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Cad. Saúde Pública vol.15 número1

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Academic year: 2018

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Cad . Saúd e Púb lic a, Rio d e Jane iro , 15(1):4-5, jan-mar, 1999

Em p re sta n d o à e p id e m io lo gia o m o te clá ssico d a s ‘d o e n ça s e m p o p u la çõ e s’, e in ve rte n d o su a p rim eira p arte p ara ‘saú d e d as p op u lações’, p od e-se d izer q u e essa exp ressão d efin e, d e u m m od o ab ran gen te, tod o o cam p o d a saú d e coletiva. Nas su as várias d im en sões d iscip li-n a re s, o s d o is t e r m o s d e ssa e xp re ssã o e st ã o co li-n t e m p la d o s d e u m m o d o o u d e o u t r o. Em su a origem h istórica, n o p reven tivism o clássico, esta relação era o fu n d am en to d e in terven -çõ es m a ciça s so b re a so cied a d e, even tu a lm en te co m gra u im p o rta n te d e eficá cia , m esm o q u e d e m od o b ru tal. Ain d a q u e m atizad a, esta verten te d e in terven ção está ain d a h oje p re-sen te com m aior ou m en or in ten sid ad e d e u m m od o d ifu so em n ossa área, q u er m ais exp li-cita m en te, co m o n o ca so d a s a tivid a d es d e p la n eja m en to e a d m in istra çã o em sa ú d e, q u er m a is in d ireta m en te, n o ca so d a s reco m en d a çõ es d eriva d a s d o s estu d o s ep id em io ló gico s. D it o d e o u t ra fo r m a , p a r t e im p o r t a n t e d o c o n h e c im e n t o p r o d u zid o o u u t iliza d o n e st e ca m p o t ã o co m p le xo e st á a se r viço d e p r á t ica s n o r m a t iva s, o q u e t ra z in va r ia ve l-m en te a n ecessid a d e d e u l-m p ro p ó sito ético co l-m o id ea l regu la d o r. A u tiliza çã o a crítica d o c o n h e c im e n t o t é c n ic o e m in t e r ve n ç õ e s n o s c o le t ivo s h u m a n o s é u m t e m a já b a st a n t e a b o rd a d o, ta n to n a s d iscu ssõ e s so b re o ca rá te r te cn o crá tico d e u m a o u o u tra p o lítica go -vern a m en ta l, q u a n to em u m n ível m en or n o exa m e d a s rela ções d e p od er en tre esp ecia lis-ta s e p op u la çã o, com o, p or exem p lo, n a já exten sa litera tu ra sob re o p rocesso d e m ed ica li-za çã o so cia l. O fa t o d e a p ro d u çã o so b re e st e t e m a se r e xt e n sa n ã o q u e r d ize r, co n t u d o, q u e se esteja a ten ta n d o d evid a m en te p a ra a s su a s im p lica çõ es.

Um a lin h a d e in ve st iga çã o n e sse se n t id o, co m p ro je t o s e m vá r io s ce n t ro s d e p e s-q u isa e m n o sso p a ís, é a d a s vá r ia s a b o rd a ge n s so b re o p ro ce sso d e p ro d u çã o e va lid a çã o d o co n h ecim en to cien tífico. Esta a b o rd a gem é estra tégica p o r ser este tip o d e sa b er o q u e d eterm in a o sen tid o e a ló gica d a s in terven çõ es so b re o sociu sn o s m o ld es critica d o s. Na s p a la vra s d e u m d esses p esq u isa d ores, “está m ais d o qu e n a h ora d e recu p erar u m a caracte-rística cen tral d o ilu m in ism o: a crítica, m esm o se, com o se verá, o seu exercício d evesse h oje d en u n ciar a u n ilateralid ad e d o ilu m in ism o e d a civiliz ação forjad a p ela m od ern id ad e.”1

Os d a n o s c a u sa d o s p o r e ssa ló gic a , q u e su p õ e u m a ra zã o o n ip o t e n t e , a o m e sm o tem p o p erscru ta d ora d e tu d o e a sa lvo d e q u a lq u er in q u iriçã o, sã o b a sta n te evid en tes, p or e xe m p lo, n a s co n se q ü ê n cia s so cia is e p o lítica s d o p rim a d o d a s id é ia s n e o lib e ra is n a ge s-t ã o d a e co n o m ia e m d ive rso s p a íse s d a Am é rica La s-t in a . Me n o s ó bvio s, m a s n e m p o r isso m en os im p orta n tes, sã o os im p a ctos con tín u os d a tra d u çã o n ã o m ed ia d a d o con h ecim en -to p ro d u zid o em co n d içõ es co n tro la d a s n o la b o ra tó rio p a ra o co tid ia n o d a s p o p u la çõ es.

