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pt 1982 4378 rbort 52 s1 0014

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(1)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Artigo

Original

Prevalência

da

morfologia

de

impacto

femoroacetabular

em

jogadores

de

futebol

juvenil

assintomáticos:

estudo

de

ressonância

magnética

com

correlac¸ão

clínica

Anthony

Kerbes

Yépez

a,∗

,

Marcelo

Abreu

b

,

Bruno

Germani

a

e

Carlos

Roberto

Galia

c

aSantaCasadePortoAlegre,DepartamentodeCirurgiaOrtopédica,PortoAlegre,RS,Brasil bHospitalMãedeDeus,DepartamentodeRadiologia,PortoAlegre,RS,Brasil

cUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul,HospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA),DepartamentodeCirurgiaOrtopédica,Porto

Alegre,RS,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem30denovembrode 2016

Aceitoem26dejaneirode2017

On-lineem19deagostode2017

Palavras-chave:

Impactofemoroacetabular Articulac¸ãodoquadril Futebol

Ressonânciamagnética

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Determinaraprevalênciadamorfologiadeimpactofemoroacetabular(MIFA),tipo

camoupincer,porressonânciamagnética(RM)emjogadoresdefutebolentre13e18anose assintomáticos,bemcomoavaliarapossívelcorrelac¸ãoentreasalterac¸õesobservadasna RMeosachadosdoexameclínico.

Métodos:Foramanalisados112quadrisde56jogadores(médiade15,3anos).Asimagens foramexaminadaspordoisradiologistasmusculoesqueléticos,comoobjetivodeidentificar sinaisdeMIFA.Adeformidade(impacto)dotipocamfoidiagnosticadaquandooânguloalfa

≥55◦oudesvioentreacabec¸aeocolofemoral<7mm.Adeformidade(impacto)dotipo

pincerfoidiagnosticadaquandooângulocentro-borda(ACB)≥35◦

ouoíndiceacetabular

≤0◦

.Outrasalterac¸õescaracterísticasdeMIFAforamobservadasnaRM.Aamplitudede movimento(ADM)dosquadrisfoideterminadaapartirdeumexameclínico.Alémdisso, foramfeitostestesespecíficosparaimpactosanterolateraiseposteroinferiores.

Resultados:AprevalênciadeachadosdeRMconsistentescomMIFAnessapopulac¸ãofoi de84,8%(95/112).Oânguloalfafoi≥55◦em77,7%(87/112)dosquadris,enquantooACB

apresentoualterac¸õesem10,7%(12/112)dosquadris.Observou-se umaaltaprevalência deachadosqualitativosdeRMconsistentescomMIFA,inclusiveperdadeesfericidadeda cabec¸afemoral(77%),elevac¸ãoóssea(44%),edemafemoral(21%)eosteíteacetabular(9%). Otestedeimpactoanteriorfoipositivoem15%dosquadrisavaliados.

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.rboe.2017.06.005.

TrabalhodesenvolvidonaUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul,HospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA),Departamentode CirurgiaOrtopédica,PortoAlegre,RS,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.K.Yépez). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2017.06.003

(2)

Conclusão: OsexamesdeRMindicaramumaaltaprevalênciadeMIFAentrejogadoresde futeboljuvenil.Nessapopulac¸ão,nãohouvecorrelac¸ãoentreosachadosdoexamefísicoe aevidênciadeMIFAobservadanaRM.

©2017SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Prevalence

of

femoroacetabular

impingement

morphology

in

asymptomatic

youth

soccer

players:

magnetic

resonance

imaging

study

with

clinical

correlation

Keywords:

Femoroacetabularimpingement Hipjoint

Soccer

Magneticresonanceimaging

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective: Todetermine theprevalence offemoroacetabular impingementmorphology (FAIM),cam-orpincer-type,bymagneticresonanceimaging(MRI)inasymptomatic ado-lescentsoccerplayers,andtoevaluatethepossiblecorrelationbetweenalterationsonMRI andclinicalexaminationfindings.

Methods: Across-sectionalstudywasconductedtodeterminetheprevalenceofFAIMin asymptomaticyouthsoccerplayersaged13–18years.Atotalof112hipsin56players(mean age15.3years)wereevaluatedbyMRI.Imageswereexaminedbytwomusculoskeletal radi-ologistsforsignsofFAIM.Cam-type(impingement)deformitywasdiagnosedbyalphaangle

≥55◦orhead–neckoffset<7mm.Pincer-type(impingement)deformitywasdiagnosedby

center-edgeangle(CEA)≥35◦oracetabularindex0.OtherMRIchanges,characteristic

ofFAIM,wereobserved.Clinicalexaminationwasperformedtodeterminetherangeof motion(ROM)ofthehips.Inaddition,specifictestsforanterolateralandposteroinferior impingementwereperformed.

