SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA
w w w . r b o . o r g . b r
Artigo
original
Avaliac¸ão
radiográfica
da
técnica
de
cimentac¸ão
com
haste
femoral
cônica
polida
e
tripla
cunha
em
artroplastia
do
quadril
夽
Ademir
Antônio
Schuroff,
Mark
Deeke,
Marco
Antônio
Pedroni,
Fernando
Silva
Lupselo
∗,
Rodrigo
Ernesto
Kunz
e
Alexandre
Matos
Lima
HospitalUniversitárioCajuru,Curitiba,PR,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem23denovembrode 2016
Aceitoem26dejaneirode2017 On-lineem9deagostode2017
Palavras-chave: Artroplastiadequadril Cimentoósseo Cimentac¸ão/métodos Prótesesdequadril
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Avaliarradiograficamenteaqualidadedatécnicadecimentac¸ãoeimplantac¸ãode hastesfemoraispolidasetriplacunhaemartroplastiastotaisdoquadril(ATQ).
Método:Estudo retrospectivo comavaliac¸ão de radiografiasde 86 quadris em 83 paci-entessubmetidos à ATQ com componente femoralcimentado polido em tripla cunha C-Stem(DePuyOrthopaedics,Varsóvia,Ind.).Incluímoscasoscompelomenosumanode seguimento,foramregistradosdadosrelacionadosàevoluc¸ãoradiográficapré-operatória, pós-operatóriaimediataepós-operatóriatardia.Avaliamos,entreoutrosdados,aanatomia dofêmur,aqualidadedacimentac¸ãosegundodescritoporBarrackeoposicionamentoda haste.Acimentac¸ãotambémfoiavaliadaequantificadaemcadazonadeGruencomum anodeseguimento.
Resultados:Aidademédiafoide62,85anos.Aconformac¸ãodofêmurproximalfoidotipo AdeDorrem34(39,53%)casos,tipoBem52(60,46%)enãoforamobservadoscasosdotipo C.Cinco(5,81%)casosforamdefinidoscomotipoAsegundoaclassificac¸ãodecimentac¸ão deBarrack,46(56,49%)tipoB,27(31,40%)tipoCeoito(9,30%)tipoD.Amaiorespessura médiadomantofoiobservadanaszonas4(15,53mm)e11(15,64mm),amenorfoinazona 9(3,51mm).Foiobservadoposicionamentoemvaroemoito(9,3%)casoseemvalgoem 25(29%).
Conclusão:AhastefemoralC-Stemapresentouresultadossatisfatóriosquantoaopadrão decimentac¸ão,posicionamento,àpresenc¸adeosteóliseestressshielding,tantoemrelac¸ão àliteraturareferenteaosmodelosemduplacunhaquantoreferenteaomesmomodelode implante,mostrou-seummétodoseguroecompadrãodecimentac¸ãoprevisíveleconfiável. ©2017PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
夽
TrabalhodesenvolvidonoHospitalUniversitárioCajuru,Curitiba,PR,Brasil.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](F.S.Lupselo). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2017.06.010
Radiographic
evaluation
of
cementation
technique
using
polished,
conical,
triple-tapered
femoral
stem
in
hip
arthroplasty
Keywords: Hiparthroplasty Bonecement
Cementation/methods Hipprosthesis
a
b
s
t
r
a
c
t
Objective: Toradiographicallyevaluatethequalityofcementationandimplantation tech-niqueusingapolished,triple-taperedfemoralstemintotalhiparthroplasty(THA). Method: Retrospectivestudywithradiographicevaluationof86hipsin83patientswho underwenttoprimaryTHAwiththetriple-taperedcementedfemoralstemC-Stem(DePuy Orthopedics,Warsaw,Ind).Caseswithatleastone-yearoffollow-upwereincluded,anddata relatedtopreoperative,immediatepostoperative,andlatepostoperativeradiographic evolu-tionwererecorded.Thisstudyanalyzed,amongothers,theproximalfemoralanatomy,the qualityofcementationasdescribedbyBarrack,andtheimplantpositioning.Cementation wasalsoevaluatedandquantifiedintheGruenzoneswithone-yearoffollow-up. Results: Themeanagewas62.85years.Proximalfemoralanatomicalconformationwas DorrtypeAin34(39.53%)cases,typeBin52(60.46%),andnotypeCcaseswerefound. Five(5.81%)casesweredefinedastypeAbyBarrack’scementationclassificationsystem,46 (56.49%)typeB,27(31.40%)typeC,andeight(9.30%)typeD.Thegreatestcementmantle thicknesswasobservedinzonesfour(15.53mm)and11(15.64mm),andthesmallestin zonenine(3.51mm).Positioninginvaruswasobservedineight(9.3%)cases,valgusin25 (29%),forwarddeviationintwo(5%),andbackwarddeviationin55(63.95%).
