UFPE — MA989 — 2014.1 — PROF. FERNANDO J. O. SOUZA
LISTA DE EXERC´ ICIOS 09 – v. 1.0
Assuntos: Mais tipos de rela¸c˜oes bin´arias; fun¸c˜oes.
Orienta¸ c˜ ao: Dar solu¸c˜oes leg´ıveis e completas, explicando todos os pas- sos e detalhes, e indicando as propriedades e os resultados utilizados. Caso a solu¸c˜ao de um item esteja dispon´ıvel, s´o conferi-la ap´os tentar resolvˆe-lo seriamente. Podem ser usados os recursos da l´ogica de predicados com igual- dade, a nossa Parte I dos axiomas de ZF (cf. Lista 04), e os resultados em nossas listas anteriores. Mesmo se o(a) estudante n˜ao conseguir resolver um item, deve tentar compreender seu enunciado e, se for vi´avel, tentar aplic´a-lo a exemplos. Os exerc´ıcios dif´ıceis e muito dif´ıceis para a audiˆ encia esperada ser˜ ao assinalados com * e ** respectivamente.
Defini¸ c˜ oes. Dada uma rela¸c˜ao R de X em Y , dizemos que:
− R ´e total ` a esquerda se, e somente se, ∀ x ∈ X, ∃ y ∈ Y : xRy (isto
´e, (x, y) ∈ R), ou seja, para cada x ∈ X h´a, no m´ınimo, um y ∈ Y ao qual x se relaciona por R;
− R ´e sobrejetiva (ou sobrejetora, ou total ` a direita) se, e somente se, ∀ y ∈ Y, ∃ x ∈ X : xRy, ou seja, para cada y ∈ Y h´a, no m´ınimo, um x ∈ X que se relaciona a y por R;
− R ´e uma correspondˆ encia se, e somente se, R ´e sobrejetiva e total `a esquerda;
− R ´e injetiva (ou injetora , ou un´ ıvoca ` a esquerda ) se, e somente se, ∀ x, x
′∈ X, ∀ y ∈ Y, (xRy ∧ x
′Ry) = ⇒ x = x
′, ou seja, para cada y ∈ Y h´a, no m´aximo, um x ∈ X que se relaciona a y por R;
− R ´e funcional (ou un´ ıvoca ` a direita, ou ainda, R ´e uma fun¸ c˜ ao parcial ) se, e somente se, ∀ x ∈ X, ∀ y, y
′∈ Y, (xRy ∧ x
′Ry) = ⇒ y = y
′, ou seja, para cada x ∈ X h´a, no m´aximo, um y ∈ Y ao qual x se relaciona por R;
− R ´e biun´ ıvoca (ou de um para um) se, e somente se, R ´e injetiva e funcional;
− R ´e uma fun¸ c˜ ao (ou uma fun¸c˜ ao total) se, e somente se, R ´e funcional e total `a esquerda, Em caso afirmativo, costumamos denotar xRy (isto
´e, (x, y) ∈ R) por y = R(x);
− R ´e uma inje¸ c˜ ao se, e somente se, R ´e uma fun¸c˜ao injetiva;
− R ´e uma sobreje¸ c˜ ao se, e somente se, R ´e uma fun¸c˜ao sobrejetiva;
− R ´e uma bije¸ c˜ ao (ou uma fun¸ c˜ ao bijetiva, ou uma fun¸ c˜ ao bijetora) se e somente se R ´e uma fun¸c˜ao injetiva e sobrejetiva, isto ´e, R ´e uma correspondˆ encia biun´ıvoca;
− R ´e uma permuta¸ c˜ ao de X se, e somente se R ´e uma bije¸c˜ao de X em X.