Results: TheprevalenceofMRIfindingsconsistentwithFAIMamongthisyoungpopulation was84.8%(95/112).Thealphaanglewas≥55◦in77.7%(87/112)ofhips,whiletheCEAwas

alteredin10.7%(12/112)ofhips.QualitativeMRIfindingsconsistentwithFAIMwerehighly prevalent,andincludedlossofsphericityofthefemoralhead(77%),osseousbump(44%), femoralneckedema(21%),andacetabularosteitis(9%).Theanteriorimpingementtestwas positivein15%ofthehipsevaluated.

Conclusion: YouthsoccerplayershaveahighprevalenceofFAIMasdiagnosedbyMRI.There isnocorrelationbetweenphysicalexaminationfindingsandMRIevidenceofFAIMinthis population.

©2017SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Oimpactofemoroacetabular(IFA)éumadoenc¸aresultantedo contatoanormalentreacabec¸adofêmureabordado ace-tábulo,geralmentecausadaporumaalterac¸ãonamorfologia dofêmurproximale/ouacetábulo.1–4Ganzetal.2descreveram

doismecanismosbásicosdoIFA:camepincer.Omecanismo tipocamocorreempacientescomcabec¸afemoralnãoesférica oucomadiminuic¸ãodooffsetcabec¸a-colo.Aáreadoimpacto estánormalmentelocalizadanaparteanterolateraldajunc¸ão cabec¸a-colodofêmur.Poroutrolado,oimpactotipopinceré caracterizadoporexcessodecoberturaacetabularcausadapor umaparedeanterioraumentada.1,2,4,5

O IFApode diminuir a amplitude de movimento (ADM) do quadril, especialmente na rotac¸ão interna (RI) com o quadril fletido.2,6 O IFA causa dor no quadril agravada

pelaatividade física eocorre principalmente empacientes

adultosjovens.4,5 Os sintomasclínicosgeralmente nãosão

observados antes da idade adulta. Entretanto, a morfolo-gia do IFA (MIFA) tem sido cada vez mais detectada na populac¸ãopediátrica.7 Ospacientes costumamdesenvolver

lesõesnacartilagemenolábioacetabular,quepodem pro-gredir para osteoartrite (OA) do quadril se as alterac¸ões anatômicasnãoforemtratadasouseaatividadefísicanãofor modificada.2,8–10

Pacientesadolescentesquepraticamesportesgeralmente fazem atividades de alto impacto que exigem movimen-tos extremosdo quadril,o quepode predispora impactos maisfrequentesemaisintensosentreofêmurproximaleo acetábulo.11

(3)

desempenhoapresentaramumaalta incidênciade IFAtipo cam.3,12

Esteestudotevecomoobjetivodeterminaraprevalência de MIFA (tipo cam e pincer) em jogadores de futebol juve-nilassintomáticos,conformediagnosticadoporressonância magnética(RM).Os pacientestambémforam submetidos a umaavaliac¸ãoclínicadasarticulac¸õesdoquadrilpara verifi-carpossíveiscorrelac¸õesentreasalterac¸õesnaRMeossinais clínicosdeIFA.

Material

e

métodos

Dadosdemográficos

Entrejulhode 2012ajulho de2013,foram selecionados56 atletasdeumaequipedefuteboljuvenilbrasileiradeprimeira divisãoparaparticipardoestudo.Essesatletaspraticam fute-bolemnívelcompetitivo,treinamemmédiacincohoraspor dia.Todososatletastinhamentre13e18anosenão apre-sentavamsintomadepatologiadoquadril.Oladodominante decadaatletafoiidentificado.Oscritériosdeexclusãopara esteestudoforamhistóriadetratamentoparadorrelacionada àarticulac¸ãodoquadrilecontraindicac¸õesouintolerânciaà RM.

Otermo de consentimentolivreeesclarecido,aprovado peloConselhodeRevisãoInstitucionallocal,foiassinadopor todos osatletas oupelos paisouresponsáveis, no casode atletasmenoresde18anos.

