Quarta-feira, 25 de Outubro de 2017
Segmento: PUCRS
25/10/2017 | Diário Gaúcho | A Vida da Gente | 3
É preciso falar sobre o Bullying
Especialistas contestam se este foi o principal fator que motivou tragédia em Goiânia, mas chamam atenção para importância do debate.
O debate sobre bullying voltou à tona com o episódio do Colégio Goyases, em Goiânia (GO), onde um adolescente de 14 anos atirou contra colegas, matando dois alunos e ferindo outros quatro, na última sexta-feira. A investigação ainda está em curso, mas policia e estudantes apontaram o bullying como um dos fatores que motivaram o crime. Alunos da escola particular confirmaram que o autor dos disparos era vítima de piadas maldosas. Segundo um colega ouvido pela polícia, o adolescente era chamado de "fedorento" e
"sujo", porque não usaria desodorante. Ele já teria ameaçado de morte alguns colegas e suas famílias.
Apesar disso, não havia qualquer registro oficial no colégio sobre esse tipo de comportamento. A tragédia gerou reflexões e debates:
nas redes sociais, houve quem reafirmasse a necessidade de se levar o bullying mais a sério;houve também quem afirmasse que o bullying não era a causa principal de uma atitude tão drástica.
Banalizada
Para três especialistas ouvidas, o bullying, uma situação grave e específica de agressão, tem sido banalizado — a expressão acaba usada para descrever todo tipo de provocação. Elas não tiveram contato direto com o caso de Goiânia e por isso não se arriscam a afirmar que a hostilidade sofrida pelo autor dos disparos configurava mesmo bullying, mas psicólogos concordam ao dizer que esse tipo de violência não leva, sozinha, a consequências tão pesadas. — Depende da gravidade, do tipo de agressão sofrida. Mas o bullying é sempre algo que vai exigir atenção e ação para não resultar em casos extremos como esse — afirma a pedagoga Cléo Fante, doutora em ciências da educação.
Relação de poder
A violência acontece de fato quando esse tipo de agressão é persistente, feita com pessoas mais frágeis, visando à humilhação. — Provocações acontecem, brincadeiras acontecem. Não se pode querer que pessoas que convivem muito nunca briguem. O bullying é diferente, é uma violência — ressalta a psicóloga Carolina Lisboa, professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS. Caracteriza também esse tipo de agressão uma relação de poder imposta entre o autor, em algum aspecto mais forte, e a vítima. — E a pessoa com mais fragilidade que acaba sofrendo. Porque é mais nova, porque tem porte menor, porque possui alguma característica diferente — afirma Denise Quaresma, professora do curso de Psicologia da Feevale.
SAIBA MAIS
O QUE É O BULIYING
/// Agressão repetitiva que ocorre entre pares (colegas de aula, crianças moradoras do mesmo condomínio ou alunos da escolinha de futebol, por exemplo).
/// A prática de intimidação, humilhação ou discriminação, podendo haver também violência física, acaba por gerar isolamento social. A vítima passa a não ser convidada para brincadeiras, trabalhos em grupo ou festas.
SINAIS DE ALERTA
///A vítima pode passar a apresentar desatenção, dificuldades de aprendizagem e queda no rendimento escolar.
/// A criança não tem vontade de ir à escola e evita interações sociais com colegas.
/// Pais e professores devem estar atentos a sintomas de ansiedade e observar se a criança se mostra irritada ou agitada e se come demais. Sinais de depressão, como choro sem motivo, dificuldade para dormir, excesso de sono ou farta de apetite, também são manifestações importantes.
COMO AGIR
/// Família e escola devem atuar juntas até nos casos de cyberbullying, quando as agressões e a intimidação ocorrem via redes sociais. Vítimas e agressores podem precisar de acompanhamento psicológico.
