• Nenhum resultado encontrado

Ciênc. saúde coletiva vol.1 número1

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Ciênc. saúde coletiva vol.1 número1"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

O Pe n s a m e n t o d e H a b e rm a s Po s to à D i s p o s i ção d o M o v i m e n t o S an i tári o

A gir Co municativ o e Pensam ento So cial — Uma Crítica ao Estratégico — Francisco Jav ier Uribe Rivera.

Rio d e Janeiro : Ed . FIOCRUZ . 1995. 213 p ág inas.

Luiz Carlo s d e Oliveira Cecílio

D ep artam ento d e Med icina Prev entiv a e So cial/ FCM/ Unicamp

Po uco s trabalho s pro du-zidos na A cademia, no s últi-mo s ano s, são tão ricos de indicaçõ es para uma reflexão inovadora so bre no ssas prá-ticas institucionais co m o esta Tese de Do uto ram ento d e Francisco Javier Uribe Rivera, publicada pela Editora FIO-CRUZ. Nela, o autor faz uma c o m p etente incursão p elo universo habermasiano , dali "garimpand o " um co njunto

d e idéias que co ntribuem de maneira expressiva para ilu-minar o intricado mund o das o rganizaçõ es de saúd e. Seu maio r mérito: não se "per-der" nesta sua pesquisa, um estud o teó rico d e natureza c o m p arativ o -c o nstrastante, na medida em que co nsegue explicitar, co m o fio co nd u-tor d e sua pesquisa, um co n-junto d e questõ es que são bastante co eren es co m sua

(2)

agora o bjeto de uma avalia-ção mais pro blematizado ra e cuidadosa à luz das idéias d o co ntemp o râneo filó so fo da Escola de Frankfurt. E não há aqui, nesta (re)releitura, nenhuma veleid ad e que se possa adjetivar de puramente acadêmica, mas um evidente compromisso "militante" co m a busca de novas possibilida-des de se pensar o planeja-mento e a gestão na Saúde. O co nceito central que Rivera extrai da o bra d e Habermas é o da "Racionali-dade Comunicativa", que se-ria uma ampliação d o co n-ceito w eberiano de racio na-lidade da ação , ainda preso , seg u nd o este ú ltim o , ao paradigma finalístico da filo-sofia da co nsciência. Mais epecificamente, Habermas po s-tula a possibilidade de uma fund amentação objetiva, de uma u niv e rsaliz aç ão d as q u e stõ e s no rm ativ o v alo -rativas, basead a no uso de razõ es, argumento s ou inter-pretaçõ es críticas, de caráter vinculante, que W eber não admite. Este é o p o nto . Para Rivera, "o subjetivismo co g-nitivo — instrumental da ra-cio nalid ad e no rmativ a d e W eber — tem sido questio -nad o p o r H ab erm as, p o r apresentar uma ética do s fins últimos e não uma ética de respo nsabilid ad es: o s agen-tes absolutizariam as causas em que se emp enham, sem considerar as co nseqüências sociais ou efeito s que para o s outros ou para si

própri-o s pprópri-oderiam gerar determina-das intençõ es (quand o tomadas no sentido de um racio -nalismo metafísico individu-al, abso lutamente no rmativo ). Esta c o n c e p ç ã o d a aç ão no rmativ a d enunciaria um déficit de racio nalidade. Tra-ta-se d e uma racionalidade da ação segund o a qual o s agen-tes se deso brigam de prestar co ntas em público de suas in-tençõ es e mo d o s d e fazer, não atentand o para as co n-seqüências possíveis d e seus ato s. Nesta perspectiva, o s sujeitos não se co -respo nsa-bilizam pelo d esemp enho de determinadas intençõ es. Dito de outra forma, estas preten-sõ es não estão submetidas ao c rité rio d e " c o n s e n s o ensejado comunicativamente".

De certa forma, o pará-g rafo anterio r fund amenta todas as p reo cup açõ es e in-d agaçõ es que serão apresen-tadas no d eco rrer d o livro. Estaria em jo go a possibili-dade da reco nstrução das re-laçõ es entre o s ho mens co m base em uma nova ética, qual seja, aquela que privilegia a c o n stru ç ão d e c o n se n so s intermed iad o s p elo uso da linguagem, basead o s no en-tend imento , o que exigiria determinadas pressupo siçõ es ideais de toda praxis co mu-nicativa: simetria, não -co er-ção , autenticidade e verdade. "O co nceito de ação co muni-cativa pressupõ e a linguagem co m o um meio no âmbito d o qual tem lugar um determnad o p ro cesso d e entend

i-mento , em cujo transcurso o s participantes, ao relacio na-rem-se co m o mund o , apre-sentam-se uns p erantes o s o utro s co m p retensõ es d e validade que p o d em ser re-co nhecid as ou questio nadas".