Conclusions: TheC-Stemfemoralsystempresentedsatisfactoryresultsrelatedto cementa-tionpattern,positioning,osteolysis,andstressshieldingwithregardtoliteraturereferring todouble-taperedortriple-taperedmodels, demonstratingtobeasafemethod,witha predictableandreliablecementingpattern.
©2017PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofSociedadeBrasileirade OrtopediaeTraumatologia.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ão
JohnCharnleyfoiresponsável pelosucessonaevoluc¸ãoda artroplastiatotaldoquadril(ATQ)cimentada.Duranteanosde estudos,alterac¸õesnosmodelosprotéticosforamfeitaspara diminuiraincidênciadefalhas,comosolturas,desgaste, fra-turasdahasteestressshielding.Hastesfemoraiscomformato simplesmonoplanar passarampara as formas bicônica ou tricônicaeasporosasparapolidas,oquepermitiuumamelhor distribuic¸ãodecargasaxiaiseumaadaptac¸ãoouacomodac¸ão dentrodomantodecimento.1
Oconceitodashastescônicasepolidasbaseia-senateoria dequesuperfícieslisascomafunilamentoduplo(emdois sen-tidos)outriplo(emtrêssentidos)mantêmumarelac¸ãomenos rígidaentreo implante eocimento, permitem migrac¸ão e estabilizac¸ãosecundária,semcriartensõesexcessivas.2
Oscomponentesfemoraiscimentadosapresentam algu-mas vantagens em relac¸ão aos não cimentados, como a melhortransmissãodecargasnofêmurproximal(maior simi-laridadeentreocoeficientedeelasticidadedocimentoedo osso),3,4oquepermitesuaremodelac¸ão.Areabsorc¸ãoóssea
secundáriaaostressshieldinglevaaumadiminuic¸ãoda sobre-vidadaprótesenãocimentada,5,6 particularmenteno nível
docalcar.7Apesardeocorrermaiscomumenteemimplantes
nãocimentados,areabsorc¸ãoósseaétambémdemonstrada emhastescimentadas8,9commaiorperdanazonas1e7de
Gruenet al.10 Outra vantagem éo baixoíndicede fraturas
femoraisduranteacirurgia,porvoltade1%nascimentadas
e6,6%nasnãocimentadas.11Todavia,ataxa deresultados
satisfatóriosédiretamenteproporcionalàqualidadeda téc-nicadecimentac¸ão,comoamanutenc¸ãodeumaespessura médiadomantodecimentoentre2e4mm,oqueevitatanto afragilidadequantooestresseexcessivo.12
Oobjetivodesteestudoéavaliarradiograficamentea quali-dadedatécnicadecimentac¸ãoeimplantac¸ãodahastefemoral C-Stem(DePuyOrthopaedics,Varsóvia,Ind.).Trata-sedeuma haste cônica, polida com formato em tripla cunha, com-posta porac¸oinoxidável nitrogenado, comaqual seprevê migrac¸ãodistaldentrodomantodecimento,comestabilidade secundária.13
Material
e
métodos
Foifeitoestudoretrospectivocomavaliac¸ãoderadiografiasde 86quadrisem83pacientessubmetidosàartroplastiatotaldo quadrilcomcomponentefemoralcimentadoC-Stem.A amos-trafoidesenvolvidaporseisortopedistasemespecializac¸ão naáreadecirurgiadoquadrilduranteoestágiodeformac¸ão e ocorreuatravés da selec¸ão consecutivade pacientes que fizeramacompanhamentoambulatorialdejaneirode2010a marc¸ode2015.