Fonte: Carolina Lisboa, professora do Programa de Pós-graduação em Psicologia da PUCRS, especialista em bulying e cyberbullying
MARCAS FICAM PARA SEMPRE
No lado oposto da exteriorização dos sentimentos, estão as crianças e adolescentes que, na tentativa de evitar o sofrimento, acabam participando da brincadeira — rindo com os colegas quando falam de seu nariz, do sotaque, do peso, das roupas que usam. Esse tipo de atitude, porém, pode mascarar um grande sofrimento interno: apesar de rir por fora, a vítima pode estar escondendo de todos o quanto as provocações fazem mal para ela. Entre os males associados à aparente aceitação do bullying, segundo os psicólogos, estão problemas como depressão, síndrome do pânico, ansiedade exacerbada e hipervigilância, levando a vítima a acreditar que tudo o que ela faça pode estar sendo julgado.
Para quem argumenta que o bullying é uma situação antiga, comum no ambiente escolar e que, até recentemente, nunca tinha prejudicado ninguém, a pedagoga Cleo Fante destaca que as marcas desse tipo de violência podem não ser tão visíveis, mas ficam guardadas e dificilmente são superadas sem ajuda: — Há quem diga que bullying forma caráter, que serve para fortalecer. Ou pense que isso é frescura, coisa de criança. Mas o bullying em contexto escolar sempre existiu. Talvez se tenha a impressão de que a situação está ficando mais grave porque hoje o assunto é mais discutido. E talvez seja efeito de agressões do passado a violência que se tem no nosso país hoje.
25/10/2017 | Jornal do Comércio | Eduardo Bins Ely | 3
Múltiplas
O VI Jogos Estaduais dos Advogados e Estagiários, promovido pela Caixa de Assistência dos Advogados da OAB-RS, acontece nos dias 18 e 19 de novembro, no Parque Esportivo da Pucrs.
25/10/2017 | Zero Hora | Capa | 1
Tragédia de Goiânia reabre debates sobre bullying
Especialistas discutem as motivações que levaram aluno a matar colegas em escota.
DAVID COIMBRA
NINGUÉM MAIS OU MENOS SADIO METERIA UMA ARMA NA MOCHILA E DARIA 12 TIROS Sua Vida 28 e 47
25/10/2017 | Zero Hora | Sua vida | 28
Reflexões sobre bullying pós-Goiânia
ESPECIALISTAS DISCUTEM se esse tipo de violência foi o principal fator a influenciar adolescente a matar dois colegas de classe O debate sobre bullying voltou à tona com o episódio do Colégio Goyases, em Goiânia, onde um adolescente de 14 anos atirou contra colegas, matando dois alunos e ferindo outros quatro, na última sexta-feira. A investigação ainda está em curso, mas polícia e estudantes apontaram o bullying como um dos fatores que motivaram o crime.
Alunos da escola particular confirmaram que o autor dos disparos era vítima de piadas maldosas. Segundo um colega do 8º ano do Ensino Fundamental, o adolescente era chamado de "fedorento" e "sujo", por supostamente não usar desodorante. Ele já teria ameaçado de morte alguns colegas e suas famílias. Porém, não havia registro oficial no colégio sobre isso.
A tragédia de Goyases gerou reflexões e debates: nas redes sociais, houve quem reafirmasse a necessidade de se levar o bullying mais a sério; houve também quem afirmasse que o bullying não seria a causa principal de uma atitude tão drástica.
Para três especialistas ouvidas, o bullying, uma situação grave e específica de agressão, tem sido banalizado - a expressão em inglês, que não encontra tradução literal em português, acaba usada para descrever todo tipo de provocação. As entrevistadas não tiveram contato direto com o caso de Goiânia e, por isso, não arriscam afirmar que a hostilidade sofrida pelo autor dos disparos configurava bullying, mas psicólogos concordam ao dizer que esse tipo de violência, apesar de poder resultar em sequelas de curto a longo prazo, não leva, sozinha, a consequências tão pesadas.