Avaliac¸ãodeRM

ARMfoifeitaemumaparelhode1,5T,comosseguintes parâ-metros:sequências coronaispanorâmicas emT1, inclusive ambososquadris(tempodeecode10-14etempoderepetic¸ão entre400e600ms)eemT2(temposdeeco de35-70mse tempoderepetic¸ãoentre2.000e3.500ms),comuma espes-surade cortede5mmematrizde linhade512×256,com campodevisãode33-36cm.Alémdisso,tambémforam fei-tassequênciasemT2focadasnasarticulac¸õesdoquadril,com esemsaturac¸ãodegorduranoscortescoronal,sagitale oblí-quoaxial,comumaespessuradecortede4mmematrizde linhade384×224,comcampodevisãode22-25cm.

Combasenaaparênciada epífisefemoralcapitalàRM, osparticipantesforamestratificadosentreaquelescomplaca epifisáriaabertaefechada.

AMIFAtipocamfoiavaliadapelamedidadoânguloalfa edooffsetcabec¸a-colofemoral.Oânguloalfafoimedidoem sequênciaaxialoblíqua,conformedescritonaliteratura.Os participantescomânguloalfa≥55◦foramdiagnosticadoscom

MIFAtipocam13,14(fig.1).

Ooffsetcabec¸a-colofoimedidopelodesenhodeumalinha quepassavapelocentrodacabec¸aedocolofemoraleduas linhasparalelas,umaaolongodocórtexanteriordocolo femo-raleoutraaolongodaborda anteriordacabec¸afemoral.A distânciaentreassegundaeterceiralinhascorrespondeao

offsetcabec¸a-colo.Distânciasinferioresa7mmsãoindicativas dedeformidadedotipocam15(fig.2).

O diagnóstico de MIFA tipo pincer foi estabelecido pelo ângulo centro-borda (ACB; ângulo de Wiberg) e o índice

Figura1–RMdoquadrildireito(vistaoblíquaaxial)paraa

medic¸ãodoânguloalfa.Imagemrepresentativade

alterac¸ãonoânguloalfa.

Figura2–Offsetcabec¸a-colofemoral<7,indicativode deformidadedotipocam.

acetabular(IA;ângulodeTönnis).ACB≥39◦ ouIA0são

indicativosdedeformidadedotipopincer.OACBfoimedidono planocoronal,entreumalinhaverticalquepassapelocentro dacabec¸afemoraleumalinhaquevaidocentrodacabec¸a femoralatéabordalateraldoacetábulo.OIAédefinidocomo oânguloentreumalinhahorizontaleumaoutralinhaqueliga opontomédiodazonaescleróticadotetoacetabularàborda lateraldoacetábulo16,17(fig.3).

As seguintes alterac¸ões na RM também foram con-sideradas consistentes com IFA: proeminência óssea,18

infiltrac¸ão sinovial6,7,14,19–22 e edema ósseo no colo do

(4)

Figura3–ACBeIA,indicativosdedeformidadedotipo pincer.

Examefísico

Oexamefísicodoquadrilfoifeitoporumortopedista espe-cializadoemcirurgiadoquadril.AADMfoimedidacomum goniômetromanualemflexão,extensão,RI,rotac¸ãoexterna (RE),aduc¸ãoeabduc¸ão.Alémdisso,foramfeitostestes espe-cíficosparaosimpactosanterolateraleposteroinferior.

Otestede impactoanterior foi feitocomo paciente na posic¸ãodedecúbitodorsal,com oquadril fletido a90◦ em

aduc¸ãoeRE.Otestefoiconsideradopositivoseprovocasse dor.2,6

Otestede impacto posteroinferiorfoi feitocom o paci-enteemposic¸ãosupina,com aperna penduradanaborda da mesa de exame em extensão e RE. Mais uma vez, o teste era considerado positivo se o paciente relatasse dor.20,23

Análiseestatística

Doisradiologistasmusculoesqueléticosindependentes,cegos paraosachadosdoexamefísico,analisaramasimagensde RM.Aconcordânciaentreos resultadosfoi avaliadacomo índicekappa,consideradosatisfatóriose>0,7.Casohouvesse discrepânciaentreosexaminadores,umterceiroradiologista experienteavaliariaasimagens.