Tabela1–Dadoscirúrgicoseradiográficos
Ladooperado
Tipodeartroplastia(cimentada/híbrida) Tamanhodahaste
Tipoderestritordecimento(ósseo/sintético) Anatomiadofêmurproximal
Espessuradomantodecimento Níveldaosteotomiafemoral Alinhamentodocomponentefemoral
Qualidadedacimentac¸ãonopós-operatórioimediato Achadosradiográficosdacimentac¸ãocommínimodeumano
pós-operatório
usadastécnicasdecimentac¸ãomanual.Asradiografiasforam avaliadasemduasincidências:anteroposteriorcomampola centradanasínfisepúbica,rotac¸ãointernadosquadrisde15o, elateral,deformaquetodaahastefemoralfosseevidenciada. Foram feitas 907 ATQs, 437 com componente femoral cimentado C-Stem. Dos pacientes, 98 foram excluídos por apresentar exame radiográfico inadequado, 113 por terem cirurgiaprévianoquadrilavaliado,130porseguimento ambu-latorialinadequadoe10portersidofeitacimentac¸ãomanual. Combasenarevisãodeprontuários,foramcoletadosdados como sexo, idade, diagnóstico pré-operatório e tempo de seguimento. Aanálise radiográfica foi feita com o sistema visualizadordeimagensAgfaHealthCareViewer,pelo qual foramregistradosdadosrelacionadosàcirurgiaeàevoluc¸ão radiográficapré-operatória,pós-operatóriaimediata(atédois diasapósacirurgia)epós-operatóriatardia(comumanode seguimento)(tabela1).
Naradiografiapré-operatóriafoiavaliadaaanatomiado fêmurproximalatravésdaclassificac¸ãodeDorretal.14 ena
pós-operatóriaimediataaqualidadedacimentac¸ãosegundo ométododescritoporBarracketal.15Apósseguimentodeum
ano,aqualidade dacimentac¸ão foiavaliadaequantificada emcadazonadescritaporGruenetal.10Concomitantemente,
foi calculadaaproporc¸ão entrea espessura dacortical, do cimentoedahastenaszonas2e6naradiografiadefrente e9e13 naradiografialateral.Aspectoscomo espessurado mantodecimento,presenc¸aderadioluscência(definidacomo apresenc¸adeumalinharadiotransparenteadjacenteàlinha escleróticaavaliadanaszonasdeGruen).10Reabsorc¸ãoóssea,
bolhas,fraturadocimento,fraturadahasteoumigrac¸ão tam-bémforamregistradas.Outravariável relevantemensurada noestudofoiograudealinhamentodocomponentefemoral comoobjetivodeobservarpresenc¸adevaro/valgoou antecur-vato/recurvato.
Técnicaoperatória
O acesso cirúrgico posterolateral (Kocher-Langenbeck) foi usado emtodos os casos, com o paciente posicionado em decúbitolateralatravésdeposicionadores anteriore poste-rior.FoiusadocimentoósseoSmartsetdemédiaviscosidade (Endurance MV, DePuy International,Blackpool, Inglaterra), introduzido de forma retrógrada com pistola, seguido de pressurizac¸ão,erestringidoatravés daimplantac¸ãodeplug sintéticoouósseonocanal.Ashastesfemoraisforam inse-ridascomusodecentralizadordistal.Nãoseusoulavagem pulsátilnemmisturaavácuo.
Ant
(9,1) 1 (6,9) 8
(3,5) 9
11
(5,8) 10 12 (5,0) 13 (6,6) 14 (7,5)
(15,6) 7 (6,3)
6 (5,4)
5 (4,8)
(15,5) (4,7) 2
(4,9) 3
4
Post
Figura1–Espessuramédiadomantodecimentoporzonas
deGruen(mm).
Resultados
Revisamos86 radiografiasdeartroplastiastotaisde quadril primáriasem83pacientescomcomponentefemoralC-Stem, 31 quadris (36,05%) de pacientes masculinos e55 (63,95%) femininos.AmédiadeidadefoiDE62,85(23-86)anos.
