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J. Pediatr. (Rio J.) vol.91 número2

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Academic year: 2018

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JPediatr(RioJ).2015;91(2):105---107

www.jped.com.br

EDITORIAL

Preventing

childhood

overweight

and

obesity

,

夽夽

Prevenc

¸ão

do

sobrepeso

e

da

obesidade

infantis

Mercedes

de

Onis

UnidadedeVigilânciaeAvaliac¸ãodoCrescimento,DepartamentodeNutric¸ão,Organizac¸ãoMundialdeSaúde,Genebra,Suíc¸a

A obesidadeinfantilé amplamente reconhecidacomo um graveproblemadesaúdepúblicaderelevânciaglobal.1Na

AméricaLatina,oaumentosemprecrescentedastaxasde sobrepeso e obesidade observado nas últimas três déca-dasnãopoupoucrianc¸aseadolescentes.Osúltimosdados estimamqueentre42,4e51,8milhõesdecrianc¸as e ado-lescentes (0-18 anos) estão acima do peso ou obesos, o que representa 20-25% da populac¸ão total de crianc¸as e adolescentesnaregião.2Em crianc¸ascommenosdecinco

anos,aprevalênciaestimadadesobrepesoeobesidade,com base nos PadrõesdeCrescimento InfantildaOMS,3 foi de

6,9%(ICde95%:5,8-8,0%)em2010.4Emcrianc¸asemidade

escolar,asprevalênciasnacionaiscombinadasdesobrepeso e obesidade relatadas nos últimos cinco anos com o uso dareferênciade crescimentodaOMS5 variou de18,9%na

Colômbia(ambosossexos)a36,9%emmeninosmexicanos.2

Apesardenãodisponíveisnosúltimoscincoanos,as preva-lênciasnoBrasil (2009)enoChile(1997) foramquasetão elevadas quanto as encontradas em 2012 noMéxico. Isso sugerequeamagnitudedoexcessodeIMCnessesdoispaíses ésemelhanteouatémesmomaiordoquenoMéxico.2

Aconscientizac¸ãosobreaselevadastaxasdesobrepeso e obesidade na infância, juntamentecom a variedade de consequências à saúde relacionadas a essas doenc¸as --- de consequências psicossociais a efeitos metabólicos

DOIssereferemaosartigos:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jpedp.2014.06.006,

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2014.10.002

Como citar este artigo: De Onis M. Preventing childhood

overweightandobesity.JPediatr(RioJ).2015;91:105---7.

夽夽VerartigodeFariasetal.naspáginas122-9.

E-mail:[email protected]

adversossobrepressãoarterial,colesterol,triglicerídeose resistênciaainsulina6---8---desencadeouo desenvolvimento

de vários planos de ac¸ão e o estabelecimento de metas globaisparaaprevenc¸ãodaobesidadeemcrianc¸ase ado-lescentes. A região da América Central à América Latina foca no Plano de Ac¸ão para Prevenc¸ão da Obesidade em Crianc¸aseAdolescentesem2014-2019, queaOrganizac¸ão Pan-AmericanadaSaúde(Opas)aprovouemjunhode2014, na154a

reuniãodeseuComitêExecutivo.9Esseplano

regi-onalfocanatransformac¸ãodoambienteobesogênicoatual emumambientesaudávelquefornec¸aoportunidadespara consumodealimentosnutritivoseatividadefísicae alinha--secommandatosinternacionaisanteriores daAssembleia MundialdaSaúde,principalmentecom aestratégiaglobal daOMSsobredieta,atividadefísicaesaúde,10aDeclarac¸ão

Política sobre a Prevenc¸ão e Controle de Doenc¸as Não Transmissíveis,11 e o plano de implementac¸ão abrangente

daOMSsobrenutric¸ãomaterna,neonataleinfantil.12

Todos esses planos de ac¸ão enfatizam o papel essen-cialdaatividadefísicanocontroledaobesidadeinfantile ressaltam,assim,a relevância, nestaedic¸ãodo Jornalde Pediatria,dacontribuic¸ão deFarias etal.,13 querelata o

impacto da atividade física programada sobre a reduc¸ão da gordura corporal em crianc¸as em idade escolar pós--púberes.Osautorescompararamumgrupodecontrolede 191estudantes entre15 e 17 anosem aulas deeducac¸ão físicaconvencionaisnaescolacomumgrupodeestudode 195estudantesdamesmaidadequeparticipavamde ativi-dadesfísicasdiáriasprogramadas,queincluíam30minutos deatividadeaeróbica(exercíciosdeflexibilidade, fortaleci-mentomuscular,pularcorda,caminhada,corridaalternada, salto contínuo, jogos recreativos), 20 minutos de jogos esportivos(vôlei,futebol,handebol)e10minutosde alonga-mento.Nofimdoanoletivo,houveumareduc¸ãosignificativa

