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Revista
Brasileira
de
CIÊNCIAS
DO
ESPORTE
ARTIGO
ORIGINAL
As
representac
¸ões
sociais
dos
discentes
do
curso
de
licenciatura
em
educac
¸ão
física
na
Unemat-Cáceres/MT
sobre
o
trabalho
com
o
corpo/aluno
na
escola:
olhares
para
os
conteúdos
da
educac
¸ão
física
Jonathan
Stroher
a,∗e
Carlo
Ralph
de
Musis
baUniversidadedoEstadodeMatoGrosso(Unemat),CursodeEducac¸ãoFísica,Diamantino,MT,Brasil bUniversidadedeCuiabá(Unic),ProgramadePós-Graduac¸ãoemFísicaAmbiental,Cuiabá,MT,Brasil
Recebidoem3deoutubrode2016;aceitoem8defevereirode2017 DisponívelnaInternetem29deabrilde2017
PALAVRAS-CHAVE
Corpo;
Educac¸ãofísica escolar; Conteúdos; Representac¸ões sociais
Resumo Apresentepesquisaéumrecortedotrabalhodissertativoquetevecomoobjetivo encontrar eanalisarasrepresentac¸õessociais queosdiscentesdocursodelicenciaturaem educac¸ãofísicadaUniversidadedoEstadodeMatoGrosso-Cáceres/MTtêmacercadotrabalho comocorpo/alunonaescola.Apesquisaqualitativaefetiva-sepormeiodequestionáriosde evocac¸õeslivrescomoestímuloindutor:‘‘Paravocê,comoocorpoétrabalhadonaescola?’’, aplicadosa44discentes,distribuídosentreosexto,sétimoeoitavosemestres.Desseuniverso, evidencia-se queos conteúdosdaeducac¸ãofísica,em especial osesportes, asdanc¸as eos jogos, expresso por30,5% das evocac¸ões,são aqueles quedirecionam ostrabalhos comos corpos/alunosnaescola.
©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´e umartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
KEYWORDS
Body;
Schoolphysical education; Content; Social
representations
Social representations of students of the degree course in physical education in Unemat---Cáceres-MT about working with the body/student at school: looks for the contentsofphysicaleducation
Abstract Thisresearchisanexcerptofdissertationworkthathadasobjectivefindandanalyze thesocialrepresentationsthatthestudentsofgraduationinPhysicalEducationfromtheState UniversityofMatoGrosso-CáceresMThaveabouttheworkwiththebody/studentinschool.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](J.Stroher).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2017.02.007
The qualitativeresearchup effectivethrough ofquestionnairesoffree evocations withthe inducingstimulus,‘‘foryouasthebodyistooledatschool?’’appliedto44students,distributed betweenthesixth,seventhandeighthsemesters.Thisuniverse,itisevidentthatthecontents ofPhysicalEducation,especiallysports,dancesandgames,expressedby30.5%ofevocations, arethosethatdirecttheworkwiththebodies/studentsatschool.
©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
PALABRASCLAVE
Cuerpo; Educaciónfísica escolar; Contenidos; Representaciones sociales
RepresentacionessocialesdealumnosdelgradodeeducaciónfísicaenUnemat, Cáce-res (MT) sobre el trabajo con el cuerpo/alumno en la escuela: perspectivas de los contenidosdeeducaciónfísica
Resumen Estaestudioesunapartedeuntrabajo detesisconelobjetivo deencontrar y analizarlasrepresentacionessocialesquelosestudiantesdelgradodeeducaciónfísicadela Uni-versidaddelEstadodeMatoGrosso,Cáceres(MT)tienensobreeltrabajoconelcuerpo/alumno enlaescuela.Elestudiocualitativosellevaacaboconcuestionariosdemencioneslibresdel estímuloinductor:‘‘ensuopinión,¿cómosetrabajaelcuerpoenlaescuela?’’.Respondenala pregunta44estudiantes,distribuidosentreelsexto,elséptimoyeloctavosemestres.Este uni-verso,evidentementeloscontenidosdeeducaciónfísica,especialmenteeldeporte,ladanza yeljuego,expresadosporel30,5%delasmenciones,dirigeneltrabajoconelcuerpo/alumno enlaescuela.
©2017Col´egioBrasileirodeCiˆenciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Estees unart´ıculoOpenAccessbajolalicenciaCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
A formac¸ão em licenciaturaem educac¸ão física, compre-endidacomo práticaeducativa, ao inserir-se nos espac¸os escolares,visaàrealizac¸ãodossaberesoriundosdoprocesso deformac¸ãoacadêmica noscorpos/alunos.Esses entendi-mentossobreaatuac¸ãodoprofessordeeducac¸ãofísicasão construídos,inicialmente,nasleiturasespecíficasdaárea, naconstruc¸ãodoconhecimento,nosprocessos comunicaci-onaisestabelecidosnoscorredores, nassalas deaula,nas relac¸õesaluno-aluno,aluno-professor,bemcomonas práti-cascorporaisdoseuprocessohistóricoqueformaramesse aluno que umdia, também, será professor. Partindo des-sas trocas desaberes criadoras de representac¸ões sociais notempoe no espac¸o deformac¸ão docurso de licencia-turaemeducac¸ãofísicanaUniversidadedoEstadodeMato Grosso (Unemat) campus Jane Vanini-Cáceres/MT, nossa investigac¸ãoproblematizaqualavisãoqueosdiscentesdo referidocursotêmacercadotrabalhocomocorpo/alunona educac¸ãofísicaescolar.
Optamospelouso dotermocorpo/aluno aopercebê-lo comototalidadeecentralidadedasac¸õesescolares,ouseja, nãoseparamosopapeldealunodasuacorporeidade.
Compreendemosque,aomesmotempoemquesomoso corpodoqualfalamos,pautamosnossadiscussãona tenta-tivadenãodistanciarofocodasrelac¸õesquevivenciamos emnossocotidianocorporal,construídopormeiodas histó-riasquenossaculturacorporalconsolidoueaindaconsolida. Neste sentido,Vigarello(2003) nos dizque as referên-cias dadas à forma, às eficácias e ao funcionamento do corposãotransformadascomodecorrerdotempo,poissuas
representac¸õessedesarticulampormeiodosaspectos cul-turaisesociaisque,algumasvezes,modificam-sequaseque completamente.Dessas modificac¸ões, estruturam-se com-preensões para o corpo que vão ao encontrodaquilo que adinâmica socialeculturalofereceouimpõe.Ocorpose adaptaecompreendenãosomentesuasinstâncias biológi-cas,massimtodaadinâmicaqueocircundaefazcomque elesemovimente.
Freitas (1999), ao trazer suas contribuic¸ões sobre os aspectosdese‘‘ter’’e‘‘ser’’umcorpo,pautadonas dis-cussõesfenomenológicasdeMerleau-Ponty,nosdizque:
‘‘Ter’’umcorpoépretenderqueelesecaleesesubmeta aodomíniodaquelequeopossui.Porém,éohomemquemse encontranos‘‘domínios’’docorpo,suacondic¸ãoécorporal e elesósecomunicacom osoutrosporquetemumcorpo queseexpressa. Emoutraspalavras,existeumaentidade complexa,mas indivisível ---o homem --- que apenaspode expressar-sepormeiodeseu corpoequesópodefazê-lo deformacontextualizada,comoumsernomundo.(Freitas, 1999,p.53,aspasdaautora).
dánocorpo interfere diretamentenas ac¸õesdo alunona escola,porissosãorelac¸õesqueseconectamnesseprocesso deformac¸ão.
Essa interface no entendimento sobre o corpo/aluno surge dosestudossobre ocorpo, dasdiversas concepc¸ões queseagrupam,natentativadecaracterizá-lo,mas com-preendemos,assimcomoafirmamSilvaetal.2009(p.110), quenapossibilidadedeseverificaremcertosdiscursossobre ocorpo,partindodeautoresditosclássicos,‘‘[...]não
ocor-reu(nemocorre),deformalinear,umdiscursosubstituindo ooutro,massimumacoexistênciadinâmicadeconcepc¸ões decorpo’’.
É dessa diversidade de compreensões sobre o corpo queasciênciasaproximamseusolhares,seus entendimen-tosesuasatuac¸ões.Direcionamosnossoolharao processo de formac¸ão dos professores no curso de licenciatura em educac¸ão física da Unemat, campus Jane Vanini--Cáceres/MT, pois, nas disciplinas, durante a graduac¸ão, caminhamos pela área da saúde, na qual buscamos um entendimentodaengenhariadocorpoeseufuncionamento duranteaspráticascorporais,relacionamosseusbenefícios coma promoc¸ão dasaúde.Poroutro lado,sãoofertados, também,osaspectosdidático/pedagógicosparaaatuac¸ão doprofessordeeducac¸ãofísicanaescola,oquepercorre, também,ossaberesdasciênciashumanas,alémdas disci-plinasespecíficasdaculturacorporal.
