
Introduc
¸ão
Aasmarepresentaumpapelimportantenapráticaclínica pediátrica devido à sua prevalência. Ela acomete atual-mentecercade300milhõesdepessoasnomundo.1
NoBrasil,seconsiderarmosaprevalênciaglobalde10%,
estima-sequehaja20milhõesdeasmáticos.Em2011foram
registradas 160 mil hospitalizac¸ões, o que transformou a
asma na quarta causa mais frequente de internac¸ões no
país.1
Inúmerasdrogasediferentesviasdeadministrac¸ãotêm
sido empregadas para um adequado controle da doenc¸a.
A rota inalatória é, atualmente, a mais frequentemente
usadae estudadaparauso tanto nacrise quanto na
tera-pêuticafarmacológicademanutenc¸ão.2
Vários fatores podem modificar a farmacocinética das
medicac¸ões empregadas: idade, padrão respiratório, uso
de espac¸adores e aspectos relacionados a uma correta
aplicac¸ãodatécnica.3
Os dispositivos de inalac¸ão mais usados na populac¸ão
pediátrica são os inaladores pressurizados dosimetrados
(IPD). Esses, quando usados em crianc¸as, necessitam do
auxílio de um espac¸ador, que minimiza a necessidade da
coordenac¸ãorespiratória,diminuiadeposic¸ãodepartículas
nacavidadeoralereduzosefeitoscolaterais.
Aaplicac¸ãodeumatécnicaadequadacomousodeIPD
comespac¸ador nãoé consensual entreosprofissionais de
saúde.Poucossabem executar ouensinarcorretamentea
técnicaparaseuspacientes.Segundodadosde literatura,
astaxasdeadequac¸ãotécnica podemoscilarde15 a69%
entreessesprofissionais,seconsiderarmosasmaisvariadas
áreasdeatuac¸ão.4Estudosquecomparamtaxasdesucesso
eassimilac¸ãotécnicatêmsidomaisexitososemestratégias
queincluemumprocessodeeducac¸ãocontinuadaerevisão
periódica.5
Emboraumestudo4demonstreamelhoriadatécnicaem
profissionaisdesaúdequerecebemorientac¸õesadequadas
equeconseguemrevisá-lafrequentemente,nãohána
lite-raturasugestãodeumamaneirasimples,efetivaedebaixo
custoparaaaplicac¸ãodessetreinamento.
Alémdisso,aimportânciadaaplicac¸ãodatécnica
inala-tóriaaindaépoucodiscutidadentrodaformac¸ãomédica,
nãotemênfase adequadaem livrosdidáticos quenãosão
específicosdaáreaecentralizamseuconhecimentoapenas
emespecialistas.
Partindodaideiademelhorarocontroleeotratamento
da asma por meioda educac¸ão de profissionais de saúde
e pacientes, desenvolvemos um aplicativo para telefonia
móvelvoltadoparaaeducac¸ãocontinuadadousoadequado
deinaladoresnapopulac¸ãopediátricaecriamos,assim,um
instrumentodeensinoaoalcancedetodos.
Oobjetivo donossoestudo foi avaliaro conhecimento
de diferentes profissionais da saúde sobre o uso da
ina-loterapia e determinar se a ferramenta de mídia digital
oferecidaemplataformaAndroid(GoogleInc,CA,EUA)e/ou
IOS(AppleInc,CA,EUA),naformadetelefoniamóvel,
modi-ficaaassimilac¸ãodoconteúdoapresentadoedivulgadeuma
formamaisabrangenteoconhecimentodainaloterapia.
Métodos
IPD+espac¸ador. O vídeo foi dividido em dois segmentos, queconsideraramdiferenc¸asdeestratoetário.Noprimeiro explicamos e demonstramos com a ajuda deuma crianc¸a de três anos a técnica adequada com o uso da máscara. Nosegundo,umacrianc¸ade12anosdemonstrouatécnica parapacientes acimadesete anos.Osatoresforam sele-cionados da clínica de umdos pesquisadores (SLA), eram familiarizados com o procedimento e considerados como executores de técnica muito adequada. Para uniformizar o procedimento e criar uma ferramenta de teste mensu-rável, usamoscomo padrãoo passoa passorecomendado pelaTheLungAssociation(CanadianLungAssociation,ON, Canadá).6
Apartirdovídeo,foidesenvolvidoumprotótipode
apli-cativo compatível com todas as plataformas de telefonia
móvel e com acesso via internet facilmente usado pelos
participantes(fig.1).