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106 deOnisM

na massa de gordura e no percentual de gordura corpo-ral no grupo de estudo, em comparac¸ão com o grupo de controle.13 A atividade física programada implementada

nogrupode estudo está em linhacom asrecomendac¸ões internacionais para a faixa de 5-17 anos.14 Uma diretriz

recentedaOMS concluiu quea evidência científica dispo-nívelparaessa faixaetáriaconfirma aconclusão geralde queaatividadefísicaproporcionabenefíciosfundamentaisà saúde.Osbenefíciosàsaúdedocumentadosincluem melho-rianaformafísica(capacidadecardiorrespiratória eforc¸a muscular), diminuic¸ão da gordura corporal, saúde óssea reforc¸ada,biomarcadoresfavoráveisdesaúde cardiovascu-lar e metabólica e diminuic¸ão dos sintomasde ansiedade edepressão.14 As recomendac¸õesespecíficasdogrupodas

diretrizessão:

1. Crianc¸as e jovens de 5-17 anos devem acumular pelo menos60minutosdeatividadefísicamoderadaaintensa diariamente;

2. Aatividadefísicapormaisde60minutosdiários propor-cionarábenefíciosadicionaisàsaúde;

3. Amaiorpartedaatividadefísicadeveseraeróbica. Ativi-dadesintensasdevemserincorporadas,incluindoasque fortalecemmúsculoseossos,pelomenostrêsvezespor semana.

Para crianc¸as e jovens de 5 a 17 anos, a atividade físicaincluibrincadeiras,jogos,esportes,transporte,lazer, educac¸ão física ouexercícios planejados noâmbito fami-liar,escolareematividades comunitárias.Para crianc¸ase jovensinativos,érecomendadoumaumentoprogressivona atividadepara então atingir asmetas acima. É adequado comec¸ar com pequenas quantidades de atividade física e aumentargradualmenteadurac¸ão,afrequênciaea inten-sidadecomopassardotempo.14

Embora osprogramas escolaresque promovem a ativi-dade física programada, como aquele descritopor Farias et al.,13 desempenhem um papel importante, também é

essencialestarcientedequeascrianc¸asatualmente esta-belecem umestilo de vida sedentário precocemente.15 O

ambientemodernoéumdosqueencorajamosedentarismo emtodososníveiseemtodososambientes(p.ex., traba-lho,escola,transporte,casa)eascrianc¸asnãoestãoimunes aessatendência.Comoascrianc¸asestabelecemumestilo devidasedentário,elasquasecertamentegeramum qua-dro de sobrepeso e obesidade. Isso reflete as tendências observadas dessas doenc¸as em crianc¸as de 0-5 anos. Em todo o mundo, de1990 a 2010, houveum aumento rela-tivode21%(naprimeiradécada)e31%(nasegundadécada) naprevalênciadesobrepesoeobesidadenaprimeira infân-cia,aopassoqueaprevisãoparaoaumentorelativonesta década (2010-2020) é de 36%.4 Cerca de 50% dos países

comdadosnacionaisdisponíveismostramoaumentona ten-dênciadesobrepesoemcrianc¸as napré-escola(50de102 países).16 Esses dados confirmam a necessidade de

com-binarabordagensescolarescom intervenc¸õesefetivasque comecemno inícioda infância para conter astendências previstas.

OquetudoissosignificaparaaAméricaLatina?Osdados disponíveis sobre a região são alarmantes e clamam por ac¸ãourgente.Astaxasdesobrepesoeobesidadeemjovens, comoasrelatadasnoBrasil,ChileeMéxico,trazemgrandes

consequências econômicas e à saúde.2 Como os governos

se tornam maiscientes docusto dosobrepeso e da obe-sidade paraaspessoas e a sociedade, asopc¸ões políticas estão sendo discutidas e implementadas locale nacional-mente em alguns paísesdaAmérica Latina.2,9 OPlano de