Nessesentido,GeislereSilva(2011)afirmamque: Ocursodeeducac¸ãofísicaestáinseridonaáreadasaúde, cujas práticas docentes priorizam a condic¸ão curativa do ser humano, condicionandoosestudantes a preocupac¸ões decunhobiológico.Partindodeumaproblemáticaque his-toricamenteconsiderouocorpocomofuncional,produtivo e reprodutivo, se podem levantar algumas considerac¸ões sobresuas representac¸ões(Geislere Silva,2011, p. 6724-6725).
Partindodoexpostoepensandoaeducac¸ãofísicacomo práticaeducativaquebuscapormeiodocorpoumaforma deapreensãodosconhecimentoshistoricamenteconstruídos pela cultura corporal, entendemos que o trabalho com o corpo/alunona escoladevevisaraumaformac¸ãovoltada paraaperspectivadatransformac¸ãosocialqueocorrepelo enocorpo.
A educac¸ão geral, nas suas mais diferentes manifestac¸ões, em si já contribui para inscrever signi-ficadose valoresnocorpo.Ao lidarcomoserhumanoeo corpoemconstanteconstruc¸ãoeinterac¸ãocomocontexto social,aeducac¸ãofísicanãopodedeixar,portanto,deser entendida como uma prática educativa, ou, ainda, como prática social, já que se ocupa do educar por meio do movimento(Lüdorf,2009,p.102).
Essaspráticascorporais permitemaocorpo/aluno,bem comoaoprofessor,trabalharnosentidodeentendera reali-dadeposta,buscarsuatransformac¸ãoapartirdoselementos que representam suas ac¸ões no cotidiano e das relac¸ões queessesvivenciamemsuasmanifestac¸õescorporaistanto na escolacomo fora dela. É dessas relac¸ões que se con-solidamsaberescoletivossobredeterminadoassunto,ac¸ão ouconhecimento,viabilizadospelosprocessos comunicaci-onais,atitudinaisecomportamentais.
Essas construc¸ões sociais marcam os corpos dos dis-centes e, assim, projetam certos entendimentos que, possivelmente, irão orientar suas futuras práticas, pois
compreendemos que há uma rede de trocas de conheci-mentoque fundamentamsuas ac¸ões. Sãoessasac¸õesque permitemaosdiscentes colocarem-secomo detentoresde umsaberinicial,umsensocomumqueserelacionacomos saberesqueoprocessodeformac¸ãoemeducac¸ãofísicalhes confere.Asrepresentac¸õessociaistransmitidaspelasac¸ões, falas,atitudesepelosconhecimentosquecircundamocurso deeducac¸ãofísicanaUnematpossibilitamtratardecertos entendimentosquedãoidentidadeeautonomianousodas práticasapreendidaspelacoletividade.
É no organizar as relac¸ões entre o meio e os outros que as representac¸ões sociais direcionam e estabelecem condutassociaissobredeterminadoassunto,ac¸ãoou conhe-cimento.Apartirdomomentoemquesepenetraodiscurso, taisrepresentac¸õespossibilitamadifusãodoconhecimento, bemcomosuaassimilac¸ãointerferenascondutas individu-aisecoletivas,oquepressupõeumaspectodedefinic¸ãodas identidadesesuasexpressõesnasociedade(Jodelet,2001, p.22).
Dessas concepc¸ões de corpo que são partilhadas nas relac¸õessociais, criam-seconhecimentos dosensocomum que determinam como cada sujeito interpreta, sente e vivenciaseucorpo.Nessesentido,osolharesparaocorpo sobaópticadasrepresentac¸õessociaisnocursodeeducac¸ão físicanosoferecemsubsídiosparaentenderquais conheci-mentossobreocorpocirculamnesseespac¸oecomoesses podeminfluenciarasfuturaspráticasdosdiscentesnos cor-pos/alunosnaescola.
Darelac¸ãoentreosestudossobrerepresentac¸ões soci-ais e seu enfoque nas questões corporais nocontexto da educac¸ão física escolar, a pesquisa teve como objetivo encontrareanalisarasrepresentac¸õessociaisquediscentes docursodelicenciaturaemeducac¸ãofísica/Unemat cam-pusCáceres-MTtêmacercadotrabalhocomocorpo/aluno na escola. Uma dessas representac¸ões se materializa na efetivac¸ão dos conteúdos da educac¸ão física no trabalho comocorpo/alunonaescola,poissãoessesconhecimentos quedirecionamsuaspráticas,segundo30,5%dasevocac¸ões feitas pelos discentes. Esses dados serão discutidos com maiorprofundidadenodecorrerdasanálisesdestetrabalho.