Tom e-se com o exem p lo a s p rim eira s a firm a ções feita s sob re a AIDS n o in ício d a d é-c a d a d e 80. A d ivu lga ç ã o d a e xp re ssã o ‘gr u p o d e r isé-c o’ e o s é-c o n é-c e it o s a e st a a sso é-c ia d o s tro u xe ra m o re fo rço d e ve lh o s p re co n ce ito s e a fa lsa se n sa çã o d e se gu ra n ça p a ra a q u e le s q u e n ã o se id e n tifica ra m co m a s ca te go r ia s ta xo n ô m ica s d e e n tã o, co m im p a cto s n e ga ti-vo s q u e se fa zem sen tir a in d a h o je, m a is d e 15 a n o s d ep o is.

Esta s o b serva çõ es n ã o têm co m o o b jetivo p ô r em ca u sa a u tilid a d e d o sa b er cien tí-fico n o en fren ta m en to d o s d esa fio s d a sa ú d e co letiva , m a s d em o n stra r q u e, co m o p ro p ô s Boa ven tu ra d e Sou za Sa n tos2: “(...) só ap lican d o a ciên cia con tra a ciên cia é p ossível levá-la

a d iz er n ão só o qu e sabe d e si, m as tu d o aqu ilo qu e tem d e ign orar a seu resp eito p ara p od er saber d a socied ad e o qu e esp eram os qu e ela saiba.” Ain d a se gu n d o e ste a u to r: “A lu ta p ela ciên cia p ós-m od ern a e p ela ap licação ed ifican te d o con h ecim en to cien tífico é, sim u ltan ea-m en te, a lu ta p or u ea-m a socied ad e qu e as torn e p ossíveis e ea-m axiea-m ize a su a vigên cia.”2

Ken n et h Roch el d e Ca m a rgo Jr.

In st it u t o d e M ed icin a Socia l, Un iv ersid a d e d o Est a d o d o Rio d e Ja n eiro

1 Plastin o, C. A., 1996. Os h orizon tes de Prom eteu . Ph ysis, 6:195-216.

2 San tos, B. S., 1988. In trod u ção a u m a Ciên cia Pós-m od ern a.Rio d e Ja n eiro : Ed ito ra Gra a l.

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Cad . Saúd e Púb lic a, Rio d e Jane iro , 15(1):4-5, jan-mar, 1999

By a sc r ib in g t o Ep id e m io lo gy it s t ra d it io n a l re a d in g a s “d ise a se s in p o p u la t io n s” a n d swit ch in g t h e first p a r t so a s t o re a d “t h e h e a lt h o f p o p u la t io n s”, o n e ca n sa y t h a t t h e e x-p re ssio n d e fin e s th e e n tire fie ld o f Co lle ctive He a lth . Th e two te rm s in th e e xx-p re ssio n a re a p p ro a ch e d t h e m a t ica lly o n e wa y o r a n o t h e r in t h e fie ld ’s va rio u s d im e n sio n s. At it s h is-torica l origin s, in cla ssica l p reven tive m ed icin e, th is rela tion sh ip p rovid ed th e grou n d work fo r b ro a d in te rve n tio n s in so cie ty, a t tim e s with a m a jo r d e gre e o f e ffica cy, e ve n wh e n th e fo rm wa s b ru ta l. Alth o u gh m o d ified , th is wa tersh ed o f h ea lth in ter ven tio n s is still p resen t to a grea ter o r lesser exten t, p er m ea tin g o u r field , so m etim es exp licitly, a s in Hea lth Pla n n in g a n d Ma n a ge m e n t a ct ivit ie s, a n d o t h e r t im e s m o re in d ire ct ly, a s wit h re co m m e n d a -tio n s b a sed o n ep id em io lo gica l stu d ies.

To p u t it a n o th er wa y, a releva n t p o rtio n o f th e kn owled ge p ro d u ced o r u sed by th is h igh ly com p lex field is a t th e ser vice of n orm a tive p ra ctices, in va ria b ly ra isin g th e n eed for a n e th ica l p u rp o se a s a re gu la to r y id e a l. Th e u n critica l u tiliza tio n o f te ch n ica l kn owle d ge in in terven tio n s in vo lvin g h u m a n co m m u n ities h a s b een a p p ro a ch ed exten sively, b o th in d iscu ssio n s o n th e te ch n o cra tic n a tu re o f va rio u s gove rn m e n t p o licie s a n d a t a m o re m icro level in reviewin g p ower rela tion s b etween exp erts a n d th e p op u la tion , a s in th e exten -sive lit e ra t u re o n t h e p ro ce ss o f so cia l m e d ica liza t io n . St ill, t h e fa ct t h a t re se a rch o n t h is th em e is so exten sive d o es n o t, in itself, gu a ra n tee a su fficien t fo cu s o n its im p lica tio n s.