Com base na classificac¸ão de Dorr et al.,14 34 (39,53%)
conformac¸õesdofêmurproximaleramdotiponormal(tipo A),52(60,46%)dotipocone(tipoB)enenhumadotipo cilín-drico(tipoC).Deacordocomaclassificac¸ãodecimentac¸ãode Barracketal.,15foramregistradoscomotipoAcinco(5,81%)
casos, tipo B 46 (56,49%), tipo C 27 (31,40%) e oito(9,30%) tipoD.
Amaiorespessuramédiadomantodecimentofoi obser-vadanaszonas4e11,com15,53mm(0-74)e15,64mm(0-73), respectivamente,aopassoqueamenormédiafoiregistrada na zona 9,com 3,51mm (0-10) (fig.1). Houvemaioríndice de radioluscência naszonas 2e10em52 (60,47%) casose 50 (58,14%) casos, respectivamente, o menor índice foi na zona 14,com16casos(18,60%)(fig.2).Dentreaszonasnas quaisforam observadaspresenc¸ade stressschielding, houve maiorincidêncianaszonas1e14,com23quadris(26,74%)e
Ant
(25,5) 1 (23,2) 8
(43,0) 9
(58,1) 10
(29,0) (60,4) 2
(50,0) 3 5 (39,5) 12 (45,3)
13 (44,1)
14 (18,6)
6 (55,8)
7 (51,1)
(32,5)
Post
Tabela2–Avaliac¸ãodaqualidadedecimentac¸ão porzonasdeGruen
Zonas Espessura média(mm)
Radioluscência (%)
Reabsorc¸ão óssea(%)
Bolhas (%)
1 9,1(0-30) 25,5 26,7 22 2 4,7(0-10) 60,4 1,1 37,2
3 4,9(1-13) 50 0 44,1
4 15,5(0-74) 32,5 0 33,7 5 4,8(2-10) 39,5 0 12,7 6 5,4(0-12) 55,8 0 15,1 7 6,3(0-15) 51,1 11,6 5,8 8 6,9(0-23) 23,2 12,7 10,4
9 3,5(0-10) 43 0 36
10 5,8(1-10) 58,1 0 36 11 15,6(0-73) 29 0 32,5 12 5,0(2-10) 45,3 0 27,9 13 6,6(2-11) 44,1 1,1 11,6 14 7,5(1-15) 18,6 13,9 1,1
12quadris(13,95%),respectivamente,emenorincidêncianas zonas2e13,comapenasdoisquadris(2,32%).Alémdessas, foramencontradossinaisdediminuic¸ãodadensidadeóssea tambémnaszonas7e8.Bolhasforamregistradascommaior frequêncianazona3,em38casos(44,19%),enazona14,em umcaso.Nenhumcasodefraturadocimentoe/oudahaste foiregistrado(tabela2).
Umaprimoramentodaavaliac¸ãodaqualidadedomanto decimentofoifeitoatravésdocálculodasuaproporc¸ãoem relac¸ão à espessura da cortical eda haste naszonas cen-traisobservadasnasincidênciasanteroposterior(zonas 2e 6) e perfil (zonas 9 e 13). A média da espessura da cor-tical e de cimento na zona 2 foi de 5,88mm e 4,73mm, respectivamente,aopasso quenazona 6foi de6,23mm e 5,34mm,respectivamente.Ahasteapresentoularguramédia de 13,6mm na incidência de frente. Nas radiografias late-rais,foramobtidasmédiasdeespessuradacorticalecimento nazona9de4,41mme3,43mm,respectivamente,enquanto que na zona 13 foram registradas médias de 5,31mm e 6,70mm, respectivamente.Na mesma incidência,a largura médiadahastefoi de9,93mm. Dessemodo,aoconsiderar as mensurac¸ões sequenciais entre cortical-cimento-haste--cimento-cortical,registramosasproporc¸õesde1,2:1:2,8:1,1: 1,3delateralparamedialnaincidênciadeanteroposteriore 1,2:1:2,8:1,9:1,5deanteriorparaposteriornaincidênciaem perfil(tabela3).