Obs. Fun¸c˜oes podem ser consideradas sob mais de um ponto-de-vista. Uma fun¸c˜ao f : X −→ Y
x 7−→ f (x) = (lei de forma¸c˜ao) com
X = Dom(f)
Y = ContraDom(f )
´e constitu´ıda de trˆes informa¸c˜oes, a saber, o dom´ınio, o contradom´ınio e a lei de forma¸c˜ao. Ela pode ser vista, por exemplo, como:
− Uma regra (ou processo, ou transforma¸c˜ao) que associa, a cada ele- mento x ∈ X, um ´ unico elemento f(x) ∈ Y , dito valor de f em x;
− Uma rela¸c˜ao funcional e total `a esquerda de X em Y . Observemos que, sendo uma rela¸c˜ao, f n˜ao ´e apenas um conjunto de pares ordena- dos, pois possui (carrega) duas informa¸c˜oes adicionais: X = Dom(f) e Y = ContraDom(f ) (toda rela¸c˜ao ´e rela¸c˜ao de um conjunto num con- junto). Se esquecermos estas informa¸c˜oes, temos o conjunto subjacente
1`a rela¸c˜ao, ou seja, apenas o conjunto de seus elementos (pares ordena- dos), dito gr´ afico de f: Γ
f:= { a ∈ X × Y |∃ x ∈ X : a = (x, f (x)) } . Em suma: como rela¸c˜ao, f ⊆ X × Y e ´e igual a Γ
fcomo conjunto mas tamb´em possui a indica¸c˜ao de quem s˜ao seus dom´ınio e contradom´ınio;
− Um procedimento computacional ou m´aquina quando tal fun¸c˜ao (total)
´e efetivamente comput´avel (no sentido de teoria da computabilidade);
− Um ente matem´atico chamado morfismo do objeto X no objeto Y na categoria de conjuntos e fun¸c˜oes. Informalmente, categorias s˜ao contextos estudados sob o aspecto composicional (cf. composi¸c˜ao de fun¸c˜oes abaixo). Nelas, os morfismos s˜ao os entes aos quais se aplicam a composi¸c˜ao. Categorias s˜ao abstratas e ricas o suficiente para se fazer toda a matem´atica atrav´es delas.
1Dada um objeto matem´atico que consiste de um conjunto munido de alguma estru- tura, aquele conjunto ´e ditoconjunto subjacenteao objeto (e `a estrutura); em inglˆes,
“underlying set” ou “field”. Obs. O nome “field” tamb´em significa campo (em f´ısica, geometria, an´alise geom´etrica e topologia diferencial) ecorpo (em ´algebra).
Obs. O conceito de fun¸c˜ao evoluiu dos s´eculos XVII a XX tendo diferentes escopos at´e atingir a defini¸c˜ao moderna
2. O termo “fun¸c˜ao” foi introduzido por Gottfried Leibniz (1673). A nota¸c˜ao usual f(x) foi introduzida por Alexis Clairaut e Leonhard Euler. Ela ´e dita uma nota¸c˜ao “esquerdista”. A nota¸c˜ao
“direitista” (x)f praticamente n˜ao ´e utilizada.
Defini¸ c˜ ao. Dados os conjuntos X e Y e a fun¸c˜ao f : X −→ Y , a imagem de f ´e o conjunto Im(f) := { y ∈ Y |∃ x ∈ X, y = f (x) } .
Obs. Logo, Im(f ) consiste dos valores, em Y, realmente obtidos (atingi- dos) por f . N˜ao confundir Im(f ) com ContraDom(f ) = Y : em geral, Im(f) ⊆ ContraDom(f ) pela (devido `a) defini¸c˜ao de imagem. Quando a igualdade ocorre, a fun¸c˜ao ´e sobrejetiva.
Quest˜ ao 1. Sejam A e B conjuntos.
1.a. Consideremos os seguintes tipos de rela¸c˜ao: total `a esquerda, sobrejetiva, injetiva e funcional. Verificar em quais deles as rela¸c˜oes apresentadas na Quest˜ao 3 da vers˜ao 1.1 da Lista 07 se enquadram. Em particular, no Item 3.a, mostrar que a rela¸c˜ao R n˜ao ´e de nenhum destes tipos. Repetir o exerc´ıcio para a rela¸c˜ao A × B de A em B. A resposta depende do n´ umero de elementos de A ou B ?
1.b. Sejam f, g : A −→ B fun¸c˜oes. Demonstrar que f e g s˜ao iguais como rela-
¸c˜oes de A em B se, e somente se, os valores de tais fun¸c˜oes em cada elemento de A s˜ao iguais, isto ´e: f = g ⇐⇒ ∀ a ∈ A, f(a) = g(a).
Obs. Alguns autores denotam f = g na senten¸ca acima por f ≡ g.
Obs. Tomando a contrapositiva, obtemos que: f e g s˜ao distintas se, e so- mente se, diferem em algum elemento a ∈ A.