- Depende da gravidade do bullying, do tipo de agressão, do tempo de exposição a ela, do histórico do aluno e da escola com situações semelhantes, do seu próprio histórico de vida e da experiência ao lidar com isso. É um conjunto de fatores internos e externos que vai definir qual vai ser a reação. Mas o bullying é sempre algo que vai exigir atenção e ação para não resultar em casos extremos como esse - afirma a pedagoga Cléo Fante, doutora em ciências da educação e especialista em bullying.
Desde o dia posterior ao atentado, circula nas redes sociais um texto do psicoterapeuta Jordan Campos defendendo que o caso não foi bullying. Para ele, "suicídio, depressão, implosão" são reações ao bullying muito mais prováveis do que a vontade de pegar uma arma de fogo e atirar contra colegas. O psicoterapeuta entende que "bullying não é a piada sem graça, a ofensa solta ou uma provocação por conta do odor resultante da falta de desodorante".
"O garoto matou porque tinha na sua formação de personalidade uma espécie de autorização para fazer! A identidade deste jovem de 14 anos estava formada em um alicerce que permitia isso. Ele provavelmente iria fazer isso logo, logo... Na escola, com o vizinho, na briga de trânsito ou com a namorada que terminasse com ele, e isso nada tem a ver com bullying", destaca Campos, em um trecho do texto.
CUIDADOS PARA NÃO BANALIZAR O CONCEITO
Psicólogos consideram que entender todo tipo de provocação como bullying contribui para descaracterizar esse tipo de agressão, levando à banalização do conceito. Enquanto provocações, geralmente temporárias e - até certo ponto - inofensivas são comuns, a violência acontece de fato quando esse tipo de agressão é persistente, voltada aos mais frágeis, visando à humilhação contínua e minando a autoestima da vítima.
- Provocações acontecem, brincadeiras acontecem. A interação social passa por divergência, por conflitos. Não se pode querer que pessoas que convivem muito nunca briguem - ressalta a psicóloga Carolina Lisboa, professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS.
O árbitro que vai definir o limiar entre provocação passageira e intimidação sistemática será sempre o próprio alvo. Talvez alguém não se sinta vitimado por ser chamado de "gordo", por exemplo, enquanto outros podem entender como ofensa ter seu nome posto no aumentativo ou no diminutivo.
Caracteriza também esse tipo de agressão, que pode ser física, verbal e virtual, uma relação de poder imposta entre o autor, em algum aspecto mais forte, e a vítima, mais frágil.
- É a pessoa com mais fragilidade que acaba sofrendo. Porque é mais nova, porque tem um porte menor, porque possui alguma característica diferente dos colegas. E essa relação de poder é mais comum do que se possa imaginar: acontece também na vida adulta - diz Denise Quaresma, professora do curso de Psicologia da Feevale.
Nas escolas, enquanto provocações mais "leves" podem ser solucionadas pelos envolvidos e passam em pouco tempo, o bullying é mais severo e dificilmente encerrado por vontade da vítima. Por isso, colegas, supervisores, pais e professores têm papel fundamental em alertar sobre o ocorrido e trabalhar juntos pelo fim da violência.
Quando o sofrimento é mascarado
No lado oposto da exteriorização dos sentimentos estão as crianças e adolescentes que, na tentativa de evitar o sofrimento, acabam participando da brincadeira - rindo com os colegas quando falam de seu nariz, do sotaque, do peso, das roupas que usam. Esse tipo de atitude pode mascarar um grande sofrimento interno: apesar de rir por fora, a vítima pode estar escondendo o quanto as provocações fazem mal para ela.
- Ela (a vítima) participa para fingir que está aceitando, quando na verdade sofre demais com aquilo. Esse processo dissociativo é muito prejudicial: a vítima perde parte do senso interno de convicção, de certo e errado, e acaba desenvolvendo uma série de problemas se a situação não for superada - descreve a psicóloga Carolina Lisboa.
