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Braz. j. . vol.82 número2

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Academic year: 2018

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Braz J Otorhinolaryngol. 2016;82(2):121-122

© 2015 Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licença CC BY (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt).

www.bjorl.org.br

OTORHINOLARYNGOLOGY

Brazilian Journal of

EDITORIAL

The inappropriate use of antibiotics in upper

respiratory tract infections: it is time for action

Uso inadequado de antibióticos em infecções do trato

respiratório superior: é tempo de agir

Os antibióticos constituem uma das maiores descobertas na

Medicina e diminuíram signiicativamente as taxas de mor -talidade e morbidade por doenças infecciosas nos últimos

75 anos. No entanto, grandes volumes de antibióticos são

empregados empirica e inadequadamente, sobretudo para o tratamento de infecções do trato respiratório superior.

A maioria das infecções adquiridas na comunidade é

ini-cialmente causada por agentes virais, autolimitada em sua evolução clínica e dispensa a antibioticoterapia. Um peque -no percentual é complicado por infecções bacterianas secun-dárias e, nesses casos, os antibióticos podem ser úteis.

Diversos fatores podem ser responsáveis pelo uso inadequado de antibióticos: carência de exames laboratoriais rápidos e precisos que diferenciem infecções bacterianas de virais; pacientes acreditam que antibióticos aliviam sintomas como

a febre e a dor, e pressionam seus médicos para que

prescre-vam esses medicamentos quando seus sintomas não melho -ram prontamente com outros tratamentos clínicos; e médicos

que praticam a medicina defensiva; e, em muitos países, os

antibióticos podem ser adquiridos sem receita, e os médicos

sentem diiculdade em identiicar pacientes em alto risco para complicações bacterianas, como idosos, indivíduos imu -nocomprometidos e portadores de doenças crônicas.

Em nível mundial, o Brasil é o quarto maior consumidor de medicamentos – e 40% deles são antibióticos. Desde 2011, as farmácias brasileiras não têm permissão para vender antibi -óticos sem receita médica e, desde 2013, todas as farmácias

devem submeter à ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) uma comunicação eletrônica relacionada às recei

-tas de antibióticos. No primeiro ano que se seguiu à imple

-mentação desta política, ocorreu uma queda de 20% nas

prescrições de antibióticos, mas, logo em seguida, o número

voltou a crescer.

Alergias, efeitos colaterais, como, por exemplo, sintomas gastrintestinais e toxicidade (hepática, renal, neurológica, cardíaca e teratogenicidade), já foram devidamente descri -tos e podem ocorrer com a maioria das classes antibióticas.

Habitualmente, observa-se resistência aos antibióticos e, em

alguns casos, com bactérias multirresistentes nas infecções nosocomiais; mas isso também ocorre em infecções na co-munidade.

Atualmente, contamos com poucas novas classes disponí

-veis de antibióticos, e é muito importante que esses medica

-mentos de uso comum sejam preservados, particularmente a classe dos B-lactâmicos, que se caracteriza por baixa toxici

-dade na maioria dos pacientes, inclusive neonatos, crianças, gestantes e idosos. Quando há indicação para o seu uso, os critérios básicos para emprego devem ser constantemente

reforçados no tratamento, com base nas orientações

interna-cionais e locais para cada categoria de infecção. Os efeitos colaterais e a toxicidade são fatores relevantes para o pacien

-te individualmen-te, mas a resistência bac-teriana é relevan-te

para a comunidade como um todo.

Outro tópico importante e recente é o dos efeitos em lon-go prazo dos antibióticos no microbioma humano, que podem

persistir ao longo de toda a vida do indivíduo e que estão provavelmente associados a doenças inlamatórias crônicas,

e até mesmo a alguns tipos de neoplasia.

Todos esses tópicos são importantes, sendo abordados glo

-balmente por diferentes instituições e sociedades cientíicas, governos, ONGs e organizações privadas para a promoção do

uso racional dos antibióticos. Médicos, farmacêuticos e

pa-cientes são corresponsáveis pelo sucesso dessa empreitada, e os otorrinolaringologistas devem se envolver integralmen

-DOI se refere ao artigo: http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2015.12.003 ☆

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122 EDITORIAL

World Health Organization. The evolving threat of antimicrobial re -sistance — options for action; 2012 http://whqlibdoc.who.int/ publications/2012/978024.

National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE). Clinical

guideline 69. Respiratory tract infections — antibiotic prescri-bing. Prescribing of antibiotics for self-limiting respiratory tract infections and in adults and children in primary care; 2008 http://www.nice.org.uk/cg069.

Antonio Carlos Campos Pignataria,*,

Monica Menon Myakeb

a Disciplina de Doenças Infecciosas, Universidade Federal

de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil

b Núcleo de Otorrinolaringologia do Hospital Sírio

Libanês, São Paulo, SP, Brasil

* Autor para correspondência

E-mail: [email protected] (A.C.C. Pignatari).

te. Justiica-se um maior esforço na educação, treinamento

e pesquisa, mas, no presente momento, o empenho de cada

indivíduo é essencial.

Conlitos de interesse

Os autores declaram não haver conlitos de interesse.

Leitura recomendada

Essak S, Pignatari AC. A framework for the non-antibiotic manage -ment of upper respiratory tract infections: towards a global

chan-ge in antibiotic resistance. Int J Clin Pract Suppl. 2013;180:4-9. Van der Velden A, Duerden MG, Bell J, Oxford JS, Altiner A, Kozlov

R, et al. Prescribers and patients’ responsibilities in treatment of

acute respiratory tract infections — essential for conservation of

Referências

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