UFPE — MA989 — 2013.1 — PROF. FERNANDO J. O. SOUZA
LISTA DE EXERC´ ICIOS 04 – v. 1.0
Assuntos: Teoria axiom´atica dos conjuntos de Zermelo-Fraenkel (ZF) – Parte I.
Orienta¸ c˜ ao: Dar solu¸c˜oes leg´ıveis e completas, explicando todos os passos e detalhes, e indicando as propriedades e os resultados utilizados. Caso a solu¸c˜ao de um item esteja dispon´ıvel, s´o conferi-la ap´os tentar resolvˆe-lo seri- amente. Podem ser usados os recursos da l´ogica de predicados com igualdade e, `a medida que forem introduzidos, os axiomas de ZF presentes nesta lista.
A teoria ZF (1922) ´e uma revis˜ao da teoria dos conjuntos de Zermelo (1908). Em ambas, acrescentamos a rela¸ c˜ ao de pertinˆ encia `a l´ogica de predicados com igualdade, bem como axiomas a respeito dos objetos envolvi- dos nesta rela¸c˜ao bin´aria entre objetos ditos elementos e objetos ditos con- juntos (“sets” em inglˆes). Como de h´abito, denotaremos que um elemento a pertence a um conjunto A em ZF por a ∈ A, e sua nega¸c˜ao, ¬(a ∈ A), por a / ∈ A. Apesar de ZF poder ser toda descrita por meio de pertinˆencia, desenvolvemos conceitos, nomenclaturas e nota¸c˜oes a partir dela, facilitando seu entendimento
1.
Na teoria de Zermelo, elementos podem ser conjuntos ou n˜ao. Elementos que n˜ao s˜ao conjuntos s˜ao denominados de protoelementos
2. Na teoria ZF, apesar de n˜ao haver uma restri¸c˜ao oficial ou expl´ıcita, costuma-se assumir o axioma da pureza, que diz que todo elemento tem que ser conjunto.
Isto ´e suficiente para desenvolver boa parte das teorias matem´aticas
3, mas requer que representemos objetos n˜ao-matem´aticos por objetos matem´aticos quando fazemos aplica¸c˜oes a outras ´areas e no cotidiano.
Utilizaremos, informalmente, o nome classe para designar os objetos formados segundo o esquema axiom´atico de abstra¸ c˜ ao
4de Frege numa teoria ingˆenua de conjuntos (n˜ao em ZF). Uma tal classe ´e a extens˜ ao de um predicado (informalmente, ´e a totalidade dos objetos que possuem
1Como fazemos para passarmos de uma “linguagem de baixo n´ıvel” para uma de n´ıvel maior em computa¸c˜ao.
2Em alem˜ao, um protoelemento ´e chamado de “Urelement”, e tal nomenclatura tamb´em aparece em inglˆes.
3Algumas teorias (Ex.: a teoria das categorias) precisam de teorias que estendem ZF.
4oucompreens˜ao irrestrita
uma propriedade em comum): dado um predicado P (x) na vari´avel livre x, a extens˜ao de P consiste dos objetos que satisfazem (tornam verdadeiro) o predicado P (x), e ´e denotada por {x|P (x)}. Estenderemos a nota¸c˜ao de pertinˆencia a classes, expressando o axioma obtido por abstra¸c˜ao como:
∀x, x ∈ {x|P (x)} ⇐⇒ P (x),
ou seja, pertencer `a classe {x|P (x)} ´e satisfazer P (x). Classes neste sentido podem coincidir ou n˜ao com conjuntos da teoria ZF, embora todo conjunto A em ZF seja igual
5a uma classe neste sentido devido ao axioma da ex- tens˜ao abaixo. De fato, A ´e a extens˜ao do predicado P
A(x) = x ∈ A. Em todo caso, mesmo quando for mais intuitivo descrever um conjunto em ZF como classe, devemos usar axiomas e teoremas de ZF para garantir que tal conjunto existe em ZF.