Obs. A igualdade acima j´a pressup˜oe que os dom´ınios de f e g s˜ao iguais, e os contradom´ınios, tamb´em. Se os (contra)dom´ınios forem distintos, as fun¸c˜oes s˜ao distintas. Isto ´e particularmente sutil no caso em que as fun¸c˜oes dife- rem apenas nos contradom´ınios: neste caso, elas tˆem o mesmo dom´ınio
3e a mesma lei de forma¸c˜ao
4, resultando em gr´aficos iguais enquanto conjuntos de pares ordenados
5e na mesma imagem, contida em contradom´ınios distintos.
2Vide http://en.wikipedia.org/wiki/History of the function concept
3Afinal, se uma das fun¸c˜oes estivesse definida num elemento em que a outra n˜ao esti- vesse, isto j´a produziria uma diferen¸ca clara entref egenquanto conjuntos formados por pares ordenados (ou seja, em seus gr´aficos) devido `a totalidade `a esquerda.
4Mais precisamente, ter a mesma lei de forma¸c˜ao significa que os valores das fun¸c˜oes em cadaxs˜ao iguais, mesmo que expressos de modos diferentes. Ex.: parax∈R,√
x2=|x|, mas as express˜oes“√
x2” e “|x|” s˜ao distintas e descrevem sequˆencias de opera¸c˜oes distintas.
5Γf ={(a, f(a))|a∈A}={(a, g(a))|a∈A}= Γg, pois,∀a∈A, f(a) =g(a).
Nota¸ c˜ ao. Dado b
0∈ B, a nota¸c˜ao f ≡ b
0significa que f ´e a fun¸ c˜ ao constante de valor b
0, ou seja, f : A −→ B
a 7−→ f (a) = b
0.
1.c. Demonstrar que a rela¸c˜ao identidade de X, Id
X= { (x, y ) ∈ X × X | x = y } ,
´e uma bije¸c˜ao.
Obs. Sendo uma fun¸c˜ao, a rela¸c˜ao identidade Id
X: X −→ X
x 7−→ Id
X(x) = x
´e dita a fun¸ c˜ ao identidade de X;
1.d. Provar que:
i. Existe uma ´ unica fun¸c˜ao (digamos, h) de ∅ em A (Qual ?);
ii. h ´e injetiva;
iii. h ´e sobrejetiva se, e somente se, A = ∅;
iv. Existe uma ´ unica fun¸c˜ao (digamos, k) de A em { ∅ } (Qual ?);
v. k ´e sobrejetiva se, e somente se, A 6 = ∅;
vi. k ´e injetiva se, e somente se, A ´e um conjunto unit´ario; e, vii. Se A 6 = ∅, ent˜ao n˜ao existe fun¸c˜ao de A em ∅;
1.e. * Consideremos a classe (formada por compreens˜ao irrestrita) B
Adas fun-
¸c˜oes de A em B. Demonstrar que B
A´e extensionalmente igual a um conjunto bem definido em ZF;
1.f. Demonstrar que p ´e uma fun¸c˜ao parcial de A em B se, e somente se, seu gr´afico
6´e igual ao de uma fun¸c˜ao t com Dom(t) ⊆ A e ContraDom(t) = B;
1.g. ** Demonstrar que ( { p ⊆ A × B | p ´e fun¸c˜ao parcial } , ⊆ ) e
( { p ⊆ A × B | p ´e fun¸c˜ao parcial injetiva } , ⊆ ) s˜ao CPOs com m´ınimo ∅.
Obs. p ´e uma fun¸c˜ao parcial injetiva significa que p ´e uma rela¸c˜ao biun´ıvoca.
Observar que n˜ao usamos a palavra correspondˆ encia.
6De Γp= Γt, poder´ıamos, informalmente, dizer que p´e, essencialmente, uma fun¸c˜aot com dom´ınio contido emA. Trocamospportporque, enquanto rela¸c˜ao, Dom(p) =Afaz parte da especifica¸c˜ao da rela¸c˜aop, que ´e diferente detse, e somente se, Dom(t)(A.
Defini¸ c˜ oes. Sejam W , X, Y e Z conjuntos, e ϕ : X −→ W e ψ : Y −→ Z fun¸c˜oes.