(3)

re-cursos que permite a defini-ção de uma situadefini-ção de adefini-ção a partir do s fins d o s agentes (...)". Ou, na síntese estabe-lecida pelo autor: "O mund o da vida c o rresp o nd e, p o r co nseguinte, à linguagem e ao reservató rio cultural em cujo co ntexto o s sujeitos d e-senvolvem a interpretação de uma situação e uma situação correlata". O mund o da vida co nfigura o s co ntexto s d e integração d o agir co munica-tivo, representado s pela ed u-cação , família, asso ciaçõ es normativas livres, meio s de c o m u nic aç ão esp o ntâneo s, religião etc. Já o sistema co n-figura o s co ntexto s d e agir estratégico, que se identificariam co m o mercad o eco nô -mico e o s sistemas de po d er administrativo (o Estad o ).

Na c o nstru ç ão teó rica hab erm asiana, m u nd o da vida e sistema são duas odens institucionais que co r-resp o nd em a d uas fo rmas básicas d e integração (co o r-d enação ) r-da ação : a integra-ção so cial e a integ raintegra-ção sistêmica. A primeira efetiva-da através d o agir co munica-tivo (pela linguagem), já a se-gunda realizada med iante o s médiuns (no sentido em que Parso ns utiliz a): d inheiro ,

po der,

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

status e lid eranç a

moral. A teoria da mo derni-dade de Habermas fala tanto de uma racio nalização cres-cente d o mund o da vid a, traduzida em uma diferencia-ção d e seus c o m p o nentes (cultura, so cied ad e e perso

nalid ad e), co m o de uma pro -gressiva co lo nização d o mun-d o mun-da vimun-da pelo sistema. Pre-do mina aqui uma certa visão p essimista, na med id a em que o autor reco nhece uma p enetração p ermanente d o mund o da vida pela "ló gica" d o sistema, ou seja, a "força da grana" (e d o po d er e d o

status...) contra a

possibilida-d e possibilida-d e c o nstru ç ão possibilida-d e um mund o basead o no entendi-m ento e na so lid aried ad e. Rivera tenta co m p lexificar (co m sucesso ) a discussão a respeito desta tensão dialética entre as duas o rd ens institu-cio nais, pro curand o estabele-cer tanto um contraponto co m a teoria marxista, co m o ten-tand o explicitar as possibili-dades e limites po sto s pela teorin social que Habermas co nstró i a partir d o co nceito d e agir co municativ o . É o pró prio Rivera que no s aler-ta para o fato de que "apesar d o q u ad ro s o m b ri o , Habermas acredita firmemen-te na pervivência da racio na-lidade co municativa em d e-terminad o s nicho s situad o s nas costuras entre o sistema e o mund o da vida". A ponta, c o m o justificativa para um certo o timismo , a institucio-nalização jurídica da so cied a-de mo d erna, traduzida no re-co nhecimento d o direito d e cidadania e a institucionali-zação do s direitos sociais, via legislação so cial.

To mand o co m o pressu-po sto o fato de que a teoria social d e Habermas p o d e ser

aplicada à discussão da teo -ria das o rganizaçõ es, o autor d efend e a seguinte idéia: "as o rganizaçõ es co m o subsiste-mas so ciais p o d em ser repre-sentadas co m o detentoras de duas racio nalidades co nco r-rentes que co rrespo nd em às duas fo rmas de integração referidas po r Habermas. De um lad o , uma o rganização p o d e ser analisada d o p o nto d e vista da teoria da ação co -municativa c o m o locus d o

(4)

Administração e riquíssima de ind icaçõ es para to d o s nó s que temo s, de uma forma ou de outra, tentado decifrar as "caixas pretas" que são as o rganizaçõ es d e saúd e.