Em ZF, h´a: uma axioma (extens˜ao) que estabelece a igualdade de con- juntos; um axioma (regularidade) que limita como conjuntos podem ser, evi- tando patologias; um axioma que garante a existˆencia do conjunto vazio; e axiomas que garantem a existˆencia de certos conjuntos a partir de conjuntos dados. Assumindo o axioma da pureza, isto nos permite dizer que constru´ı- mos e reproduzimos estruturas e teorias matem´aticas a partir do conjunto vazio. Faremos uma apresenta¸c˜ao de ZF com duas caracter´ısticas: evitaremos discutir a linguagem formal de ZFC, optando por uma explica¸c˜ao menos for- mal; e, onde alguns conjuntos s˜ao produzidos pela combina¸c˜ao de separa¸c˜ao (vide abaixo) e algum outro axioma, j´a enunciamos tal axioma modificado para expressar o conjunto desejado. O(a) leitor(a) interessado em vers˜oes originais, deve consultar a bibliografia recomendada.
Axioma da extens˜ ao (ou da extensionalidade ): Sejam A e B conjuntos em ZF. Eles s˜ao iguais se, e somente se, eles possuem os mesmos elementos.
Simbolicamente:
A = B ⇐⇒ ∀x, (x ∈ A ⇔ x ∈ B ).
O axioma da extens˜ao leva `a unicidade de alguns conjuntos cuja existˆencia vem de outros axiomas.
Defini¸ c˜ ao 1. (Rela¸ c˜ ao de inclus˜ ao ou de continˆ encia). Dados os con- juntos A e B, dizemos que A ´e subconjunto de B , B ´e superconjunto de A, A est´ a contido em de B, e B cont´ em A, e denotamos tal fato por
5Igualdadeno sentidoextensional: possuem a mesma extens˜ao, os mesmos objetos.
A ⊆ B e por B ⊇ A se, e somente se, todo elemento de A ´e elemento de B.
Simbolicamente:
A ⊆ B ⇐⇒ ∀x, (x ∈ A ⇒ x ∈ B).
A ´e subconjunto pr´ oprio de B, B ´e superconjunto pr´ oprio de A, A est´ a contido propriamente em de B, e B cont´ em A propriamente, e denotamos tal fato por A ( B e por B ) A se, e somente se, A ⊆ B ∧ A 6= B.
Observe-se que evitamos a nota¸c˜ao ⊂ porque pode significar ⊆ ou (, depen- dendo do(a) autor(a). Observe-se, tamb´em, que ( n˜ao ´e a nega¸c˜ao de ⊆.
Denotamos esta por *:
A * B ⇐⇒ ¬(A ⊆ B) ⇐⇒ ∃x : (x ∈ A ∧ x / ∈ B).
Quest˜ ao 1. Sejam A, B e C conjuntos. Provar:
1.a. (reflexividade de ⊆) A ⊆ A;
1.b. ( antissimetria de ⊆) (A ⊆ B ∧ B ⊆ A) ⇐⇒ A = B; (Muito usada !) 1.c. A ( B = ⇒ (A ⊆ B ∧ B * A);
1.d. (transitividade de ⊆) (A ⊆ B ∧ B ⊆ C) = ⇒ A ⊆ C;
1.e. (transitividade de ( ) (A ( B ∧ B ( C) = ⇒ A ( C.
Axioma do conjunto vazio: Existe um conjunto (em ZF) que n˜ao possui elemento algum. Ele ´e denominado conjunto vazio, e denotado por ∅. Sim- bolicamente: ∀x, x / ∈ ∅.
Obs. A introdu¸c˜ao de ∅ por axioma pode ser evitada se se garantir a exis- tˆencia de algum conjunto em ZF. Da´ı, utiliza-se separa¸c˜ao (vide abaixo) para se extrair o conjunto vazio como subconjunto dele.
Quest˜ ao 2. Seja A um conjunto. Demonstrar que:
2.a. O conjunto vazio ´e ´ unico (e, como sua existˆencia foi garantida, est´a bem definido);
2.b. ∅ ⊆ A. Da´ı, A ⊆ ∅ = ⇒ A = ∅;
2.c. A 6= ∅ ⇐⇒ ∃x : x ∈ A.
Axioma do par desordenado: Dados os conjuntos A e B em ZF, existe um conjunto (em ZF), denotado por {A, B} e dito “par (desordenado) A B”, cujos elementos s˜ao, exatamente, A e B . Simbolicamente:
∀x, x ∈ {A, B} ⇐⇒ (x = A ∨ x = B).
Defini¸ c˜ ao 2. Dado um conjunto C, definimos {C} := {C, C }, e dizemos que ele ´e um conjunto unit´ ario.