Naavaliac¸ãodoalinhamentodahastenoplanocoronal,foi observadapresenc¸adevaroemoito(9,3%)casos,commédia de3,5◦(2-8◦),evalgoem25(29%),commédiade2,5◦(1-8◦).
Jáno plano sagital,foi observada presenc¸ade antecurvato
emdois(5%)casos,commédiade3,5◦(2-5◦),erecurvatoem
55(63,95%)casos,commédiade4,2◦(1-10◦).Emtodososcasos
foiobservadoalgumgraudemigrac¸ãodistaldahaste( subsi-dence),amédiafoide0,8(0-5)mm.
Discussão
OconceitooriginaldeCharnleydeumahastecônica,polida ecimentadaaindarepresentaopadrão-ourocincodécadas apóstersidolanc¸adoem1962.16Oproblemadaperdaóssea
proximalobservadoaolongodadécadade1960a1990exigiu alterac¸õesnoformatodahaste.17Desenhosdehastes
femo-rais de dupla cunha,tais como Exeter(StrykerHowmedica Ortopedia,Mahwah,NewJersey)eCPT(ZimmerLtd.,Swindon, Inglaterra) apresentamafunilamentono sentido craniocau-dal e anteroposterior. Nos implantes em tripla cunha, há adic¸ãodeumterceiroafunilamentonadirec¸ãodelateralpara medial,comoobjetivodeaumentarcarganofêmurproximal, especialmentenocalcar,oquediminuiareabsorc¸ãoóssea.18
Bucklandetal.19fizeramumaobservac¸ãointeressante,naqual
apósumareduc¸ãoinicialdamassaósseanaregiãodocalcar ospacientes fisicamenteativosapresentavamumaumento dadensidadeósseanessaregiãoaolongodosdoisprimeiros anos.Purbachetal.16demonstraramumamelhoriado
esto-queósseoem78,2%naregiãomedialemumseguimentode 13 anos. Emnossoseguimento, observamosdiminuic¸ão da densidadeósseametafisáriaproximalnofêmurnaszonas1 e7,representadopor26,74%e11,63%respectivamente. Por-tanto,houvemaiorpreservac¸ãodoestoquenaregiãodocalcar, fatorconsideradoimportanteporsetratardeumaárea sub-metidaamaiorcargaaxial(fig.3A).
CharnleyeKettlewell20haviamdefatocalculadoo
movi-mento relativo entre ahaste eo mantoao relataremsua monografia a func¸ão doimplante emum sistemafechado sobre ocimento acrílico:“Embora nãohaja adesão entrea superfíciepolidadapróteseeocimento,aformaafuniladada próteseémuitoadequadaparaatransmissãodepeso,uma vezquevaificarmaisapertadasobcarga”.21Nacomparac¸ão
decomponentesfemoraisdetriplacunhaededuplacunha demonstrou-senãohaverdiferenc¸asemrelac¸ãoaescores clí-nicos,complicac¸õesouafundamentodahaste(subsidence).22
Sundbergetal.,23aofazerestudosobreospadrõesde
movi-mentodahasteC-Stemem33ATQscomseguimentodedois anos,observaramumamigrac¸ãodistalmédiade1,35mmem todos oscomponentesfemorais,amaiorpartedesse movi-mentoocorreunostrêsprimeirosmeses.Eugeneetal.,22em
análise comparativa com seguimento de cinco anos entre haste dupla cunha e tripla cunha, registraram subsidence
Tabela3–Proporc¸ãoentrecortical,cimentoehaste
Frente Corticalzona2(mm) Cimentozona2(mm) Haste(mm) Cimentozona6(mm) Corticalzona6(mm)
Média 4,73 5,34 5,88 6,23 13,6
Desviopadrão 1,92 1,79 1,69 1,79 1,93
Proporc¸ão 1,2 1 2,8 1,1 1,3
Perfil Corticalzona9(mm) Cimentozona9(mm) Haste(mm) Cimentozona13(mm) Corticalzona13(mm)
Média 3,43 6,7 4,41 5,31 9,93
Desviopadrão 1,66 1,87 1,39 1,8 2,87
ZONA 1
A
B
C
ZONA 7
1
2
3
7
6
5
Anterior
Posterior
4
Figura3–Diminuic¸ãodadensidadeósseanazona1epreservac¸ãonazona7/calcar(A).Presenc¸aderadioluscêncianas zonas2,3,4e5ebolhasnazonas4,5e6(B).Radiografiaemperfildemostraposicionamentodahasteemrecurvato(C).