Paraatestagemdoaplicativo,foramselecionados
pro-fissionaiscomatuac¸ãoemhospitalpediátricodereferência
(HospitaldaCrianc¸aSantoAntônio[HCSA],PortoAlegre,RS,
Brasil).
Partindodeumaproporc¸ãodeconhecimentoadequado
entreprofissionais de saúde na ordem de 40% (média de
resultadosdeestudosdeaprendizado)econsiderandouma
proporc¸ão deconhecimentosugeridode70%(aser obtido
pós-intervenc¸ão), para um nível de significância de 5% e
umpoderdotestede80%,otamanhoamostralmínimode
sujeitosdepesquisaaseralocadoporgrupoveioaser16,
constituindo umapopulac¸ão global de 64 sujeitos (quatro
gruposdepesquisa).
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Informação
Contato
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Técnica adequada para crianças acima de 7 anos
Passo 1:
Remover a tampa do inalador
Passo 2:
Inserir o inalador no espaçador.
Passo 3:
Sentar com a coluna reta.
Passo 6:
Segurar a máscara na face da criança durante 6 movimentos respiratórios.
Passo 7:
Aguardar alguns segundos antes de realizar a próxima dose.
Passo 8
:
Enxaguar a cavidade oral com água corrente.
Passo 1:
Remover a tampa do espaçador.Passo 2:
Remover a tampa do inalador.
Passo 3
:
Inserir o inalador no espaçador.Passo 4:
Sentar com a coluna ereta.
Passo 5:
Expirar profundamente.Passo 6
:
Selar os lábios no espaçador.
Passo 7
:
Aplicar a medicação.Passo 8:
Inspirar profunda e lentamente.
Passo 9:
Prender a respiração por 5 a 10 segundos.
Passo 10:
Retirar o espaçador da boca e expirar normalmente.
Passo 12
:
Enxaguar a cavidade oral com água corrente.
Passo 11
:
Esperar 1 minuto antes de realizar a próxima dose.
Passo 4:
Adaptar a máscara sobre a boca e o nariz.
Passo 5:
Aplicar a medicação. Técnica adequada paracrianças com até 7 anos
Tabela1 Comparac¸ãoentreosmétodosdeaprendizagemnoprimeiroenosegundoteste
Método 1◦teste 2◦teste pa pb pc
Mídiadigital 4,8±3 7,5±2 0,000
Orientac¸ãoescrita 5,9±3 7,5±3 0,005 0,155 0,726
Total 5,3±3 7,5±2 0,000
Tamanhoamostral=66participantes.Dadosapresentadosemmédia±desviopadrão.
aTestedeWilcoxon,1◦testevs.2◦teste.
b TestedeMann-Whitney,filmevs.panfletono1◦teste.
c TestedeMann-Whitney,filmevs.panfletono2◦teste.
Delineou-se umensaio clínicocom o objetivo de com-parar o desempenho quanto ao emprego adequado da inaloterapiaentrequatrogruposdecategoriasprofissionais dohospital.Aselec¸ãofoiobtidademaneirarandomizada, a partir da lista de membros constituintes dessas cate-goriasprofissionais, obtidasnoDepartamento deRecursos Humanos.Osgruposforamconstituídosdaseguinteforma: médicosresidentesdepediatria(n=16),deumtotalde21; enfermeiraspediátricas(n=16),deumtotalde47; médi-cosdaemergênciapediátrica(n=16),deumtotalde25;e médicosdaUTIpediátrica(n=16),deumtotalde28.Dentro dosgruposfoifeitaumasegundarandomizac¸ãoparadefinir quaisparticipantesreceberiamovídeoequaisreceberiam somenteumaexplicac¸ãoescrita.Oconhecimentodos pro-fissionaisfoicomparadodentrodosgruposeentreosgrupos. Um teste dissertativo, de texto livre, foi aplicado a todososparticipantesesolicitavaumadescric¸ãosequencial numéricadatécnica inalatória.Aúnicainformac¸ão ofere-cidaeramtrêsimagens(inaladorpressurizado,espac¸adore paciente),querepresentavamtodasaspec¸asenvolvidasno processodatécnicainalatória.
Apartirdeumprocessoderandomizac¸ão(1:1), ofereceu--seametadedecadagrupoprofissionaloaplicativoemseu celular.Porocasiãodoprocessoforaminstruídossobrecomo acessá-lo.Aoutra metaderecebeuapenasorientac¸õesde formaescrita.