Metodologia
Parabuscarmosrespostasàproblematizac¸ãolevantadacom apesquisa,nosorientamospelapesquisadecaráter qualita-tivo.Assim,estabelecemoscomosujeitososalunosdocurso delicenciaturaemeducac¸ãofísicadaUnematcampusJane Vanini,nomunicípiodeCáceres/MT,maisespecificamente aquelesquecursavamosexto,sétimoeoitavosemestresem 2012.Aescolhadessegruposedeuporcompreenderqueos alunos,jáemfasedeconclusãodagraduac¸ão,permeiamos espac¸osescolarespormeiodesuaspráticasnoperíodoem quefazemoestágiosupervisionado.
A coletade dadosocorreu em dois momentos. No pri-meiro,aplicamos23 questionáriose agrande maioria dos sujeitoscompreendiaosalunosdosextoesétimosemestres. Jánosegundomomentodacoleta,aplicamosmais21 ques-tionários,dessavezcomosacadêmicosdooitavosemestre comoobjetivo,oquetotalizou44questionários.
segundoNóbregaeCoutinho(2003),aestruturapsicológica dosujeito poderia ser evidenciada a partir de evocac¸ões livresfrenteaumestímuloindutor.
Dessa forma, o questionário organiza-se da seguinte maneira: a) indagac¸ões sobre os dados demográficos dos acadêmicos; b) questão indutora: ‘‘Para você, como o corpoétrabalhado naescola?’’.Sobreasegundaparte do questionário,os acadêmicos evocaram as cinco primeiras palavrasquelhessurgiramapartirdaquestãoindutora.Em seguida,classificaramaordemmédiadasevocac¸ões(OME) ---hierarquizac¸ãodaspalavrasporescoresde1a5---conforme suaordem médiadeimportância(OMI)---sentidopositivo, neutroounegativodaspalavrasescolhidas---e,porfim jus-tificaramoporquêdetalescolha.
Após a aplicac¸ão dos questionários, passamos para organizac¸ão do banco de dados, foram,então, tabulados pararecebertratamentoestatísticoefuturaanálisede con-teúdo que se fundamenta a partir de Bardin (2009). No programaMicrosoftExcel,relacionamososdados demográfi-cosoferecidospelossujeitos,bemcomoasevocac¸õesfeitas esuasrespectivasjustificativas.
Na primeira análise, buscamos agrupar os lexe-mas, conforme indicam Nóbrega e Coutinho (2003), por similaridades semânticas e de sentidos. Após o agrupa-mento das palavras, criamos categorias que discutem as representac¸ões sobre o trabalho com o corpo/aluno na escola.Consideramosparaanáliseascategoriasque apre-sentampercentuaisacimade7%nafrequência(f)simplesde ocorrênciadecadapalavra.Emseguida, posteriormenteà organizac¸ãodeumrolemplanilhanoExcel,estabelecemos ascategoriasparaanálisedasaturac¸ãodacategorizac¸ãopor umprocedimentodesimulac¸ãopelométododeMonteCarlo, comoauxíliodoaplicativoOracleCrystalBall.
Após esses procedimentos, chegamos a seis catego-rias: Conteúdos da Educac¸ão Física; Expressão Corporal; AprendizagemeDesenvolvimento;DicotomiaCorpo/Mente; Cultura; Atividade Física e Saúde. A discussão aqui apre-sentada sobre os Conteúdos da Educac¸ão Física traz, fundamentalmente,oscincoconteúdosdaeducac¸ãofísica evidenciadosnaobradoColetivodeAutores(1992),ouseja, osjogos,aslutas,osesportes,adanc¸aeginástica.
Ossujeitos da pesquisa abrangem 44 alunos, distribuí-dosnostrêssemestresescolhidosparaapesquisa.Ográfico 1 apresenta a saturac¸ão para as questões baseadas em evocac¸ões livres. Assim, a ‘‘saturac¸ão podeser qualitati-vamente definida como o tamanho de amostraem que a inclusãode novos participantes apresentauma redundân-cia tal que, conforme critério definido pelo pesquisador, poucoacrescentaaomaterialjáobtido’’ (DeMusisetal., 2009,p.506).
Ográficodesaturac¸ãoapresentaoparordenado,número de categoria e número de sujeitos, indica onde as pala-vrasejustificativasdossujeitoscomec¸amaapresentarcerta redundância,oquepossibilitou inferirnoquedizrespeito àrepresentatividadedaamostracoletadaparaapesquisa. Na figura 1 percebemos inflexão indicadora do início da saturac¸ãoa partirdosexto sujeito (primeiraflecha), essa se estabiliza a partir do 12◦ (segunda flecha), momento
em que se percebe certa redundância nas expressões proferidas.