médiode0,82mme0,77mm,respectivamente.Encontramos níveismenoresdemigrac¸ãodistaldahasteC-Stem compa-radoscomoestudodeSundbergetal.23emaioresrelac¸ãoao
estudodeEugeneetal.,comumamédiademigrac¸ãodistal de0,8mm.Notamos,portanto,quenãohouvediferenc¸a sig-nificativanoqueserefereaosubsidence,ouseja,manteve-se dentrodamédiadedeslocamentoapresentadanaliteratura. Osubsidenceexcessivoéumindicadorindiretodesoltura pre-cocedoimplante,poispodeestarrelacionadoaomovimento domantodecimentoemrelac¸ãoaoosso.24
Aclassificac¸ãodaqualidadedomantodecimentono pós--operatórioimediato proposta porBarrack et al.15 em 1992
apresenta importância para avaliar o efeito dos melhores métodosdecimentac¸ãofemoralsobreoriscodeaumentoem taxasdeafrouxamentooufalhamaisprecoce.Combasenessa graduac¸ão,avaliamosaevoluc¸ãoradiográficaimediatamente após a cirurgia, registramos cinco casos (5,81%) dotipo A, 46(53,49%) dotipoB,27(31,4%)dotipoCeoito(9,30%)do tipoD.
EkeChoong22graduaramradiograficamente192mantosde
cimentoemcomponentesfemoraisC-Stemetambém obser-varammaiorfrequênciadotipoB(46,3%),seguidodotipoA em45,7%eCem8%.Nomesmoestudo,aocomparara qua-lidadedacimentac¸ãocomahasteExeterem189radiografias, identificaramqueotipoBtambémfoiomaisprevalente,em 56,6%,seguidodotipoAem36,5%edotipoCem6,9%.Na comparac¸ãodaavaliac¸ãofeitaporBerstocketal.25em2014
comnossoestudo,observou-semaiorprevalênciadotipoA (60%),otipoBem38%,Cem2%eDem6,9%.
Sundbergetal.23tambémregistraramcommaior
frequên-ciagraduac¸õesdotipoA(84,8%),dotipoBem15,15%.Umfator importanteaserconsideradoéquenessesdoisúltimos estu-dosatécnicaoperatóriausoucimentac¸ãodeterceiragerac¸ão comlavagempulsátil,quediferiudanossapesquisa,naqual nãofoifeita.Observamosmaiorfrequênciade radioluscên-cianaszonas2(60,47%)e10(58,14%),seguidasdaszonas6 (55,81%)e7(51,16%),aopassoquenaszonas1,8e14 regis-tramos amenorprevalência,com 25,58%,23,26%e18,60%, respectivamente(fig.3B).
Na comparac¸ão de hastes tripla e dupla cunha, Ek e Choong22 observaram resultados divergentes, com maior
frequência de linhas radiotransparentes na zona 1 em componentesC-Stemezonas1e7emcomponentesExeter.Os mesmosautoresressaltaramahipótesedequesinaisde radio-luscênciapodemsurgirprecocementedevidoaosubsidenceda hastee,portanto,nãoindicamnecessariamentepresenc¸ade afrouxamentodoimplante.Talteoriapodeexplicarapresenc¸a delinhasradiolúcidasmaioresdoque1mmencontradasem 32de33(96,9%)quadrisavaliadosporSundbergetal.23emseu
estudo.Berstocketal.25tambémobservaramaltafrequência
delinhasradiotransparentesemsuaanálise,oque correspon-deua61%dosquadrisavaliados,etambémfoimaisprevalente naszonas1(55%)e7(35%).