Esta racio nalid ad e sis-têmico -estratégica é a que predomina tanto na organi-zação p ensad a a partir d o mo d elo burocrático, co m o na c o nc ep ç ão sistêmico -co nti-gencial, na medida em que o ho mem é co nsid erad o co m o "homem funcional", co mo ins-trum ento da o rg aniz aç ão . Segund o tal co ncep ção , ao empregad o não restaria o u-tra o p ção que a d e cumprir ou de se adaptar a funçõ es previamente o bjetivadas. A os dois paradigmas hegemô ni-co s dentre o s macro -mo d elo s de teoria o rganizacio nal (o buro crático e o sistêmico -co ntigencial, -co incid entes na visão dos trabalhadores co mo "agentes" ou mero s apêndi-ces da o rganização ), Uribe Rivera tenta co ntrap o r um terceiro, po r ele d eno mina-d o "por força mina-d o programa de trabalho " d e co municati-vo . Para delinear este para-digma "alternativo" o autor se utiliza, centralmente, d o s tra-balho s d e Silverman e d e Kenneth Benso n, no s quais "as o rganizaçõ es são defini-das por açõ es de pesso as que transmitem significados umas às outras e que, em co njun-to , estab elec em e rev êem suas finalidades". A abo rda-gem das o rganizaçõ es, a par-tir da teo ria da aç ão d e

Silverman, se dá no sentido de co nsiderá-las co m o "siste-mas competitivos de interpre-tação e neles buscand o a ex-plicação para a manutenção ou para a mud ança do s sis-temas o rganizacio nais". Em Benso n, em sua abo rd agem dialética das o rganizaçõ es, o autor destaca que estas re-presentam "arranjos so ciais", sempre pro visó rio s, que se definem a partir da "multipli-cidade de interesses co ntra-ditórios do s indivíduos e gru-po s o rganizacio nais sup o nd o a possibilidade de entend i-mento ". Fo rmulaçõ es de o u-tros autores, co m o Kliksberg, são apo ntadas para reforçar a idéia d e que as organiza-çõ es d evem ser entendidas, antes de mais nad a, c o m o arenas permanentes de nego -ciação e co nflito .

Em Offe, Rivera destaca a discussão que este emp re-end e a resp eito d as três racio nalidades que co existi-riam no interior das organi-z aç õ e s : a b u ro c ráti c a, a teleo ló gica e a d o co nsenso político. Co mo reco nhece não ser po ssível visualizar uma racionalidade hierárquica que integ re as p rem issas d as mesmas, o autor afirma ser a ad ministração "um c am p o pro blemático em que dificil-mente se atingem e se articu-lam harmo nio samente todas as finalidades nela implíci-tas". De qualquer fo rma, vai tomar emprestad o , d o mes-mo autor, a idéia da crescen-te d ep end ência da

adminis-tração em relação à função d o co nsenso ("po litização da ad m inistraç ão ") , p rincip al-mente no seto r so cial, no qual, segund o Rivera, dar-sé-ia a unid ad e entre pro d ução e co nsumo , e o nd e a produ-ção não p o d eria ser o bje-tivizada no s mo ld es clássico s da ec o no m ia. Para O ffe, "a tarefa d e o bter c o nsenso e harmo nizar interesses se co -lo ca para a ad ministração não só q uand o se to rna cessário abrand ar p ela ne-g o c iaç ão a resistência d e grup o s antag ô nico s co m p o -d er -d e v eto e p ressão , mas também em relação sua p ró

-pria clientela, ou

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ainda na relação com sen meio

ambi-ente interno, com os mem-bros da administração com seus interesses e concepções de valor, de ordem profissio-nal, econômica e política" . E

(5)

nad o p ro jeto que se queira conduzir.

É so mente no último ca-pítulo d o livro que Rivera vai se o cupar, d e forma mais sis-tematizada, em d emo nstrar aquilo que co nsid era co m o premissa geral da sua inves-tigação, qual seja, a d e que "a planificação precisa alar-gar sua racio nalidade. Enten-dida tradicio nalmente co m o atividade racional de ap o io à racio nalização fina-lística no sentid o w e b e riano da produção de uma eficácia eco -nô mica ou política, a planifi-cação deveria ser co nsid era-da precipuamente uma forma de racionalidade co municati-va". A qui, o autor, valoriza a le g itim id ad e d o s p l an o s (apoiada nas no rmas e valo -res dos grupo s so ciais), mui-to mais d o que uma possível viabilidade política do s mes-mo s. Esta é a mes-moldura den-tro da qual faz sua (re)leitura crítica da o bra de Matus e Testa.