A partir da análise das evocac¸ões, ao categorizar as evocac¸ões feitas pelos acadêmicos,montamos umquadro
0 1 2 3 4 5 6
5 3
1 7 9 11 13 1517 19 21 23 25 27 29 31 3335 37 39 41 43
Figura1 Gráficodasaturac¸ãoparaaQuestão1.
em que seevidenciam ascategorias maisexpressivas nas evocac¸õesfeitas(tabela1).
Sobreacategoria Conteúdos daEducac¸ão Física, agru-pamos os conteúdos da cultura corporal, entendida pelo Coletivo de Autores (1992). Tal proposta compreende a educac¸ão física como uma disciplina que busca desen-volver uma reflexão pedagógica a partir das formas de representac¸õescorporaisqueohomemmanifestouemsuas ac¸õesnodecorrerdahistória.
Essasrepresentac¸õessematerializampormeiodos: [...]jogos,danc¸as,lutas,exercíciosginásticos,esporte,
malabarismo,contorcionismo,mímicaeoutros,quepodem ser identificadoscomo formasde representac¸ãosimbólica derealidadesvividaspelohomem,historicamentecriadase culturalmentedesenvolvidas(ColetivodeAutores,1992,p. 26).
Doexposto,decorreaafirmac¸ãodequeamaterialidade corpóreafoihistoricamenteconstruídae,assim,existeuma culturacorporalqueéresultadodossaberesproduzidos soci-almenteeacumuladoshistoricamente pelahumanidade,é necessárioqueessessejamrediscutidosetransmitidospara oscorpos/alunosnasaulasdeeducac¸ãofísicanaescola.Por isso,háanecessidadedecompreendermosqueoquesedá nocorpodentrodaescolaestárelacionadoaesses elemen-tos deconstruc¸ãocorporal inerentesdahistória social de cadaaluno.
Nasasaulasdeeducac¸ãofísica,apartirdoquenos tra-zem,osalunos sãoincentivados,convidados aexporem-se e experimentarem assituac¸ões que dizem respeito tanto aosseusinteressesquantoaosdosoutrosalunos.Nesse pro-cesso, percebemosque o repertório de práticascorporais temsidoampliado(AssiseCarvalho,2012,p.7).
Apartirdessasinformac¸õeseanalisandooquadro, per-cebemos que 30,5% das evocac¸ões feitas pelos sujeitos se referem aos conteúdos da educac¸ão física,em que as palavras mais prontamente evocadas foram: ‘‘esporte’’, ‘‘ludic +’’ e ‘‘danc¸a’’. A partir dessas palavras podemos fazeralgumasrelac¸õessobreoque setrabalhacomo ele-mento fundamental nas aulas de educac¸ão física com os corpos/alunosnaescola.
Tabela1 Estatísticadescritivadascategoriasdeanálise
Categorias Contagem Ordemmédiadeevocac¸ão Ordemmédiadeimportância Prevalência
ConteúdosdaEducac¸ãoFísica 67 2,88 3,33 30,5%
ExpressãoCorporal 40 2,40 2,68 18,2%
AprendizagemeDesenvolvimento 25 3,04 2,91 11,4%
DicotomiaCorpoeMente 20 3,50 3,00 9,1%
Cultura 18 3,33 3,06 8,2%
AtividadeFísicaeSaúde 16 2,75 2,31 7,3%
porém,aolheatribuíremimportância,essesnãose carac-terizam como um dos elementos principais para pensaro trabalho com o corpo/aluno na escola. Esses dados nos fazemrefletirsobreossentidosatribuídosaosconteúdosda educac¸ãofísicanoespac¸oescolar,poisseelesorientamas práticasdosprofessoresdeeducac¸ãofísicanaescola,qual omotivodeseatribuirmaisimportânciaaosesportes,aos jogoseàdanc¸aemarginalizaraginásticaeaslutas?
Por meiodesse questionamento,aproximamosas justi-ficativasdadaspelos acadêmicossobrecomoo‘‘esporte’’ étrabalhado comoscorpos/alunosnasaulasdeeducac¸ão física na escola. Assim, recebe interpretac¸ões pelo seu sentidoesportivizadoremonopolizadordaspráticas corpo-raisnoespac¸oescolar,evidentesnasseguintesexpressões: ‘‘Os esportes são usados como meio de desenvolvimento do corpo. Minha visão negativa desse ponto é pela esportivizac¸ãoeexclusãodealgunsalunos’’(Sujeito 1M); ‘‘Esporte é o que predomina nas aulas, principalmente o futsal, vôlei, handebol e basquete (quarteto fantástico)’’ (Sujeito2M); ‘‘Éumdoscomponentesdaeducac¸ãofísica, maspara muitos alunos a educac¸ão física se restringeao esporte’’(Sujeito20F).