Osresultadosforaminseridosemumaplanilhado Micro-soft Excel e exportados para o programa PASW Statistics, versão 18.0, para análise. As variáveis quantitativas foram descritaspormeiodemédiaedesvio-padrãoeasvariáveis

Tabela1–Distribuic¸ãodospacientesporidade

Idade n %

13 7 12,5

14 15 26,8

15 10 17,9

16 11 19,6

17 7 12,5

18 6 10,7

Total 56 100,0

qualitativaspormeiodefrequênciaabsolutaerelativa.A pre-valênciafoirelatadacomintervalosdeconfianc¸ade95%.As variáveiscontínuasforamcomparadascomotestetde Stu-dentparavariáveisindependentes.

Resultados

Dadosdemográficosiniciais

Foram incluídos no estudo 56 atletas do sexo masculino (112 quadris). Nenhum foi excluído. A idade média foi de 15,3anos.Atabela1apresentaadistribuic¸ãoetáriada amos-tra.Oladodireitoeraodominanteem80,3%(45/56)dosatletas. Nãoseobservoudiferenc¸asignificativanaprevalênciadeMIFA nacomparac¸ãodosquadrisdominantescom os contralate-rais.

AchadosàRM

Aconcordânciaentreosachadosdosradiologistas examina-doresfoisatisfatória,nãofoinecessáriaaanálisepeloterceiro radiologista.Oânguloalfaapresentouamelhorconcordância interavaliador,comumcoeficientekappade0,91.

AprevalênciadeanormalidadescaracterísticasdaMIFAfoi de84,8%(95/112;IC95%:78-91,5%).Atabela2apresentaas alterac¸õesobservadasnaRMesuasrespectivasprevalências. Ânguloalfaanormal(≥55◦)foiobservadoem77,7%(87/112)

dos quadris,enquanto 57% (64/112) da amostra apresenta-ramanormalidadesnooffsetcabec¸a-colofemoral(<7mm).O

Tabela2–PrevalênciaderesultadosàRMindicativos demorfologiadoimpactofemoroacetabularnaamostra (n=56,112quadris)

AchadosàRM Prevalência(%) IC95%

Perdadeesfericidade 73 65–82

Diminuic¸ãodocabec¸a-colo femoral

57 48–66

Ânguloalfa≥ 55◦ 77,7 69,8–85,5

Índiceacetabular≤ 0◦ 0 0

ÂngulodeWiberg≥ 39◦ 10,7 4,9–16,5

Proeminênciaóssea 44 34–53

Infiltrac¸ãosinovial 4 0–7

EMOnajunc¸ãocabec¸a/colo 21 14–29

Lesãolabral 8 3–13

Lesãolabraldegenerativa 2 1–4

Osteíteacetabular 9 4–14

Lesõescondrais 3 0–6

(5)

Tabela3–Númerodealterac¸õesàRMencontradas naamostra(n=56,112quadris)

Númerode alterac¸ões

Frequência (%)

Percentagem Percentagem cumulativa

0 17 15,2 15,2

1 9 8,0 23,2

2 8 7,1 30,4

3 20 17,9 48,2

4 24 21,4 69,6

5 19 17,0 86,6

6 11 9,8 96,4

7 2 1,8 98,2

8 2 1,8 100,0

Total 112 100,0

ânguloalfaestavaalteradoemtodososindivíduoscomoffset reduzido.Aplacaepifisáriaestavaabertaem23,2%(13/56)dos atletas.Nãoforamobservadasdiferenc¸assignificativasna pre-valênciadealterac¸ãonoânguloalfaentreatletascomplaca epifisáriaabertaeaquelescomplacaepifisáriafechada.

Apósaestratificac¸ãodosatletasporidade,aprevalência dealterac¸ãonoânguloalfavariouentre63,6%(7/11),em indi-víduoscom16anos,e100%(6/6),naquelescom18anos.Não foramobservadasdiferenc¸assignificativasnaprevalênciaem diferentesidades.

Constatou-se a presenc¸a de áreas com edema medular ósseo (EMO) na junc¸ão cabec¸a-colo femoral de 24 quadris (21%).Todosos24quadrisapresentaramoânguloalfaelevado. Foramidentificadaslesõesdolábioacetabularem10quadris elesõescondrais,emtrês.

Todos os quadris apresentavam IA ≥ 2◦. Observou-se ACB>39◦em10,7%(12/112)dosquadris,oqueindicaum diag-nósticodedeformidadedotipopincer.

A análise conjunta dos achados na RM (tabela 3) mos-trouqueamaioriadosquadris(76,8%)apresentavamaisde umaalterac¸ãosugestivade IFA,>50%apresentavam quatro oumaisdessasalterac¸ões.