Na avaliac¸ão da imagem em perfil, observamos maior frequência derecurvato emmédia de4,2o, encontradoem
55quadris,oquecorrespondeua63,95%doscasos,aopasso que antecurvato foi registrado em dois quadris (5%), com médiade3,5o(fig.3C).Jánaanálisedaradiografiadefrente,
observamos maior posicionamentoem valgo, em 25 casos (29%),commédiade2,5o.Jáovarofoiobservadoemoito
qua-dris(9,3%),commédiade3,5o.Acreditamosqueessesdesvios
podemserexplicadospeloprocessodemigrac¸ãoprogressiva da hasteemrelac¸ãoao eixoinicial, comoSundbergetal.23
demonstraram em seu estudo, registraram deslocamentos queocorreramcommaiorfrequêncianoperíodomédiodetrês mesesdepós-operatórioeobservaramtambémna radiogra-fiaanteroposteriordesalinhamentoemvalgonamaioriados casos,comumaprevalênciade63,3%,aopassoque15,1%dos quadrisapresentaramposicionamentoemvaro.
EkeChoong,22emsuaavaliac¸ãocomparativaentrehastes
triplaeduplacunha,apresentarammenoresíndicesde des-viosdashastes.NoscomponentesC-Stem,observarammaior desalinhamentoemvaro,comumafrequênciade3,7%, com-paradocom2,5%devalgo.NashastesExeterforamregistrados 5,9%devaroenenhumcasodevalgo.Deve-seressaltarque essafrequênciamenordedesalinhamentosdeve-seaofatode queoautorlevouemconsiderac¸ãodesviosmaioresde5o.
pode-se observaruma similaridade entre acimentac¸ão no ladolateral emedial.Jánaincidênciaemperfil, aoavaliar amesmasequêncianosentidoanteroposterior,registramos umaproporc¸ãode1,2:1:2,8:1,9:1,5,ouseja,houveuma discre-pânciaentreacimentac¸ãoanterioreposterior.Umaprovável hipóteseparaessavariac¸ãoentreasduasincidênciaséamaior frequênciadebomalinhamentoemvaro/valgoemaior preva-lênciadedesviosemrecurvatodahastefemoral.Nãoforam encontradosestudosnaliteraturanosquaisforamregistrados cálculosdaproporc¸ãoentreascorticais,omantodecimento eahaste.
Conclusão
AhastefemoralcimentadaemtriplacunhaC-Stem apresen-touresultadossatisfatóriosquantoaopadrãoeàqualidade da cimentac¸ão,ao posicionamentodoimplante, aopadrão deacomodac¸ãosecundáriaeàpresenc¸adeosteóliseestress shielding,tanto emrelac¸ão aos dadosda literatura referen-tes aos modelos emdupla cunha quanto aos dados desse mesmoimplante produzidoporoutrosautores,mostrou-se ummétodoseguroecompadrãodecimentac¸ãoprevisívele confiável.
Conflito
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
r
e
f
e
r
ê
n
c
i
a
s
1. ShahN,PorterM.Evolutionofcementedstems.Orthopedics. 2005;288Suppl:S819–25.
2. ScheerlinckT,CasteleynPP.Thedesignfeaturesofcemented femoralhipimplants.JBoneJointSurgBr.
2006;88(11):1409–18.
3. CallaghanJJ,TempletonJE,LiuSS,PedersenDR,GoetzDD, SullivanPM,etal.ResultsofCharnleytotalhiparthroplastyat aminimumofthirtyyears.Aconcisefollow-upofaprevious report.JBoneJointSurgAm.2004;86(4):690–5.
4. HartofilakidisG,KarachaliosT,KarachaliosG.The20-year outcomeofthecharnleyarthroplastyinyoungerandolder patients.ClinOrthopRelatRes.2005;(434):177–82.
5. MalchauH,HerbertsP,AhnfeltL.Prognosisoftotal
hip-replacementinSweden-follow-upof92,675operations performed1978-1990.ActaOrthopScand.1993;64(5): 497–506.
6. KobayashiS,SaitoN,HoriuchiH,IorioR,TakaokaK.Poor bonequalityorhipstructureasriskfactorsaffectingsurvival oftotal-hiparthroplasty.Lancet.2000;355(9214):1499–504. 7. CarlssonAS,GentzCF.Mechanicallooseningofthe
femoral-headprosthesisintheCharnleytotal
hip-arthroplasty.ClinClinOrthopRelatRes.1980;(147):262–70. 8. DamborgF,NissenN,JørgensenHR,AbrahamsenB,BrixenK.