Naperspectiva dacultura corporal,o esportedeve ser compreendido,naescola,deforma‘‘crítico-superadora’’, pautado pedagogicamente pelas ac¸ões dos professores, e deve evidenciar reflexões de caráter diagnóstico, judica-tivoe teleológico,apartir dossentidos esignificadosque regemapráticaesportivadosalunosnocontextoemquese inserem:
Oesporte,comopráticasocialqueinstitucionalizatemas lúdicos da cultura corporal, se projeta numa dimensão complexadefenômenoqueenvolvecódigos,sentidose sig-nificadosdasociedadequeocriaeopratica.Porisso,deve seranalisado nos seusvariados aspectos,paradeterminar a forma em que deve ser abordado pedagogicamente no sentidodeesporte‘‘da’’escola,enãocomoesporte‘‘na’’ escola(ColetivodeAutores,1992,p.69-70,aspasdoautor). Quando o esporte é ‘‘da’’ escola, ele incorpora os aspectospertinentesdacomunidadequecircundaoespac¸o escolar,nãoracionalizaasuamanifestac¸ão,possibilitauma reflexãocríticasobreopapeldoesportenasociedade capi-talista,defendeocompromissodasolidariedadeerespeito humano, trabalha na coletividade e busca incluir a todos nas aulas de educac¸ão física. Diferentemente, o esporte ‘‘na’’ escola se assemelha ao padrãoimposto pelo modo de produc¸ão capitalista, em que a busca da tecnificac¸ão daspráticascorporaismassificaossaberesdocorpo,exclui osmenoshabilidosos,nãolevaemconsiderac¸ãoocontexto sócio-históricodosalunos,exigemamáximadorendimento
e, nessa perspectiva, o corpo/aluno toma um caráter de aluno/atleta.
Isso representa uma construc¸ão social difundida no espac¸o de formac¸ão dos futuros professores de educac¸ão física da Unemat, fundamentada nos conhecimentos edi-ficados ao longo das histórias de vida e nos processos comunicacionaisdecada acadêmico.Esses processos inci-dem,diretamente,nostrabalhoscomoscorpos/alunosna escola. Assim, podemos considerar os conhecimentos de Nóbrega(2001),p.65)sobreoprocessodeobjetivac¸ão,que consiste‘‘[...]em materializarasabstrac¸ões,corporificar
ospensamentos,tornarfísicoevisíveloimpalpável,enfim, transformarem objetooqueérepresentado’’.Issoocorre umavezqueoprocessodeobjetivac¸ãoseiniciaapartirda construc¸ão coletiva de umarepresentac¸ão, que se refere aosmeios usados para aquisic¸ão doconhecimento, que é atravessadoporelementos culturaisecritériosnormativos que cada grupo institui como maisou menosimportante. Aideiaquese temsobreo esporte torna-seconcretapor meiodas práticas esportivizadoras nocotidiano das aulas deeducac¸ão física,organizadas pelasrelac¸ões estabeleci-dasentreoconhecimentodamodalidade,queseefetivou atravésdos treinamentosem cada modalidade ou,então, pelaspróprias aulasde educac¸ãofísica quetomavam tais característicasparasi.
Além docaráteresportivista que asaulasdeeducac¸ão física recebem, aparecem, também, os elementos sobre a ludicidade, o jogo e as brincadeiras, aqui englobados pelotermo‘‘ludic+’’.Nessaperspectiva,evidenciamos os elementosdasaulasdeeducac¸ãofísicaquesedãopor prá-ticasquecaracterizam asmanifestac¸õesdaculturalúdica dos alunos. Nas falas dos acadêmicos percebemosque as explicac¸ões intentam fazer a relac¸ão entre o desenvolvi-mento dos corpos/alunos e o sentido prazeroso de tais práticas:‘‘Achoquealudicidadetemqueseracompanhada naescola.Ocorponecessitadelúdicoparaviver’’(Sujeito 40F);‘‘Ludicidadeéoquenosforneceprazernas ativida-des,édiversão,enãoobrigac¸ão’’(Sujeito37F);‘‘Ébomter brincadeira,principalmentenassériesiniciais,paraobom desenvolvimento(motor,coordenac¸ãoetc.)’’(Sujeito20F); ‘‘Olúdicoéessênciaparainiciarqualqueratividadecoma crianc¸a’’(Sujeito6F).