Quest˜ ao 3. Sejam A, B e C conjuntos. Demonstrar que:
3.a. {A, B} ´e ´ unico (e, como sua existˆencia foi garantida, est´a bem definido);
3.b. {A, B} = {B, A};
3.c. ∀x, x ∈ {C} ⇐⇒ x = C;
3.d. {A, B} = {C} ⇐⇒ A = C = B;
3.e. Os conjuntos ∅, {∅}, { {∅} }, { {{∅}} }, { ∅, {∅} }, { ∅, {{∅}} }, { ∅, {{{∅}}} }, { {∅}, {{∅}} }, { {∅}, {{{∅}}} } e { {{∅}}, {{{∅}}} } s˜ao dois a dois distintos.
Axioma do conjunto das partes: Dado um conjunto A em ZF, existe um conjunto (em ZF) cujos elementos s˜ao, exatamente, os subconjuntos de A. Ele ´e dito conjunto das partes
6de A. Denot´a-lo-emos por P (A).
Simbolicamente:
∀x, x ∈ P (A) ⇐⇒ x ⊆ A.
Quest˜ ao 4. Sejam A e B conjuntos. Demonstrar que:
4.a. P(A) ´e ´ unico (e, como sua existˆencia foi garantida, est´a bem definido);
4.b. A ∈ P(A) e ∅ ∈ P(A);
4.c. A ⊆ B ⇐⇒ P (A) ⊆ P(B);
4.d. A = B ⇐⇒ P (A) = P (B).
4.e. Descrever todos os elementos de cada um dos conjuntos a seguir, justificando sua descri¸c˜ao: P (∅), P ({∅}), P ({ ∅, {∅} }) e P ({ {{∅}} }).
6Em inglˆes, “power set”.
Esquema axiom´ atico da separa¸ c˜ ao
7. Informalmente: dados um conjunto A e um predicado P (x) aplic´avel aos elementos de A, existe um conjunto em ZF que consiste, exatamente, dos elementos de A que satisfazem P (x). Tal conjunto ´e denotado por {x ∈ A|P (x)}. Simbolicamente, escrevemos:
∀x, x ∈ {x ∈ A|P (x)} ⇐⇒ (x ∈ A ∧ P (x)).
Observemos que isto ´e, essencialmente, abstra¸c˜ao restrita a predicados da forma x ∈ A ∧ P (x) com P (x) aplic´avel aos elementos do conjunto A (em ZF), o que produziria a classe {x|x ∈ A ∧ P (x)}.
Observemos, tamb´em, que P (x) pode ter parˆametros a
1, . . . , a
nj´a esco- lhidos ao aplicarmos o predicado aos elementos de A. Assim, mais formal- mente, o esquema axiom´atico
8da separa¸c˜ao pode ser enunciado como: seja uma f´ormula φ(x, A; a
1, . . . , a
n) constru´ıda na linguagem formal da teoria ZF, contendo exatamente n+2 vari´aveis livres
9, a saber, x, A e a
1, . . . , a
n. Ent˜ao:
∀A, ∀a
1, . . . , ∀a
n, ∃S : ∀x, [x ∈ S ⇔ (x ∈ A ∧ φ(x, A; a
1, . . . , a
n) )] . O conjunto S ´e aquele cuja existˆencia ´e garantida pelo axioma referente
`aquela f´ormula φ.
O esquema axiom´atico da separa¸c˜ao ´e uma consequˆencia dos dois axio- mas anteriores juntamente com o esquema axiom´atico da substitui¸c˜ao (a ser estudado na Parte II). No entanto, separa¸c˜ao ´e t˜ao importante que costuma ser enunciada como axioma (e n˜ao como teorema). Como veremos num exer- c´ıcio abaixo, separa¸c˜ao equivale `a ideia de subconjunto.
Quest˜ ao 5. Sejam A e B conjuntos, e P (x) um predicado aplic´avel aos elementos de A. Demonstrar que:
5.a. {x ∈ A|P (x)} ´e ´ unico (e, como sua existˆencia foi garantida, est´a bem defi- nido);
5.b. {x ∈ A|P (x)} ⊆ A (Todo conjunto obtido de A por separa¸c˜ao ´e um subcon- junto de A);
7ou da compreens˜ao restrita, ou da especifica¸c˜ao, ou do subconjunto.
8Isto ´e um esquema axiom´atico porque fornece um axioma para cada f´ormula φ(x, A;a1, . . . , an) como descrito acima. Para cada conjunto A e cada valor a1, . . . , an
para os parˆametros, temos um predicadoP(x).