− Dado U ⊆ X, a imagem de U por ϕ, denotada por ϕ(U ), consiste dos valores, em W, obtidos por ϕ aplicada aos elementos de U , ou seja:
ϕ(U ) := { w ∈ W |∃ x ∈ U : w = ϕ(x) } . Obs. Em particular, Im(ϕ) = ϕ(X);
− Dado V ⊆ Y , ϕ
−1(V ) := { x ∈ X | ϕ(x) ∈ V } ´e a imagem inversa de V por ϕ. Assim, ϕ
−1(V ) consiste dos elementos de X cujos valores, por ϕ, pertencem a V ;
− Se Im(ϕ) ⊆ Y , ent˜ao dizemos que ψ e φ, nesta ordem, s˜ao compon´ ı- veis, e definimos a composi¸ c˜ ao de ψ com φ como a fun¸c˜ao abaixo:
ψ ◦ ϕ : X −→ Z
x 7−→ ψ ◦ ϕ (x) = ψ(ϕ(x)).
Obs. Geralmente, a composi¸c˜ao ´e denotada pela nota¸c˜ao “esquerdista”
ψ ◦ ϕ mas, em alguns (poucos) t´opicos matem´aticos, ela ´e denotada por uma das nota¸c˜oes “direitistas” ϕ ψ ou ϕψ. Neste caso, dizemos que φ e ψ (nesta ordem) s˜ao compon´ıveis;
− A restri¸ c˜ ao ϕ |
Sde ϕ a um subconjunto S de X ´e definida por ϕ |
S:= ϕ ◦ ι
S, onde ι
S: S −→ X
s 7−→ ι
S(s) = s ( inclus˜ ao de S em X).
Assim, ϕ |
Srestringe a aplica¸c˜ao da fun¸c˜ao ϕ ao dom´ınio S;
− Uma extens˜ ao Φ de ϕ a um superconjunto C ⊇ X ´e uma fun¸c˜ao Φ : C −→ W tal que Φ |
X= ϕ. Dizemos que Φ estende φ de X a C.
Obs. Φ mant´em o valor Φ(x) = ϕ(x) que φ produz quando aplicada a um elemento x ∈ X, mas tamb´em obt´em um valor Φ(c) quando apli- cada a um elemento c ∈ C \ X. O gr´afico de Φ ´e superconjunto do de ϕ como mostram os passos abaixo (o(a) leitor(a) deve justific´a-los):
Γ
Φ= { (c, Φ(c)) ∈ C × W | c ∈ C } =
{ (x, Φ(x)) ∈ C × W | x ∈ X } ⊔ { (c, Φ(c)) ∈ C × W | c ∈ C \ X } = { (x, ϕ(x)) ∈ X × W | x ∈ X } ⊔ { (c, Φ(c)) ∈ C × W | c ∈ C \ X } ∴ Γ
Φ= Γ
ϕ⊔ { (c, Φ(c)) ∈ C × W | c ∈ C \ X } .
Obs. Quando os conjuntos em quest˜ao est˜ao munidos de estruturas de al-
gum tipo, e as fun¸c˜oes consideradas preservam estrutura do dom´ınio para o
contradom´ınio, a existˆencia ou n˜ao de uma extens˜ao para uma fun¸c˜ao dada
a um superconjunto pode ser um problema dif´ıcil e at´e mesmo c´elebre. Ex.:
extens˜oes cont´ınuas de fun¸c˜oes cont´ınuas entre espa¸cos topol´ogicos.
Quest˜ ao 2. Os itens abaixo assumem um conhecimento b´asico sobre os n´ umeros naturais ou sobre fun¸c˜oes reais (como em pr´e-c´alculo), conforme o caso. Denotemos por: A = b { 1, 2, 3 } ; B = b { 4, 5, 6 } ; C = b { 7, 8 } ;
f : A −→ B
x 7−→ f (x) = x + 3;
g : A −→ B x 7−→ g (x) =
4, se x ´e ´ımpar;
5, se x ´e par;
h : B −→ B
x 7−→ h (x) = 10 − x;
i : B −→ C x 7−→ i (x) =
7, se x ´e ´ımpar;
8, se x ´e par;
j : C −→ B
x 7−→ j (x) = x − 2;
k :
R−→
Rx 7−→ k (x) = 3;
ℓ :
N−→
Nx 7−→ ℓ (x) = x + 1;
m :
R−→
Rx 7−→ m (x) = x + 1;
n :
R−→
Rx 7−→ n (x) = x
2+ 4;
p :
R\{ 0 } −→
R\{ 0 } x 7−→ p (x) = 1/x;
q :
R−→
Rx 7−→ q (x) = 2
x; e
r :
R−→ (0, + ∞ ) x 7−→ r (x) = 2
x. Conforme o item, calular ou responder com justificativa:
2.a. f = g como fun¸c˜oes ? Γ
f= Γ
gcomo conjuntos ? 2.b. q = r como fun¸c˜oes ? Γ
q= Γ
rcomo conjuntos ?