Profissionais selecionados a partir da listagem de randomizac¸ãoquenãotivessemtelefonemóvelcomacesso àinternetforamexcluídosdoestudoesubstituídospelo pró-ximomembrolistado.Foramsubstituídospornãotercelular compatívelcom o aplicativo dois médicos daemergência pediátricaeseisenfermeiros.
Apósduas semanasdoprimeiro teste,ospesquisadores visitaramnovamenteosparticipantes emseulocalde tra-balhoereaplicaramoteste.
Concluídas as duas etapas, ambas as provas foram corrigidaspordoispneumologistaspediátricos,quenão par-ticiparamdoprocessodeselec¸ãoeorientac¸ão.Numaetapa prévia, esses desenvolveram um instrumento de correc¸ão padronizado, que poderia pontuar em escala de 0 a 10. Quatro domínios foram considerados os mais importan-tes para caracterizac¸ão do processo avaliativo: 1) ordem das etapasassociadas ao correto procedimento, 2) opc¸ão maisadequada datécnica deoferecimento do espac¸ador em func¸ão daidade (inalac¸ão oral através depec¸a bucal x inalac¸ão através de máscara facial), 3) processo de agitac¸ão docanister de medicac¸ão e 4)aplicac¸ão de téc-nicainspiratóriaadequada.Cadadomíniopontuava2,5eera considerado somente como atingido ou não atingido,
baseadonadescric¸ãoescritadatécnicapelosparticipantes. Foramentãocomparadasasnotasdopréepós-teste.
Paraanálisequantitativadosdadosforamusadas:medias edesviopadrão,distribuic¸ãodefrequênciasepercentuais. Todas asanálisesrespeitaramosrespectivos critérios teó-ricos parasuaexecuc¸ão.7Análisebivariável,paravariável
contínuadedistribuic¸ãonãonormal,ecategórica(testede
Mann-Whitney),paracomparac¸ãoderespostasentreos
tes-tes. Paravariáveiscategóricas(testedeMcNemar) e para
contínuas (teste de Wilcoxon) e para comparac¸ão entre
grupos(testedeKruskal-Wallis).Foramadotadascomo
esta-ticamente significativas associac¸ões por meiodo valor de
p<0,05.Oprocessamentoeotratamentodosdadosforam
feitos noprograma Stata, versão 11 (Stata Corp, College
Station,TX,EUA).
Oestudo foi submetidoao e aprovado peloComitê de
Ética emPesquisa daUniversidadeFederal deCiênciasda
SaúdedePortoAlegre(CAAE:17165313.0.0000.5345).Todos
osparticipantesassinaramconsentimentoporescrito.
Resultados
Participaram do estudo 66 profissionais com atuac¸ão no HCSA. Desses, 58 (87,9%) eram do sexo feminino e oito (12,1%)domasculino.Todososparticipantesrandomizados concluíram aprimeiraetapa dapesquisa.Naaplicac¸ãoda segundaintervenc¸ão,houveumaperdadeseisprofissionais (um intensivista pediátrico, duas enfermeiras pediátricas, doisemergencistaspediátricoseumresidentedepediatria). Dentre os profissionais que concluíram os testes foi encontradaumaevoluc¸ãoimportante noconhecimentoda técnicainalatória.Amédiadasnotasdoprimeirotestefoi de5,3±3eamédiadosegundotestede7,5±2(p<0,000). Nãohouvediferenc¸asignificativaentreamelhoriadasnotas dogrupoquerecebeuovídeoemcomparac¸ãocomogrupo querecebeuaorientac¸ãoescrita,conformedemonstradona
tabela1(p=0,726).
Acorrec¸ãodasprovasfoicentradaem quatrodomínios
considerados importantes acerca de aplicac¸ão da técnica
inalatória.Oserros na primeiraavaliac¸ãoocorreram
prin-cipalmente na escolha adequada da técnica, 34 (51%), e
na técnica inspiratória adequada, 36 (54%). Esses
tam-bém foramositensque demonstraram maiorevoluc¸ãona
aprendizagem e houveuma diminuic¸ão para 19 (29%) nos
erros atrelados à escolhada técnica (P=0,001)e para 16
(24%)noserrosrelacionadosàtécnicainspiratóriaadequada
Tabela2 Avaliac¸ãodoserrosentreostestes
Erros 1◦teste 2◦teste pa
Inadequac¸ãonaordemdosprocessos 6(9) 1(1) 0,125
Escolhadoespac¸adorinadequada 34(51) 19(29) 0,001
Nãoagitac¸ãododispositivo 14(21) 13(20) 1,000
Técnicainalatóriainapropriada 36(54) 16(24) 0,001
Tamanhoamostral=66participantes.Dadosapresentadosporn(%).
a TestedeMcNemar.