Aculturacorporaltrazemsuasexplicac¸õesossentidosde setrabalharna perspectivalúdica,poistaismanifestac¸ões buscam‘‘[...] instigaracriatividadehumana àadoc¸ãode
umaposturaprodutivaecriadora[...],tantonomundodo
Ao se trabalhara perspectiva lúdica dos conteúdos da educac¸ãofísica,deve-sepensarnoselementosquebuscam esseavanc¸odacrianc¸afrenteaoseudesenvolvimento, pau-tadoporessasmanifestac¸ões.Narelac¸ãoentreasfalasdos acadêmicoseospensamentosdoColetivodeAutores(1992), entendemosque asrepresentac¸ões trazidassereferemàs propostasdeensinoqueusamaspráticaslúdicascomoforma deaumentarascapacidadescriativasque incidem direta-mentenaaceitac¸ãodasatividadesenodesenvolvimentodo corpo/aluno.
A danc¸a, por sua vez, também se insere nos conteú-dos da educac¸ão física e na perspectiva do Coletivo de Autores(1992),p.81),secaracterizacomoumaac¸ão repre-sentativa,apartir deváriosaspectos,davidadohomem. Consideramos,também, umamanifestac¸ão ‘‘[...] de
sen-timentos, emoc¸ões da afetividade vivida nas esferas da religiosidade,dotrabalho,doscostumes,hábitos,dasaúde, daguerraetc.’’,ouseja,peladanc¸ao corposecomunica comoambienteecomosoutrosepartedasespecificidades quebuscaexpressarduranteodanc¸ar.
Osdiscursosvariamentreseuusocomoferramentaque possibilitaatenderàformac¸ãoglobal doaluno,bemcomo sua prática de forma folclorizada ou em aulas extracur-riculares, como segue nas falas: ‘‘Danc¸a é trabalhada na maioriadasvezesemdatascomemorativas,noentantohá alunosquesãoexcluídospelareligiãoouporfaltade habi-lidade’’(Sujeito1M); ‘‘Danc¸a,quegeralmenteé aplicada como atividade extracurricular, não na aula de educac¸ão física’’(Sujeito2M);‘‘Movimentocompletoqueoindivíduo fazcomprazer’’(Sujeito31M).
Se a danc¸a é trabalhada apenas em atividades extra-curriculares e em datas comemorativas, temos então um sentido de trabalho com o corpo/aluno na formac¸ão de alunos/bailarinos,naqualseelimina, em certaspartes,o caráterexpressivodadanc¸ademaneiraespontânea,porém intensificam-seoutrasformasdeexpressão.Poroutrolado, quando sua abordagem está pautada no currículo escolar como possibilidadenas aulas de educac¸ão física, a danc¸a busca valorizar o corpo/aluno em sua totalidade. Corro-borando com nosso entendimento, o Coletivo de Autores (1992), p. 81) nos apresenta a seguinte proposta para a aplicabilidadedadanc¸a:
Paraoensinodadanc¸a,há queseconsiderarqueoseu aspectoexpressivose confronta, necessariamente, com a formalidadedatécnicaparasuaexecuc¸ão,oquepodevira esvaziaroaspectoverdadeiramenteexpressivo.Nesse sen-tido,deve-seentenderque adanc¸acomoartenãoé uma transposic¸ão da vida, senão sua representac¸ão estilizada e simbólica.Mas,como arte, deveencontraros seus fun-damentos na própriavida, concretizar-senuma expressão dela,enãonumaproduc¸ãoacrobática.
Comisso,osaspectosexpressivosdosalunosdevemser consideradosnosmomentosdeaplicac¸ãodoconteúdodanc¸a nasaulasdeeducac¸ãofísica,tantonosentidodas formali-dadestécnicas,fundamentaisnaexecuc¸ãodosmovimentos duranteodanc¸ar,comosuainserc¸ãonaculturacorporaldo aluno,quesedápaulatinamentenoprocessode desenvol-vimentodashabilidadescorporaisqueadanc¸apossibilita.
Por fim, percebemos, de forma menos expressiva nessa categoria, as evocac¸ões e justificativas relaciona-das aos conteúdos ‘‘lutas’’ e ‘‘ginástica’’: ‘‘As aulas de luta são importantes para que a crianc¸a desenvolva seus
comportamentos adequados a partir das regras’’ (Sujeito 11M); ‘‘Uma área de prática e também de trabalho’’ (Sujeito 19M).Além dapoucaexpressividadedoconteúdo lutas, percebemos pelas evocac¸ões apresentadas pelos entrevistados quea ginástica, também, nãoé muito lem-brada ao nosreferirmossobrecomo o corpoé trabalhado na escola, caso que fica evidente pela única evocac¸ão e explicac¸ão sobreapalavra ginástica como ‘‘[...] umadas
atividades corporais quequasenãosetrabalhana escola, porém, nomeu ponto de vista acho necessário’’(Sujeito 24F).