Entre os males associados à aparente aceitação do bullying, segundo os psicólogos, estão problemas como depressão, síndrome do pânico, ansiedade exacerbada e hipervigilância, levando a vítima a acreditar que tudo o que ela faça pode estar sendo julgado.
Para quem argumenta que o bullying é algo antigo, sempre comum nas escolas e que prejudicava ninguém, a pedagoga Cléo Fante destaca que as marcas desse tipo de violência podem ficar guardadas e que dificilmente são superadas sem ajuda:
- Há quem diga que bullying forma caráter, que serve para fortalecer. Ou pense que isso é frescura, coisa de criança. Mas o bullying em contexto escolar sempre existiu. Talvez se tenha a impressão de que está ficando mais grave porque hoje o assunto é mais discutido.
MECANISMOS DE SUPERAÇÃO AINDA SÃO DESCONHECIDOS
Apesar da gravidade de casos recentes que podem ter tido o bullying como estopim, especialistas ressaltam que as consequências desse tipo de violência podem, sim, ser superadas. Mas os mecanismos que definem se alguém vai passar por cima das agressões, guardar mágoa até a vida adulta ou achar que, mesmo anos depois, precisa "revidar" a violência, ainda são desconhecidos.
- As pessoas que vão lidar melhor com o bullying até podem ter mais autoestima, mas o que mais vai influenciar a superação é o fato de ter apoio da família, dos amigos - sugere Carolina.
Pacientes costumam relatar que o pior aspecto do bullying é se sentir sozinho, ter a percepção de que ninguém se importa com aquela situação. Por isso especialistas afirmam que a prevenção e o combate passam não somente por agressor e vítima, mas também pelos espectadores - é na plateia que alguém que comete bullying está em busca de visibilidade e da sensação de poder.
Evitar agressões sistemáticas em ambiente escolar também inclui, diz a psicóloga Denise, não achar graça da humilhação alheia.
Aulas recomeçam na segunda-feira
As aulas da Educação Infantil e do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental no Colégio Goyases serão retomadas só na próxima segunda-feira. Já os alunos de 6º a 9º ano voltarão para a escola na terça-feira.
Na última segunda-feira, havia velas e flores em frente à unidade particular da instituição privada, que foi palco da tragédia ocorrida na sexta-feira. Na manhã de ontem, a mãe de uma adolescente de 14 anos baleada dentro de sala de aula e que está em recuperação
divulgou uma carta, pedindo para que "Deus ilumine o coração desse jovem que dilacerou tantas famílias".
DETALHE ZH
No caso de Goiânia, o autor dos disparas revelou ter se inspirado em dois massacres-o primeiro, em Realengo, na zona oeste do Rio, guando um atirador abriu fogo contra crianças e adolescentes de uma escola municipal e o outro em Columbine, nos EUA. Ambos foram arquitetadas por ex-alunos das escolas.
25/10/2017 | Zero Hora | Obituário | 33
Fraelena Paz Mansur
A professora de música Fraelena Paz Mansur morreu no sábado, aos 88 anos, no Hospital São Lucas, em Porto Alegre. Ela estava internada havia 80 dias em razão de uma broncopneumonia.
Fraelena ficou viúva aos 47 anos depois de ser casada por quase três décadas com Alberto Mansur. Dona de casa e professora aposentada, costumava dar aulas em sua residência. Adorava tocar acordeom e cantar.
Nas horas vagas, gostava de fazer crochê, passear no shopping e no Parque da Redenção, fazer compras, viajar, frequentar a igreja e ir à praia.
Conforme a família, após a morte do marido, Fraelena tornou-se mais reservada. E passou a dedicar ainda mais tempo à casa e à família. Além disso, há quatro anos, uma cirurgia limitou seus movimentos, o que também contribuiu para um estilo de vida mais caseiro.