Tabela3 Comparac¸ãoentreasmédiasentreostestespor profissionais
Profissionais 1◦teste pa 2◦teste pa
Emergência 5,7±3 0,001 8,6±2 0,026
UTI 6,2±3 7,0±3
Enfermagem 2,3±2 6,1±3
Residentes 6,8±3 8,3±2
Tamanho amostral=66participantes. Dadosapresentados por média±desvio-padrão.
a TestedeKruskal-Wallis.
Nãohouvediferenc¸aestatísticaentreostiposdeerros cometidospelosparticipantesdosdoisgrupos.
Quando analisamosresultados que consideram os dife-rentes grupos profissionais, constatamos que o grupo da enfermagemapresentouamenormédianaavaliac¸ãoinicial (2,3±2), mas foi tambémo grupo que apresentou maior evoluc¸ãocomaintervenc¸ãoeapresentoumédiasimilaraos outrosgruposnopós-teste(tabela3).
Discussão
O sucesso no tratamento daasma pode ser atribuído em 10% à medicac¸ão e 90% à educac¸ão. Independentemente da composic¸ão da medicac¸ão, se essa não alcanc¸ar em dose adequada as vias aéreas inferiores não estará pro-porcionandoumtratamentoeficaz.Apartirdessalinhade pensamentoaeducac¸ãodospacienteseprofissionaissobre ocorreto usodeinaladoreséumdosprincipais pilaresno tratamentodaasmaempediatria.8-11
Apesar darelevância quetal temapossamerecer,
pou-casinformac¸õessãoapresentadasemlivrostécnicossobre
a importância de uma correta terapia inalatória.10
Atual-mente,taisinformac¸õestemsidovalorizadasemconsensos
internacionais,sociedades deespecialidadeseorientac¸ões
formaisestabelecidasporiniciativasdecontroledadoenc¸a.
Entretanto, não é claro como devemos proceder para
ensinaradequadamenteaospacientes,vistoavariabilidade
(31-85%)dosprofissionaisdesaúdequeconseguemaplicara
técnicainalatóriaadequadamente.12,13 Essefoio principal
desafioqueembasouodesenvolvimentodopresenteestudo.
Apropostadecriarumaferramentadeensinopráticaede
fácilacessoparaprofissionaisdasaúdeéinéditaealinhada
atendênciasdecomportamentoatuais.
Nossos dados apontam respostas favoráveis em todas
as categorias profissionais, independentemente da
ferra-menta deensinousada. Não fomoscapazes de identificar
diferenc¸asnoaprendizadoentreasduastécnicas
educacio-nais.Entretanto,caberessaltarqueointervalodeaplicac¸ão
entreosdoismétodosavaliativos(15dias)podeter
contri-buídoparaumaausênciaderesultado.Viesesdememória
costumam ser encontrados em períodos mais longos de
intervenc¸ãoentreastestagens,oquepoderiaresultarnuma
maiordiferenc¸aentreosinstrumentos.
Afrequênciadeacesso àsduas modalidadesde
treina-mento poderia influenciar as curvas de aprendizado e os
resultadosobtidos.Entretanto,talvariávelnãofoiaferida,o
quetornaimpossíveldeterminarseoresultadoobtido
pode-riatersidoinfluenciadoporumamaiorfrequênciadeacesso.
Nonossopontodevista,maisimportantedoquea
frequên-ciadeacesso é o resultado obtidoa partir daorientac¸ão
fornecida.Afrequênciadosacessospodeestar
intrinseca-menteligadaaométodo.
Numaépocademídiadigitalpoucodesenvolvida(1982),
pacientes revelaram que não consideravam informac¸ões
escritas de grande utilidade no quesito orientac¸ão e que
muitasvezesasjogavamforasemler.14 Alémdisso,estudo
sobreaimpressãodeprofissionaisdasaúdeepacientessobre
ousodetecnologiamóvelparacontroledeasmademonstrou
que43%dosprofissionaise52%dospacientescreditarama
essatecnologiaacapacidadedecontribuirparaummelhor
controledaasma.15Apesardisso,nãofomoscapazesde
cor-roborartalcomportamento.