Em relação ao primeiro, é impossível não p erceber o c u id ad o c o m q u e Urib e Rivera faz suas o bserv açõ es, até p o rque Matus ainda é uma referência muito impor-tante para as atividades de d o cência e pesquisa d esen-volvidas p elo grupo d o De-partamento d e Planejamento e A d ministração da ENSP/ FIOCRUZ, ao qual o autor se vincula co m o Pro fesso r Ad-junto. Vejamo s alguns do s

as-p ec to s q u e uma

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

leitura barbemasiana d o p

lanejam ento estratégico situacio -nal, feita p elo autor, p õ e em d estaque:

— Haveria, em Matus, uma visão ainda muito tradi-cio nal (ap esar d as "flexi-b iliz aç õ es" p ro p o stas p o r A lthusser e Poulantzas, auto -res no s quais se fund amen-taria) das relaçõ es base/ su-perestrutura, na medida em que "a própria fenoestrutura, co m o superestrutura especí-fica e imed iata, deriva da estrutura eco nô mica; é um fe-nô m eno em relação à essên-cia ou uma função em rela-ção à estrutura".

— Matus utilizaria, na taxo no mia da ação social que adota, uma variante "híbrida" de ação que seria, po r essên-cia e d efinição , contraditória e co nfusa, ao fazer uma improvável "mistura" de agir co -municativo co m agir estraté-gico . É o que Matus batiza co m o no me de ação estraté-gico -co municativa.

— N as f o rm u l aç õ e s matusianas haveria a p reo cu-p ação co m a med iação ou co mp arabilid ad e d o p o d er do s vários atores em dispu-ta, o que suporia a red ução d o mesmo a um elemento o b-jetivo. Para Rivera, "d esco n-tando que essa co mp aração traz resultad o s d uv id o so s (co m o Habermas afirma), o pro blema mais sério da mesma (d o p o nto de vista meto -d o ló gico ) -diz respeito ao fato de que o s ato res esco lhem recurso s d iferenciad o s para exercer pressão so bre o s pro

-jeto s em co nflito ".

(6)

partici-pativo, co nfo rme pro po stas por Matus, em contraposição ao co nceito de cálculo estra-tégico , seriam uma esp écie de "disjunção analítica deli-berad a", p resente na o bra matusiana.

Em relação à o bra d e Mario Testa, o autor avalia que o mesmo "revaloriza o co mp o nente interativo-comu-nicacional d o planejamento , f az e n d o e c o à p re g aç ão habermasiana, mas tenta fun-damentar esse co m p o nente em uma visão bipolarizada de classe da o rd em so cial, dominada pela pro dução eco -nô mica. Desta maneira,

sim-plifica o jo go dos atores e o co nd icio na a um mo vimento sistêmico , co nvicto de que o trabalho poderá produzir uma o rd em co municativa não d e-formada e livre d o Poder. De-mo cracia é, nesta acep ção , uma exp ressão ideo lo gizada da classe d o minad a"

O au to r, à g u isa d e finalização d o seu trabalho , apo nta para as imensas p o s-sibilidades d e utilização d e mo d elo s de nego ciação co o -perativa ao nível das organi-zaçõ es de saúde, abrind o um leque hetero d o xo de abo rd a-gens e enfo ques teó rico -me-to d o ló gico s, que vão d esd e

as fo rm ulaçõ es d e Band ler e Grind er, até a co m p resão d as o rg aniz aç õ es

en-q u a n t o f e n ô m e n o ling üístico , c o nf o rm e v em

send o trabalhad o p o r Fer-nand o Flo res.

Referências

Documentos relacionados

Neste capítulo serão, não só apresentados os resultados da consolidação com drenos verticais pré-fabricados, com base na modelação numérica, como também os resultados

Neste estudo foram estipulados os seguintes objec- tivos: (a) identifi car as dimensões do desenvolvimento vocacional (convicção vocacional, cooperação vocacio- nal,

Essa revista é organizada pela Sociedade Brasileira de Planejamento Energético (SBPE) e por isso foram selecionados trabalhos que tinham como objetivo tratar a

Pretende-se então tes- tar a viabilidade de estimar as taxas de fluxo no ensino regular fundamental (promoção, reten- ção e evasão) utilizando os dados provenientes da

De acordo com o Consed (2011), o cursista deve ter em mente os pressupostos básicos que sustentam a formulação do Progestão, tanto do ponto de vista do gerenciamento

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA.

[r]

Oliver Sacks não é nem um antro pó lo go nem um sa- nitarista. em Ciências A nimais, Temple Grandin, entrevista- da por Sacks, para se referir aos grupos so ciais que a cer- cam.