Ac¸ãoparaPrevenc¸ãodaObesidadeemCrianc¸ase Adolescen-tesem 2014-2019,aprovadopelaOpasem junhode2014, forneceaospaísesumaestruturaútilparaagirfortementea fimdeabordaresseproblemasignificativodesaúdepública. Oplanochamaatenc¸ãoparaovastoerobustoconhecimento científico e de saúdepública sobreos mecanismos envol-vidos na atual epidemia de obesidade e na ac¸ão pública exigida para controlá-la e promove a coordenac¸ão entre as instituic¸ões públicas --- principalmente nos setores de educac¸ão,agricultura,financ¸as,comércio,transportee pla-nejamentourbano---parachegaraumconsensonacionale sinergiasparadeteraprogressãodaepidemiadeobesidade emcrianc¸as.9Tambémestabeleceumsistemaintegradode

monitoramento,avaliac¸ãoeresponsabilidadeparapolíticas, programas,legislac¸ão e intervenc¸ões quetornará possível avaliar o impacto da implementac¸ão do plano. Avaliar o impactodepolíticaseprogramaséessencialparaconstruir evidênciasdeintervenc¸õescombomcusto-benefícioparao controledaepidemiadeobesidade.

Contudo, em face das circunstâncias, é essencial não perder ofocodo fatode queamaiorparte dospaísesna América Latina enfrentaumduplofardodedéficits nutri-cionais (principalmente baixa estatura e deficiências de micronutrientes)eexcessodepeso.17,18Abordaroproblema

deobesidadeinfantilnaregiãoacrescentarácomplexidade, poismuitosdos paísesaindanãoadequaram suaspolíticas eseusprogramasdenutric¸ãoealimentos---designadoshá décadasecomfoconocontroledadesnutric¸ão---emseus novosperfisepidemiológicos.Aocontráriodaconvicc¸ãode algunsresponsáveispelatomadadedecisões,adesnutric¸ão eaobesidadenãosãoproblemasnãorelacionadosque exi-gem soluc¸ões diferentes.Por exemplo, a desnutric¸ão, da concepc¸ão ao fim dos dois primeiros anos de vida, é um fator de risco para sobrepeso, obesidade e doenc¸as não transmissíveis.19 Assim,apromoc¸ãodepráticasadequadas

dealimentac¸ãoneonataleinfantilevitará,efetivamente,a desnutric¸ãoeoexcessodepeso.Emcontrapartida,crianc¸as e adolescentes acima do peso fazem parte de um grupo de alto risco de deficiência de ferro20 e outras

deficiên-ciasde micronutrientes.21 Esse ‘‘paradoxonutricional’’, a

coexistênciadedéficite excessonutricionalem pessoase populac¸ões, deve ser levado em considerac¸ão quando os governos daAméricaLatina projetarem estratégias nacio-naisdecontroledaobesidadeinfantil.

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Preventingchildhoodoverweightandobesity 107

diminuic¸ãodeoportunidadesdeatividadefísicaacaminho da escola,na escola e durante o tempo de lazer. Apesar danecessidadedeabordagensindividuaisparacrianc¸asque jáestão acima dopeso ouobesas,o consenso internacio-naléqueaprevenc¸ãoéaabordagemmaisrealistaecoma melhorrelac¸ãocusto-benefíciodecontroledoproblemade obesidadeinfantil.Aprevenc¸ãodoexcessodepesoexigirá umaperspectivaampladapolítica desaúdepública, com medidasmultissetoriaisque envolvemvários interessados, conformepropostopelaOpaseOMS.9,10,12 Essaabordagem

exigirávontadepolíticaeinvestimentofinanceiro substanci-ais,porémrenderáumdividendomaisfrutíferoàsociedade nolongoprazo.

Além de abordagens multissetoriais que focam na transformac¸ãodoambienteobesogênicoatualemum ambi-ente que promove dietas saudáveis e atividade física, o reconhecimento precoce de excesso de peso relacionado aocrescimentolinearéessencial.Aavaliac¸ãoderotinade todasascrianc¸ascommétodoseequipamentosadequados precisa setornar umaprática clínica padrãodesde a pri-meirainfância.Estudosrecentesmostramqueatendência comrelac¸ãoàobesidadeinfantilcomec¸aaosseismeses22,23

equeaescolhadopadrãodecrescimentoéessencialpara identificarosurgimentodeexcessodepesoemneonatos23

ecrianc¸aseadolescentesemidadeescolar.24Aintervenc¸ão

precocequandoseobservaaumentonospercentisdepeso por estatura ouIMC deve fornecer aos pais e cuidadores orientac¸ãoeapoioparapromoverhábitosalimentares sau-dáveiseatividadefísicaderotina.

Conflitos

de

interesse

Oautordeclaranãohaverconflitosdeinteresse.

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