9n ´e um natural, possivelmente nulo, que d´a o n´umero de parˆametros distintos na f´ormula
5.c. Reciprocamente, todo conjunto B que ´e subconjunto de A pode ser reobtido por separa¸c˜ao: B ⊆ A = ⇒ B = {x ∈ A|x ∈ B}.
Obs. Da´ı, o nome alternativo: esquema axiom´ atico do subconjunto;
5.d. (Dificuldade m´edia.) A classe C
A= b {x|∃a ∈ A : x = {a}} (usualmente de- not´avel por { {a}|a ∈ A}) ´e extensionalmente igual a um conjunto em ZF.
Dica: Aplicar separa¸c˜ao a P (A) com um predicado apropriado;
5.e. (Dif´ıcil). R(A) ∈ / A, onde R(A) = b {x ∈ A|x / ∈ x}.
Dica: Pensar na demonstra¸c˜ao do paradoxo de Russell;
5.f. (Dificuldade m´edia). Em ZF, n˜ao existe um conjunto U ao qual todos os conjuntos em ZF pertencem. Da´ı, a classe dos conjuntos em ZF n˜ao ´e um conjunto em ZF.
Dica: Utilizar o Item 5.e.
Defini¸ c˜ ao 3. Dados os conjuntos A e B, definimos:
a interse¸ c˜ ao de A e B, A ∩ B := {x ∈ A|x ∈ B}; e
a diferen¸ ca (ou diferen¸ ca absoluta) entre A e B, A\B := {x ∈ A|x / ∈ B}.
Dizemos que A e B s˜ao disjuntos se, e somente se, A ∩ B = ∅.
Obs. Alguns autores denotam A\B por A − B.
Obs. Em virtude do Item 5.a, A ∩ B e A\B est˜ao bem definidas e, em vista do Item 5.c, s˜ao subconjuntos de A.
Quest˜ ao 6. Sejam A, B e C conjuntos. Demonstrar que:
6.a. ∀x, x ∈ (A ∩ B) ⇐⇒ (x ∈ A ∧ x ∈ B ), ou seja, A ∩ B ´e (extensionalmente) igual `a classe {x|x ∈ A ∧ x ∈ B};
6.b. (comutatividade de ∩) A ∩ B = B ∩ A;
6.c. (associatividade de ∩) (A ∩ B ) ∩ C = A ∩ (B ∩ C);
6.d. A\B e B \A s˜ao disjuntos.
Obs. Logo, a diferen¸ca entre conjuntos n˜ao ´e comutativa;
6.e. (A\B )\B = A\B ;
6.f. A\(A\B) = A ∩ B ;
6.g. A ⊆ B ⇐⇒ A ∩ B = A ⇐⇒ A\B = ∅;
6.h. A ⊆ B = ⇒ A ∩ C ⊆ B ∩ C; (A interse¸c˜ao preserva a inclus˜ao !) 6.i. A ⊆ B = ⇒ C\B ⊆ C\A; (A diferen¸ca reverte a inclus˜ao !) 6.j. A ∩ ∅ = ∅ = A\A = ∅\A;
6.k. A ∩ A = A = A\∅;
6.l. P (A ∩ B) = P (A) ∩ P (B).
A seguir, estudamos a interse¸c˜ao de uma cole¸c˜ao n˜ao-vazia de conjuntos, isto ´e, o conjunto dos elementos comuns a todos eles, seja tal cole¸c˜ao finita ou n˜ao.
Defini¸ c˜ ao 4. Dado F , um conjunto
10n˜ao-vazio de conjuntos, definimos sua interse¸ c˜ ao, denotada por ∩F e por
11\
F∈F
F , da seguinte maneira: como F 6= ∅, seja F e um elemento de F fixado. ∩F := {x ∈ F e |∀F ∈ F , x ∈ F }.
Quest˜ ao 7. Sejam F um conjunto n˜ao-vazio de conjuntos, e A e B conjun- tos. Demonstrar que:
7.a. ∀x, x ∈ ∩F ⇐⇒ ∀F ∈ F , x ∈ F , ou seja, ∩F ´e (extensionalmente) igual `a classe {x|∀F ∈ F , x ∈ F }.