Correlac¸ãoentreRMeexamefísico

Atabela 4apresenta osresultados da ADM. Não se obser-vouumaassociac¸ãosignificativaentreADMeachadosdeRM consistentescomIFA.Emrelac¸ãoaostestesdeimpacto pos-teroinferioreanterolateral,oprimeirofoinegativoemtodos osatletas,enquantoosegundofoipositivoem17quadris,dos quais15apresentaramresultadossugestivosdeIFAnaRM. Nãofoiobservadaumadiferenc¸asignificativanaprevalência deresultadospositivosnotestedeimpactoentrequadriscom esemsinaisdeIFA.Mesmoquandoumânguloalfa≥65◦foi

consideradocomodiagnósticodeimpactodotipocam,nãofoi observadacorrelac¸ãoentreoânguloalfaeotestedeimpacto anterolateralpositivo.Asalterac¸õesnaRMeosachadosdo examefísiconãoestavamcorrelacionados.

Discussão

Apráticadeatividade físicaduranteafasedecrescimento ósseo pode estar associada a ummaior risco de deformi-dadeIFA,queporsuavezpodeprogredirparaOAdoquadril

Tabela4–Resultadosdostestesdeamplitudede movimento(ADM)empacientescomesemevidência demorfologiadoimpactofemoroacetabularnaRM

Variável Com

evidênciade MIFAnaRM

Sem evidênciade

MIFAnaRM

p

Flexão 127,9± 5,6 126,5± 7,8 0,48 Extensão 9,9± 1,5 10,6± 1,7 0,12

Aduc¸ão 32±4,5 31,5±3,4 0,64

Abduc¸ão 47,4± 4,4 48,5± 3,8 0,31

RI 43± 11,2 46,8± 10,7 0,2

RE 49,3± 8,2 48,2± 4,6 0,43

IFA, impactofemoroacetabular; RE,rotac¸ão externa;RI, rotac¸ão interna;RM,ressonânciamagnética.

Resultadosexpressoscomomédia± desvio-padrão.Valoresdepno testetdeStudentparaamostrasindependentes.

durante aidadeadulta.Estefoioprimeiroestudoque ava-liouaprevalênciadealterac¸õesàRMcompatíveiscomMIFA emjogadoresdefuteboljuvenilassintomáticoseanalisoua potencial correlac¸ãoentreessasmudanc¸aseosachadosdo examefísico.

Naamostradopresenteestudo,aprevalênciadealterac¸ões naRMindicativasdeMIFAfoide84,8%.Essaéuma preva-lênciamaiselevadadoquearelatadaemestudosanteriores emjogadoresdefutebol.24–26Considerando-seapenasa

pre-valênciadeânguloalfapatológico(≥55◦,deformidadetipo

cam), a taxa de 77,7% encontrada no presente estudo foi maiordoquearelatadaporGerhardtetal.25(68%)eJohnson

etal.26(60%).Ambososestudosavaliaramjogadoresde

fute-boladultoscomradiografiasimples.Aprevalênciaobservada nopresenteestudotambémfoisuperioràde26%relatadapor Agricolaetal.,queavaliaramjogadoresdefutebol adolescen-tescomradiografiasimples,masconsideraramoânguloalfa comoanormalapenasquando>60◦.24–26 Issopodeser

expli-cadopelamaiorsensibilidadedaRMemrelac¸ãoàradiografia simples na identificac¸ão das alterac¸ões que caracterizam IFA.27–29 Aexcelenteconcordânciaentreosradiologistasna

mensurac¸ãodoânguloalfa,comumkappade0,91,demonstra areprodutibilidadedaRMnodiagnósticodeimpactodotipo

cam.

Napresenteamostra,osachadosdedeformidadetipocam

foram muitosemelhantesaosrelatadosemestudos anteri-oresematletasadolescentespraticantesdeoutrosesportes. Siebenrocketal.30relataramumaprevalênciade89%de

defor-midadetipocamemjogadoresdebasquetedenovea25anos, inclusiveindivíduoscomfechamentodaplacaepifisária. Phi-lipponetal.observaramânguloalfa≥55◦em75%dejogadores

dehóqueientre10e18anos.21

Aprevalênciadedeformidadedotipocamobservadano presenteestudofoicomparadacomosresultados deFrank

etal.31emumarevisãosistemáticasobreprevalênciadeMIFA

em voluntários assintomáticos. Os resultados do presente estudoforammaioresdoqueaprevalênciade37-54,8% obser-vadaematletasemuitomaiselevadosdoqueaprevalência de23,1%napopulac¸ãogeral.

