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O fazer do bom professor

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Academic year: 2021

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O fazer do bom professor

Para perceber o fazer do BOM PROFESSOR a autora se propôs a assistir as suas aulas. Quase em todas as aulas ela apenas observava antes de realizar a entrevista. Foi constatado que alguns professores não se incomodavam com sua presença ou que de alguma forma interferisse no seu ritual cotidiano. No entanto destacou que dois deles confessaram um pouco intranquilos com a observação. Um deles até relatou que era a primeira vez, sem ser os alunos, acompanhava suas aulas. Procurou tranquiliza-los, tentando ser menos notada possível. Disse que alguns professores a apresentavam com senso de humor aos alunos, outros nem faziam a apresentação e ela passava despercebida. A natureza de cada encontro determinava variações. Esteve em laboratórios, em quadras esportivas e em aula de campo. A grande maioria das aulas, entretanto, aconteceu em sala ambiental comum.

Os procedimentos

A exposição oral foi a técnica mais assistida. Foram assistidas aulas de introdução d nova unidade, outras de fechamento deste segmento didático; assistiu às aulas que precediam a execução de exercícios, outras que foram dadas em cima de tarefas realizadas pelos alunos. Em duas ocasiões foram observados os professores em discussão circular com os alunos, como resultante de estudo de casos. Nas aulas de laboratório ou nas práticas em geral, os professores faziam uma preleção inicial, davam instruções e, depois, os alunos trabalhavam. Normalmente foram de maiores durações, que previam a intermitência da atividade do aluno com a do professor.

Em todos os casos foram observados as preocupações dos professores com o clima favorável no ambiente escolar e com a participação dos alunos.

O ritual escolar está basicamente organizado em cima da fala do professor. Não há aqui nenhuma rotulação prévia da aula expositiva.

Por outro lado, os estudantes, de acordo com os estudos feitos, estão

condicionados a ter um tipo e expectativa em relação ao professor. Em geral, ela se encaminha para que o professor fale, ‘’dê aula’’, enquanto ele, o aluno, escuta e intervém quando acha necessário. Este comportamento ratifica a tendência de que o ritual escolar se dê em cima de aula expositiva.

De qualquer forma, avaliando as aulas dos professores participantes desta investigação, foi constatado que todos desenvolvem significativamente habilidades técnicas de ensino.

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As habilidades

A observação encaminhou-se para a identificação de trinta e nove diferentes evidências, sendo que algumas delas com grande incidência entre o grupo. Um bom número de professores apresenta habilidades relacionadas com a organização do contexto da aula. Isto significa dizer que os BONS

PROFESSORES explicitam para os alunos o objetivo do estudo que vão realizar. Partem do pressuposto de que é preciso que os alunos estejam conscientes do objeto de sua própria aprendizagem e que estarão mais motivados se compreenderem porque o fazem.

Outra evidência relacionada com a referida habilidade é a que localiza

historicamente o conteúdo. Parece haver uma certeza de que é preciso saber como o conhecimento foi produzido para então estabelecer estruturas de pensamento que levem a compreensão. Foi observado que os alunos ficam muito interessados quando os professores realizam esta localização histórica de modo a valorizar o conhecimento científico como produção social, isto é, como construído por um grupo social, com necessidades e anseios

historicamente situados.

Alguns professores, dentro da habilidade de organização do contexto da aula, usam artifícios verbais para apontar as questões fundamentais dentro do conteúdo estudado. Usam expressões que induzem á percepção do significado ou explicitam claramente o que é mais importante.

Apresentar ou escrever o roteiro da aula também foi um desempenho docente diversas vezes usado. Quando os alunos demonstram maior interesse , há também referência de materiais de consultas, de obras, e autores que aprofundam no assunto.

O fato de o professor usar a indagação como forma de conduzir a aula, coloca os alunos mais à vontade para também perguntarem. A transferência de indagações de um aluno para todo o grupo foi outro aspecto interativo observado nos professores.