Uma das coisas que lhe dava prazer era reunir familiares, cozinhar para eles e fazer pratos inspirados na culinária árabe. Embora fosse uma pessoa discreta e comedida, com os filhos, mas principalmente com os netos - aos quais ajudou a criar -, ela era só alegria.
- Minha avó gostava de ajudar os outros. A estrela que mais brilhará no céu será a sua. Onde estiver, nosso amor estará com você.
Serás eterna - diz a neta Maitê.
Fraelena deixa três filhos, sete netos, quatro bisnetos, dois irmãos e sobrinhos. A missa de sétimo dia ocorre amanhã, às 18h30min, na Paróquia Nossa Senhora da Paz (Rua Professor Cristiano Fischer, 149), em Porto Alegre.
25/10/2017 | Zero Hora | Obituário | 33
Lourdes Shirley Scarparo
Lourdes Shirley Scarparo morreu no dia 6 de outubro, no Hospital de Caridade Dr. Vitor Lang, em Caçapava do Sul, aos 80 anos.
Ela foi vítima de câncer no pâncreas e no fígado.
Shirley, como era conhecida, era filha de Primo Izidoro Scarparo e Maria das Dores Souza Scarparo (ambos falecidos). Natural de Caçapava do Sul, ainda muito jovem foi estudar em Santa Maria. Logo depois, passou a viver em Porto Alegre.
Formada em Biologia pela PUCRS, foi professora em várias escolas, entre elas, Sévignè, Bom Conselho, Instituto de Educação Flores da Cunha e Colégio Estadual Júlio de Castilhos.
Conforme a família, Shirley era uma pessoa alegre, simpática e comunicativa. Em sala de aula, destacava-se pela competência e dedicação, mas também pelo carinho com os alunos.
Depois da aposentadoria, a professora passou a realizar trabalhos voluntários na Casa Espírita Amor e Caridade e no Instituto Espírita Dias da Cruz, onde fez grandes amizades. Gostava de fazer viagens de navio e registrar tudo em fotos para compartilhar com os amigos. Apreciadora de boa leitura e bons filmes, deixou um acervo de livros didáticos e literários.
Shirley voltou a morar em sua cidade natal em 2008 para descansar e ficar mais próxima de familiares e amigos. Solteira, deixa irmãos, cunhadas e sobrinhos.
O sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal de Caçapava do Sul.
Segmento: Interesse
25/10/2017 | Correio do Povo | Opinião | 2
O triunfo da ignorância
Elaine dos Santos *
O Brasil criou universidades, de fato, no início do século XX, os espanhóis fizeram-no em 1538 na América hispânica, evidentemente, a educação nunca foi prioridade por aqui.
A par de inúmeras reformas de ensino anteriores, a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação — 4.024/61 —, que disciplinava a educação básica, emergiu sob fortes críticas em 1961, ainda assim, incluía estudos de Latim, Francês, Sociologia, Filosofia, timidamente, provocando certa reflexão entre os alunos. Pela lei 5.540/68, entraram em vigor as reformas dos governos militares, impôs-se o padrão estadunidense de educação, surgiram o primeiro e o segundo graus, a Língua Inglesa tornouse obrigatória e História perdeu carga horária.
Na sequência, a LDB 5.692/71 confirmou o fim de várias disciplinas, emergindo as doutrinadoras Educação Moral e Cívica, OSPB e EPB. A LDB 5.692/71 trouxe um viés tecnicista, de formação de mão de obra barata, introduzindo cursos profissionalizantes, auxiliares e técnicos em diversas áreas. Na minha cidade, ofertavase a habilitação em auxiliar de contabilidade, não tínhamos, pois, alternativas.
Ademais, faltava-nos o conhecimento de latim e, quanto ao estudo de inglês, passamos cinco anos estudando o verbo “to be”.
Entendo que nos tornamos “heróis da decoreba”. Certas postagens, hoje, nas redes sociais, “agridem” a língua materna.