UmaaltaprevalênciadeMIFAtipocamematletasjovens de alto nívelcorrobora a hipóteseproposta porSiebenrock

(6)

amaiorincidênciadessadeformidade,provavelmentedevido aoalargamentoda placaepifisária. AevidênciadeEMO na junc¸ão da cabec¸a-colo femoral, presente na RM de 21,4% (24/112)dosquadrisnessaamostraéaltamentesugestivade mudanc¸asrelacionadasaoestresse,oquesugereIFAativoe provavelmenteprecedeodesenvolvimentodedeformidadede proeminênciaósseanajunc¸ãocabec¸a-colofemoral.

A prevalência de deformidade tipo cam foi semelhante entreatletascomplacasepifisáriasabertasefechadas,oque sugerequeessadeformidadeseformaantesdofimdo cres-cimentoda placa epifisária.Seessa lesão forcausadapelo estresseporpinc¸amentoósseo,quantomaisprecoceoinício doestresse,maioropotencialdedanos,jáqueoesqueleto imaturoémaiscomplacenteepodeserfacilmente remode-ladoporforc¸asanormais.

Nãoseobservouumacorrelac¸ãoentreoladodominantee aprevalênciadeMIFA,oquesugerequeessanãoécausada porumaatividadeouummovimentoespecífico.Oestresse simplessobreaepífiseduranteasatividadesfísicaspoderia explicaraaltaprevalênciadeMIFAtipocam.

Aidentificac¸ãodeduasoumaisalterac¸õesàRMindicativas deIFAem76,8%dosquadris,emumaamostrainteiramente assintomática,destacaaimportânciadeumaavaliac¸ão cuida-dosaaorecomendarprocedimentoscirúrgicosempacientes nosquais odiagnóstico foi baseadounicamente nos acha-dos da RM. O monitoramento de atletas poderia ajudar a identificarquantos dessespacientes desenvolveriam sinto-masquelevariamàindicac¸ãodecirurgia.Oacompanhamento daamostraatualpermitiriaidentificaraincidênciadelesões condraiselabiaisemjogadoresdefuteboljuvenil,bemcomo identificarqualníveldepráticaesportivapoderiaser conside-radocomofatorderiscoparaOAdoquadril.

Nãoseobservaramdiferenc¸assignificativasnosresultados daADMounotestedeimpactoanterolaterale posteroinfe-rioraosecompararematletascomsinaisdeimpactonaRM eatletascomquadrisnormais.Issosugereque,emjogadores defuteboljuvenilassintomáticos,osachadosdoexamefísico nãosãoconclusivosquantoaodiagnósticodeIFA.Alémdisso, esseachadoindicaqueaRMpoderevelaranormalidades con-sistentescomaMIFAantesqueessassejamperceptíveisno exameclínico.

Arelac¸ãoinversaentreoaumentodaprevalênciadaIFA ereduc¸ãonaRIdescritosnaliteraturanãofoiconfirmadano presenteestudo,provavelmenteporqueaamostraera assin-tomáticaemuitojovem(ouseja,umapopulac¸ãosubclínica).32

Qualquerreduc¸ãonaRIounaREpodeserimportante,devido àpossibilidadedeaumentodoriscoderupturadoligamento cruzadoanterior.33

Limitac¸ões

Aslimitac¸õesdesteestudoincluemaausênciadeumgrupo controledeadolescentesquenãopraticassematividades físi-casemníveldecompetic¸ão.Osautoresplanejamfazer um estudodecaso-controle pareado para avaliaraprevalência dessesachadosemumapopulac¸ãonormal.Alémdisso,afaixa etáriadosatletaspoderiatersidoestendidaatéos10anos,o queteriapermitidoumamelhoravaliac¸ãodomomento do iníciodaMIFA,especialmentedotipocam.

Conclusão

Observou-seumaalta prevalênciade anormalidades carac-terísticasdaMIFAnaRMdejogadoresdefuteboljuvenil.Os achadosdoexamefísiconãoestavamcorrelacionadosà evi-dênciadeMIFAnaRM.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

r

e

f

e

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ê

n

c

i

a

s

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Imagem

Figura 1 – RM do quadril direito (vista oblíqua axial) para a medic¸ão do ângulo alfa
Figura 3 – ACB e IA, indicativos de deformidade do tipo pincer.
Tabela 4 – Resultados dos testes de amplitude de movimento (ADM) em pacientes com e sem evidência de morfologia do impacto femoroacetabular na RM

Referências

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