A lin e o f in ve st iga t io n in t h is d ire ct io n , wit h p ro je ct s in va r io u s Bra zilia n re se a rch ce n t e rs, in vo lve s t h e va r io u s a p p ro a ch e s t o t h e p r o ce ss o f p r o d u ct io n a n d va lid a t io n o f scie n t ific kn owle d ge. Th is lin e o f in ve st iga t io n is st ra t e gic p re cise ly b e ca u se t h e t yp e o f kn owled ge d eterm in es th e sen se a n d logic of in ter ven tion s in to th e sociu sin th e form crit-icized . In th e word s of on e su ch resea rch er, “Th e tim e h as com e to recover a cen tral ch arac-t erisarac-t ic of arac-t h e En ligh arac-t en m en arac-t : criarac-t iq u e, ev en if, a s w e sh a ll see, iarac-t s ex ercise arac-t od a y m u sarac-t d e-n ou e-n ce th e oe-n e-sid ed e-n ess of Ee-n ligh tee-n m ee-n t ae-n d th e civiliz atioe-n forged by m od ere-n ity”.1

Th e d a m a ge ca u se d by th is lo gic is e vid e n t, a s it p re su p p o se s a n o m n ip re se n t Re a so n t h a t sim u lt a n e o u sly scr u t in ize s e ve r yt h in g a n d is it se lf e xe m p t fro m a n y fo r m o f in -q u ir y. On e o bvio u s exa m p le in vo lves th e so cia l a n d p o litica l co n se-q u en ces o f th e p r im a cy of n eolib era l id ea s in m a n a gin g th e econ om y of va riou s La tin Am erica n n a tion s. Less obvi-o u s, b u t n obvi-o le ss im p obvi-o r t a n t , is t h e c obvi-o n t in u obvi-o u s im p a c t obvi-o f t h e u n m e d ia t e d t ra n sla t iobvi-o n obvi-o f kn owle d ge p ro d u ce d u n d e r co n t ro lle d la b o ra t o r y co n d it io n s a n d a p p lie d d ire ct ly t o t h e p o p u la tio n’s d a ily livin g co n d itio n s.

A p rim e exa m p le is th e first wa ve o f sta tem en ts co n cern in g AIDS in th e ea rly 1980s. Wid e sp re a d u se o f t h e e xp re ssio n “r isk gro u p” a n d t h e co n ce p t s a sso cia t e d wit h it r e in -fo rced existin g p reju d ices a n d ga ve a fa lse feelin g o f secu r ity to th o se wh o d id n o t id en tify with th e ta xo n o m ic ca tego ries o f th e tim e, p ro d u cin g a n ega tive im p a ct still felt to d a y, fif-teen yea rs la ter.

Su ch o b se r va t io n s a re n o t in t e n d e d t o q u e st io n t h e u se fu ln e ss o f scie n t ific kn owl-e d gowl-e in d owl-e a lin g wit h co llowl-e ct ivowl-e h owl-e a lt h ch a llowl-e n gowl-e s, ra t h owl-e r, t o d owl-e m o n st ra t owl-e, a s p ro p o sowl-e d b y Bo a ven tu ra d e So u za Sa n to s2, th a t “(...) on ly by ap p lyin g scien ce again st scien ce is it p ossi-ble to lead scien ce to say both th at w h ich it k n ow s abou t itself an d abou t everyth in g th at it m u st ign ore abou t itself in ord er to k n ow abou t society th at w h ich w e exp ect of it.”To fu rth er q u o te th is a u th o r, “Th e stru ggle for both p ost-m od ern scien ce an d th e ed ifyin g ap p lication of scien tific k n ow led ge is at th e sam e tim e th e stru ggle for a society th at m ak es su ch scien ce an d its ap p lication p ossible, w h ile m axim iz in g th eir effect”.2

Ken n et h Roch el d e Ca m a rgo Jr.

In st it u t o d e M ed icin a Socia l, Un iv ersid a d e d o Est a d o d o Rio d e Ja n eiro

1 Plastin o, C. A., 1996. Os h orizon tes de Prom eteu . Ph ysis,6:195-216.

2 San tos, B. S., 1988. In trod u ção a u m a Ciên cia Pós-m od ern a.Rio d e Ja n eiro : Ed ito ra Gra a l.

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