Aulas de Sociologia fizeram falta para a geração que se encontra entre os 45 e os 60 anos de idade, pois, impressiona o desconhecimento sobre política stricto sensu. Mas, chocante é a ignorância sobre História, fatos relevantes da nossa identidade, e uma avassaladora tendência a acreditar em “verdades” absolutas, como se a História não fosse uma seleção de fatos feita pelos detentores do poder. Avalio que a reforma educacional de 1971 logrou êxito.
As manifestações, hoje, são fundadas no senso comum, sem sustentação argumentativa e avessas ao diálogo (falta argumentos para dialogar e se falta argumentos é porque falta conhecimento). Meses atrás, uma professora italiana disse-me que é inaceitável a tendência à apologia da ignorância entre nós. Só faremos um país diferente quando deixarmos de nos esconder na clássica desculpa:
“Essa é minha opinião”. Opinião sem argumentos sólidos é somente uma opinião, sem importância, ela é inócua!
* doutora em Letras
25/10/2017 | Correio do Povo | Ensino | 11
Relatório defende uma Educação compartilhada
Segundo a organização, a responsabilização de todos os setores é fundamental para a qualidade educacional
Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) alerta governos, escolas, professores, pais e atores privados, de que a Educação precisa ser uma responsabilidade compartilhada. Segundo o documento
internacional, a culpa desproporcional sobre qualquer ator, em relação a problemas educacionais sistêmicos, pode ter sérios efeitos colaterais negativos, além de ampliar a inequidade e prejudicar a aprendizagem.
Com o tema “Responsabilização na Educação: Cumprir nossos compromissos”, o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2017-2018 foi lançado, mundialmente, ontem. Pela primeira vez, o lançamento internacional aconteceu também no Brasil, em Brasília, e, ao mesmo tempo, em Londres (Reino Unido) e Maputo (Moçambique). A coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, explica que a responsabilização de todos os setores da sociedade é fundamental para a qualidade da Educação.
“Cada ente tem uma responsabilização. Isso tem que estar muito claro, baseado em um arcabouço legal justificável, no sentido de essa responsabilidade poder ser cobrada. Só vamos atingir qualidade na Educação, se conseguirmos fazer uma boa prestação de contas e ir corrigindo os problemas que encontramos no meio do caminho”, avalia. As políticas para melhorar práticas existentes
“centradas na construção, em vez de na acusação”, têm mais chances de produzir sistemas educacionais equitativos, inclusivos e de qualidade, ressalta.
DADOS
■ Mundialmente, menos de 20% dos países garantem, legalmente, a oferta de 12 anos de Educação gratuita e obrigatória aos alunos.
■ Atualmente, existem 264 milhões de crianças e jovens fora da escola; e 100 milhões de jovens são incapazes de ler.
■ Estudo da Unesco revela que órgãos independentes fortes, como ouvidorias, parlamentos e instituições de auditoria, também são necessários para responsabilizar os governos pela Educação.
■ Apenas um governo, em cada seis, publica relatórios anuais de monitoramento educacional.
Segmento: Outras Universidades
25/10/2017 | Gazeta do Sul | Especial | 11
Formação e atendimento à comunidade
A Odontologia tem atenção especial na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), tanto com o curso de graduação quanto com a Clínica Odontológica. O curso forma profissionais aptos a atuarem como cirurgião-dentista generalista, capazes de responder às necessidades que dizem respeito à prevenção, cura e, sobretudo, à promoção e conservação da saúde bucal, individual e coletiva.
Também desenvolve a Odontologia Social, que envolve o atendimento preventivo à saúde bucal nos bairros.
Na excelente infraestrutura da Unisc, sobressai-se a Clínica Odontológica, com todos os recursos didáticos, operacionais e físicos, destinados exclusivamente ao curso. Oferece ainda programas de atendimento à população como parte de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.