Obs. Disto, ∩F ´e independente da escolha de F e ! Dica: Obter que ∀x, h
x ∈ F e ∧ (∀F ∈ F , x ∈ F )
⇐⇒ ∀F ∈ F, x ∈ F i
; 7.b. A ∩ B = ∩ {A, B};
7.c. ∩ P (A) = ∅.
Ex.: Com o conhecimento de propriedades de
R, podemos mostrar que, dados os reais a e b tais que a < b:
\
n∈N\{0}
a − 1
n , b + 1 n
= [a, b] = \
n∈N\{0}
a − 1
n , b + 1 n
10Para facilitar a leitura, costumamos dizer “cole¸c˜ao de conjuntos” ou “fam´ılia de con- juntos”.
11Esta segunda nota¸c˜ao ´e semelhante `as dos somat´orios e produt´orios.
A uni˜ao dos conjuntos numa cole¸c˜ao de conjuntos e, em particular, a uni˜ao de dois conjuntos s˜ao introduzidas por axioma.
Axioma da uni˜ ao: Dada um conjunto F de conjuntos em ZF, existe um conjunto (em ZF) cujos elementos s˜ao, precisamente, os elementos que per- tencem a, pelo menos, um conjunto em F . Tal conjunto ´e dito a uni˜ ao de F . e ´e denotada por ∪F e por [
F∈F
F . Simbolicamente:
∀x, x ∈ ∪F ⇐⇒ ∃F ∈ F : x ∈ F.
Eis aqui a uni˜ao de dois conjuntos, mais familiar:
Defini¸ c˜ ao 5. Dados os conjuntos A e B, A ∪ B := ∪{A, B}.
Quest˜ ao 8. Sejam F um conjunto de conjuntos, e A, B e C conjuntos.
Demonstrar que:
8.a. ∪F ´e ´ unico (e, como sua existˆencia foi garantida, est´a bem definido);
Obs. Em particular, o conjunto A ∪ B est´a bem definido;
8.b. ∪∅ = ∅;
8.c. ∀x, x ∈ (A ∪ B) ⇐⇒ (x ∈ A ∨ x ∈ B ), ou seja, A ∪ B ´e (extensionalmente) igual `a classe {x|x ∈ A ∨ x ∈ B};
8.d. A ∪ A = A, ou seja, ∪{A} = A;
8.e. Para C
Ado Item 5.d, ∪C
A= A, ou seja, A ´e a uni˜ao dos conjuntos unit´arios formados por seus elementos;
Obs. A uni˜ao pode ser usada para formalizar a descri¸c˜ ao de um conjunto finito por extens˜ ao. Por exemplo, se o conjunto A consiste dos elementos
∅, {∅} e {{∅}}, ent˜ao A costuma ser denotado por A = {∅, {∅}, {{∅}} }, significando: ∀x, x ∈ A ⇐⇒ (x = ∅ ∨ x = {∅} ∨ x = {{∅}} ). Do axioma da extens˜ao, conclu´ımos que, em ZF, A = {∅} ∪ { {∅} } ∪ { {{∅}} }, pois o predicado acima equivale `a pertinˆencia a esta uni˜ao repetida
12, como o(a) leitor(a) pode conferir. Gostar´ıamos de poder, simplesmente, afirmar que:
{a
1, . . . , a
n} = {a
1} ∪ . . . ∪ {a
n} = [
nı=1
{a
ı},
12Usamos a associatividade de∪(Item 8.g) para evitar parˆenteses.
para cada natural positivo n. Por´em, para darmos sentido a
Ne a esta uni˜ao sobre n conjuntos com n arbitr´ario, precisamos de mais axiomas e teoremas.
Uma dica para os pr´oximos itens ´e empregar propriedades dos conectivos l´ogicos ∨, ∧ e ¬ combinadas com os itens 6.a e 8.c.
8.f. ( comutatividade de ∪) A ∪ B = B ∪ A;
8.g. (associatividade de ∪) (A ∪ B) ∪ C = A ∪ (B ∪ C);
8.h. (distributividade de ∩ com rela¸c˜ao a ∪) A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C);
8.i. (distributividade de ∪ com rela¸c˜ao a ∩) A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B ) ∩ (A ∪ C);
8.j. B ⊆ A = ⇒ (B ∪ C) ⊆ (A ∪ C); (A uni˜ao preserva a inclus˜ao !) 8.k. B ⊆ A ⇐⇒ B ∪ A = A. Disto, obter A ∪ A = A novamente, e A ∪ ∅ = A;
8.l. A\(B ∪ C) = (A\B) ∩ (A\C), e A\(B ∩ C) = (A\B ) ∪ (A\C).