2.c. Quais destas fun¸c˜oes s˜ao injetivas ? Quais s˜ao sobrejetivas ? 2.d. Calcular as imagens destas fun¸c˜oes;
2.e. Calcular as imagens dos seis conjuntos B , (0, 1), ( − 2, − 1), (0, + ∞ ), ( −∞ , 0) e ( − 4, 0) ⊔ (0, 2) por: k, m, n, p e r;
2.f. Calcular as imagens inversas dos quatro conjuntos { 4 } , { 4, 5 } , { 4, 6 } e B por: f , g, h, j, ℓ, n e p;
2.g. Calcular as imagens inversas dos sete conjuntos { 1 } , B, (0, 1), ( − 2, − 1), (0, + ∞ ), ( −∞ , 0) e ( − 4, 0) ⊔ (0, 2) por: k, m, n, p e q;
2.h. Quais das fun¸c˜oes dadas s˜ao extens˜oes de quais ?
2.i. Dar trˆes extens˜oes de p a
Rduas a duas distintas;
2.j. Calcular as composi¸c˜oes h ◦ f , h ◦ g, h ◦ h, (i ◦ h) ◦ f, i ◦ (h ◦ f ), (i ◦ h) ◦ g, i ◦ (h ◦ g), j ◦ i, i ◦ j , f ◦ k, g ◦ k, ℓ ◦ g, ℓ ◦ ℓ, m ◦ ℓ, m ◦ m, m ◦ n, n ◦ m, n ◦ n, p ◦ n, p ◦ p, m ◦ r, r ◦ m, n ◦ r, r ◦ n, p ◦ r, r ◦ p, r ◦ r, (p ◦ n) ◦ r, p ◦ (n ◦ r), (r ◦ n) ◦ p, e r ◦ (n ◦ p). Quais s˜ao iguais ?
Quest˜ ao 3. Verdadeiro ou falso ? Se a afirma¸c˜ao for verdadeira, demonstr´a- la; sen˜ao, dar um contraexemplo para ela.
3.a. Para todos os conjuntos X e Y , e para toda fun¸c˜ao ψ : X −→ Y , ψ ◦ Id
X= ψ = Id
Y◦ ψ;
3.b. A composi¸c˜ao de fun¸c˜oes ´e uma opera¸c˜ao associativa, ou seja, para todos os conjuntos W , X, Y e Z , e para todas as fun¸c˜oes ϕ : W −→ X, ψ : X −→ Y e λ : Y −→ Z, λ ◦ (ψ ◦ ϕ) = (λ ◦ ψ) ◦ φ;
3.c. Para todos os conjuntos X, a composi¸c˜ao de fun¸c˜oes ´e uma opera¸c˜ao comu- tativa em X
X, ou seja, para todas as fun¸c˜oes ξ, ζ : X −→ X, ξ ◦ ζ = ζ ◦ ξ;
3.d. A composi¸c˜ao de sobreje¸c˜oes compon´ıveis ´e uma sobreje¸c˜ao;
3.e. A composi¸c˜ao de inje¸c˜oes compon´ıveis ´e uma inje¸c˜ao;
3.f. Toda fun¸c˜ao inclus˜ao ´e sobrejetiva;
3.g. Toda fun¸c˜ao inclus˜ao ´e injetiva.
Defini¸ c˜ ao. Uma fam´ ılia indexada de conjuntos ´e um conjunto { X
ı}
ı∈Iem ZF visto como imagem e contradom´ınio de uma sobreje¸c˜ao I −→ { X
ı}
ı∈Iı 7−→ X
ıtal que cada X
ı´e um conjunto (em ZF)
7. O dom´ınio I ´e o conjunto de ´ın- dices da fam´ılia. O contradom´ınio { X
ı}
ı∈I, ou seja, o conjunto em quest˜ao, tamb´em ´e denotado por { X
ı| ı ∈ I} , e deve ser, garantidamente, um conjunto (em ZF). Detalhe: I pode ser qualquer conjunto, finito ou n˜ao.