A literatura embasa a preferência dos profissionais e
pacientespelousodemídiasdigitais.16-18Estudofocadona
comparac¸ãodeensinopormeiodevídeosoutextosescritos
evidenciouumamelhorcompreensãodosprocedimentosem
técnicasdeensinocomvídeo.Alémdisso,oestudo
demons-trouqueaimagemmelhoraemlongoprazoamemóriados
conhecimentosobtidos.19
A inaloterapia é assunto de relevância dentro da
prá-ticapediátrica.Entretanto,nãoestabelecemosumconsenso
quantoàmelhortécnicaparaconsolidarseuconhecimento.
Ousodeumvídeodiminuiotempogastopeloprofissional
noensinodessapráticaeatornamaisfactívelnodiaadia.
Ousodamídiadigitaltambémsetornaimportantequando
entendemosanecessidadedeumaeducac¸ãomaisinterativa
quevenhaaoencontrodeumanovagerac¸ãodeprofissionais
queusamatecnologiacomoinstrumentodetrabalho.17
Arti-gossobreeducac¸ão sustentamquealunos nãoquerem ler
longostextosesãoestimuladosporinstrumentosdeensino
rápidosedemídianosquaisainformac¸ãoéapresentadade
maneiramaisdinâmica.16
Alguns atributos intrínsecos à tecnologia desenvolvida
apresentamcaracterísticasinteressantesparaqualquer
pro-cessoeducativo:rápidoacesso,ofertaconstanteeofatode
adiadosprofissionais.Dos66participantesrandomizados,
apenasoitonãotinham smartphones e foramsubstituídos
pelospróximosparticipantesrandomizados.Issoapontaque
a maioria dos profissionais de saúde selecionados (87,5%)
consegueteracessoaoaplicativosemdificuldades.
Estudos têmcomprovadoque arepetic¸ãoregularé um
fatorimportanteparamanutenc¸ãodoconhecimento
asso-ciado ao uso dedispositivos inalatórios.4,17 Num intervalo
deoitomesesapósintervenc¸ãoeducacional,somente59%
dosmédicoscontinuavamfazendoadequadamenteatécnica
inalatória,o que reforc¸a a necessidade doretreinamento
constante.12Dentrodesseachado,ascaracterísticas
intrín-secas da mídia digital (disponibilidade e portabilidade)
podemcontribuirparaesseprocessocontinuadode
apren-dizado.
O grupo da enfermagem apresentou a menor média
inicial,oquechamaatenc¸ãoporrepresentaraclasse
pro-fissionalquetemaatribuic¸ãodeaplicaratécnicainalatória
nopaciente.Entretanto,foi tambémogrupo que
eviden-ciou a maior melhoria entre os dois testes e igualou seu
desempenho comosoutros grupos na avaliac¸ão final.Isso
vemademonstrarque aaplicac¸ão maisfrequentede
pro-cessoseducacionais poderiainfluenciar namemorizac¸ão e
noaprendizadodatécnica.
A asma,como todas asoutras doenc¸as crônicas,
apre-sentaumcustoimportanteparaospacientes,assimcomo
paraosistemadesaúde.9O gastocom ousoincorretode
medicac¸õesparaasmavariaentresetee15bilhõesde
dóla-res/ano nos EUA. O custo estimado para a educac¸ão de
pacientescomdoenc¸as crônicas éde 30dólarespor
paci-ente.Seconsiderarmosqueexistem30milhõesdeusuários
deinaladores,teremos umcustode 900milhões de
dóla-ressomenteemeducac¸ão.10Otreinamentodosprofissionais
desaúdepormeiodoaplicativo,porseufácilacessoeuso
gratuito,poderiareduzir essesgastos e permitir o uso do
dinheiropúblicoemoutrasáreas,como,porexemplo,
for-necimentodemedicac¸ões.
Aausênciadediferenc¸aentreasduasintervenc¸õesnão
deveservistacomoumdesestímuloàaplicac¸ãodequalquer
umadas ferramentas, visto a melhoria global obtida. Tal
achadovemacorroboraraimportânciadecriarestratégias
deeducac¸ãocontinuadanotreinamentodatécnica
inala-tória,principalmenteentreosprofissionaisqueapraticam
diariamente.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Agradecimentos
Agradecemosaosprofissionaisqueparticiparamdoestudo, assim como ao profissionalismo do publicitário Bernardo Fleck Manganelli, por todo o apoio e pela elaborac¸ão da mídiadigital.
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