Dica: Usar as leis de De Morgan;
8.m. A\(B\C) = (A\B ) ∪ (A ∩ C), mas
(A\B)\C = A\(B ∪ C) = (A\B) ∩ (A\C). Dar conjuntos A, B e C que satisfazem A\(B \C) 6= (A\B )\C (Em particular, eles constituem um con- traexemplo para a associatividade da diferen¸ca);
8.n. P (A) ∪ P(B) ⊆ P (A ∪ B). Dar um contraexemplo para a igualdade.
Defini¸ c˜ ao 6. Dado um conjunto F de conjuntos, dizemos que F ´e uma fam´ ılia disjunta de conjuntos, e que seus elementos s˜ao dois a dois dis- juntos se, e somente se: ∀F ∈ F , ∀G ∈ F , F 6= G = ⇒ F ∩ G = ∅.
Ex.: {∅, {∅}, {{∅}} } ´e uma fam´ılia disjunta de conjuntos. Por vacuidade,
∅ tamb´em o ´e. Por´em, o par desordenado { { ∅, {∅} }; { {∅}, {{∅}} } } n˜ao o ´e.
Defini¸ c˜ ao 7. Dada uma fam´ılia disjunta de conjuntos F , dizemos que a uni˜ao G ∪F ´e disjunta, e podemos indicar isto denotando-a por ⊔F e por
F∈F
F . Para conjuntos A e B disjuntos, podemos denotar A ∪ B por A ⊔ B.
Obs. O s´ımbolo ⊔ ou F
acima tamb´em ´e utilizado, `as vezes, como alternativa ao s´ımbolo `
para denotar uma constru¸c˜ao relacionada a uni˜oes disjuntas que atende por v´arios nomes, inclusive uni˜ ao disjunta.
Quest˜ ao 9. Sejam A, B e C conjuntos, e F uma fam´ılia n˜ao-vazia de con- juntos. Demonstrar que:
9.a. A e B s˜ao disjuntos se, e somente se, A ∪ B ´e (extensionalmente) igual `a classe {x|(x ∈ A) ˙ ∨(x ∈ B)}.
9.b. F ´e uma fam´ılia disjunta se, e somente se, ∪F ´e (extensionalmente) igual `a classe {x|∃! F ∈ F : x ∈ F };
9.c. A = (A ∩ B) ⊔ (A\B);
9.d. A ∪ B = ⊔{A\B, A ∩ B, B\A} (cf. itens 6.d e 9.c);
9.e. (A ∪ B )\B = A\B como corol´ario dos itens 9.c e 9.d.
Defini¸ c˜ ao 8. Dados os conjuntos A e B, sua diferen¸ ca sim´ etrica ´e defi- nida por A∆B := (A\B) ⊔ (B \A) (cf. Item 6.d).
Quest˜ ao 10. Sejam A, B e C conjuntos. Demonstrar que:
10.a. A△∅ = A; e A△A = ∅;
10.b. (comutatividade de △) A△B = B△A;
10.c. (associatividade de △) (A△B)△C = A△(B△C);
10.d. A△B = (A ∪ B )\(A ∩ B );
10.e. A△B = A\B ⇐⇒ B ⊆ A;
10.f. A∆B = A ∩ B ⇐⇒ A△B = ∅ ⇐⇒ A ∪ B = A ∩ B ⇐⇒ A = B;
10.g. A∆B = A ∪ B ⇐⇒ A ∩ B = ∅;
10.h. A△B = A△C ⇐⇒ B = C;
10.i. (distributividade de ∩ com rela¸c˜ao a △) (A△B) ∩ C = (A ∩ C)△(B ∩ C);
Os trˆes pr´oximos itens s˜ao opcionais:
10.j. (A ∩ B )△C ⊇ (A△C) ∩ (B △C). Dar conjuntos A, B e C que levam `a continˆencia pr´opria, mostrando que △ n˜ao ´e distributiva com rela¸c˜ao a ∩;
10.k. (A△B) ∪ C ⊇ (A ∪ C)△(B ∪ C) = (A△B)\C. Dar conjuntos A, B e C que levam `a continˆencia pr´opria, donde ∪ n˜ao ´e distributiva com rela¸c˜ao a △;
10.l. (A ∪ B )△C ⊆ (A△C) ∪ (B △C). Dar conjuntos A, B e C que levam `a inclus˜ao pr´opria, mostrando que △ n˜ao ´e distributiva com rela¸c˜ao a ∪.