Apartirdessesdados,percebemoscertadesvalorizac¸ão com relac¸ão a esses conteúdos e sua aplicabilidade na escola. Pelas justificativas dos entrevistados, notamos as dimensõesdadasaessesconteúdos,emquesefaz necessá-riorepensaraspropostassobreaspossibilidadesdetrabalho comcorpo/alunonasaulasdeeducac¸ãofísica,pensandonos elementosdaslutasedaginástica.
Essefatovemaoencontrodaideiadeobjetivac¸ão que Nóbrega (2001) discute, quando essa busca explicar de que forma o conhecimento sobre determinado assunto é incorporado pelo grupo social. Compreendemos que os conhecimentos sobreosconteúdos daeducac¸ão físicasão incorporados às práticas dos discentes pelas experiências corporais anteriores à graduac¸ão. Algunsconteúdos apre-sentamumasignificac¸ãomaiorparaosacadêmicosdurante a formac¸ão, devido aos saberes que o formaram como sujeito antes de ingressar o curso de educac¸ão física, o que explica, em partes,o porquê denão percebermosas lutaseaginásticacomoconteúdosmaisexpressivosparao trabalhocomocorpo/aluno.
Pelas evocac¸ões dos discentes, percebemos que a representac¸ãodotrabalhocomocorpo/alunoa partirdos conteúdos da educac¸ão física seancora em torno detrês elementos: o esporte, osjogos e brincadeiras e a danc¸a, marginalizam-se,assim,aslutaseaginástica.Selevarmos em considerac¸ão esses dados, aproximamos as vivências escolares dos discentes como referência para pensar em suas práticas futuras na escola. Isso se relaciona com a pergunta ‘‘sobre o que se sabe e com que efeitos?’’, que Jodelet (2001) comenta para a construc¸ão de uma representac¸ão social. Essa consiste na aproximac¸ão dos conhecimentos sobre o objeto da representac¸ão compar-tilhadospelogruposocial,nocasoosesportes,osjogose asdanc¸as,edequeformaessesconhecimentosinterferem na sua atuac¸ão, ou seja, os produtos extraídos desse conhecimento.Apartirdessaperspectiva,podemosinferir queoconhecimentoquecirculanocursodeeducac¸ãofísica sobreotrabalhocomocorpo/alunoaindaestárelacionado, basicamente, ao esporte como conteúdo que direciona o trabalho nas aulas de educac¸ão física na escola, dado percebidopelaquantidadedeevocac¸õesdapalavraesporte ouonomedealgumamodalidade.
Considerac
¸ões
finais
naformac¸ãoinicial,queocorrepormeiodaproximidadede atuac¸ãodecadadiscente.
A categoria que discute os Conteúdos da Educac¸ão Física foi a mais evocada pelos discentes a partir do estímulo indutor e contempla as palavras ‘‘esporte’’, ‘‘ludic+’’, ‘‘danc¸a’’, ‘‘lutas’’ e ‘‘ginástica’’, são essas as manifestac¸ões da cultura corporal, na perspectiva do ColetivodeAutores(1992).Atravésdessaspalavras, perce-bemosqueexisteumarepresentac¸ãoparaotrabalhocomo corpo/aluno,muitoinfluenciadapeloesporte,pelosjogos, pelasbrincadeirase peladanc¸a,aslutasea ginásticasão osconteúdosmenosprivilegiadosnaescolhadosdiscentes. O fato de o esporte, os jogos, asbrincadeiras e a danc¸a estaremmaispróximosdasexperiênciasdosdiscentes auxi-lianomomentodeseconstruirumdiscursoparaotrabalho comocorpo/aluno,experiênciasessasquenãosefazemtão presentesparaosconteúdoslutaseginástica,comoindica Jodelet(2001)sobre‘‘oquesabeeondesabe’’.
Contudo,observamos queo conteúdoesporte éaquele que se expressa com mais ênfase nas evocac¸ões, tem algumas visões positivas e negativas na atuac¸ão com os corpos/alunosnaescola.Oesporte comofenômenosocial está fortementeenraizado na atuac¸ão dos professores de educac¸ãofísicanaescola,temcomobaseoensinodofutsal, voleibol, handebol e basquetebol. Com isso, entendemos que pormaisque osdiscursoscomentemsobrea atuac¸ão na educac¸ãofísica escolarpor meiodos cincoconteúdos, é o esporte que dáo tom daatuac¸ãodos futuros profes-sores,fatoqueficaevidenteaovermosaordemmédiade importânciadasevocac¸ões.
Financiamento
O presente trabalho contou com apoio financeiro da Coordenac¸ãodeAperfeic¸oamentodePessoaldeNível Supe-rior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento CientíficoeTecnológico(CNPp).
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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