Ex.: Dados os conjuntos A, B e C em ZF, { A, B, C } = { A, B } ∪ { C } pode ser escrito como { X
ı}
ı∈{0,1,2}, onde X
0= A, X
1= B, X
2= C e I = { 0, 1, 2 } .
7Observemos que esta ´ultima frase significa “∀ı∈ I, Xı´e um conjunto”.
Obs. Uma fam´ılia { Y
ı}
ı∈{m, m+1, ..., n}indexada pelos n´ umeros inteiros de m a n ´e mais comumente denotada por { Y
ı}
nı=m. J´a { Y
ı}
ı∈N, indexada pe- los naturais, tamb´em ´e denotada por { Y
ı}
∞ı=0. J´a { Y
ı}
ı∈Z, indexada pelos inteiros, tamb´em ´e denotada por { Y
ı}
+∞ı=−∞e, analogamente, consideramos alguns outros subconjuntos ilimitados de
Zcomo conjuntos de ´ındices para esta nota¸c˜ao alternativa. Por exemplo, { Y
ı}
ı∈{z∈Z|m≤z}tamb´em ´e denotada por { Y
ı}
+∞ı=m, enquanto { Y
ı}
ı∈{z∈Z|z≤n}tamb´em ´e denotada por { Y
ı}
nı=−∞. Ex.: Seja F = b { X
r}
r∈R= {{ r }}
r∈R, isto ´e, cada conjunto de F ´e da forma X
r= { r } . F satisfaz ∪F = [
r∈R
X
r= [
r∈R
{ r } =
R.
Defini¸ c˜ ao. Mais geralmente, dada uma fun¸c˜ao f : X −→ Y , podemos ver o conjunto Im(f) = { y ∈ Y |∃ x ∈ X : y = f (x) } como um conjunto indexado por X, obtendo duas nota¸c˜oes bastante comuns em Matem´atica:
{ f(x) | x ∈ X } = { f (x) }
x∈X:= Im(f ).
Obs. Em matem´atica, tais nota¸c˜oes estendem-se a rela¸c˜oes funcionais em contextos mais amplos, com X e Y classes definidas por abstra¸c˜ao.
Ex.: Dado U ⊆ X, f(U ) := { y ∈ Y |∃ x ∈ U : y = f (x) } ´e a imagem de f |
U| e, portanto, pode ser escrito como um conjunto indexado por U : f(U ) = { f (x) | x ∈ U } , ou seja, f(U ) = { f (x) }
x∈U.
Ex.: O gr´afico Γ
f= { a ∈ X × Y |∃ x ∈ X : a = (x, f (x)) } ´e a imagem da fun¸c˜ao X −→ X × Y
z 7−→ (x, f (x)) e, portanto, ´e um conjunto indexado por X.
Assim, podemos express´a-lo como Γ
f= { (x, f (x)) | x ∈ X } , e tamb´em como Γ
f= { (x, f (x)) }
x∈X.
Os enunciados abaixo s˜ao importantes e usados corriqueiramente. Eles re- lacionam fun¸c˜oes a algumas opera¸c˜oes em conjuntos. A resolu¸c˜ao destes exerc´ıcios serve para a pr´atica de demonstra¸c˜ao e n˜ ao ´e priorit´aria.
Quest˜ ao 4. Sejam A e B conjuntos, e f, g : A −→ B fun¸c˜oes. Demonstrar
as propriedades abaixo.
4.a. ** Dado um conjunto F de subconjuntos de A (ou seja, F ⊆ P (A)):
i. A classe { f (C) | C ∈ F} ´e extensionalmente igual a um conjunto em ZF;
ii. f( ∪ F ) = [
C∈F
f (C); e iii. f( ∩ F ) ⊆ \
C∈F
f (C).
iv. Mostrar, atrav´es de exemplos, que ´e poss´ıvel ocorrer ( na afirma¸c˜ao anterior, mesmo quando F ´e uma fam´ılia finita;
4.b. ** Dado um conjunto G de subconjuntos de B (ou seja, G ⊆ P (B )):
i. A classe { f
−1(D) | D ∈ G} ´e extensionalmente igual a um conjunto em ZF;
ii. f
−1( ∪ G ) = [
D∈G
f
−1(D); e
iii. f
−1( ∩ G ) = \
D∈G