Defini¸ c˜ ao 9. Dado um conjunto A, definimos a opera¸c˜ao un´aria comple- mento (ou complementar ou diferen¸ ca absoluta ) em P (A) por:
P(A) −→ P (A) X 7−→ X
c= A\X.
Quest˜ ao 11. Seja A um conjunto com rela¸c˜ao ao qual se far´a a opera¸c˜ao de complemento
c. Sejam X, Y ∈ P(A). Demonstrar que:
11.a. (
c´e uma involu¸c˜ ao) (X
c)
c= X;
11.b. ∅
c= A, donde A
c= ∅;
11.c. X
c´e o ´ unico subconjunto de A disjunto de X tal que sua uni˜ao com X ´e igual a A. Simbolicamente:
X ∩ X
c= ∅, X ⊔ X
c= A, e [(X ∩ Y = ∅) ∧ (X ⊔ Y = A)] = ⇒ Y = X
c; 11.d. (X ∩ Y )
c= X
c∪ Y
c;
11.e. (X ∪ Y )
c= X
c∩ Y
c; 11.f. X\Y = X ∩ Y
c;
11.g. X ∩ Y
c= ∅ ⇐⇒ X ⊆ Y ⇐⇒ Y
c⊆ X
c.
A pr´oxima quest˜ao trata de opera¸c˜oes aplicadas a conjuntos de conjun- tos. O primeiro item ´e dif´ıcil e fundamenta conjuntos auxiliares utilizados nos demais, que s˜ao de dificuldade m´edia. O(a) estudante deve entender os enunciados destes itens e tentar resolvˆe-los mesmo se n˜ao conseguir resolver o primeiro completamente.
Quest˜ ao 12. Sejam A um conjunto, e F e G conjuntos n˜ao-vazios de con- juntos. Demonstrar que:
12.a. As classes abaixo, dadas por abstra¸c˜ao e em nota¸c˜ao usual, s˜ao (extensio- nalmente) iguais a conjuntos n˜ao-vazios de conjuntos em ZF:
C
AIF= b {x|∃F ∈ F : x = A ∩ F } = {A ∩ F |F ∈ F };
C
AU F= b {x|∃F ∈ F : x = A ∪ F } = {A ∪ F |F ∈ F };
C
ADF= b {x|∃F ∈ F : x = A\F } = {A\F |F ∈ F };
C
F IG= b {x|∃F ∈ F : ∃G ∈ G : x = F ∩ G} = {F ∩ G|F ∈ F , G ∈ G};
C
F U G= b {x|∃F ∈ F : ∃G ∈ G : x = F ∪ G} = {F ∪ G|F ∈ F , G ∈ G}.
12.b. A ∩ \
F∈F
F = \
F∈F
(A ∩ F ), ou seja, A ∩ (∩F ) = ∩ C
AIF; 12.c. A ∩ [
F∈F
F = [
F∈F
(A ∩ F ), ou seja, A ∩ (∪F ) = ∪ C
AIF; 12.d. A ∪ \
F∈F
F = \
F∈F
(A ∪ F ), ou seja, A ∪ (∩F ) = ∩ C
AU F; 12.e. A ∪ [
F∈F
F = [
F∈F
(A ∪ F ), ou seja, A ∪ (∪F ) = ∪ C
AU F; 12.f. A\ \
F∈F
F = [
F∈F
(A\F ), ou seja, A\(∩F ) = ∪ C
ADF; 12.g. A\ [
F∈F
F = \
F∈F
(A\F ), ou seja, A\(∪F ) = ∩ C
ADF; 12.h. (∩F ) ∩ (∩G) = \
F∈F, G∈G
(F ∩ G), ou seja, (∩F ) ∩ (∩G) = ∩ C
F IG; 12.i. (∪F ) ∩ (∪G) = [
F∈F, G∈G
(F ∩ G), ou seja, (∪F ) ∩ (∪G) = ∪ C
F IG; 12.j. (∩F ) ∪ (∩G) = \
F∈F, G∈G
(F ∪ G), ou seja, (∩F ) ∪ (∩G) = ∩ C
F U G; 12.k. (∪F ) ∪ (∪G) = [
F∈F, G∈G