Outras categorias de habilidades reunidas foram a respeito ao trato da matéria de ensino. Nelas incluí o esforço que o professor traz para, no seu discurso, tornar compreensível o conhecimento que põe em disponibilidade para os alunos.

Percebo que, para trabalhar bem a matéria de ensino, o professor tem de ter profundo conhecimento do que se propõe a ensinar. Isto não significa uma postura prepotente que pressuponha uma forma estanque de conhecer.

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Foi verificado que a principal estratégia que o professor utiliza para explicitar suas proposições é o uso de exemplos.

O material de análise também indica que muitos BONS PROFESSORES demonstram bastante competência na variação de estímulos. Entre as evidências percebi o uso adequado de recursos de ensino, em especial do quadro de giz e do manuseio com o projetor de slides. Os professores

acreditam que os recursos, em especial os slides, auxiliam na aprendizagem dos alunos, naqueles aspectos em que a visualização é fundamental para apreensão do fenômeno.

Foi verificado que a movimentação do professor pelo espaço de ensino torna mais constante a participação dos alunos e dá ao professor condições de verificar o nível de atenção de seus interlocutores.

Em menos significação foi observado habilidades docentes de estímulo à divergência e à criatividade, bem como à preocupação em instalar a dúvida entre os alunos.

Foi observado uma preocupação significativa com a clareza nas explicações e confirmamos este valor pelas justificativas que deram aos alunos fazerem a escolha de seus BONS PROFESSORES.

Uma manifestação que observei relacionada ao uso da linguagem é a

utilização de certa dose de senso de humor no trato com os alunos. Muitos dos nossos observados, em situações diversas, procuraram tornar-se próximos dos alunos, aliviando o clima da sala de aula com frases humorísticas, presentes no cotidiano da relação professor-aluno.

Em outras situações foi observado que os professores aproveitavam as

situações engraçadas para dar um certo dinamismo à aula. Os alunos gostam e respondem positivamente a este estímulo.

Uma das conclusões que pareceu fundamental é a de que há um alto índice de coerência entre a descrição que os docentes fizeram de sua prática

pedagógica e o que realmente acontece na sala de aula, contraindo os resultados de outras pesquisas recentes como a de Veiga.

Pode-se então, até fazer uma crítica a algumas representações um pouco ingênuas do processo ensino-aprendizagem. Mas, não se pode negar que é presente, entre os nossos BONS PROFESSORES, uma tentativa de

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O contexto

Outra inferência que pôde ser feita é que não se pode reduzir ao ato de ensino do professor somente aos aspectos observáveis na sala de aula. Isto porque, a par dessas atividades, existem outras que têm lugar também importante no processo ensino-aprendizagem: conversas com os alunos fora da sala de aula, preparo das aulas, forma de convivência com os colegas etc.

Ainda que a observação fosse restrita neste sentido, a verbalização que o professor fez através das entrevistas deu-me condições de compreender a importância do ato docente nesta abrangência.

Entre os professores que se posicionaram criticamente sobre a realidade, percebi uma preocupação evidente com a valorização do estudo e de habilidades de leitura.

O prazer de aprender e a valorização do pensamento crítico foram outros aspectos observados em alguns professores. A relação afetiva do professor com sua matéria de ensino ficou aí muito evidenciada.

Outro dado significativo é notar o bom número de professores que procuravam posicionar-se frente ao conteúdo, dando a sua opinião em momentos

oportunos. Estas foram situações que tornaram possível analisar um discurso que mostrava duas vertentes.

Vi um professor de Planejamento Urbano e Regional dar seu posicionamento pessoal sobre as políticas nesta área. O assunto era sobre os decibéis

suportáveis pelo ouvido humano e a importância deste aspecto no projeto urbanístico de uma área industrial.

A observação reforça a constatação de que o professor é inevitavelmente responsável por direcionar o estudo na sala de aula. E é por isso que a neutralidade não existe.

O ver as aulas dos BONS PROFESSORES de hoje levou a perceber que estamos vivendo um momento de transição, uma relação dialética entre os comportamentos enraizados em nós e o desejo de encontrar formas

alternativas de democratização do saber.