Changesinbonemineraldensity(BMD)aroundthecemented Exeterstem:aprospectivestudyin18.womenwith5years follow-up.ActaOrthop.2008;79(4):494–8.
9.KrogerH,MiettinenH,ArnalaI,KoskiE,RushtonN, SuomalainenO.Evaluationofperiprostheticboneusing dualenergyX-rayabsorptiometry:precisionofthemethod andeffectofoperationonbonemineraldensity.JBoneMiner Res.1996;1526:10–1.
10.GruenTA,McNeiceGM,AmstutzHC.‘Modesoffailure’ ofcementedstem-typefemoralcomponents:aradiographic analysisofloosening.ClinOrthopRelatRes.1979;(141):17–27. 11.SchwartsmannCR,TelokënMA,LompaPA,OliveiraRK,
BoschinLC,CatharinaGS,etal.Fraturaipsilateraldofemur duranteartroplastiatotaldoquadril.RevBrasOrtop. 2002;37(4):21–115.
12.AyersD,MannK.Theimportanceofproximalcementfilling ofthecalcarregion:abiomechanicaljustification.
JArthroplasty.2003;187Suppl1:9–103.
13.FowlerJL,GieGA,LeeAJ,LingRS.ExperiencewiththeExeter totalhipreplacementsince1970.OrthopClinNorthAm. 1988;19(3):89–477.
14.DorrLD,FaugereMC,MackelAM,GruenTA,BognarB, MallucheHH.Structuralandcellularassessmentofbone qualityofproximalfemur.Bone.1993;14(3):42–231. 15.BarrackRL,MulroyRDJr,HarrisWH.
Improvedcementingtechniquesandfemoralcomponent looseninginyoungpatientswithhiparthroplasty.A12-year radiographicreview.JBoneJointSurgBr.1992;74(3):9–385. 16.PurbachB,KayPR,SineyPD,FlemingPA,WroblewskiBM. TheC-steminclinicalpractice:fifteen-yearfollow-upofa tripletaperedpolishedcementedstem.JArthroplasty. 2013;28(8):71–1367.
17.WroblewskiBM.Revisionsurgeryintotalhiparthroplasty. Berlin:Springer-VerlagLondon;1990.
18.WroblewskiBM,SineyPD,FlemingPA.Tripletaperpolished cementedstemintotalhiparthroplasty:rationaleforthe design,surgicaltechnique,and7yearsofclinicalexperience. JArthroplasty.2001;168Suppl1:37–41.
19.BucklandAJ,DowseyMM,StoneyJD,HardidgeAJ,NgKW, ChoongPF.Periprostheticboneremodelingusinga
triple-taperpolishedcementedstemintotalhiparthroplasty. JArthroplasty.2010;25(7):90–1083.
20.CharnleyJ,KettlewellJ.Theeliminationofslipbetween prosthesisandfemur.JBoneJointSurgBr.1965;47:56–60. 21.CharnleyJ.Acryliccementinorthopaedicsurgery.
Livingstone:Edinburgh;1970.
22.EkET,ChoongPF.Comparisonbetweentriple-taperedand double-taperedcementedfemoralstemsintotalhip arthroplasty:aprospectivestudycomparingtheC-Stem versustheExeterUniversalearlyresultsafter5yearsof clinicalexperience.JArthroplasty.2005;20(1):94–100. 23.SundbergM,BesjakovJ,vonSchewelowT,CarlssonA.
MovementpatternsoftheC-stemfemoralcomponent:an RSAstudyof33primarytotalhiparthroplastiesfollowedfor twoyears.JBoneJointSurgBr.2005;87(10):6–1352.
24.WalkerPS,MaiSF,CobbAG,BentleyG,HuaJ.Predictionof clinicaloutcomeofTHRfrommigrationmeasurementson standardradiographs.AstudyofcementedCharnleyand Stanmorefemoralstems.JBoneJointSurgBr.
1995;77(5):14–705.