A prática dos professores em sala de aula é coerente com o modo de produção que acontece hoje em nossa sociedade, isto é, com a divisão do trabalho e do conhecimento.

A análise desta realidade constitui-se em mais um esforço no sentido de auxiliar os professores e alunos a um exercício reflexivo. E só a reflexão pode nos dar a consciência necessária para a mudança.

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Conclusão

A obra relata um estudo realizado pela autora, junto a docentes do ensino médio e superior, com a finalidade de definir o conceito do “Bom Professor”, bem como suas origens e métodos. Há muito tempo tem-se procurado essa definição, utilizando diversos métodos de ensino na tentativa de solucionar um problema, que na verdade, não se resolveria com essas investidas. Com o tempo, surgiu uma nova hipótese, agora confirmada, de que o professor em sala de aula, é o principal agente da localização, instrução e transmissão do conhecimento, seja qual for o currículo a ser seguido. Fatores como

regionalismo, cultura, experiência de vida, formação didática dentre outros menos relevantes, são primordiais para a formação do professor e definem a forma como esse professor atuará em sala de aula e se essa mesma atuação será ou não satisfatória, chegando ao ponto de atingir seu aproveitamento pleno sem que haja perda de qualidade de ensino. Segundo a autora o

ambiente de onde se originou a pessoa do professor, tem influência direta em seu comportamento e tolerância em sala de aula, bem como o interesse não financeiro do docente. Entende-se como não financeiro, o interesse em transmitir o conhecimento ao aluno, ainda que o retorno financeiro não seja pertinente à função ou, até mesmo, insuficiente de acordo com sua formação. Esse ponto deve ser observado com muito cuidado, pra que o docente não acabe por ser condenado sem que todos os fatores sejam incisivamente analisados. O bom professor não nasce assim. Ele é formado conforme a necessidade, interesse, ou até mesmo vocação, sendo que essa última, atualmente quase está em desuso. Ao analisar os docentes em seus diversos níveis, a autora relata que em determinados momentos, a individualidade do profissional chega a pontos que culminam em total perda do coletivismo, levando o docente a falhar em sua didática, não por vontade própria, mas, por experiência de vida que fica latente dentro de si. Isso ocorre principalmente em pessoas que tem um histórico de dificuldades em adquirir certos valores que o tornem membro importante de um todo, e não um ser automatizado e

comandado.

Outro fator interessante visa o ganho financeiro mais que o de conhecimento. Dessa forma o docente se vê “obrigado” a levar o conhecimento dentro de um ritmo imposto ou até mesmo pouco didático, pelo simples fato de que, se estiver atuando da forma como lhe foi previamente definido, terá seu ganho garantido. O aspecto humano, principal influência da formação pessoal, também conta como ponto primordial na formação docente. A forma como o docente de hoje recebeu influências de seus professores e o interesse em poder contribuir com o conhecimento, leva o aluno a querer se espelhar no mestre e ser tal como. Esse aspecto é, em muitos casos, determinante para a formação do futuro “bom professor”. Despertar o interesse nos alunos,

utilizando a participação e incitando-os para que o façam da mesma forma entre eles mesmos, faz com que o conhecimento seja assimilado de forma mais clara e efetiva, tornando-o apto a realizar essa mesma tarefa com

habilidade e eficácia. Conforme nos diz a autora, não há receita específica para o bom professor, no entanto, os aspectos e pontos de vista explanados,

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defina a forma de atuação do docente em sala de aula. Finalmente, o currículo pedagógico, deve obedecer ao regionalismo e cultura, tanto dos alunos quanto dos docentes para que se torne eficaz e não flua para a dispersão do

conhecimento, ao invés de acumulá-lo. A proposta não é inalcançável, mas, está e sempre esteve frente aos órgãos responsáveis, que talvez por

comodidade em sobreposição à prática, ficou recessiva em meio a currículos antigos e ultrapassados, sempre utilizando de atualizações em ferramentas que não possuem utilidade prática no contexto geral.

Referências

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